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terça-feira, 7 de outubro de 2014

PSB do Rio declara apoio a Dilma no segundo turno, diz vice do diretório

Política

Segundo vice-presidente do PSB no Rio, tendência é que apoio à candidata petista seja nacional Jornal do Brasil - A visão de Armínio Fraga é outra coisa que nos distancia de Aécio”, declarou.

Rafael Gonzaga*-JB

A tendência do Partido Socialista Brasileiro (PSB), partido da candidatura de Marina Silva, nessa segunda fase das eleições presidenciais é de apoiar a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). De acordo com o vice-presidente do diretório estadual do PSB no Rio de Janeiro, ex-deputado Vivaldo Barbosa, a tendência de apoio no município do Rio já será transmitida à direção nacional do partido.
O deputado afirmou que o apoio à candidata petista se dá pela linha política ideológica e histórica do partido, que teria mais afinidade com as propostas de Dilma Rousseff do que com as de Aécio Neves (PSDB). “Apesar das ressalvas e críticas que nós temos ao governo de Dilma, é muito mais natural que socialistas estejam juntos às propostas de Dilma do que das propostas neoliberais do candidato tucano. A visão de Armínio Fraga é outra coisa que nos distancia de Aécio”, declarou.
A previsão é que a Comissão Executiva Nacional do PSB se reúna já na próxima quarta-feira (7) para debater o assunto, em Brasília, na sede do PSB Nacional, às 14h. A direção nacional do partido tem feito consultas aos diretórios estaduais, mas ainda não é certo se o partido irá se pronunciar nesta semana ou se vai deixar para declarar uma posição de apoio para a próxima segunda-feira, quando ocorrerá nova reunião. PSB acena apoio à Dilma no segundo turno
Barbosa declarou que, nacionalmente, a maioria do partido possui essa tendência de apoio à Dilma, mas, como existem seções do partido que possuem posicionamentos contrários, existe também a possibilidade de o partido não chegar a uma decisão formal. “Mas a maioria do partido, sem dúvida alguma, tem essa tendência de apoiar a Dilma pela própria natureza dos socialistas”, apontou.
Quando às declarações recentes de Marina Silva que, apesar de evitar falar diretamente na possibilidade de aliança com os tucanos, tem sinalizado a possibilidade de apoiar Aécio, Barbosa declarou que a provável decisão de apoio à Dilma é exclusiva do PSB. “Marina Silva é uma entidade que possui as características particulares dela, estamos falando do apoio do PSB”, ressaltou.
*Do programa de estágio do JB
Fonte - Jornal do Brasil  07/10/2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Carta de Moniz Bandeira para Roberto Amaral

Política

O politólogo brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira, residente na Alemanha, enviou a seguinte carta ao presidente nacional do PSB, professor Roberto Amaral:

