UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Programa brasileiro de cisternas para o Semiárido criado em 2003 concorre a prêmio internacional

Programas Sociais  👪

Morador da Agrovila Nova Esperança, em Ouricuri (PE), Adão Jesus de Oliveira está rodeado, há quase uma década, pelos feitos alcançados com a instalação das estruturas de captação e armazenamento de água.Tudo começou em 2008, quando os moradores da região aderiram ao projeto piloto. Atualmente, eles dispõem de sete reservatórios grandes, cada um com capacidade para 52 mil litros.

Letycia Bond
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
O programa governamental Cisternas, que garante o acesso da população rural do Semiárido à água é um dos seis projetos que concorrem este ano ao Prêmio Internacional de Política para o Futuro (Future Policy Award, em nome original). A World Future Council, em parceria com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD), deu destaque a 27 iniciativas oriundas de 18 países.
Apesar de estar na 10ª edição, é a primeira vez que a organização alemã aborda as políticas de subsistência em áreas de condições severas ocasionadas pela seca ou por inundações. O anúncio da classificação dos três primeiros lugares ocorrerá em 22 de agosto e será seguido pela solenidade de entrega dos prêmios, marcada para setembro, em Ordos, na China. A cerimônia integra a 13ª sessão da Conferência das Partes da UNCCD.
Morador da Agrovila Nova Esperança, em Ouricuri (PE), Adão Jesus de Oliveira está rodeado, há quase uma década, pelos feitos alcançados com a instalação das estruturas de captação e armazenamento de água. Com os equipamentos, Oliveira diz que é capaz de enfrentar o baixo volume pluviométrico até o fim do ano. “Temos as tecnologias de água de beber desde quando eu cheguei à comunidade. Antes, era muito difícil, para nós, conseguir água para consumo. Tínhamos que andar 6 quilômetros. Pegava fila de madrugada. Não dava para todo mundo”, lembra Oliveira.
Tudo começou em 2008, quando os moradores da região aderiram ao projeto piloto. Atualmente, eles dispõem de sete reservatórios grandes, cada um com capacidade para 52 mil litros.
foto - ilustração
A melhora na qualidade da água é claramente perceptível, diz Oliveira. Hoje, ele produz hortaliças e cria animais. “Foi muito importante, porque, desde lá, enfrentamos essa grande estiagem, mas nunca mais é água desconhecida. Sabemos a procedência. Não é todo ano que vem enchendo, mas é mais por causa da estiagem. Graças a Deus, estamos usando água da cisterna, beneficiando a comunidade.”
Segundo a Articulação Semiárido Brasileiro, a região semiárida ocupa 18,2% do território brasileiro, abrangendo um quinto dos municípios e 11,84% da população do país. Com o projeto Cisternas, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome promove a democratização do acesso à água a partir de duas linhas: a de consumo básico, para suprir as necessidades rotineiras, e a de produção, que permite o desenvolvimento da agricultura familiar.
Coexistem nos dois contextos os programas Um Milhão de Cisternas e Uma Terra e Duas Águas. Em seu âmbito, foram distribuídas cerca de 604 mil cisternas e 95 mil tecnologias, entre as de uso familiar e as de uso coletivo. Além disso, 4.726 cisternas foram erguidas em escolas.

Capacitação

O programa Uma Terra e Duas Águas inclui cursos que disseminam ensinamentos sobre manejo de animais, cuidados com a horta e uso de inseticidas naturais. As famílias recebem orientações, ainda, sobre a edificação dos diferentes modelos de reservatórios, que se dividem, conforme o diâmetro e dimensões, em barraginha, cisterna-enxurrada, bomba d’água popular, barragem subterrânea, cisterna-calçadão e tanque de pedra ou caldeirão.
A Asa ressalta que outras estratégias para a autonomia e a segurança alimentar e nutricional na região são os bancos de sementes, a estocagem de alimentos para os animais e a agrofloresta, aliada para a sustentabilidade ambiental. De acordo com a rede, é a partir do espírito de emancipação que agricultores-experimentadores se tornam agricultores-promotores.Fonte - Agência Brasil  24/07/2017

Nota Pregopontocom
Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC),foi "lançado pelo presidente Lula em 2003". O Programa surgiu da iniciativa da ONG Articulação do Semiárido (ASA) 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pró-Semiárido investe R$ 350 mi no combate à pobreza no interior da Bahia

Desenvolvimento Rural

O Pró-Semiárido, executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Rural (CAR), busca promover a otimização, a capacidade de organização e a gestão no campo, com geração de renda nas atividades agropecuárias.Os recursos serão provenientes de empréstimo com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida). 

