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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A desigualdade de renda recente no Brasil e nos EUA

Economia

No primeiro dia do ano, o New York Times publicou texto de Paul Krugman dando conta do aumento da desigualdade de renda nos EUA de 2000 a 2012.

José Carlos Peliano

No primeiro dia deste ano, o jornal The New York Times publicou texto de Paul Krugman dando conta do aumento da desigualdade de renda nos EUA de 2000 a 2012. Neste período os 90% dos indivíduos dos estratos inferiores da população americana passaram a deter de 54,7% a 50,4% da renda total, atingindo uma perda de cerca de 8% em 12 anos.
Interessante observar que, ao contrário deste cenário regressivo da maior potência ainda hegemônica do planeta, o Brasil no mesmo período apresentou uma redução significativa da desigualdade de renda, exatamente pela melhoria dos rendimentos dos mais pobres – não só pelo aumento relativo das rendas da maioria dos indivíduos pertencentes aos grupos que recebem até 2 salários mínimos, mas também e principalmente pela incorporação de mais de 5 milhões de famílias no mercado através do Programa Bolsa Família.
A consequente ampliação exuberante da demanda proporcionada pela melhoria de renda e inclusão de novos consumidores, um dos pilares da nova política econômica posta em prática nas administrações de Lula e Dilma, não é de maneira alguma reconhecida pela grande mídia sequer mencionada pelos economistas da oposição. De fato, essa modificação marcante do perfil da distribuição de renda continuará trazendo benefícios ponderáveis à economia brasileira pelo fortalecimento continuado do mercado interno, a garantia de renda em salários e demais rendimentos e um círculo virtuoso de consumo e produção, o que certamente dará condições para maiores estímulos aos investimentos.
Assim, o primo pobre do sul começa a mostrar ao primo rico do norte que há um caminho alternativo de política econômica que beneficia a economia como um todo a partir do reconhecimento do papel importante desempenhado pelos estratos mais pobres. Simples assim: o impulso sustentado do investimento não precisa sempre e necessariamente vir do consumo, poupança e aplicações dos mais ricos, podendo em momentos de crises, períodos de estagnação ou mesmo de períodos normais vir de ações que estimulem principalmente o consumo dos mais pobres, ainda que sobre espaço para suas pequenas poupanças e aplicações.
Resultado em números da opção da política econômica brasileira na última década em contraste com a dos EUA é que, aqui, a desigualdade cai e a produção industrial sobe (25%), enquanto lá a desigualdade sobe e a capacidade de produção industrial recua 6%. Decisões diferentes, resultados distintos.
Os argumentos de Krugman podem ser resumidos a dois centrais. Primeiro, a queda de 8% na renda dos 90% mais pobres americanos de 2000 a 2012 juntou-se à queda da capacidade de produção da economia em até 6%; o aumento da desigualdade fez mais que a recessão para deprimir as rendas da classe média. Segundo, havia uma bolha de poupança dos mais ricos de 1% amparada por uma bolha de crédito ao consumo dos mais pobres. A crise derrubou a produção, o consumo e a poupança deixando os pobres com as dívidas do crédito e o desemprego.
A mesma crise que assolou os EUA e o mundo também passou por aqui. Só que o crédito aqui, mesmo alimentado pela poupança dos mais ricos, foi direcionado para sustentar e garantir a produção industrial interna, enquanto lá boa parte do crédito ao consumo não ficou no circuito de financiamento industrial do país já que foi direcionado aos compromissos das relações produtivas e comerciais internas com o mercado externo.
A exposição americana ao mercado externo é bem superior a do Brasil. A sustentação do mercado interno brasileiro incentivada pela política econômica contempla todo o setor industrial, mas também os pequenos negócios com ações e instrumentos específicos de crédito, financiamento e garantias de participações em programas e projetos. Um conjunto de medidas desse tipo cria liames sólidos com o restante do complexo industrial. O que proporciona abertura de novas oportunidades, mais trabalhos e empregos, além de salários e rendimentos.
Se os EUA não praticarem uma política econômica voltada também para atender e incluir os mais pobres, a desigualdade tenderá a subir e a produção industrial poderá estagnar, se não alçar voo de galinha, para ficar somente nos termos e argumentos de Krugman. Enfim, o capitalismo continuará o mesmo, tanto lá como aqui, porém menos seletivo, discriminatório e injusto. A maior participação da população no mercado de trabalho, no entanto, pode aproximar os interesses dos cidadãos com os dos consumidores e investidores e daí trazer para a pauta dos direitos e deveres individuais a discussão e a redefinição dos rumos da sociedade e do bem estar social.
(*) José Carlos Peliano é economista
Fonte - Carta Maior 02/01/2014

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Previdência busca cooperação para reduzir gasto com acidentes

Transito


O Ministério da Previdência está buscando cooperação com as fontes de informação sobre os acidentes de trânsito, para identificar melhor esses casos e entrar com ações regressivas. Com isso, o culpado pelo acidente poderá ter de ressarcir os cofres públicos pelos benefícios pagos às vítimas....

