UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Carta de Moniz Bandeira para Roberto Amaral

Política

O politólogo brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira, residente na Alemanha, enviou a seguinte carta ao presidente nacional do PSB, professor Roberto Amaral:

Do blog Café na Politica
foto - ilustração

Estimado colega, Prof. Dr. Roberto Amaral
Presidente do PSB,

A Sra. Marina Silva tinha um percentual de intenções de voto bem maior do que o do governador Eduardo Campos, mas não conseguiu registrar seu partido – Rede Sustentabilidade – e sair com sua própria candidatura à presidência da República.
O governador Eduardo Campos permitiu que ela entrasse no PSB e se tornasse candidata a vice na sua chapa. Imaginou que seu percentual de intenções votos lhe seria transferido.
Nada lhe transferiu e ele não saiu de um percentual entre 8% e 10%. Trágico equívoco.
Para mim era evidente que Sra. Marina Silva não entrou no PSB, com maior percentual de intenções de voto que o candidato à presidência, para ser apenas vice.
A cabeça de chapa teria de ser ela própria. Era certamente seu objetivo e dos interesses que representa, como o demonstram as declarações que fez, contrárias às diretrizes ideológicas do PSB e às linhas da soberana política exterior do Brasil.
Agourei que algum revés poderia ocorrer e levá-la à cabeça da chapa, como candidata do PSB à Presidência.
Antes de que ela fosse admitida no PSB e se tornasse a candidata a vice, comentei essa premonição com grande advogado Durval de Noronha Goyos, meu querido amigo, e ele transmitiu ao governador Eduardo Campos minha advertência.
Seria um perigo se a Sra. Marina Silva, com percentual de intenções de voto bem maior do que o dele, fosse candidata a vice. Ela jamais se conformaria, nem os interesses que a produziram e lhe promoveram o nome, através da mídia, com uma posição subalterna, secundária, na chapa de um candidato com menor peso nas pesquisas.
O governador Eduardo Campos não acreditou. Mas infelizmente minha premonição se realizou, sob a forma de um desastre de avião. Pode, por favor, confirmar o que escrevo com o Dr. Durval de Noronha Goyos, que era amigo do governador Eduardo Campos.
Uma vez que há muitos anos estou a pesquisar sobre as 'shadow wars' e seus métodos e técnicas de regime change, de nada duvido. E o fato foi que conveio um acidente e apagou a vida do governador Eduardo Campos. E assim se abriu o caminho para a Sra. Marina Silva tornar-se a candidata à presidência do Brasil.
Afigura-me bastante estranho que ela se recuse a revelar, como noticiou a Folha de São Paulo, o nome das entidades que pagaram conferências, num total (que foi, declarado) R$1,6 milhão (um milhão e seiscentos mil reais), desde 2011, durante três anos em que não trabalhou. Alegou a exigência de confidencialidade. Por que a confidencialidade? É compreensível porque talvez sejam fontes escusas. O segredo pode significar confirmação.
Fui membro do PSB, antes de 1964, ao tempo do notável jurista João Mangabeira. Porém, agora, é triste assistir que a Sra. Marina Silva joga e afunda na lixeira a tradicional sigla, cuja história escrevi tanto em um prólogo à 8a. edição do meu livro 'O Governo João Goulart', publicado pela Editora UNESP, quanto em 'O Ano Vermelho', a ser reeditado (4a edição), pela Civilização Brasileira, no próximo ano.
As declarações da Sra. Marina Silva contra o Mercosul, a favor do subordinação e alinhamento com os Estados Unidos, contra o direito de Cuba à autodeterminação, e outras, feitas em vários lugares e na entrevista ao Latin Post, de 18 de setembro, enxovalham ainda mais a sigla do PSB, um respeitado partido que foi, mas do qual, desastrosamente, agora ela é candidata à presidência do Brasil.
Lamento muitíssimo expressar-lhe, aberta e francamente, o que sinto e penso a respeito da posição do PSB, ao aceitar e manter a Sra. Marina Silva como candidata à Presidência do Brasil.
Aos 78 anos, não estou filiado ao PSB nem a qualquer outro partido. Sou apenas cientista político e historiador, um livre pensador, independente. Mas por ser o senhor um homem digno e honrado, e em função do respeito que lhe tenho, permita-me recomendar-lhe que renuncie à presidência do PSB, antes da reunião da Executiva, convocada para sexta-feira, 27 de setembro. Se não o fizer – mais uma vez, por favor, me perdoe dizer-lhe – estará imolando seu próprio nome juntamente com a sigla.
As declarações da Sra. Marina Silva são radicalmente incompatíveis com as linhas tradicionais do PSB. Revelam, desde já, que ela pretende voltar aos tempos da ditadura do general Humberto Castelo Branco e proclamar a dependência do Brasil, como o general Juracy Magalhães, embaixador em Washington, que declarou: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.”

