UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

EUA afirmam haver indícios de suborno em contratos da CBF na Copa do Brasil

Futebol

Segundo as autoridades norte-americanas, durante as investigações foram encontrados indícios de práticas ilícitas em outros países. No Brasil, as suspeitas recaem sobre contratos de patrocínio e de transmissão da Copa do Brasil assinados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Agência Brasil
A investigação da Justiça dos Estados Unidos vai além da suposta participação de dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e empresários em uma possível fraude na escolha dos países-sede das duas próximas Copas do Mundo (Rússia, 2018, e Catar, 2022).
Segundo as autoridades norte-americanas, durante as investigações foram encontrados indícios de práticas ilícitas em outros países. No Brasil, as suspeitas recaem sobre contratos de patrocínio e de transmissão da Copa do Brasil assinados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Conforme um comunicado divulgado hoje (27), pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, “o outro esquema investigado” - além do que apura suspeita de irregularidades na escolha de Rússia e Catar para sediar a Copa do Mundo em 2018 e 2022, respectivamente - está relacionado ao pedido e recebimento de subornos e propinas por autoridades do futebol e executivos de marketing esportivo durante as negociações sobre o direito de transmissão de campeonatos. Entre os eventos citados nominalmente está a Copa do Brasil, organizada pela CBF. A nota também menciona o "pagamento e recebimento de subornos e propinas em conexão com o patrocínio da CBF por uma grande empresa de sportswear dos EUA". Atualmente, a patrocinadora oficial da CBF é a Nike.
Os nomes de três brasileiros constam da relação de investigados divulgada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Além do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, detido esta manhã, em Zurique, Suíça, são citados o empresário José Hawilla, dono da Traffic Group, e José Margulies, dono de empresas de transmissão de eventos esportivos.
A reportagem não conseguiu conversar com nenhum dos representantes da CBF sobre as suspeitas de irregularidades nos contratos de patrocínio e de transmissão da Copa do Brasil. Em nota divulgada no final da manhã de hoje, a CBF informou que apoia "integralmente" as investigações das autoridades policiais dos Estados Unidos e da Suíça.
Durante entrevista coletiva em Nova York, esta manhã, as autoridades norte-americanas revelaram que o esquema pode ter movimentado mais de US$ 150 milhões em subornos e propinas. Mais seis dirigentes da Fifa, além de José Maria Marin, foram detidos hoje, em Zurique. São eles: o caimanês Jeffrey Webb, o costarriquenho Eduardo Li, o nicaraguense Julio Rocha, o inglês Costas Takkas, o uruguaio Eugenio Figueredo e o venezuelano Rafael Esquivel.
A detenções ocorreram em um hotel onde os dirigentes da Fifa estão reunidos para participar de um congresso da entidade, durante o qual será escolhido, nesta sexta-feira (29), o próximo presidente. Atual mandatário, Joseph Blatter busca seu quinto mandato e é apontado como favorito para vencer a eleição.
Mais cedo, o diretor de comunicação da Fifa, Walter de Gregório, garantiu que a eleição e as escolhas da Rússia e do Catar para sediar as duas próximas Copas do Mundo estão mantidas. Gregório acrescentou que Blatter não é alvo da investigação norte-americana.
Fonte - Agência Brasil  27/05/2015

sexta-feira, 23 de maio de 2014

MP diz ter 'provas robustas' de corrupção sobre ex-chefe da Casa Civil de Covas

Politica

Promotores querem que Robson Marinho seja afastado do cargo do Tribunal de Contas, responsável por fiscalizar as contas estaduais. Papéis recebidos da Suíça evidenciam propina paga pela Alstom

Eduardo Maretti, da RBA 
Conselheiro Robson Marinho, em 2000, quando já ocupava
o cargo no tribunal, onde está desde 1997