Do blog Café na Politica
foto - ilustração

Estimado colega, Prof. Dr. Roberto Amaral
Presidente do PSB,

A Sra. Marina Silva tinha um percentual de intenções de voto bem maior do que o do governador Eduardo Campos, mas não conseguiu registrar seu partido – Rede Sustentabilidade – e sair com sua própria candidatura à presidência da República.
O governador Eduardo Campos permitiu que ela entrasse no PSB e se tornasse candidata a vice na sua chapa. Imaginou que seu percentual de intenções votos lhe seria transferido.
Nada lhe transferiu e ele não saiu de um percentual entre 8% e 10%. Trágico equívoco.
Para mim era evidente que Sra. Marina Silva não entrou no PSB, com maior percentual de intenções de voto que o candidato à presidência, para ser apenas vice.
A cabeça de chapa teria de ser ela própria. Era certamente seu objetivo e dos interesses que representa, como o demonstram as declarações que fez, contrárias às diretrizes ideológicas do PSB e às linhas da soberana política exterior do Brasil.
Agourei que algum revés poderia ocorrer e levá-la à cabeça da chapa, como candidata do PSB à Presidência.
Antes de que ela fosse admitida no PSB e se tornasse a candidata a vice, comentei essa premonição com grande advogado Durval de Noronha Goyos, meu querido amigo, e ele transmitiu ao governador Eduardo Campos minha advertência.
Seria um perigo se a Sra. Marina Silva, com percentual de intenções de voto bem maior do que o dele, fosse candidata a vice. Ela jamais se conformaria, nem os interesses que a produziram e lhe promoveram o nome, através da mídia, com uma posição subalterna, secundária, na chapa de um candidato com menor peso nas pesquisas.
O governador Eduardo Campos não acreditou. Mas infelizmente minha premonição se realizou, sob a forma de um desastre de avião. Pode, por favor, confirmar o que escrevo com o Dr. Durval de Noronha Goyos, que era amigo do governador Eduardo Campos.
Uma vez que há muitos anos estou a pesquisar sobre as 'shadow wars' e seus métodos e técnicas de regime change, de nada duvido. E o fato foi que conveio um acidente e apagou a vida do governador Eduardo Campos. E assim se abriu o caminho para a Sra. Marina Silva tornar-se a candidata à presidência do Brasil.
Afigura-me bastante estranho que ela se recuse a revelar, como noticiou a Folha de São Paulo, o nome das entidades que pagaram conferências, num total (que foi, declarado) R$1,6 milhão (um milhão e seiscentos mil reais), desde 2011, durante três anos em que não trabalhou. Alegou a exigência de confidencialidade. Por que a confidencialidade? É compreensível porque talvez sejam fontes escusas. O segredo pode significar confirmação.
Fui membro do PSB, antes de 1964, ao tempo do notável jurista João Mangabeira. Porém, agora, é triste assistir que a Sra. Marina Silva joga e afunda na lixeira a tradicional sigla, cuja história escrevi tanto em um prólogo à 8a. edição do meu livro 'O Governo João Goulart', publicado pela Editora UNESP, quanto em 'O Ano Vermelho', a ser reeditado (4a edição), pela Civilização Brasileira, no próximo ano.
As declarações da Sra. Marina Silva contra o Mercosul, a favor do subordinação e alinhamento com os Estados Unidos, contra o direito de Cuba à autodeterminação, e outras, feitas em vários lugares e na entrevista ao Latin Post, de 18 de setembro, enxovalham ainda mais a sigla do PSB, um respeitado partido que foi, mas do qual, desastrosamente, agora ela é candidata à presidência do Brasil.
Lamento muitíssimo expressar-lhe, aberta e francamente, o que sinto e penso a respeito da posição do PSB, ao aceitar e manter a Sra. Marina Silva como candidata à Presidência do Brasil.
Aos 78 anos, não estou filiado ao PSB nem a qualquer outro partido. Sou apenas cientista político e historiador, um livre pensador, independente. Mas por ser o senhor um homem digno e honrado, e em função do respeito que lhe tenho, permita-me recomendar-lhe que renuncie à presidência do PSB, antes da reunião da Executiva, convocada para sexta-feira, 27 de setembro. Se não o fizer – mais uma vez, por favor, me perdoe dizer-lhe – estará imolando seu próprio nome juntamente com a sigla.
As declarações da Sra. Marina Silva são radicalmente incompatíveis com as linhas tradicionais do PSB. Revelam, desde já, que ela pretende voltar aos tempos da ditadura do general Humberto Castelo Branco e proclamar a dependência do Brasil, como o general Juracy Magalhães, embaixador em Washington, que declarou: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.”

Cordialmente,

Prof. Dr. Dres. h.c. Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira
Reilinger Str. 19
68789 St. Leon-Rot – Deutschland
Tel.: 0049-6227/880533
Fax: 0049-6227/880534
Fonte - Blog do Miro (Altamiro Borges)  24/09/2-14

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Eduardo Campos enfrenta, numa mesma semana, duas saias justas em Pernambuco

Política

De um lado, deputado do Pros acusa PSB de ter oferecido propina à legenda pelo apoio a Campos. De outro, prima do candidato anuncia que vai trabalhar pelo PT porque ‘as pessoas só podem ter um lado’