Cordialmente,

Prof. Dr. Dres. h.c. Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira
Reilinger Str. 19
68789 St. Leon-Rot – Deutschland
Tel.: 0049-6227/880533
Fax: 0049-6227/880534
Fonte - Blog do Miro (Altamiro Borges)  24/09/2-14

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Marina definha nas pesquisas e Dilma busca vitória no 1º turno

Eleições

Marina tem perdido substância eleitoral ao longo das últimas pesquisas - O estudo mostrou que um eventual segundo turno contra a presidenta e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, ainda possível e, nele, Marina estaria presente, mas perdendo substância eleitoral.

Por Redação - CB

Candidata do PSB/Rede Sustentabilidade à Presidência da República, a ex-ministra Marina Silva segue em seu mergulho rumo a um possível empate com o adversário tucano, Aécio Neves, que ganhou um alento na tentativa de chegar ao segundo lugar na disputa eleitoral, segundo pesquisa do CNT/MDA divulgada nesta terça-feira. O estudo mostrou que um eventual segundo turno contra a presidenta e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, ainda possível e, nele, Marina estaria presente, mas perdendo substância eleitoral.
Segundo o levantamento do MDA, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), Dilma teria 36% das intenções de voto no primeiro turno, uma oscilação negativa em relação aos 38,1% no início de setembro. Marina, porém, aparece com 27,4%, contra 33,5% no levantamento anterior, e Aécio soma agora 17,6%, acima dos 14,7% no começo do mês. Como a queda de Dilma ocorreu dentro da margem de erro, quem efetivamente perdeu espaço foi Marina. Em uma possível arrancada na campanha petista, com o quadro de queda da adversária e uma recuperação ainda lenta do candidato tucano, Dilma reuniria votos suficientes para uma vitória ainda no primeiro turno.
Além do avanço de Aécio, uma avaliação preliminar dos números indica que votos antes da ex-senadora no primeiro turno foram principalmente para brancos, nulos e indecisos, que agora somam 16,5%, bastante acima dos 11,6% da pesquisa anterior. A CNT/MDA mostrou ainda que Marina caiu em todas as simulações de segundo turno feitas pelo instituto, ao mesmo tempo em que Aécio ganha algum terreno nos cenários contra a candidata do PSB e contra a presidenta. De acordo com o levantamento, a vantagem que Marina tinha sobre Dilma na simulação de segundo turno evaporou. Agora as duas candidatas aparecem em empate técnico, com vantagem numérica para a candidata petista.
Nesse cenário, Dilma aparece com 42%, contra 42,7% na sondagem anterior, enquanto a candidata do PSB tem agora 41%, ante os 45,5% que registrava antes.
Já numa eventual disputa contra o tucano, a ex-senadora e ambientalista ainda lidera, mas perdeu 9,1 pontos, enquanto Aécio cresceu 6,2 pontos. Contra o tucano, Marina aparece com 43,1% das intenções de voto, ante 52,2%. Aécio soma 32,9%, contra 26,7%.
O candidato do PSDB também subiu na simulação de segundo turno contra Dilma: a petista tem 45,5% (47,5% antes) e Aécio aparece com 36,5% (33,7% antes), segundo a pesquisa.

Governo Dilma
A CNT/MDA também apontou pouca variação na avaliação de governo em relação ao levantamento anterior feito pelo instituto para a CNT.
A avaliação positiva do governo Dilma é agora de 37,4%, uma oscilação para baixo de 0,1 ponto em relação aos 37,5% da pesquisa anterior. A avaliação negativa ficou em 25,1%, ante 23% na sondagem anterior, uma variação dentro da margem de erro da pesquisa.
Os que avaliam o governo da petista como regular somam agora 36,8%, contra 39% no início de setembro.
A aprovação pessoal de Dilma também variou dentro da margem de erro da pesquisa. O percentual dos que aprovam a maneira de governar da presidente soma 51,4%, ante 52,4% na pesquisa anterior. Os que desaprovam são 43,8%, contra 42,9% na sondagem divulgada no início do mês.
A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais.
Segundo a CNT, foram entrevistadas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 unidades federativas das cinco regiões do País, nos dias 20 e 21 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00753/2014.

