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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A contribuição dos trilhos para o Meio Ambiente

Transportes sobre trilhos  🚄  🚇

A poluição atmosférica, resultante, principalmente, das emissões de combustíveis fósseis, é um dos principais problemas dessa realidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído. A poluição do ar em locais fechados e em ambientes externos causou estimadas 7 milhões de mortes globalmente em 2016, segundo a ONU Meio Ambiente, e pode levar às pessoas à morte prematura por doenças cardíacas, derrame e câncer, além de provocar infecções respiratórias. 

Roberta Marchesi - ANPTrilhos
foto - ilustração/arquivo
Céu encoberto por nuvens cinzentas, cheiro de fumaça, buzinas tocando, calor excessivo e pessoas doentes são itens de um cenário nada agradável para se viver. Infelizmente, essa é a realidade de muitas cidades no mundo, que convivem com os impactos gerados pelo desenvolvimento desordenado e o adensamento urbano.
A poluição atmosférica, resultante, principalmente, das emissões de combustíveis fósseis, é um dos principais problemas dessa realidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído. A poluição do ar em locais fechados e em ambientes externos causou estimadas 7 milhões de mortes globalmente em 2016, segundo a ONU Meio Ambiente, e pode levar às pessoas à morte prematura por doenças cardíacas, derrame e câncer, além de provocar infecções respiratórias.
Os números são alarmantes e o cenário preocupante, já que as emissões de dióxido de carbono aumentaram 2% em todo mundo em 2018, sendo considerada a maior elevação em sete anos, segundo relatório divulgado pela empresa de combustíveis BP.
O transporte é um dos principais responsáveis pela poluição do ar nas cidades. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o setor de transporte responde por 25% das emissões globais de gases do efeito estufa e, por ano, produz 8 gigatoneladas de substâncias que contribuem para o aquecimento global, valor 70 vezes mais alto do que há 30 anos.
Uma das alternativas apontadas pela ONU para reduzir as pegadas de carbono dos deslocamentos é investir nos veículos elétricos de fontes renováveis, como é o caso dos sistemas de transporte sobre trilhos, como metrô, trem urbano, Veículo Leve sobre Trilhos e aeromóvel.
O transporte sobre trilhos contribui significativamente com o meio ambiente, com benefícios que vão muito além do transporte em si. Os trilhos urbanos emitem 60% menos CO2 que os carros e 40% menos dióxido de carbono em relação aos ônibus, isso quando considerada toda a cadeia de geração de energia, pois no caso apenas do transporte em si, a emissão dos sistemas eletrificados de trilhos é zero. Nos centros urbanos onde estão instalados, os sistemas sobre trilhos proporcionam a retirada de 1,3 milhão de carros e 18 mil ônibus por dia das ruas.
Para se ter uma dimensão do benefício que esse tipo de transporte traz para as cidades e a saúde da população, no Brasil, onde esse modo de deslocamento ainda não atende a todas as principais cidades e a rede metroferroviária conta com pouco mais de 1.000 km de extensão, a utilização dos sistemas sobre trilhos permite que se deixe de emitir nos centros urbanos mais de 2 milhões de toneladas de poluentes ao ano.
Dados do Ministério da Saúde apontam que nos últimos 10 anos, o Brasil gastou cerca de R$ 14 bilhões com internações por doenças do aparelho respiratório. Se esse dinheiro tivesse sido revertido para a ampliação da rede de trilhos no Brasil seria possível construir cerca de 180 km de metrô/trem/VLT, contribuindo para a remoção de aproximadamente 380 mil toneladas de CO2 de nossos centros urbanos e melhorando, sobremaneira, a qualidade de vida e de saúde de nossos cidadãos. Para ter uma ideia, seriam necessárias 2,7 milhões de árvores para o renovar o ar impactado por essas emissões.
Além disso, com os trilhos necessitam de 20 vezes menos espaço na área urbana do que outras alternativas de transporte. A decisão por investir nesses sistemas poderia aumentar a área útil nas cidades para instalação de praças, manutenção de áreas verdes e implantação de ciclovias, por exemplo, contribuindo ainda mais com a qualidade ambiental da cidade e a qualidade de vida dos cidadãos.
Precisamos olhar para as vantagens desse modo de transporte e pensar em políticas públicas que estimulem a implantação cada vez mais do transporte limpo e sustentável. Ao invés de criar incentivos para o transporte automotor, emissor de poluentes, precisamos estimular as diretrizes de governo para que todas as políticas públicas que sejam desenhadas para a mobilidade urbana priorizem o transporte público estruturante, sustentável e que atenda as necessidades de deslocamento da população e contribuam com o meio ambiente.
*Roberta Marchesi é Diretora Executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Mestre em Economia e Pós-Graduada nas áreas de Planejamento, Orçamento e Logística
Fonte - ANPTrilhos  30/08/2019