Hylda Cavalcanti da RBA
FILIPE SCHMID/SIGMAPRESS/FOLHAPRESS
Para antigos apoiadores, Campos não pratica uma
 política nova e tem dificuldade em explicar mudanças
Brasília – O candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, enfrenta duas saias justas ao mesmo tempo em sua terra natal, Pernambuco – onde foi até bem pouco tempo governador. Por um lado, o deputado federal José Augusto Maia, afastado da presidência do Pros no estado, denunciou recentemente que a sua legenda teria recebido uma proposta de propina para se coligar com os socialistas. Por outro, a prima de Campos, a vereadora do Recife Marília Arraes, do PSB, preferiu apoiar a presidenta Dilma Rousseff nestas eleições e chegou a declarar que “em política a gente tem que ter lado”, numa crítica ao parente próximo.
José Augusto Maia chamou a atenção para o fato narrado por ele após pronunciamento feito na última semana na Câmara dos Deputados. O Pros, criado no ano passado, é uma das legendas coligadas à chapa do PT e, inclusive, levará Dilma Rousseff a contar, no guia eleitoral, com 27 segundos a mais do tempo de que dispõe. O partido abrigou os irmãos cearenses Cid e Ciro Gomes e demais dissidentes do PSB que se recusaram a permanecer na legenda socialista depois do rompimento com o governo, mantendo seu apoio ao PT.
Mas, apesar da coligação nacional, em Pernambuco, os integrantes do Pros resolveram apoiar Eduardo Campos e o candidato ao governo do estado pelo PSB, Paulo Câmara. O deputado José Maia fez, da tribuna da Câmara, um pronunciamento reclamando que foi destituído da presidência do Pros por não ter, segundo afirmou, aceitado proposta que considerou “indecorosa e vergonhosa” para a articulação desse posicionamento. Como se recusou, ele foi destituído e, pouco tempo depois, o Pros aderiu à chapa de Eduardo Campos.

‘Sem provas’
O parlamentar disse que a proposta que provocou toda a mudança teria sido feita a ele pelo presidente nacional do Pros, Eurípedes Júnior, justamente para que fosse validada a coligação da legenda como PSB pernambucano. José Augusto Maia, que é ex-prefeito do município de Santa Cruz do Capibaribe, também anunciou que não vai mais concorrer à reeleição, diante da divergência existente na legenda que o abriga. Acentuou que não entrará em maiores detalhes porque não tem “como provar a história” e prometeu reclamar judicialmente de sua destituição.
Na manhã desta quarta-feira (23), o jornal Folha de S. Paulo publicou detalhes sobre o episódio denunciado por Maia, baseado em declarações de fontes que disseram ter presenciado a reunião. Conforme o texto, o valor oferecido teria sido de R$ 6 milhões. Até a publicação desta reportagem, o PSB não se manifestou em relação ao caso.

Prima divergente
Já a vereadora Marília Arraes apenas confirmou oficialmente, no último dia 18, o que há muito já se comentava em Recife: o rompimento com o primo. Marília é filha de Marcos Arraes, que por sua vez é filho do ex-governador Miguel Arraes e irmão da mãe de Eduardo Campos, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes. Ela foi eleita vereadora do Recife em 2012 com o apoio de Campos e pretendia ser candidata a deputada federal este ano, mas desistiu.
Na entrevista em que fez o anúncio da sua decisão, não poupou farpas. Destacou que fará campanha para Dilma, pedirá votos para o PT em Pernambuco e apoiará o candidato do PTB ao governo do estado Armando Monteiro Neto, que é adversário do candidato do PSB, Paulo Câmara. Dentre as declarações mais ácidas, a vereadora afirmou que o que pesou na sua decisão foi o fato de acreditar que “em política a gente tem que ter um lado e esta coligação em que está o PSB é muito mais semelhante à extinta União por Pernambuco do que à Unidade Popular, de Miguel Arraes e Pelópidas (numa referência ao avô e ao ex-prefeito do Recife Pelópidas Silveira)".
Marília Arraes frisou ainda que “se esta é a nova política, então não me identifico com ela”. E destacou que, a seu ver, não considera a candidatura de Campos a melhor para o Brasil e não sabe “como ele vai explicar para a população o motivo pelo qual o projeto que Lula defende não é o melhor para o Brasil”. “As críticas que ele (Campos) faz a Dilma são infundadas. O PSB passou do limite da coerência”, acrescentou.

Anti-democrático
Nos bastidores, dá-se como certo que o motivo do rompimento teria sido a insatisfação da vereadora com o processo de escolha de candidatos à Câmara dos Deputados pelo PSB, o que teria se acalorado ainda mais com a nomeação do filho de Eduardo, João Campos, para a presidência da juventude do partido naquele estado – processo este que foi acusado por Marília de não ter obedecido a um processo democrático. A vereadora não comentou o tema em entrevistas, mas reconheceu considerar que decisões sobre o PSB estariam saindo da cúpula da legenda, nos últimos tempos, sem o crivo dos demais integrantes.
Para o presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, o problema criado por Marília ganhou dimensão maior que a esperada em função do seu sobrenome, mas a posição de um determinado integrante de uma legenda em apoiar outros candidatos tem sido observada em vários estados brasileiros, a exemplo do que ocorre no Rio de Janeiro. Guedes rebateu a vereadora ao afirmar que o problema foi provocado porque a vereadora queria ser candidata a deputada federal já com a chapa dos candidatos montada pelo partido e não foi possível mais formalizar sua candidatura.
“Com mais maturidade, ela Guedes (Marília Arraes) vai perceber que fez a escolha errada”, enfatizou, em tom diplomático. Sileno também acentuou que alguma possível punição à vereadora será discutida depois das eleições e não agora.
Fonte - Rede Brasil Atual  23/07/2014