Silêncio na Record
A Rede Record, do bispo Edir Macedo, optou por não divulgar, na noite passada, uma pesquisa Vox Populi que iria ao ar no principal programa noticioso da casa. A revista Forum, do jornalista Renato Rovai, chegou a divulgar o tracking de uma das campanhas, com os seguintes números: Dilma 40%, Marina 22% e Aécio 17%. No segundo, Dilma vencia por 45% a 39%. Caso a Record resolva divulgar o estudo na noite desta terça-feira, sua relevência terá perdido o valor, pois será apenas mais um a captar uma inversão de tendências constatada na pesquisa CNT/MDA, com índices de intenção de voto já amplamente favoráveis a Dilma Rousseff.
Para o colunista Ricardo Melo, do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, as pesquisas espelham o sentimento do eleitor durante uma campanha eleitoral que serve para “clarificar os verdadeiros interesses em conflito no país. A ficção de uma terceira via voltou para o ralo. Tanto nas declarações como nas proposições e na base social que as apoiam, as candidaturas de Marina Silva e Aécio Neves têm se aproximado de maneira indiscutível”.
“O confronto em jogo está evidente. Os dois candidatos oposicionistas afirmam em alto e bom som que o objetivo é tirar o PT do poder. As articulações de bastidores com vistas a um eventual segundo turno acontecem a céu aberto. O ex-presidente FHC resumiu o sentimento num jantar com milionários pró-Aécio: ‘Apelo mesmo’. Um bordão de amplo espectro”, afirma Melo.
Ainda segundo o jornalista, ex-chefe de Redação do SBT, “a esta altura, Aécio Neves, de candidato competitivo, viu-se reduzido a moeda de troca. Cardeais tucanos negociam sem constrangimento o voto em Marina para “impedir o mal maior”. A ironia é que isso acontece justo no momento em que algumas pesquisas injetaram sobrevida ao ex-governador de Minas. Já a “entourage” de Marina escancara as opções da ex-ambientalista. Quer porque quer credenciar-se como candidata do grande capital. Corre atrás da alta sociedade seja onde for, como um trator à procura de uma árvore para derrubar. Fala em “atualizar” as leis do trabalho. Para bom entendedor, tais palavras bastam. Seus comícios populares se esvaziam na mesma proporção em que proliferam encontros com madames, empresários graúdos e financistas internacionais”.
“O maior risco para o PT é calçar o salto alto e passar a viver de louros passados. Verdade seja dita: com ou sem barbeiragens do IBGE, os indicadores sociais, inclusive os anunciados pela ONU, mostram que o país mudou para melhor. Isto é fato. Mas o modelo de agradar gregos e troianos exibe sinais de esgotamento”, concluiu.
Fonte - Correio do Brasil  23/09/2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As eleições brasileiras e o reflexo conservador no espelho do mundo

Política

No auge da ascensão da candidatura de Marina já surgiam especulações sobre suas consequências no plano internacional, caso a ex-senadora venha a triunfar. -  Alguns com esperanças de uma virada radical na política interna e externa do país, outros preocupados com essas possíveis mudanças.

Emir Sader, para a RBA
© THE ECONOMIST / REPRODUÇÃO
Marina Silva, saudada pela britânica e conservadora
 The Economist como a boa surpresa da política do Brasil
As eleições brasileiras eram uma a mais no denso calendário eleitoral latino-americano, até que a candidatura da Marina colocou os focos do mundo sobre o Brasil. Alguns com esperanças de uma virada radical na política interna e externa do país, outros preocupados com essas possíveis mudanças.
A imagem, até ali, da Marina, era ainda aquela de alguns anos atrás: ministra do governo Lula, que tinha resistido a vários grandes projetos energéticos, em nome do preservacionismo ecologista, que tinha sido candidata do Partido Verde em 2010 e tinha surpreendido com cerca de 20 milhões de votos. Uma imagem simpática e até mesmo entusiasmante para os que criticam, no campo da esquerda, governos como o de Lula e o de Dilma.
Quando o quadro eleitoral parecia definido, um suspeito – pela forma, pelo momento e pelas consequências políticas – acidente aéreo mudou o cenário. A divulgação dos pontos essenciais do programa da Marina suscitou reações imediatas fora do Brasil. Reações do tamanho da importância que o Brasil ganhou no mundo.
Surpreendida agradavelmente, a direita mundial, em todas as suas expressões, saudou essa novidade que o Brasil trazia. De repente, quando menos se esperava, com o isolamento dos EUA em relação à América do Sul, diante do fortalecimento dos processos de integração regional, diante dos acordos dos Brics, um país que tem um papel chave nesses processos, poderia ser ganho para as teses norte-americanas!
O presente parecia até excessivo para ser verdade. Mas se aliavam às teses de livre comércio anunciadas por Marina, com sua liderança, em um certo momento aparentemente inexpugnável, para projetar a possibilidade real do deslocamento do Brasil da sua política exterior e do próprio modelo alternativo ao neoliberalismo, para as propostas do FMI e do Banco Mundial.
Parecia que finalmente o Brasil se despertaria da letargia que os governos do PT tinham imposto ao país, para chegar à consciência de que era um caminho equivocado e de fracasso. A candidatura da Marina recebeu, de imediato, o apoio entusiasta e ativo do lobby midiático que tem agido nestes anos contra o Brasil de Lula: TheEconomist, Financial Times, The Wall Street Journal, El Pais, entre outros.
Por outro lado, a preocupação com as consequências de uma eventual guinada radical do Brasil tanto no modelo interno, quanto na sua política internacional, se alastrou tanto entre os países aliados na AméricaLatina, como na esquerda em todas as regiões, que passaram a se dar conta do peso que o Brasil adquiriu na construção de alternativas no campo internacional.
Acordos bilaterais como os anunciados por Marina significariam abandonar o Mercosul e a atitude crítica em relação à Unasul e até mesmo aos Brics, representariam uma reinserção drástica do Brasil no plano internacional, retomando o caminho interrompido pelo governo Lula, quando brecou a Área de Livre Comércio das Américas em 2003 e priorizou os processos de integração regional e os intercâmbios Sul-Sul.
Países como a Argentina, o Equador, a Bolívia, Cuba, a Venezuela, o Uruguai, já manifestaram suas preocupações sobre os efeitos negativos para as vias escolhidas por esses governos na luta contra o neoliberalismo e contra a hegemonia imperial norte-americana.
No auge da ascensão da candidatura de Marina já surgiam especulações sobre as guinadas que significaria no Itamaraty e suas consequências no plano internacional, assim como apressadas projeções sobre que tipo de personagem poderia voltar a chefiar a diplomacia brasileira.
A reversão das tendências das pesquisas eleitorais fazem com essas especulações possam ter se demonstrado apressadas, mas demonstram que caminhos distintos estão projetados para o Brasil, caso a candidatura da Marina venha a triunfar.
Fonte - RBA ( Rede Brasil Atual)  15/09/2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ibope: Dilma tem 39% das intenções de voto, Marina, 31% e Aécio, 15%

