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sábado, 12 de setembro de 2015

Safra do caju deve dobrar em 2015

Agricultura

A expectativa dos produtores cearenses é superar as 51 mil toneladas produzidas no ano passado. A Central de Cooperativas Copacaju possui seis cooperativas ativas, cada uma com cerca de 50 famílias em diferentes municípios. A presidente da entidade, Cleoneide Lima Silva, espera espantar a lembrança de um 2014 fraco.

Edwirges Nogueira
Correspondente-Agência Brasil/EBC
Desenvolvido pela Embrapa, cajueiro anão-precoce
produz mais e por mais tempo
Cláudio Norões/Embrapa/Divulgação
Produtores de caju estão animados com a perspectiva de bons resultados da safra da fruta em 2015. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê que, este ano, a castanha de caju deverá somar 229 mil toneladas, o que representa um aumento de 113% em relação a 2014. O Ceará deve ser responsável pela maior fatia da produção. Segundo a IBGE, o estado deve produzir este ano 148 mil toneladas de castanha de caju – 64% do resultado nacional esperado.
A expectativa dos produtores cearenses é superar as 51 mil toneladas produzidas no ano passado. A Central de Cooperativas Copacaju possui seis cooperativas ativas, cada uma com cerca de 50 famílias em diferentes municípios. A presidente da entidade, Cleoneide Lima Silva, espera espantar a lembrança de um 2014 fraco. Mudanças no cultivo do cajueiro e a morte de árvores devido à severidade da seca deixaram a matéria-prima mais cara no ano passado, afetando o lucro das cooperativas, e foi preciso terceirizar a produção para poder atender o mercado.
A Copacaju comercializa castanha de caju para supermercados brasileiros e exporta para a Itália, além de fornecer a polpa do pedúnculo (parte carnosa do caju ou pseudo-fruto) para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do governo federal.
Segundo Cleoneide, a colheita do caju nos pomares deve começar em outubro e a Copacaju já se prepara para fornecer um novo produto a partir do pseudo-fruto: a cajuína. Por meio de um projeto apresentado à Fundação Banco do Brasil, a central conseguiu recursos para a compra de equipamentos para três fábricas da bebida. “Com a chegada da safra – e esperamos que ela seja boa, pois os cajueiros estão bonitos – esperamos que o preço da matéria-prima caia e que tenhamos mais sobras da produção dos cooperados para serem comercializadas.”

Pequeno cajueiro
Apesar de a safra oficial começar só em outubro, muitos cajueiros já estão frutificando em setembro graças ao cajueiro anão-precoce. Como o próprio nome diz, ele é mais baixo que o cajueiro comum, o que permite a colheita com as mãos. A espécie, que se destaca por frutificar mais cedo e por mais tempo, começou a ser desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na década de 1950 a partir de métodos naturais de melhoramento genético, com o objetivo de atender a diferentes necessidades dos produtores, como melhor adaptação ao clima semiárido e resistência a pragas.
Segundo Francisco Vidal, pesquisador em melhoramento genético do cajueiro da Embrapa Agroindústria Tropical, o cajueiro anão-precoce representa atualmente 18% da área plantada no Ceará, mas sua produtividade já ultrapassa a do cajueiro comum. No ano passado, a espécie foi responsável por um rendimento médio de 271 quilos de castanha por hectare, contra 104 quilos oriundos do cajueiro comum.
Em tempos de seca, o pequeno cajueiro vem se destacando. “Nos tem surpreendido que, nesses anos de irregularidades climáticas, o cajueiro anão-precoce tem proporcionado safra fora de época, aumentando o período de colheita. Se vem uma chuva em um mês fora do período chuvoso, ele começa a rebrotar, floresce e produz numa época em que, normalmente, não era para produzir.”
A tendência, segundo Vidal, é que o cajueiro anão-precoce se expanda não só pela sua capacidade produtiva maior, mas pela melhor qualidade do fruto (castanha) e pela valorização do pseudo-fruto. “Muitos novos plantios estão acontecendo agora porque a comercialização do pseudo-fruto está tomando impulso. Essa possibilidade está motivando os produtores a investir em práticas de produção, dando melhor manejo e se adequando ao sistema de cultivo. Isso também possibilita um aumento na produtividade”, explicou.
A expectativa do pesquisador é confirmada por Cleoneide. Muitos produtores da Copacaju plantaram cajueiros anão-precoces em 2014 e hoje eles já são maioria nos pomares das cooperativas. “Trabalhamos com uma castanha média, que é melhor de beneficiar. E o caju é mais doce, tem mais qualidade”, comparou.
Fonte - Agência Brasil  12/09/2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