domingo, 11 de maio de 2014

Campos pré-candidato faz PSB ficar 'milionário'

Política

Quase 90% dos recursos destinados ao partido de Campos saíram de empreiteiras. As maiores contribuições foram da Construtora Triunfo (R$ 1,5 milhão) e da OAS (R$ 1,55 milhão). A única doação do setor financeiro foi do Banco BMG (R$ 500 mil).

Agência Estado
foto - DP
As doações de empresas para o custeio das atividades partidárias do PSB dispararam no ano passado, quando o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, já se movimentava para se lançar candidato à Presidência. O diretório nacional do PSB recebeu um total de R$ 8,3 milhões de empresas em 2013. Em 2011 e 2009, anos em que também não houve eleições, a arrecadação havia sido zero, segundo as prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral.
Quase 90% dos recursos destinados ao partido de Campos saíram de empreiteiras. As maiores contribuições foram da Construtora Triunfo (R$ 1,5 milhão) e da OAS (R$ 1,55 milhão). A única doação do setor financeiro foi do Banco BMG (R$ 500 mil).
Se as empresas passaram a dar mais importância ao PSB no ano passado, a atenção ainda é muito menor que a destinada ao PT. O partido da presidente Dilma Rousseff arrecadou quase R$ 80 milhões de pessoas jurídicas no ano passado. Em 2011, o volume arrecadado pelos petistas foi bem menor: cerca de R$ 50 milhões, sendo que R$ 22,7 milhões estavam vinculados às eleições ocorridas no ano anterior - eram, portanto, contribuições de campanha, e não destinadas unicamente ao financiamento das atividades partidárias.
No PT, assim como no PSB, as empreiteiras dominam a lista de doadores. Cerca de 88% dos recursos doados aos petistas no ano passado saíram do setor da construção. Os dados constam dos relatórios que os partidos são obrigados a entregar ao Tribunal Superior Eleitoral, anualmente, até 30 de maio. Os dados referentes ao PSDB ainda não foram publicadas no site do tribunal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte - Diário de Pernambuco  10/05/2014

terça-feira, 6 de maio de 2014

Campos confirma guinada à direita e atinge socialistas históricos do PSB

Política

Eduardo Campos (PSB) é mais um integrante da direita e tomou o poder na legenda que um dia foi socialista