Eleições

A pesquisa Ibope foi feita entre os dias 5 e 8 de setembro e ouviu mais de 2 mil pessoas em 142 municípios. A margem de erro é 2 pontos percentuais.

Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil 

Pesquisa de intenção de votos contratada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope mostra Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, com 39% das intenções de voto, seguida por Marina Silva (PSB), 31% e Aécio Neves (PSDB), 15%.
O candidato do PSC, Pastor Everaldo, tem 1% das intenções de voto. Os outros candidatos somados têm 1%. Brancos e nulos somam 8%.
Em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, Dilma teria 42% e Marina, 43%. Caso a disputa fosse com o tucano Aécio Neves, a candidata à reeleição teria 48% dos votos contra 33%. Caso o segundo turno seja entre Marina e Aécio, a ex-senadora teria 51% dos votos e Aécio, 27%.
A pesquisa Ibope foi feita entre os dias 5 e 8 de setembro e ouviu mais de 2 mil pessoas em 142 municípios. A margem de erro é 2 pontos percentuais.
Na análise sobre potencial de votos, 15% das pessoas ouvidas declararam que votam com certeza em Aécio Neves e 35% não votariam nele. Dilma teria o voto de 32% dos entrevistados, enquanto 42% não votariam em sua reeleição de jeito nenhum. Em relação a Marina, 26% dizem que votam na candidata e 26% não a escolheriam nas urnas.
O cruzamento de dados entre a intenção de voto e a avaliação do atual governo mostra que Dilma lidera entre os que consideram seu governo ótimo ou bom. Esse grupo responde por 30,5 pontos percentuais das intenções de voto em seu nome. Marina Silva lidera entre os que consideram o governo Dilma regular, ruim ou péssimo.
A avaliação do governo Dilma Rousseff subiu 7 pontos percentuais, passando de 31% em junho para 38% em setembro, segundo a pesquisa. A aprovação do modo de governar está equilibrada: 48% dos entrevistados aprovam, enquanto 46% desaprovam a maneira de condução do atual governo.
O levantamento também apontou melhora na confiança da população no governo, que passou dos 41% para 45%. Mesmo com essa melhora, 50% não confiam na candidata à reeleição.
O combate à fome e à pobreza é o principal destaque dado pelos entrevistados ao governo Dilma, seguido pelo combate ao desemprego e medidas relacionadas ao meio ambiente e educação. No final da lista de áreas aprovadas pela população está a taxa de juros, saúde e impostos, que tem aprovação pouco maior que 20%.
Na comparação com o governo Lula, 44% dos entrevistados avaliam a administração como igual e 40% consideram o governo de Dilma pior. Apenas 13% acreditam que houve melhorias.
Em uma análise sobre as notícias recentes mais lembradas pelos entrevistados, as referentes à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras se destacam em primeiro lugar, seguida pelo tema corrupção. Eleições aparece na terceira posição, com 7% dos entrevistados.
Apenas 20% das pessoas ouvidas declararam muito interesse no processo eleitoral. Esse interesse era 16% em junho. “Estamos a quase um mês das eleições, mas chama a atenção que quase um quarto [dos entrevistados] diz não ter interesse algum nas eleições”, disse Renato da Fonseca, gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI. Pelos dados, 25% dos entrevistados disseram ter pouco interesse e 23% nenhum interesse no assunto.
Fonte - Agência Brasil  12/09/2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Cresce rejeição a Marina, que já pensa em trocar equipe de marketing

Eleições

Marina deveria se dedicar no programa a comunicar seu número - As mudanças, segundo nota publicada na edição desta quinta-feira do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, passariam a valer para o segundo turno das eleições, caso a candidata chegue até lá.