Da Redação
foto - Manu Dias/Gov.Ba
Bahia - Fortalecer a agricultura familiar, promovendo desenvolvimento e modernização das atividades no campo, e combater a pobreza em dezenas de municípios do semiárido baiano. Com esses objetivos, o governador Rui Costa lançou o Projeto Pró-Semiárido nesta segunda-feira (11), em Juazeiro, no norte da Bahia.
Com R$ 350 milhões em investimentos, o projeto vai beneficiar 70 mil famílias de 32 municípios baianos que possuem baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). "Este é um investimento estruturante para aumentar a produção da agricultura. A ideia é que a melhor solução para a pobreza é a produtividade no campo, o emprego, para melhorar a vida daqueles que com muito sacrifício produzem no semiárido baiano", afirmou Rui.
O Pró-Semiárido, executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Rural (CAR), busca promover a otimização, a capacidade de organização e a gestão no campo, com geração de renda nas atividades agropecuárias.
Os recursos serão provenientes de empréstimo com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida). Entre as ações previstas no Pró-Semiárido estão a construção de agroindústrias, sistemas de abastecimento de água, formação técnica para produtores e atuação em redes de cooperação socioprodutiva.
O lançamento ocorreu na Orla II de Juazeiro, às margens do Rio São Francisco, com a presença de secretários de estado, autoridades políticas e representantes de organizações da sociedade civil e movimentos sociais. Na ocasião, Rui autorizou a execução de um conjunto de ações de programas como Garantia Safra da Agricultura Familiar e Plano Safra e assinou convênios do Bahia Produtiva, além de entregar máquinas agrícolas. Somados, os investimentos e créditos das ações passam de R$ 1,3 bilhão.

Plano Safra e Garantia Safra
Beneficiando pequenos produtores, o governador assinou o acordo de cooperação para execução de metas do Plano Safra da Agricultura Familiar, com mais de R$ 700 milhões em crédito destinado à Bahia, disponibilizado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Nesta edição, o programa vai permitir financiamentos com redução de juros e ampliação de recursos para assistência técnica.
O terceiro programa na área que recebeu autorização no evento foi o Garantia Safra 16/17. Rui assinou o decreto governamental de adesão ao programa, que espera atingir 345 mil agricultores. Terão acesso ao benefício aqueles que estiverem regularizados e não tenham renda superior a 1,5 salário mínimo por mês.

Bahia Produtiva
O programa Bahia Produtiva, gerido pela SDR/CAR, também levará recursos para a região. Rui autorizou a celebração de convênios com 28 projetos selecionados no Território Sertão do São Francisco. Ao todo, 1,2 mil famílias que participam de associações e cooperativas nas cadeias produtivas da apicultura, caprinocultura, pesca e socioambientais, serão beneficiadas com investimento de R$ 5 milhões.
Ao lado do secretário estadual de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Geraldo Reis, o governador anunciou os valores disponibilizados pela pasta para apoio à agricultura familiar. No período de julho de 2016 a junho de 2017, serão aplicados R$ 130 milhões em uma série de projetos e programas como o PAA Leite, PAA Alimentos e o Restaurante Popular.

Modernização no campo
Também foram entregues dez tratores com implementos agrícolas, beneficiando os municípios de Juazeiro, Sobradinho, Casa Nova, Curaçá, Ponto Novo, Cansanção, Monte Santo, Quijingue e Miguel Calmon, e 20 conjuntos de máquinas forrageiras a entidades da Agricultura Familiar do Território do Rio São Francisco. No mesmo evento, 211 agricultores familiares de nove localidades da região foram beneficiados com a entrega de títulos de domínio de terra.
Boas notícias para o baiano que vive do campo, como Francisco Brandão, presidente da Associação Comunitária e Agropastoril de Curaçá. "É muito bom que essas máquinas cheguem para todos nós. Hoje, os governos estão olhando para as classes mais baixas. Se lembrarmos do passado, o que nós temos hoje é muito diferente. No momento certo, quando a chuva chegar, nós vamos ter como preparar a terra para nosso cultivo", comentou o agricultor.
Em parceria com a SJDHDS, a SDR ainda comemorou no município as marcas de 30 mil ações das tecnologias sociais de água e 340 mil ações de abastecimento humano executadas em toda a Bahia.
Com informações da Secom Ba. 11/07/2016

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Transposição do São Francisco chega a 81% das obras físicas

Transposição 

A obra é tida como saída para a crise de abastecimento d'água em muitos municípios do Semiárido.De acordo com o Ministério da Integração Nacional (MI),o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco,considerado a maior obra de infraestrutura hídrica do País,está com 81% de execução física.