Correio do Brasil
Por Redação

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) definiu, por orientação do presidenciável Eduardo Campos, que de socialista mesmo restará apenas o nome da legenda. O conteúdo, que identificava a agremiação com a esquerda brasileira será extraído, em parte ou na íntegra, durante a próxima convenção partidária. Na prática, o interesse público e a socialização dos meios de produção desaparecem para deixar livre o compromisso “com a ordem econômica que está aí”, como afirmou Campos, nesta segunda-feira.
A decisão já causa um mal estar entre os socialistas históricos abrigados na ideologia prestes a ser sacrificada em nome do capitalismo. Entre eles, o advogado e articulista Roberto Amaral, histórico e combativo militante contra o regime ditatorial e fundador do PSB, após sua passagem no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). No campo econômico, Amaral bate firme noestablishment:
“O Estado é, sempre, servidor da classe dominante, assim identificada como detentora dos meios de produção’. Esta sentença encerra uma verdade, mas não encerra a verdade toda, pois o Estado capitalista, democrático ou não, é permeado de classes e contradições entre classes e mesmo no interior da classe que exerce o poder de Estado, e nesses espaços podem atuar as mais diversas forças, inclusive as que lhe são antagônicas. Ainda bem. Pois, se tomada a sentença marxista (Manifesto comunista e A ideologia alemã) no seu sentido tout court nada mais teríamos por fazer, a revolução seria impossível, a política estaria morta e, aí sim, a História não teria mais caminho a percorrer”, afirmou, em recente artigo publicado na revista semanal de esquerda Carta Capital
Em linha com Amaral, ministro da Ciência e Tecnologia durante os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros militantes históricos também se afastaram do PSB. A inspiração marxista, que prega a “socialização dos meios de produção” e limites à propriedade privada, agora faz parte do passado. A início da queda teve início no ano passado, desde a comunhão entre Campos e a ex-ministra do Meio Ambiente, também no governo Lula, Marina Silva, que tem entre seus principais patrocinadores os donos do Banco Itaú e propaga um ideário recheado de opiniões homofóbicas e fundamentalistas.
– Como um partido que se diz socialista rasga seu programa de defesa histórica dos direitos das mulheres e se posiciona contra mudanças na lei do aborto? este é apenas um de inúmeros outros pontos centrais da agenda socialista que vem sendo esvaziada – afirmou à reportagem do Correio do Brasil um dos fundadores da legenda que, por motivos pessoais, prefere manter o anonimato.
A política de alianças do ex-governador pernambucano na campanha ao Palácio do Planalto, cada vez mais à direita, ficou demonstrada na troca de correspondência entre o coordenador de comunicação da pré-campanha, Alon Feuerwerker, ao próprio Campos, flagrada por repórteres do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo e publicada na edição desta segunda-feira. Na mensagem, Feuerwerker encaminha a Campos o fragmento de um texto, no qual um colaborador descreve o ataque ao partido que circula na internet. O coordenador questiona Campos, presidente nacional do PSB, se é possível alterar o manifesto do partido na convenção em junho.
“Tem como mexer nisso na convenção de junho?”, questiona o e-mail do coordenador ao chefe.
Nesta manhã, Campos tornou público o seu ponto de vista. Ele disse que o debate sobre o manifesto do partido foi feito a seu pedido e que a mudança deverá ocorrer até 10 de junho, quando ocorrerá a convenção partidária.
– Estamos preparando programa de governo que tem claros compromissos com a ordem econômica que está aí, com a estabilização da economia. E, nesses encontros, nós temos interesse de fazer esse debate para mudar o nosso programa – afirmou Campos, presidente nacional do PSB durante visita a Belo Horizonte.
Trechos do manifesto, de 1947, que definem os princípios do Partido Socialista Brasileiro preocupam os setores da legenda mais ligados à direita. Campos quer desfazer qualquer ligação com o documento.
– Estamos falando de um manifesto de 1947, um documento histórico do partido, em outras circunstâncias. Ali em 1947 nosso partido já se colocava contra a polarização dos que viviam a chamada Guerra Fria – conclui Campos.
Fonte - Correio do Brasil  05/05/2014

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Marina, Eduardo etc.

Política

Jânio de Freitas

O choque de objetivos se complica e se acirra entre Marina Silva e Eduardo Campos no PSB. Os grupos de ambos acusam a existência apenas de intrigas da imprensa, mas Eduardo Campos e sua corrente partiram para iniciativas que os recuperem da noticiada perda de força na sua relação com Marina Silva. Tudo sugere, porém, que as iniciativas adotadas não levarão ao resultado pretendido, e, sim, à permanência mais agravada do choque.
A maneira como Eduardo quis invalidar a recusa de Marina a apoiar a recandidatura de Geraldo Alckmin –doou ao PSDB uma secretaria e um cargo de segundo nível no governo de Pernambuco– nem arranhou a intenção da Rede de lançar candidato próprio em São Paulo. E, atraindo peessedebistas de Aécio Neves para a sua candidatura, leva o comando nacional do PSDB a reagir com a proibição de acordos estaduais sem a sua concordância prévia. O que pode trazer danos indiretos ao PSB em outros Estados.
O entendimento com o PSDB de Pernambuco, sem entendimento a respeito com Marina, teve a desculpa de ser ato do governo. Já a planejada reunião, na próxima sexta-feira, de dirigentes do PSB sem a participação de Marina, tem, por si só, um ingrediente inegável de animosidade. E vai muito além disso, com os já antecipados propósitos de acelerar o compromisso de apoio à recandidatura de Alckmin e cravar Marina Silva como candidata a vice de Eduardo Campos.
Por ora, o pretendido avanço da corrente de Eduardo Campos parece pouco para demover Marina Silva de suas posições e propósitos. Mas suficiente para criar novos embaraços na relação em que Eduardo Campos ainda está por demonstrar algum ganho com sua apressada criação do PSB-Rede.
Fonte - Jânio de Freitas (Folha de SP) 14/01/2014