Correio do Brasil - Da Redação 

Diante dos últimos resultados da última pesquisa Datafolha, que revela uma escalada nos índices de rejeição da candidata MarinaSilva (PSB/Rede Sustentabilidade), o PSB já estuda mudanças na equipe de marketing. As mudanças, segundo nota publicada na edição desta quinta-feira do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, passariam a valer para o segundo turno das eleições, caso a candidata chegue até lá.
“Dirigentes da legenda consideram que o grupo precisa ser ‘turbinado’ e que a campanha na televisão também precisa melhorar. Uma das constatações é a de que Dilma Rousseff, por ser governo, tem material de sobra para rechear o tempo de TV do segundo turno (cada uma terá direito a dez minutos) com obras de sua gestão. Já a equipe de Marina precisaria quebrar a cabeça, já que discursar por tanto tempo seguido sobre propostas para o futuro seria ‘suicídio’ para qualquer político, por mais carismático que seja”, diz a nota.
O fato é que a pesquisa do Datafolha localizou o início da tendência de queda de Marina e de crescimento de seus adversários nas intenções de voto para o primeiro turno, apenas o próximo levantamento com um terceiro ponto na evolução poderá confirmar a nova diretriz. Há, no entanto, elementos que podem confirmar a desconstrução da imagem pública de Marina. A continuidade do crescimento de sua taxa de rejeição – que oscilou de 15% para 18% desde o fim de agosto – é um deles. Trata-se do índice mais alto de reprovação da ex-senadora até agora, semelhante ao que exibia no final do primeiro turno de 2010, quando não sofreu questionamentos comparáveis aos atuais.
Outro ponto que nesta etapa da disputa serve mais para ilustrar o potencial das candidaturas do que propriamente embasar prognósticos é o de segundo turno. “Apesar de também apresentar variações dentro da margem de erro em relação à semana passada, a vantagem de Marina para Dilma caiu de 10 para 4 pontos em 12 dias”, diz a análise da pesquisa, assinada por Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do instituto.
“O tom dos ataques a Marina parece atingir, nesse primeiro round, segmentos do eleitorado com renda superior a 5 salários mínimos. Também é curiosa a retomada de apoio a Dilma na região Norte, origem de Marina, e, por outro lado, o melhor desempenho da ambientalista no Centro-Oeste”, continua a análise.
Com os resultados do estudo do Datafolha que combina variáveis para medir o grau de afinidade do eleitor com os candidatos, é possível chegar ao piso e teto de cada um neste momento. Os intervalos projetam a volatilidade das candidaturas para um espaço curto de tempo. Dilma tem hoje piso de 32% de intenções de voto e teto de 39%. Em relação a Marina, esses índices correspondem a 28% e 37% e para Aécio, eles são de 12% e 19%.
“Mudanças significativas nas curvas de total das intenções de voto daqui para frente dependem, porém, do quanto a campanha de desconstrução da ex-ministra alcançará setores de peso relevante na composição do eleitorado, como moradores do Sudeste e os de menor renda e escolaridade média. Se nos próximos dias seus adversários não conseguirem o feito, melhor do que se preocupar em responder aos ataques, Marina deveria se dedicar no programa a comunicar seu número. Apenas 25% dos que pretendem elegê-la sabem dizer os algarismos que devem digitar na urna”, conclui.
Fonte - Correio do Brasil  11/09/2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Com Aécio fora do jogo, ‘EUA se inclinam para Marina’, afirma Pinheiro Guimarães

Política

Em entrevista à agência brasileira de notícias Carta Maior, o diplomata questiona a ex-colega de governo. Junto do ex-chanceler Celso Amorim e do assessor Marco Aurélio Garcia, Pinheiro Guimarães integrou a troika responsável por planejar de diplomacia com sotaque nas relações Sul-Sul aplicada entre 2003 e 2010.