Andreia Verdélio
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Ministério da Previdência Social apresentou hoje (19), durante reunião do Conselho Nacional da Previdência Social, dados sobre o impacto dos acidentes de trânsito no setor e as ações em curso para a redução dessas despesas. Até o primeiro semestre deste ano, foram registradas quase 30 mil mortes no trânsito contra mais de 60 mil ocorridas no ano passado. Em 2002, o total chegou a quase 47 mil, conforme dados da Seguradora Líder, que administra o Dpvat (seguro obrigatório).
No ano passado, seguros por invalidez permanente foram pagos para mais de 352 mil pessoas – em 2002, 33 mil solicitaram o benefício.

Para o secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim, o que se avalia é que, até em função da evolução da medicina, do atendimento mais rápido dos acidentados, foi possível evitar muitas mortes. “Ao evitar as mortes, temos maior número de pessoas com sequelas. Pessoas que antes morriam hoje conseguimos salvar e, por isso, vê-se um grande aumento de seguros por invalidez permanente.” Apenas no primeiro semestre deste ano, mais de 215 mil seguros foram pagos.
Sobre as indenizações pagas pelo Dpvat para assistência médica, Rolim explicou que isso ocorre apenas nos casos em que os acidentados não foram tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por algum plano de saúde e precisaram pagar tratamento particular. Em 2013, já foram pedidos mais de 54 mil ressarcimentos. No ano passado, foram quase 95 mil pedidos – em 2002, esse número foi de pouco mais de 61 mil, verificando-se um baixo crescimento.
“A cada ano, a invalidez permanente vai tendo um peso maior no total de seguros pagos. Por faixa etária, em 2001, 82% dos mortos e acidentados com invalidez por acidentes de trânsito estavam na faixa etária de 18 a 64 anos, pessoas em idade ativa, ou seja, pessoas que receberiam benefícios por um longo período e trabalhadores que deixariam de contribuir [para a Previdência]. Do ponto de vista previdenciário, é preocupante”, disse Rolim.
De acordo com a Previdência, a estimativa de custo dos acidentes de trânsito no Regime Geral da Previdência Social este ano está em torno de R$ 12 bilhões para quase 1 milhão de beneficiários.
Segundo Rolim, a Previdência não tem informações muito precisas sobre os acidentes de trânsito, já que não havia um indicador específico para isso na classificação dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele informou que a Previdência começou a fazer esse trabalho em 2011, inicialmente para estimar os impactos, depois, para recolher mais informações e, por último, para procurar medidas capazes de reduzir as despesas por acidentes de trânsito.
O secretário disse que a Previdência está buscando cooperação com as fontes de informação sobre os acidentes de trânsito, como as polícias rodoviárias, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Ministério da Saúde e a Seguradora Líder, para identificar melhor esses casos e entrar com ações regressivas. São em ações que, quando é identificado o culpado pelo acidente, ele poderá ter de ressarcir os cofres públicos pelos benefícios pagos às vítimas.
“Isso serve tanto como medida de prevenção quanto para recuperação de recursos, já que, cobrando do culpado pelo acidente o que foi gasto pela Previdência, as pessoas vão pensar mais antes de correr tanto risco no trânsito”, afirmou Rolim.
A Previdência também trabalha para reabilitação integral dos acidentados, de modo que se reduza o número de aposentadorias por invalidez permanente e o trabalhador volte ao mercado e continue a contribuir.
O secretário destacou ainda a participação do Ministério da Previdência e do INSS no Conselho Nacional do Trânsito (Contran), no Comitê Nacional de Trânsito e em outras ações para fortalecer o trabalho de prevenção dos acidentes. Rolim citou o Programa Vida no Trânsito, do Ministério da Saúde, e disse que “a educação é o principal mecanismo das atividades de prevenção”.
Fonte - Agência Brasil  19/12/2013

domingo, 16 de junho de 2013

FAO premia o Brasil e mais 37 países por reduzir a fome pela metade


A meta foi alcançada por esses países bem antes do prazo de 2015, estabelecido pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano, disse que os países que já chegaram à meta, devem manter os esforços para alcançar objetivos mais ambiciosos de combate à fome, até a completa eliminação do problema


Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) premiou hoje (16) 38 países, entre eles o Brasil, por terem reduzido a fome pela metade bem antes do prazo de 2015, estabelecido pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
A meta número 1 dos Objetivos do Milênio estabelece a redução, pela metade, da proporção de pessoas com fome até 2015. O cumprimento da meta pelos países premiados considerou a diferença do número de famintos entre 1990 e 1992 e entre 2010 e 2012.
Além do Brasil, já cumpriram a meta, segundo a FAO: Armênia, Azerbaijão, Cuba, Djibuti, Geórgia, Gana, Guiana, Kuwait, Quirguistão, Nicarágua, Peru, São Vicente e Granadinas, Samoa, São Tomé e Príncipe, Tailândia, Turcomenistão, Venezuela, Vietnã, Argélia, Angola, Bangladesh, Benin, Camboja, Camarões, Chile, República Dominicana, Fiji, Honduras, Indonésia, Jordânia, Malawi, Maldivas, Níger, Nigéria, Panamá, Togo e Uruguai.
O diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano, elogiou as nações que já atingiram a meta de reduzir a fome pela metade e destacou as iniciativas regionais para garantir o acesso à alimentação.
“Para todos e a cada um de vocês, eu quero dizer que vocês são a prova viva de que quando as sociedades decidem pôr fim à fome, e quando há o compromisso político dos governos, podemos transformar essa vontade em ações concretas e resultados”, disse, segundo comunicado oficial da entidade.
Segundo Graziano, os países que já chegaram à meta, devem manter os esforços para alcançar objetivos mais ambiciosos de combate à fome, até a completa eliminação do problema. “Somos a primeira geração que pode acabar com a fome, que tem atormentado a humanidade desde o nascimento da civilização. Vamos aproveitar esta oportunidade”, acrescentou.
A premiação foi entregue em cerimônia na sede da FAO, em Roma, e teve a participação de vários chefes de Estado, entre eles os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, de Honduras, Porfirio Lobo, e do Panamá, Ricardo Martinelli.
Fonte - Agência Brasil  16/06/2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Bolsa Família teve impacto na queda da mortalidade infantil

Pesquisa revela: Bolsa Família teve impacto na queda da mortalidade infantil

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Uma pesquisa feita para avaliar os impactos do Programa Bolsa Família nas taxas de mortalidade infantil mostra redução de 17% na mortalidade de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009. A pesquisa foi feita com dados de cerca de 50% dos municípios brasileiros e revela que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição. A pesquisa registra que o Programa Saúde da Família também contribuiu para a queda dos números.
Os dados apontam que a condicionalidade do Bolsa Família de determinar que as crianças estejam com o cartão de vacinação em dia foi um ponto importante, já que aumentou a cobertura de imunização contra doenças como sarampo e pólio. O aumento da renda das famílias beneficiadas, que ampliaram o acesso a alimentos e bens relacionados à saúde, também é citado. Esses fatores foram destacados pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.
“O Bolsa Família melhorou a alimentação das mães. Os estudos mostram que as família se dedicam a comprar comida com esses recursos e isso já é um elemento de alteração do padrão de vida da criança. Ter acompanhamento pré-natal também contribui muito porque a criança já é cuidada antes mesmo de nascer”, disse.
A pesquisa aponta que o Programa Saúde da Família, que oferece atenção básica à saúde, teve papel na redução da mortalidade causada por doenças como diarreia e infecções respiratórias. A redução no número de grávidas que davam à luz sem receber atendimento pré-natal também foi registrada pela pesquisa.
“Os dois programas se complementam para evitar o adoecimento das crianças na primeira infância. É importante observar como uma pequena quantia de dinheiro pode ter tamanho benefício em relação à mortalidade infantil”, avaliou Maurício Barreto, mestre em saúde comunitária e titular em epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A pesquisa foi conduzida pelo mestre em saúde comunitária da UFBA, Davide Rasella, com a participação de pesquisadores da instituição. Os resultados foram publicados pela revista The Lancet, periódico científico da área de saúde, com sede no Reino Unido.
Fonte - Agência Brasil  23/05/2013