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Patinetes desafiam cidades brasileiras

Mobilidade/Sustentabilidade  🚲

Tal questão chamou a atenção do Senado Federal que realizou duas audiências públicas, onde as opiniões convergiram para a necessidade de uma regulação discutida e planejada com antecedência pelo poder público. No limite, o que deve ser preservado é o direito à integridade física dos que circulam pelas cidades, mas parlamentares e especialistas recomendam equilíbrio para que não se joguem fora alternativas promissoras ao meio ambiente e à fluidez do tráfego.

Portogente
foto 0 ilustração/arquivo
Os problemas criados nos últimos meses em várias cidades brasileiras pelo uso inadequado de patinetes elétricas desfez a ilusão de que empresas e consumidores pudessem resolver sozinhos, e num passe de mágica, certos embaraços à mobilidade urbana. Tal questão chamou a atenção do Senado Federal que realizou duas audiências públicas, onde as opiniões convergiram para a necessidade de uma regulação discutida e planejada com antecedência pelo poder público como melhor caminho para que as comunidades reinventem seu modelo de trânsito, sem que tenham de passar pelo caos ou cair no proibicionismo.
No limite, o que deve ser preservado é o direito à integridade física dos que circulam pelas cidades, mas parlamentares e especialistas recomendam equilíbrio para que não se joguem fora alternativas promissoras ao meio ambiente e à fluidez do tráfego.
De janeiro a maio, num crescendo, a combinação de novidades tecnológicas com modelos de negócio arrojados surpreendeu a população, provocando alvoroço. A empolgação inicial, entretanto, vem sendo arrefecida por sustos, quedas e atropelamentos nas ruas de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e uma dezena de outras cidades nas quais as patinetes estão presentes, mostrando que também as autoridades responsáveis pelo planejamento urbano se surpreenderam.
Pelo menos parte dos danos provocados por esse afluxo repentino poderia ter sido evitada, caso tivesse sido cumprido à risca o que recomenda desde 2013 a Resolução 465 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para esses veículos: circulação em áreas de pedestres a 6 quilômetros por hora (km/h) e a 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas.
Fonte - Portogente  26/06/2019

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Mudar transporte contra aquecimento global requer apoio, dizem especialistas

Mobilidade/Sustentabilidade  🚇

O aumento da cota de mercado do transporte público é muito lento não só no Brasil, mas no mundo todo. O pior que podemos fazer é tornar o debate puramente tecnológico.No final do século 19, a humanidade se locomovia com cavalos. O tema das discussões era como lidar com o estrume de cavalos nas cidades. Em 1910, toda a mobilidade se fazia com automóveis. 

Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Representantes de Portugal e do Chile destacaram hoje (6) a importância de conquistar o apoio da comunidade para que iniciativas que promovem a redução da emissão de gases do efeito estufa no transporte urbano sejam bem-sucedidas. As experiências dos dois países foram tema de debate durante o Encontro Internacional sobre Descarbonização do Transporte.
O secretário de Estado adjunto e do Ambiente de Portugal, José Mendes, defendeu que a discussão não pode ficar restrita à tecnologia. “O aumento da cota de mercado do transporte público é muito lento não só no Brasil, mas no mundo todo. O pior que podemos fazer é tornar o debate puramente tecnológico. Temos que fazer um trabalho de conhecimento e envolver as pessoas”, disse.
Mendes afirmou que a mudança de paradigma nos transportes, com redução do uso de veículos individuais, é um objetivo possível. “Acredito muito no gênero humano e na capacidade de fazer modificações. No final do século 19, a humanidade se locomovia com cavalos. O tema das discussões era como lidar com o estrume de cavalos nas cidades. Em 1910, toda a mobilidade se fazia com automóveis. Tudo se alterou em apenas dez anos”, lembrou.
Ele disse que as ações adotadas por Portugal para alcançar as metas de redução de emissões do Acordo de Paris envolvem iniciativas a curto e a longo prazo. “Nas democracias temos ciclos de avaliação, ciclos eleitorais. É muito difícil captar o apoio público para objetivos de longo prazo. Temos sempre que ter uma combinação de metas de longo prazo e quick wins (ações de curto prazo).”
De acordo com o representante de Portugal, o país tem investido, de um lado, em iniciativas de resultado mais rápido, como a extensão das redes de metrô de Lisboa e do Porto e incentivos fiscais para quem quiser dividir o uso de carros e bicicletas e, do outro, em ações a longo prazo como a adoção de ônibus e carros elétricos, embrionárias e ainda com poucas unidades.
Mendes foi articulador da Aliança para Descarbonização do Transporte, lançada durante a COP 23, a mais recente Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em novembro na cidade de Bonn, na Alemanha. A aliança, que inclui ainda França, Holanda e Costa Rica, deve servir para troca de experiências e facilitação do diálogo. Espera-se que mais países a integrem no futuro.