Por Darío Pignotti/Carta Maior
Samuel Pinheiro Guimarães integrou os círculos 
mais altos da diplomacia brasileira durante o governo
 do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
“Os estrategistas dos Estados Unidos seguramente estão de acordo com as diretrizes da política externa defendida pela candidata Marina Silva. Se ela for eleita, será a vitória de um modelo diplomático similar ao que tivemos nos anos 90”. A declaração é do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à agência brasileira de notícias Carta Maior, o diplomata questiona a ex-colega de governo. Junto do ex-chanceler Celso Amorim e do assessor Marco Aurélio Garcia, Pinheiro Guimarães integrou a troika responsável por planejar de diplomacia com sotaque nas relações Sul-Sul aplicada entre 2003 e 2010.
Premissas que “tiveram continuidade a partir de 2011 durante o mandato da presidenta Dilma Rousseff, que adotou medidas muito corretas sobre o Mercosul e contra a Inteligência norte-americana no escândalo da NSA, e resistiu às pressões para a compra de aviões de guerra norte-americanos”, afirmou Pinheiro Guimarães. No programa de governo apresentado uma semana atrás por Marina, foram formuladas propostas em alguns casos antagônicas às dos governos de Dilma e Lula, além de formular críticas enredadas ao que define como uma diplomacia “ideologizada” e “partidarizada” durante as três gestões petistas.

– Embaixador, estamos diante do risco de serem restaurados princípios diplomáticos que dominaram a segunda metade dos anos 90?
– Considero que a candidata Marina Silva encarne a anulação do progresso conquistado nestes 12 anos. Ela e os setores que representa buscam outro modelo de inserção internacional. Um pensamento que se traduz no propósito de enfraquecer o Mercosul com o pretexto de torná- lo aberto ao mundo.

– Será o fim de qualquer aspiração de uma diplomacia independente?
– Até agora, a única vez que escutei Marina falar de independência foi para mencionar a independência do Banco Central (risos).

– Washington aposta em Marina ou Aécio?
–Não estou em Washington para dizer o que pensam. Agora, há interesses dos Estados Unidos que foram prejudicados durante os governos de Lula e Dilma, e é claro que o candidato de que mais gostavam era o Aécio.
A Embaixada norte-americana adotou um perfil muito discreto nas eleições, mas isso não deve se confundir com o fato de estarem alheios ao que acontece. Quando o Aécio fica fora do jogo, os Estados Unidos se inclinam para a Marina, por pragmatismo e porque ela representa o oposto ao PT. Além disso, é alguém sem quadros próprios e, segundo dizem, tem bons contatos nos Estados Unidos, e que demonstrou estar aberta para desmontar o Estado, reduzir sua capacidade e autonomia internacional. Interessa aos Estados Unidos que o Mercosul sejam desmontado e que projetos da era tucana sejam retomados, não nos enganemos: nestas eleições, está em jogo a retomada do processo privatizador, parcial ou total, da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES.

– Como a Marina implementaria esse desmantelamento do Mercosul?
– Avalio que possa começar com a eliminação da cláusula que obriga os países do Mercosul a negociar conjuntamente acordos de livre comércio com outros blocos. Este ponto, que até agora não conseguiram derrubar, é uma cláusula que vem desde o Tratado de Assunção (assinado em 1991, na formação do Mercosul).

– E depois de terminada esta limitação, o que aconteceria?
– Uma vez eliminada essa cláusula, o caminho estará aberto para a assinatura de acordos do Brasil com a União Europeia, sem a participação dos outros quatro integrantes do Mercosul. Mas se a cláusula continuar em pé, seria igualmente perigoso um pacto entre todo o Mercosul e a União Europeia. E essa negociação, que já se iniciou mas avança lentamente, provavelmente será acelerada durante o governo de Marina.

– Quais consequências um acordo com a UE traria?
– Muitas, uma delas é a redução considerável das tarifas (de importações) industriais europeias afetando nossas fábricas. Defendo faz tempo que esta aproximação, que agrada os economistas da Marina, é o passo inicial rumo ao fim do Mercosul.
Vou resumir assim: a assinatura de um acordo entre os dois blocos significará uma extraordinária vantagem para empresas europeias que poderão exportar para cá sem que cobremos taxas, enquanto não haverá grandes benefícios para os exportadores sul- americanos.
E acrescento que se este acordo acontecer, afetará outra instituição fundamental do Mercosul, que é a Tarifa Externa Comum, fixada para terceiros países. Se isto acontece, a união aduaneira é pulverizada, qualidade central do Mercosul. E uma vez que chegarmos à hipotética assinatura do pacto de livre comércio com os europeus, os Estados Unidos reaparecerão.