BOB PAULINO/FOLHAPRESS
São Paulo – A Promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público de São Paulo propôs uma ação cautelar pedindo que o conselheiro Robson Marinho seja afastado do cargo no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O pedido foi motivado pela chegada de documentos da Suíça na última terça-feira (20) com provas “robustas” contra Marinho. O MP tem 30 dias, a contar da data da chegada dos documentos, para entrar com a ação principal (civil pública ou de improbidade) contra o conselheiro.
Marinho, segundo os documentos, recebeu propina para aprovar contratos da Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE) com consórcio formado pela francesa Alstom. Robson Riedel Marinho foi coordenador da campanha que elegeu Mário Covas governador de São Paulo (1995-2001), depois chefe da Casa Civil (1995 a abril de 1997), e em 1997 acabou nomeado conselheiro do Tribunal por Covas.
A EPTE é uma das empresas que surgiram com o projeto de privatização da Eletropaulo iniciado por Covas. O conselheiro é investigado desde 2008.
Atualmente há em andamento o inquérito civil no MP, um inquérito criminal no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e três ações cautelares, estas decorrentes da investigação dos promotores. A cautelar com pedido de afastamento se junta a outras duas: uma ação cautelar de sequestro (com objetivo de obter documentos e bloqueio de eventuais valores na Suíça e França) e de exibição (quebra de sigilo interno no Brasil).
“É de extrema gravidade o que foi apurado. As provas são robustas e não se pode admitir que uma pessoa, durante o dia, em sessões solenes, realize o julgamento de contas públicas do estado de São Paulo, e durante a noite movimente secretamente valores na Suíça”, disse o promotor José Carlos Blat, em coletiva à imprensa junto com os colegas Silvio Marques e Saad Mazloum.
Na última semana, após ser divulgada a informação de que foi descoberta uma conta na Suíça para a qual foram repassados recursos de propina, Esta semana, após as novas denúncias, Marinho usou o plenário do Tribunal de Contas para se defender. “Eu quero reafirmar aqui: nunca dei nenhum voto neste tribunal pra favorecer a Alstom ou quem quer que seja. Portanto, não cometi nenhum desvio de conduta. Nenhuma conta minha recebeu um tostão sequer, um dólar sequer da Alstom. Nem na Suíça, nem no Brasil. Volto a dizer. Então, o que eu espero e aguardo há mais de seis anos é que haja um processo legal, um processo formal para que eu possa me defender”, disse.
Os promotores reafirmaram várias vezes não poder entrar em detalhes sobre os documentos e as investigações, mas ressaltaram que as provas contra Marinho são inequívocas. “A única coisa que a gente pode falar no momento é que houve pagamento de vantagens ilícitas ao conselheiro Robson Marinho”, afirmou Marques.
Marinho movimento US$ 2,7 milhões em conta aberta em nome de uma empresa off shore na Suíça. De acordo com os promotores, sobre um contrato de US$ 50 milhões (equivalentes hoje a cerca de R$ 268 milhões) ocorreu pagamento de propina em torno de 15% a 17%. Em 1998 esses valores teriam sido pagos e distribuídos a diversos agentes públicos.
Os documentos da Suíça que chegaram no dia 20 foram solicitados em 2010. O promotor Silvio Marques afirmou não poder falar sobre outros agentes ou funcionários públicos sob investigação.

Pedido petista
Há dois meses, o deputado e então líder do PT na Assembleia Legislativa, Luiz Cláudio Marcolino, entregou ao procurador-geral da Justiça, interino, Álvaro Augusto Fonseca de Arruda, um pedido de afastamento cautelar de Robson Marinho, enquanto continuarem as investigações sobre seu envolvimento no esquema de corrupção da Alstom.
Segundo a petição apresentada pelo PT e assinada por todos deputados da bancada do partido, um dossiê com 282 páginas, já conhecido e divulgado pela imprensa, mostra que Marinho teria recebido US$ 1,1 milhão na conta 17321-1, por intermédio do banco Crédit Lyonnais Suisse de Genebra.
"Diante dessas informações fica claro que Marinho não tem mais idoneidade moral e reputação ilibada, característica prevista em lei para que ele ocupe o cargo”, argumentou Marcolino no pedido.
Fonte - Rede Brasil Atual  23/05/2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

Comissão interna nega pagamento de suborno a empregados

Petrobras

Na nota, a Petrobras informa que ainda durante os trabalhos da Comissão Interna de Apuração a companhia prestou esclarecimentos sobre o andamento e as conclusões dos trabalhos da comissão, constituída no último dia 13, à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Ministério Público Federal (MPF).