Desigualdade social
O envolvimento dos cidadãos no diálogo sobre mudança nos hábitos de locomoção também foi defendido pela ex-prefeita de Santiago Carolina Tohá, atualmente copresidente do Grupo Consultivo de Alto Nível em Transportes Sustentáveis da Secretaria-Geral das Nações Unidas.
Ela detalhou a implementação de um plano de transportes para Santiago durante sua gestão como prefeita, excluindo os veículos individuais e priorizando o transporte público e os pedestres no centro da cidade. Segundo Carolina, o diálogo com moradores, comerciantes e com instâncias como o Conselho de Monumentos e o Serviço de Deficientes da cidade foi essencial para o programa.
A ex-prefeita de Santiago destacou o papel da desigualdade social na questão da mobilidade urbana. “Quem mais caminha e usa o transporte público é pessoa de baixa renda. O meio de transporte no qual se investe significa priorizar determinada classe social”, disse ela, que defendeu “substituir o sonho de ter um carro” por outro sonho, que envolva a multimodalidade dos transportes.
O Encontro sobre Descarbonização do Transporte está sendo realizado hoje durante todo o dia. O evento é organizado pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) e a Embaixada da Alemanha. Durante a tarde, serão discutidas propostas para descarbonizar o transporte brasileiro e as tendências tecnológicas e inovações na área.
Fonte - Agência Brasil  06/12/2017

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Trólebus completam 66 anos de serviço no Brasil

Ônibus elétrico

Os veículos resistiram a turbulência, e ganharam uma sobrevida com a modernização da rede elétrica que resultou em uma queda de 83% no número de ocorrência que envolvem pane nas fiações. A frota também foi renovada. Entretanto, mesmo sendo comprovada sua eficacia, não existem projetos previstos para ampliação das redes por conta de uma falta de entendimento entre os órgãos competentes referente ao custo de energia

Renato Lobo - VT
foto-ilustração/Pregopontocom
No dia 22 de Abril o sistema trólebus completa 66 anos de existência no Brasil, sendo que em São Paulo a primeira linha foi inaugurada ligando o centro ao bairro da Aclimação.
Ao longo destes 66 anos, 15 localidades já implantaram a tecnologia, sendo elas: Araraquara (SP), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Campos (RJ), Fortaleza (CE), Niterói (RJ), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Ribeirão Preto (SP), Rio Claro (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e Santos (SP), além da região Metropolitana de São Paulo que correspondem a 2 sistemas, o da capital e o metropolitano do corredor São Mateus-Jabaquara. Atualmente apenas o sistemas da RMSP e da Baixa Santista permanecem em operação.
foto-ilustração Trólebus de Salvador/Arquivo
Durante estas quase 7 décadas de operação, os trólebus já tiveram seus anos áureos e decadentes. Na última década o sistema da capital paulista teve cerca de 40% de sua malha suprimida, onde se cogitou a retirada de operação dos veículos.
Os veículos resistiram a turbulência, e ganharam uma sobrevida com a modernização da rede elétrica que resultou em uma queda de 83% no número de ocorrência que envolvem pane nas fiações. A frota também foi renovada. Entretanto, mesmo sendo comprovada sua eficacia, não existem projetos previstos para ampliação das redes por conta de uma falta de entendimento entre os órgãos competentes referente ao custo de energia.
Sem expelir gazes nocivos na atmosfera por serem movidos a energia elétrica, os ônibus elétricos são mais silenciosos, contribuindo para a redução de um outro tipo de poluição: a sonora. Os veículos duram mais que os ônibus comum por apresentaram menores índices de trepidação. Os motores elétricos possuem alto índice de eficiência energética, confiabilidade e durabilidade.
No ABC, os trólebus pouparam 4,3 milhões de litros de diesel em 2013. Já em São Paulo, estes veículos evitaram que fossem lançadas no ar 13 mil toneladas de CO2 neste mesmo ano. Além disso, os ônibus elétricos pouparam 5,3 milhões de litros de diesel.
Fonte - Via Trólebus  22/04/2015