Barragem subterrânea garante água para produtores do semiárido baiano

Sustentabilidade

Uma tecnologia simples mantem uma propriedade rural preparada para a longa estiagem, a barragem subterrânea.Trata-se de uma parede construída para dentro da terra, que tem a função de barrar as águas das chuvas que escorrem no interior e acima do solo....

TB
A parede construída para dentro da terra barra as águas das chuvas
Foto: Embrapa
A severa seca enfrentada entre 2010 e 2013 no semiárido baiano não foi tão dura quanto aquela vivida 20 anos antes, pelo menos, para o pequeno produtor José de Antonino do município de Curaçá.
A diferença não estava nas condições climáticas, mas numa tecnologia simples que manteve a propriedade preparada para a longa estiagem, a barragem subterrânea.
Trata-se de uma parede construída para dentro da terra, que tem a função de barrar as águas das chuvas que escorrem no interior e acima do solo, formando uma vazante artificial que mantém o terreno molhado entre três e cinco meses após a época chuvosa, permitindo a plantação mesmo em época de estiagem.
Presente em todos os estados do Nordeste que compõe a região do Semiárido mais o norte de Minas Gerais, as barragens subterrâneas tem produzido fortes impactos sociais. "Ela contribui para a segurança alimentar e nutricional das famílias agricultoras, além de geração de renda pela comercialização dos produtos", diz a pesquisadora da Embrapa Solos (RJ), Maria Sonia Lopes da Silva.
A água represada ajuda a produção
 Foto: Embrapa
Em Ouricuri (PE), dona Jesuíta, do Sítio Maniçoba, conheceu a experiência da barragem subterrânea em uma oficina de intercâmbio. Com a ajuda de entidades sociais locais, construiu a sua própria. "A gente só tinha água para beber e dar para os animais em duas cisternas. Faltava água para plantar, agora não falta mais nada," conta a produtora sobre a implantação da barragem.
"No começo, a gente não acreditou muito nela, porque não vê a água em cima da terra, mas depois que a gente deixa de comprar um monte de coisa porque tira alimentos do plantio feito nela. A gente fica é querendo ter mais terra pra construir mais barragens," afirma ela.

Reconhecimento
No ano passado, a tecnologia da barragem subterrânea foi agraciada na primeira edição do Prêmio Mandacaru - Projeto e Práticas Inovadoras em Acesso a Água e Convivência com o Semiárido, na categoria Pesquisa Aplicada.
O Prêmio Mandacaru foi concedido pelo Instituto Ambiental Brasil sustentável (IABS) por meio de subvenção da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
Também em 2013, em outubro, a barragem foi certificada como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil (FBB) por representar uma efetiva solução de transformação social.

Como construir
A barragem subterrânea deve ser instalada em locais situados em ponto estratégico do terreno, onde escorre o maior volume de água no momento da chuva. Sua construção é feita escavando-se uma vala perpendicular ao sentido da descida das águas até a profundidade da camada mais endurecida do solo.
Dentro da vala, estende-se um plástico com espessura de 200 micra por toda a extensão da parede que, em geral, varia de 80 a 100 metros de comprimento.
Após o plástico estendido, a vala volta a ser fechada com a terra. Nesta "parede", deve ser feito um sangradouro com 50 a 70 centímetros de altura.
O plástico impermeável barra o escorrimento da água da chuva e provoca a sua infiltração nos solo, o que reduz a evaporação.
Desta forma, cria-se uma vazante artificial na qual a umidade do solo se prolonga por longo tempo, chegando até quase o final do período seco no Semiárido.
Fonte - Tribuna da Bahia  10/03/2015

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Escassez de vagões para transporte da safra dos EUA torna armazenagem crítica

Internacional

Os produtores, que já enfrentaram dificuldades com a restrita oferta de vagões para entrega de fertilizantes na primavera, precisão colocar parte de suas grandes safras de milho e soja em armazéns devido à contínua competição com o petróleo por espaço nas ferrovias das planícies ao norte dos EUA, disse o presidente-executivo da CHS, Carl Casale, em entrevista.