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Em comunicado oficial publicado hoje (31) nos principais jornais do país, a Petrobras informou que a Comissão Interna de Apuração, constituída para apurar denúncias de supostos pagamento de suborno a empregados da companhia, por parte da empresa holandesa SBM Offshore, “não encontrou fatos ou documentos que evidenciem pagamento de propina a empregados da estatal.
Na nota, a Petrobras informa que ainda durante os trabalhos da Comissão Interna de Apuração a companhia prestou esclarecimentos sobre o andamento e as conclusões dos trabalhos da comissão, constituída no último dia 13, à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Ministério Público Federal (MPF).
A empresa informou ainda que o relatório final da Comissão Interna de Apuração será encaminhado à CGU, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao MPF. Também em comunicado oficial através dos jornais, a Petrobras informa que em relação à Refinaria de Pasadena, a comissão interna tem prazo previsto de 45 dias para apresentar as conclusões.
Constituída no dia 24 último, a comissão é coordenada pela Auditoria Interna da Companhia. A Petrobras informou ainda que, desde dezembro de 2012, vem atendendo aos órgãos públicos e aos órgãos de controle: Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União, Ministério Público, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Requerimento de Informações de Parlamentares. “Estão sendo fornecidas todas as informações e documentos sobre o processo de compra da Refinaria de Pasadena.
Fonte - Agência Brasil  31/03/2014

sábado, 16 de novembro de 2013

Justiça suíça condena ex-diretor da CPTM por propina no caso Alstom

Internacional

Jornal do Brasil
foto - ilustração
O ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CTPM), João Roberto Zaniboni, foi condenado pela Justiça suíça por lavar dinheiro de propina no país europeu. A Justiça suíça também quer que o Ministério Público Federal (MPF) investigue o que considera um esquema de suborno em troca de contratos com o governo do estado.
O Ministério Público Federal investiga o esquema de pagamento de propina pela empresa francesa Alstom em licitações. Suspeita-se de irregularidades na compra de equipamentos para o governo paulista durante as gestões de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
A Justiça suíça afirma que, entre setembro de 1999 e dezembro de 2002, a conta em nome do ex-diretor de operações movimentou 836 mil dólares. De acordo com a Justiça, parte do dinheiro foi resultado de propina paga para que a francesa Alstom firmasse contratos com a CPTM. Segundo procuradores suíços, os bens de Zaniboni foram bloqueados e ele foi condenado a pagar uma multa. Contudo, ela não pôde ser cobrada porque as autoridades brasileiras não atenderam ao pedido de cooperação enviado há quase três anos. Os promotores suíços reclamaram que sequer receberam uma confirmação de que o pedido tenha chegado aos investigadores brasileiros.
De acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, as diligências pedidas pelo Ministério Público suíço estão sendo realizadas. A Corregedoria do Ministério Público Federal afirmou que está investigando o porquê do arquivamento errôneo do pedido de cooperação feito pelos promotores da suíça.
Fonte - Jornal do Brasil  16/11/2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

R$ 1 bilhão: custo das propinas para trens, metrô e construtoras em SP - Bob Fernandes




Construtoras subornavam funcionários da prefeitura de São Paulo para pagar menos impostos sobre imóveis novos. Gatunagem no ISS estimada em R$ 500 milhões. Operações do tempo em que Kassab era o prefeito.
Alstom e a Siemens pagavam propinas a funcionários do governo de São Paulo para ganhar contratos de trens e metrô. O superfaturamento beira R$ 500 milhões.
Com o pedido refeito pela Suíça, o ministério público vai voltar a investigar o caso Alstom; os subornos pagos nas licitações de trens e metrôs em São Paulo. Em governos do PSDB.
Está pronto o cenário para batalhas do ano eleitoral: a oposição atacará com o caso chamado "mensalão do PT". Apontará para os condenados já presos, ou cobrará: "Por que os condenados não estão presos?"
Governo federal, e o municipal de São Paulo, terão dois alvos: a corrupção na licitação de trens e metrô e a roubalheira na prefeitura. Mas, antes, terão que explicar: Kassab e seu PSD são ou não são aliados do governo?
Donato, secretário de governo de Haddad, recebeu ou não R$ 200 mil para campanha? Doação que, segundo escutas, teria sido feita por um dos fiscais presos. Respondidas tais perguntas, virão os tiros na oposição.
Mauro Ricardo foi secretário das Finanças de Serra na prefeitura. Foi secretário da Fazenda no governo Serra. Voltou a ser secretário das Finanças com Kassab e era chefe imediato de Ronilson Bezerra Rodrigues.
Ronilson foi Subsecretário da Receita na gestão Kassab. Ronilson é, por ora, o principal suspeito nesse propinoduto de R$ 500 milhões.
Em dezembro Mauro Ricardo mandou arquivar denúncia contra Ronilson. Mauro Ricardo agora se diz "traído", se verdadeiros os fatos. Alega que a assessoria jurídica concluiu não existirem indícios contra Ronilson.
A prefeitura vai investigar ao menos 15 construtoras suspeitas de envolvimento no esquema.
Tais construtoras são poderosas. Mesmo quando não contribuem legalmente para campanhas políticas ajudam como podem. Cabe então uma dúvida.
Por que, quando as construtoras foram achacadas por fiscais, um executivo ou mesmo o dono não deu um telefonema? Por que não ligou para o prefeito Kassab, ou para o secretário Mauro Ricardo e denunciou:
-Prefeito... secretario... seus fiscais estão pedindo propina para liberar prédios novos...
Talvez tenham tido problemas na linha. Esse silêncio súbito nas linhas telefônicas levou gigantes do setor a uma grande economia. E custou R$ 500 milhões à cidade de São Paulo.
Assim não há IPTU que pague a conta.
Publicado em 04/11/2013