– De que maneira?
– Os meios e os grupos de interesses brasileiros que se sentirem representados pela Marina só falam de um acordo com a União Europeia por oportunismo, pela boa imagem dos europeus, que seriam maravilhosos, educados, que nos abririam as portas do primeiro mundo. Uma retórica para ocultar que o acordo será prejudicial para nós. Quem quiser saber o que nos espera com esse acordo que pergunte aos gregos e aos espanhóis como a velha Europa é tratada.
Agora tudo isso nos leva ao começo desta conversa, que são os Estados Unidos. Por quê? Porque uma vez assinado o pacto UE-Mercosul, no outro dia, Washington vai querer igualdade de condições comerciais que europeus conquistaram, exigindo de nós um acordo de livre comércio. Os Estados Unidos nunca se esqueceram do espírito da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
No começo da década passada, FHC sancionou Pinheiro Guimarães por ter se oposto publicamente à assinatura da ALCA, que seria enterrada durante a Cúpula das Américas, celebrada em novembro de 2005 no balneário argentino de Mar del Plata, graças a uma frente formada pelos presidentes Lula, Néstor Kirchner, Hugo Chávez e Evo Morales, apoiados por outros líderes sul-americanos diante de um atônito George Walker Bush e de seu aliado, o mexicano Vicente Fox, ex-gerente da Coca Cola com um grande bigode.

– A tese da ALCA pode ser recriada com outro nome. É possível que a Marina, FHC e a inteligência neoliberal reciclem o projeto?
– Tudo me leva a pensar que o projeto norte-americano de integração hemisférica comercial, de eliminação de barreiras, de sanção de um sistema de leis que privilegiam suas multinacionais etc continua em vigor. É preciso prestar atenção na Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile).
Entendo que os Estados Unidos se preparem para retomar essa proposta em caso de a Marina ganhar. Porque suas posições sobre política externa refletem as aspirações se setores empresariais, de banqueiros e grandes meios de comunicação que demonstraram certa saudade da dependência colonial.

– Com Marina voltaremos ao passado anterior ao encontro de Mar del Plata?
– A candidata parece estar muito aberta a essas ideias. Mas o interessante é que ela não está sozinha.
No seu entorno, se expressa esse espírito anterior à reunião de Mar del Plata. Eu me refiro ao professor André Lara Rasende, ao professor Eduardo Giannetti da Fonseca, à senhora Maria Alice Setúbal (Banco Itaú). Além disso, me parece natural que depois do primeiro turno (5 de outubro) se somem outras pessoas com pensamento similar e que hoje estão junto do candidato Aécio. Estou falando o professor Armínio Fraga, do professor Pedro Malán

– O senhor acredita que, apesar da subida de Dilma, a Marina será a futura presidenta?
– Não, pelo contrário, acredito que, apesar de toda esta comoção, a presidenta Dilma será reeleita. Acredito que, ao longo destes dois meses, as ideias da ex-senadora vão ficar em evidência.

– Neste caso, quais seriam os objetivos de sua política externa em um segundo mandato?
– Em primeiro lugar, deve-se mencionar que sua política externa não teve diferenças coma de Lula, apesar de Dilma não ter o mesmo estilo de fazer política externa. Trabalho para
reforçar os BRICS, impulsionou o banco dos BRICS, foi firme a favor da entrada da Venezuela no Mercosul, apesar de os Estados Unidos terem manifestado abertamente seu interesse em substituir o governo venezuelano, postura que encontra eco na grande imprensa brasileira,no FHC e nos dirigentes tucanos.
No segundo mandato, a presidenta deveria ter como objetivo reduzir a vulnerabilidade externa do país, a dependência de capitais especulativos para o pagamento da dívida e tudo isto cria um círculo vicioso que aumenta as taxas de juros. É falso, é um mito que as taxas sobem para combater a inflação.

– Ou seja, as alianças diplomáticas devem continuar, mas são necessárias mudanças na estratégia econômica internacional?
– Sim, e está completo o comentário dizendo que em um segundo governo a presidenta Dilma terá que trabalhar para diversificar nosso comércio exterior, para reduzir nossa vulnerabilidade comercial devido ao crescimento das exportações de produtos primários cujos preços não somos nós quem decidimos. Quando digo diversificar penso em base para reforçar exportações industriais porque o Brasil corre o risco de seguir rumo a uma especialização regressiva na produção agropecuária e mineral, acompanhada de uma contração do setor industrial, aliada a uma atrofia de sua capacidade tecnológica.

Darío Pignotti é jornalista da Agência Brasileira de Notícias, Carta Maior e correspondente do diário progressista Página 12, de Buenos Aires.
Fonte - Correio do Brasil   06/09/2014

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Marina, Eduardo etc.