Reuters
foto - ilustração
A rede de transporte dos Estados Unidos é inadequada para lidar com grandes safras como a esperada para esta temporada, criando um papel crítico para as operações de estocagem, disse o presidente da importante cooperativa agrícola CHS.
Os produtores, que já enfrentaram dificuldades com a restrita oferta de vagões para entrega de fertilizantes na primavera, precisão colocar parte de suas grandes safras de milho e soja em armazéns devido à contínua competição com o petróleo por espaço nas ferrovias das planícies ao norte dos EUA, disse o presidente-executivo da CHS, Carl Casale, em entrevista.
A habilidade para transportar grãos será fundamental para as companhias do setor, como a CHS, de Minnesota, Archer Daniels Midland e Bunge, porque elas assinaram acordos para entregar as safras em pontos específicos e em determinadas épocas. Isso deve ser ainda mais desafiador neste ano por causa das safras gigantes que aumentarão a demanda por vagões e barcaças.
"Não há atualmente capacidade para transportar esta safra para o mercado à medida que ela chega", disse Casale.
O comentário vai alimentar preocupações de que os produtores poderão enfrentar dificuldades para entregar as safras a seus clientes, depois que o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA), em relatório mensal na terça-feira, projetou a colheita de milho em recorde de 14,032 bilhões de bushels e uma safra de soja também em recorde de 3,82 bilhões de bushels.
Muitos analistas esperam que o governo aumente as estimativas de produção nos próximos meses devido ao clima favorável.
"No curto prazo, a estocagem será o apoio que, basicamente, permitirá a entrada desta safra", disse Casale. "O gerenciamento da cadeia física de oferta é onde o valor será criado em grãos, porque isso é o que a indústria realmente, mas realmente precisa agora."
O tráfego comercial no rio Mississippi, a principal rota fluvial para transportar grãos das fazendas do Meio-Oeste para os pontos de exportação no Golfo do México, já enfrentou problemas neste verão com o fechamento de um trecho em Minnesota para dragagem emergencial após inundações.
Em resposta aos desafios nas ferrovias e no rio, tradings de grãos estão aumentando a dependência por caminhões para escoar grãos, disse Casale.
O raio em que os caminhões são rentáveis para transportar grãos aumentou porque "tudo está ou indisponível ou ficou muito mais caro", disse.
Além dos problemas de transporte, a queda nos preços de grãos está levando os produtores a fazerem planos para estocar a safra. Os preços do milho caíram 13 por cento este ano e 24 por cento ante um ano atrás, para cerca de 3,65 dólares por bushel na bolsa de Chicago (CBOT).
Fonte - ABIFER 18/08/2014

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ministro da Justiça nega que governo use força policial contra comunidades indígenas

Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil


Brasília – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou enfaticamente que o governo federal tenha infringido qualquer direito indígena ou que atue com parcialidade em relação aos conflitos entre índios e produtores rurais ou grandes empreendimentos. As críticas vêm sendo feitas por lideranças indígenas mundurukus e organizações indigenistas como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) pela presença de policiais da Força Nacional com técnicos responsáveis por conduzir as pesquisas de viabilidade do Complexo Hidrelétrico Tapajós.
“Não posso aceitar, em momento algum, opiniões de que o governo [federal] tenha tido qualquer descompromisso com os direitos dos povos indígenas consagrados na Constituição. Não posso aceitar de forma nenhuma acusações de que exista uma situação de parcialidade na condução desse processo [de busca de soluções para os conflitos indígenas]”, disse o ministro hoje (19).
Para o ministro, a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) de determinar a suspensão temporária dos estudos de identificação do potencial hídrico do Rio Tapajós para a eventual construção de usinas hidrelétricas, bem como de todas as demais ações relacionadas ao empreendimento, é resultado de uma “confusão” que ele está certo de que será esclarecida nas instâncias superiores da Justiça.
A suspensão foi determinada nessa terça-feira (16), pelo desembargador João Batista Moreira, do TRF1, que acatou pedido do Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA). Além de apontar a necessidade de que os povos indígenas fossem consultados antes de qualquer estudo relacionado ao empreendimento, os procuradores da República apontavam o risco de um confronto entre policiais designados para garantir a segurança dos técnicos e cientistas responsáveis pelo estudo e manifestantes contrários à construção do Complexo Hidrelétrico Tapajós, sobretudo os índios da etnia Munduruku.
Em fevereiro, líderes da etnia visitaram a Agência Brasil e disseram que não aceitam o empreendimento e que iriam se unir a outros segmentos, como populações ribeirinhas e organizações não governamentais (ONGs), para inviabilizar as obras.
Para o ministro, as críticas são fruto “da má compreensão do que efetivamente está acontecendo”. Segundo Cardozo, a presença dos militares quer exclusivamente garantir os estudos e não afeta as áreas indígenas. “Há inclusive uma decisão judicial de que esses estudos têm que ser feitos para analisar a viabilidade da obra, com respeito ao meio ambiente e a tudo mais. A presença da Força Nacional, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal é apenas para garantir os estudos e a tranquilidade do local. Não se trata de atingir direitos de povos indígenas em hipótese nenhuma”.

Cardozo destacou o empenho do governo federal em reconhecer e garantir o cumprimento dos direitos indígenas estabelecidos na Constituição Federal e garantiu que caso algum policial federal ou da Força Nacional cometa qualquer ato de abuso de poder será julgado e responsabilizado. “Tenham certeza de que, havendo provas, o ministro da Justiça será implacável na aplicação de punições. Implacável. Por outro lado, é também sabido que, por vezes, organizações criminosas querem se valer da boa-fé dos povos indígenas para desmatar, fazer garimpo ilegal. Isso nós também não iremos aceitar. Os povos indígenas têm que ser tratados com dignidade e não serem utilizados por organizações criminosas”.
Cardozo citou o processo de retirada dos não índios da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso. O processo foi concluído em janeiro deste ano. “Fomos ao limite da possibilidade de negociação para que pudéssemos entregá-la ao povo indígena. Tivemos que usar a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional e o apoio das Forças Armadas para que pudéssemos vencer as resistências e para que a área pudesse ser entregue aos povos indígenas. Cumprimos nosso dever”.
Fonte - Agência Brasil  19/04/2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Alemanha está de olho em matérias-primas da América do Sul