sábado, 24 de agosto de 2013

A conta secreta do propinoduto

Política

Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como "Marília", aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou somas milionárias para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PS

Claudio Dantas Sequeira e Pedro Marcondes de Moura
Na edição da semana passada, ISTOÉ revelou quem eram as autoridades e os servidores públicos que participaram do esquema de cartel do Metrô em São Paulo, distribuíram a propina e desviaram recursos para campanhas tucanas, como operavam e quais eram suas relações com os políticos do PSDB paulista.

A CONTA DA PROPINA
Dinheiro para tucanos saiu da “conta Marília” no Leumi Private Bank, em Genebra, na Suíça
Agora, com base numa pilha de documentos que o Ministério da Justiça recebeu das autoridades suíças com informações financeiras e quebras de sigilo bancário, já é possível saber detalhes do que os investigadores avaliam ser uma das principais contas usadas para abastecer o propinoduto tucano. De acordo com a documentação obtida com exclusividade por ISTOÉ, a até agora desconhecida “conta Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, hoje Leumi Private Bank AG, sob o número 18.626, movimentou apenas entre 1998 e 2002 mais de 20 milhões de euros, o equivalente a R$ 64 milhões. O dinheiro é originário de um complexo circuito financeiro que envolve offshores, gestores de investimento e lobistas.

Uma análise preliminar da movimentação da “conta Marília” indica que Alstom e Siemens partilharam do mesmo esquema de suborno para conseguir contratos bilionários com sucessivos governos tucanos em São Paulo. Segundo fontes do Ministério Público, entre os beneficiários do dinheiro da conta secreta está Robson Marinho, o conselheiro do Tribunal de Contas que foi homem da estrita confiança e coordenador de campanha do ex-governador tucano Mário Covas. Da “Marília” também saíram recursos para contas das empresas de Arthur Teixeira e José Geraldo Villas Boas, lobistas que serviam de intermediários para a propina paga aos tucanos pelas multinacionais francesa e alemã.

ELO ENTRE OS ESQUEMAS
Ligado aos tucanos, o lobista Arthur Teixeira, dono de offshores no Uruguai, recebeu recursos da “conta Marília”
O lobista Arthur Teixeira personifica o elo entre os esquemas Alstom e Siemens. Como ISTOÉ já revelou numa série de reportagens recentes, com base nas investigações em curso, Teixeira e seu irmão Sérgio (já falecido) foram responsáveis por abrir as empresas Procint e Constech, além das offshores Leraway Consulting e Gantown Consulting, no Uruguai, com o único objetivo de servir de ponte ao pagamento de comissões a servidores públicos e a políticos do PSDB. Teixeira tinha acesso privilegiado ao secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e ao diretor de Operação e Manutenção da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), José Luiz Lavorente, o encarregado da distribuição em mãos da propina.
Até 2003 conhecido como Multi Commercial Bank, depois Safdié e, a partir de 2012, Leumi Private Bank AG, a instituição bancária tem um histórico de parcerias com governos tucanos. Em investigações anteriores, o MP já havia descoberto uma outra conta bancária nesse banco em nome de Villas Boas e de Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão Fernando Henrique Cardoso. Apesar de estar fora da administração paulista numa das épocas do pagamento de propina, Fagali manteria, segundo a Polícia Federal, ascendência e contatos no governo paulista. Por isso, foi indiciado pela PF sob acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Fagali Neto também é irmão de José Jorge Fagali, que presidiu o Metrô na gestão de José Serra. José Jorge é acusado pelo MP e pelo Tribunal de Contas Estadual de fraudar licitações e assinar contratos superfaturados à frente do Metrô.