Política

Jânio de Freitas

O choque de objetivos se complica e se acirra entre Marina Silva e Eduardo Campos no PSB. Os grupos de ambos acusam a existência apenas de intrigas da imprensa, mas Eduardo Campos e sua corrente partiram para iniciativas que os recuperem da noticiada perda de força na sua relação com Marina Silva. Tudo sugere, porém, que as iniciativas adotadas não levarão ao resultado pretendido, e, sim, à permanência mais agravada do choque.
A maneira como Eduardo quis invalidar a recusa de Marina a apoiar a recandidatura de Geraldo Alckmin –doou ao PSDB uma secretaria e um cargo de segundo nível no governo de Pernambuco– nem arranhou a intenção da Rede de lançar candidato próprio em São Paulo. E, atraindo peessedebistas de Aécio Neves para a sua candidatura, leva o comando nacional do PSDB a reagir com a proibição de acordos estaduais sem a sua concordância prévia. O que pode trazer danos indiretos ao PSB em outros Estados.
O entendimento com o PSDB de Pernambuco, sem entendimento a respeito com Marina, teve a desculpa de ser ato do governo. Já a planejada reunião, na próxima sexta-feira, de dirigentes do PSB sem a participação de Marina, tem, por si só, um ingrediente inegável de animosidade. E vai muito além disso, com os já antecipados propósitos de acelerar o compromisso de apoio à recandidatura de Alckmin e cravar Marina Silva como candidata a vice de Eduardo Campos.
Por ora, o pretendido avanço da corrente de Eduardo Campos parece pouco para demover Marina Silva de suas posições e propósitos. Mas suficiente para criar novos embaraços na relação em que Eduardo Campos ainda está por demonstrar algum ganho com sua apressada criação do PSB-Rede.
Fonte - Jânio de Freitas (Folha de SP) 14/01/2014

sábado, 28 de dezembro de 2013

Marina vai ter que fazer mais que torcer por novos protestos em 2014

Política

Paulo Nogueira
E a desigualdade?
foto - ilustração
Em seu comentado artigo de ontem na Folha, Marina deixou claro qual é sua grande arma e grande esperança para 2014: os protestos.

É compreensível.
O único nome na política que saiu intacto nas chamadas Jornadas de Junho foi o dela.
Para muita gente, em geral desavisada, Marina simbolizou, naqueles dias, um “jeito diferente” de fazer política.
Nas pesquisas, o favoritismo absoluto de Dilma pareceu ameaçado. Sua popularidade desabou. Num triunfo da esperança, a oposição achou que Dilma poderia estar acabada como candidata a um segundo mandato, ou alguma coisa próxima disso.
Marina cresceu em tais circunstâncias. Mais tarde, o fracasso em legalizar seu partido e o casamento de conveniência com Eduardo Campos tiraram boa parte do brilho e do ímpeto conquistado por Marina nas manifestações.
No eleitorado progressista, Marina se desgastou também ao repetir um chavão dos conservadores – o risco de “chavismo” no Brasil.
E Dilma, ao mesmo tempo, foi se recuperando. Hoje, passados alguns meses, e com o impacto positivo de ações sociais como o programa Mais Médicos, Dilma recuperou o amplo favoritismo.
Na maior parte das pesquisas, ela ganha com uma certa facilidade. Parecem grandes as chances de vitória no primeiro turno, nas circunstâncias atuais.
Mas e se houver uma nova rodada de protestos? A disputa fica aberta de novo? Marina vira uma candidata forte a ponto de Campos ser obrigado a ceder a ela a cabeça de chapa no PSB?
Bem, ao contrário do que Marina mostrou desejar em seu artigo, dificilmente o quadro se repetirá.
Primeiro, o fator surpresa não existirá mais. Segundo, com a confusão programática e pragmática da aliança com Campos, a aura de “diferente” de Marina perdeu muito.
Terceiro, os reais articuladores das manifestações – os jovens do Passe Livre – aprenderam uma lição prática.
Os protestos, na sua origem, tinham uma clara aura de reivindicações sociais. O que estava sendo dito nas ruas é que a sociedade queria menos pobreza, menos desigualdade, menos violência contra os índios, menos concessões aos conservadores em nome da “governabilidade”.
Depois, com a ajuda entusiasmada da mídia, houve uma manipulação. Malandramente, tentou-se dar à manifestações um caráter – falso – de cansaço da “corrupção”.
Foi quando a Veja colocou em suas páginas amarelas um celerado carioca que era “o rosto que emergiu das ruas”, pausa para rir. Pouco tempo depois, sem a ajuda da esquerda jovem, o “líder” da Veja reuniu dez pessoas num protesto que ele convocou como se fosse Danton.
Os garotos do PL perceberam a usurpação que se quis fazer nos protestos, e se recolheram. O resultado é que as manifestações imediatamente começaram a minguar. Perderam seu motor.
Dilma parece ter compreendido a mensagem das ruas. A firmeza com que enfrentou a resistência retrógrada no Mais Médicos foi um sinal disso.
Acelerar ações sociais em curso e promover novas é a melhor forma de prevenir manifestações. No Brasil, como de resto em quase todo o mundo, o alvo delas é a desigualdade social.
Marina vai ter que fazer mais, caso queira ter relevância em 2014, que torcer por novas Jornadas de Junho.
Ela vai ter que mostrar que tem planos reais para reduzir a iniquidade brasileira.
Até aqui, ela falou não mostrou nada neste que é o maior desafio nacional, embora tenha falado muito.
Fonte -  Diário do Centro do Mundo 28/12/2013