Nada mais natural, portanto, que tanto política como economicamente o interesse por parcerias na região seja, também, cada vez maior
Por Redação, com DW, Berlim
Nada mais natural, portanto, que tanto política como economicamente o interesse por parcerias na região seja, também, cada vez maior.Antes negligenciado, subcontinente é cada vez mais importante para o fornecimento de matérias-primas para a indústria alemã. Mas a concorrência é forte: EUA, Canadá e principalmente China. Cobre e lítio do Chile, minério de ferro do Brasil, ouro do Peru: cada vez mais a indústria alemã se volta para a América do Sul em busca de matérias-primas. Nada mais natural, portanto, que tanto política como economicamente o interesse por parcerias na região seja, também, cada vez maior.
A ofensiva alemã começou no início deste ano, com a visita da chanceler federal Angela Merkel ao Chile. Ela participou da reunião de cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE), em Santiago.
Até então, Merkel tinha demonstrado pouco interesse pela América Latina. Desde a posse, em 2005, ela havia visitado o subcontinente apenas uma vez. Três meses após a cúpula em Santiago, o segundo encontro já está na agenda: nesta quarta-feira, a líder alemã recebe o presidente do Equador, Rafael Correa, em Berlim.
Destino de investimentos
Chile e Brasil estão entre os oito maiores produtores de minérios do planeta. Juntamente com Canadá, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, China e Rússia, são responsáveis por 50% da produção mundial de matéria-prima.
“Além do Chile e do Brasil, o Peru é muito atraente, pois é um país estável com um grande potencial de recursos”, diz Peter Buchholz, chefe da Agência Alemã de Recursos Naturais (Dera, da sigla em alemão). Justamente por causa da alta concentração de algumas matérias-primas em poucos países, a estabilidade política é um fator crucial nesse mercado.
O interesse pela região parece estar apenas começando. Além de cobre, lítio e ferro, o subcontinente também tem imensas reservas de zinco, chumbo e metais usados na produção de aço, como manganês, cromo, níquel e molibdênio.
Conforme a Dera, a América Latina concentra 25% do investimento mundial para a descoberta de novos depósitos de materiais brutos. Só a América do Norte recebe mais investimentos: 26% do total. “Para toda a África flui apenas 15% do investimento mundial do setor. Esses números acentuam a grande importância da América Latina para a mineração e exploração”, diz Buchholz.
Em novembro de 2012, uma pesquisa realizada pela Confederação da Indústria Alemã (BDI, da sigla em alemão) mostrou que Brasil, China e Estados Unidos são os três maiores fornecedores de matéria-prima para a indústria do país europeu. Chile e México estão entre os dez primeiros.
Dependência alemã
Ainda assim, a Alemanha precisa avançar na corrida por recursos naturais. “A Alemanha é dependente dos mercados internacionais de matérias-primas”, explicou Buchholz.
Os maiores concorrentes são Canadá, Austrália, Estados Unidos e especialmente a China. Os asiáticos se tornaram o principal parceiro comercial de Brasil, Equador e Chile, com fortes investimentos em mineração. A maioria das empresas alemãs de mineração, ao contrário, encerrou as atividades nos anos 1990, devido à queda nos preços no setor. Desde 2003, elas tentam recuperar o terreno perdido.
Como consequência dessa situação, as empresas alemãs precisam se abastecer no mercado de commodities e estão sujeitas às flutuações de preços. De acordo com o Instituto Federal de Geociências, os gastos externos da Alemanha com matérias-primas subiram 25% em 2011, apesar de o volume de importação ter sido praticamente o mesmo.
Segundo a pesquisa da BDI, 61% das empresas esperam mais apoio político na questão. Pesos-pesados, como ThyssenKrupp, Bayer, Bosch, Volkswagen e BMW, formaram uma aliança para tratar do assunto, cujos primeiros resultados já são visíveis: desde o começo do ano, o governo alemão está concedendo mais garantias de empréstimo para projetos no setor. Além disso, as chamadas parcerias com países ricos em recursos naturais devem ajudar as empresas alemãs a encontrar potenciais parceiros comerciais nesses países.
Riscos para o meio ambiente
ONGs veem a corrida pelos recursos naturais com ceticismo. “O resultado é sempre a contaminação de rios e lençóis d’água e a poluição do ar”, critica Pirmin Spiegel, diretor da organização católica Misereor, que recentemente divulgou o estudo Do minério ao automóvel, feito em parceria com a organização não governamental Brot für die Welt, ligada à igreja evangélica alemã. O estudo analisa a cadeia produtiva do setor de matérias-primas.
Diante de denúncias de violações dos direitos humanos e das más condições de trabalho, os autores defendem um maior controle sobre as empresas. “O governo alemão e a União Europeia devem obrigar as empresas a divulgar seu gastos com matérias-primas e a origem destas”, diz Cornelia Füllkrug-Weitzel, presidente da Brot für die Welt.
Segundo ela, a defesa dos direitos humanos e a proteção ambiental são diretrizes essenciais para a sustentabilidade no setor de matérias-primas. Essas diretrizes, afirmou a diretora da Brot für die Welt, deveriam orientar a Alemanha na sua busca por parcerias em outros países.
Fonte -  Correio do Brasil  17/04/2013