Para os investigadores, a “conta Marília” era usada para gerenciar recursos de outras contas destinadas a abastecer empresas e fundações de fachada
Para os investigadores, a “conta Marília” funcionaria como uma espécie de “conta master”, usada para gerenciar recursos de outras que, por sua vez, abasteceram empresas e fundações de fachada, como Hexagon Technical Company, Woler Consultants, Andros Management, Janus, Taltos, Splendore Associados, além da já conhecida MCA Uruguay e das fundações Lenobrig, Nilton e Andros. O MP chegou a pedir, sem sucesso, às autoridades suíças e francesas o arresto de bens e o bloqueio das contas das pessoas físicas e jurídicas citadas. Os pedidos de bloqueio foram reiterados pelo DRCI, mas não foram atendidos. Os investigados recorreram ao STJ para evitar ações similares no Brasil.
O MP já havia revelado a existência das contas Orange (Laranja) Internacional, operada pelo MTB Bank de Nova York, e Kisser (Beijoqueiro) Investment, no banco Audi de Luxemburgo. Ou seja, “Marília” é mais um nome próprio no dicionário da corrupção tucana. Sabe-se ainda que o cartel operado pelas empresas Siemens e Alstom, em companhia de empreiteiras e consultorias, usava e-mails cifrados (leia quadro).

RELAÇÃO COM FHC
Um dos beneficiários da propina oriunda da Suíça, Geraldo Villas Boas mantinha uma conta conjunta com Jorge Fagali Neto, ex-diretor de projetos do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão de Fernando Henrique Cardoso
Os novos dados obtidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça dão combustível para o aprofundamento das investigações no Brasil. Além do processo administrativo aberto pelo Cade sobre denúncia de formação de cartel nas licitações de São Paulo e do Distrito Federal, outras duas ações sigilosas, uma na 6ª Vara Federal Criminal e outra na 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, apuram crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa. Além de altos funcionários do Metrô, como os já citados Lavorente e Fagali, as investigações apuram a participação do ex-secretário de Energia e vereador Andrea Matarazzo, em razão de contratos celebrados entre a Companhia de Energia de São Paulo (CESPE) e a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A. (EPTE).
Na documentação encaminhada pelo DRCI ao MP de São Paulo, a pedido do promotor Silvio Marques, também constam novos dados bancários de vários executivos franceses, alemães e brasileiros que tiveram algum tipo de participação no esquema de propinas. São eles os franceses Michel Louis Mignot, Yves Barbier de La Serre, André Raymond Louis Botto, Patrick Ernest Morancy, Jean Pierre Antoine Courtadon e Jean Marcel Jackie Lannelongue e os brasileiros José Amaro Pinto Ramos, Sabino Indelicato e Luci Lopes Indelicato, além do alemão Oskar Holenwger, que operou em toda a América Latina. Na Venezuela, Holenwger é citado junto a Mignot, La Serre, Morancy e Botto em investigação sobre lavagem de dinheiro, apropriação indébita qualificada, falsificação de documentos e suposta corrupção de funcionários públicos do setor de energia.

DA COZINHA DE COVAS
De acordo com o MP, o conselheiro do TCE, Robson Marinho (foto), homem de confiança do ex-governador Mário Covas, recebeu dinheiro através da conta Marília
O apoio das autoridades de França e Suíça às investigações brasileiras não tem sido tão fácil, e a cooperação é mais recente do que se pensava. O Ministério da Justiça chegou a pedir o compartilhamento de informações ainda em 2008 – auge da investigação da Siemens e da Alstom. Mas não foi atendido. Os franceses lembraram que, nos termos do acordo bilateral, a cooperação só pode se desenrolar por via judicial. Dessa forma, foi necessário notificar o Ministério Público Federal para que oficiasse junto à 6ª Vara Criminal Federal e à 13ª Vara da Fazenda Pública. O compartilhamento só foi efetivado em dezembro de 2010.
A Suíça, ainda em março de 2010, solicitou a cooperação brasileira na apuração das denúncias lá, uma vez que parte do dinheiro envolvido nas transações criminosas teria sido depositada em bancos suíços. Os primeiros dados, relativos à empresa MCA e ao Banco Audi de Luxemburgo, chegaram ao Brasil em julho de 2011. Foram solicitadas ainda oitivas com determinadas testemunhas, o que foi encaminhado ao MPF em São Paulo e à Procuradoria Geral da República (PGR). Paralelamente, a Polícia Federal abriu o inquérito nº 0006881-06.2010.403.6181, mas só no último dia 25 de julho o procurador suíço enviou às autoridades os dados bancários solicitados, por meio de uma decisão denominada “conclusive decrees”, proferida em 14 e 24 de junho. Foi com base nisso que a Suíça já bloqueou cerca de 7,5 milhões de euros que estavam na conta conjunta de Fagali e Villas Boas, no Safdié. Tratou-se de uma decisão unilateral suíça e a cifra não é oficial – foi fornecida ao Ministério da Justiça por fonte informal. A Suíça só permite o uso dos dados enviados em procedimentos criminais.

Fonte - ISTOÉ  23/08/2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Alstom pagou US$ 20 mi a partidos do País, diz Suíça

Dez pessoas, entre elas ex-secretários, foram indiciados pela PF por esquema de corrupção

Estadão Conteudo

Empresa denunciou esquema para contratos de trens e metrô Getty Images
A Alstom destinou mais de R$ 45,5 milhões (US$ 20 milhões) em propinas ao Brasil e parte do dinheiro foi parar em cofres de partidos políticos. A constatação faz parte da investigação realizada pela Justiça suíça e foi obtida com exclusividade pela reportagem. Um grupo de dez pessoas, entre elas os ex-secretários Jorge Fagali Neto e Andrea Matarazzo, foi indiciado pela Polícia Federal por causa do esquema de corrupção da empresa francesa, desmantelado pela apuração na Suíça.
A investigação mostra que informes internos da Alstom revelam o esquema para ganhar contratos públicos no Brasil nos anos 1990. Neles, a empresa francesa indica o pagamento de propinas para financiar partidos. A constatação da Justiça de Berna é de que há "evidências claras de suborno" e até uma "tabela oficial" de propina no Brasil. O dinheiro foi destinado a diversos projetos de energia no Brasil, envolvendo Furnas, Eletropaulo, a Usina de Itá e outros empreendimentos.
Um dos depoimentos que marca o caso é o de um colaborador do esquema, Michel Cabane, confirmando que a "Alstom e a Cegelec (subsidiária da Alstom) estavam trabalhando juntas para organizar uma cadeia de pagamentos para tomadores de decisão no Brasil". Havia até mesmo uma lista de nomes de brasileiros na empresa.
A Justiça suíça teve acesso a um comunicado interno da Alstom, de 21 de outubro de 1997. Nele, o então diretor da Cegelec Andre Botto escreveu que o dinheiro era propina. "Isso é uma política de poder pela remuneração", afirmou. "Ela é uma ‘negociated’ via o ex-secretário do governador (RM). Ela cobre — as finanças do partido — o Tribunal de Contas (do Estado) e a Secretaria de Energia." A meta era cometer o que os suíços ironizaram como "um crime perfeito". Parte do dinheiro iria para os políticos, parte para o tribunal e parte para o secretário de Energia que daria os contratos.
Políticos
A Justiça suíça não citou partido, mas indicou que a participação política estava sempre presente. Naquele momento, o Estado de São Paulo era governado pelo PSDB. RM seria Robson Marinho, conselheiro do TCE, que, depois de coordenar a campanha de Mário Covas em 1994, foi chefe da Casa Civil entre 1995 e 1997. O Ministério Público suíço revelou cada uma das transferências às contas de Marinho no banco Safdie em Genebra. O dinheiro chegaria via uma offshore uruguaia, a MCA.
Quem também é citado é Romeu Pinto Junior, indiciado como uma das pessoas que teria organizado o pagamento de propinas por meio da MCA. A investigação revela que, em media, 7,5% do valor dos contratos eram destinados ao pagamento de propinas. "De acordo com essas declarações, 7,5% e 1,13% dos contratos iam para a MCA, 3,1% para a Taltos e 0,6% para a Andros, 1,5% para a Splendore." Essas eram empresas fictícias criadas.
Outra empresa era a brasileira Alcalasser, pela qual teriam passados mais de R$ 50 milhões. Em depoimento a autoridades francesas, o ex-diretor financeiro da Cegelec, Michel Mignot, confirma que a Alcalasser foi criada para pagar propinas. Ela servia para as comissões.
Fonte -  R7 Noticias  09/08/2013