Diário do Nordeste
Por Honório Barbosa - Colaborador
foto - Elizângela Santos
Iguatu - Os moradores do Semiárido nordestino estão de olho nas obras de transposição do Rio São Francisco, numa verdadeira contagem regressiva. O temor, segundo previsões Meteorológicas, é que o atual ciclo de seca, que já perdura desde 2012, estenda-se em 2016, provocando desabastecimento para milhões de pessoas. O colapso em grandes centros urbanos pode ser evitado com a chegada das águas do "Velho Chico", mas haverá tempo suficiente para o início da operação de transferência do recurso hídrico?
De acordo com o Ministério da Integração Nacional (MI), o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, considerado a maior obra de infraestrutura hídrica do País, está com 81% de execução física. Os dados são referentes a outubro passado. "As primeiras estações de bombeamento já foram entregues e ainda para este ano está prevista a conclusão da segunda estação do Eixo Leste", assegurou o secretário de Infraestrutura do MI, Osvaldo Garcia.
Mais de 10 mil operários trabalham ao longo dos 477Km de extensão da obra. "O projeto é uma prioridade do governo federal", frisou Garcia. A transposição vai atender 12 milhões de pessoas em 390 cidades dos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O sistema prevê a construção de dois eixos: Leste e Oeste. O primeiro levará água para áreas de Pernambuco, e o segundo para o Ceará, Paraíba e Rio Grande.
Segundo dados divulgados pelo MI, o eixo norte apresenta 82,2% de execução e o leste, 79,2%. A obra vem sendo construída por etapas, mas já sofreu atrasos e paralisações. O cronograma de execução prioriza a sequência construtiva do "caminho das águas" a partir da captação até os Estados que serão beneficiados. A expectativa é que a obra seja concluída em fins de 2016 ou início de 2017.
O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, trabalha com esse cronograma. "Se não houver recarga nos reservatórios na quadra chuvosa de 2016 vamos enfrentar muitas dificuldades, mas até o fim do próximo ano já poderemos contar com a transposição do São Francisco", disse. O governo do Estado já solicita recursos federais para continuidade de obras de infraestrutura visando à distribuição de água do "Velho Chico" por bacias hidrográficas no Ceará. O principal projeto é o Cinturão das Águas.
Em agosto passado foi iniciado, em fase de teste, o bombeamento de águas do Rio São Francisco na estação de Cabrobó (PE). Essa operação trouxe a possibilidade de que a água do Velho Chico poderia chegar ao Ceará em julho do próximo ano, caso não ocorra contratempo na execução. Seria uma segurança e alívio para vários municípios e a Região Metropolitana de Fortaleza, que recebe água do Açude Castanhão. Atualmente, os açudes do Ceará acumulam somente 13,6% de sua capacidade. O projeto prevê quatro túneis, um com 15Km de extensão, 14 aquedutos, nove estações de bombeamento e 27 reservatórios.

Ações emergenciais
Mediante o quadro de estiagem que assola o Semiárido nordestino, o governo federal, em parceria com os Estados, vem liberando recursos para distribuição de água por caminhões-pipa, perfuração e recuperação de poços profundos e instalação de adutoras de montagem rápida. De agosto de 2012 a outubro deste ano, o governo federal já investiu R$ 525,4 milhões em ações de socorro e assistência.
Fonte - Diário do Nordeste  20/11/2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Técnicas para armazenar água e produzir alimentos ajudam a viver no Semiárido

Sustentabilidade

A segurança hídrica é apenas um dos muitos pontos importantes da convivência com o Semiárido. Odaléa Severo, integrante da coordenação estadual da Articulação no Semiárido (ASA), defende que o acesso à terra e a estocagem de alimentos para as pessoas e para os animais são outros meios de manter as famílias sertanejas em suas terras. “Seca não se combate. É preciso criar mecanismos para viver bem no Semiárido.

Edwirges Nogueira
Enviada Espc. da Ag. Brasil/EBC
Produtor rural no Semiárido
Arquivo/Agência Brasil
A solução para reduzir os impactos negativos da seca está no próprio Semiárido. É o que demonstram diversas famílias e comunidades cearenses que conseguem fazer bom uso dos recursos que ficam escassos nos meses de estiagem. E muita coisa é feita ali, ao lado das casas. O agricultor João Firmino, 85 anos, desceu a serra de Baturité, no centro-norte do Ceará, na década de 1950 para viver no Sertão Central (historicamente considerada a área mais árida do estado) e conta que, naquela época, não faltava serviço. Para ter água em casa, entretanto, era preciso sair às duas da madrugada em direção a um açude.
Firmino vive na comunidade de Bom Jardim, em Quixadá, há 25 anos. Hoje, ao lado da cisterna-calçadão (que capta água por meio de um “calçadão” construído ao lado do reservatório), ele fica admirado quando a filha Lourdes, 41 anos, pega um balde e retira água de uma pequena abertura. “É muita água, graças a Deus.” As chuvas que caíram em Quixadá entre o final de fevereiro e o início de março praticamente encheram a cisterna de 52 mil litros, cuja água é utilizada para irrigar a produção de frutas, hortaliças e grãos. Na frente da casa, outra cisterna capta água da chuva pelas calhas para consumo familiar.
A agricultora Lourdes Lopes Alves seguiu os passos dos pais e é quem hoje mantém o quintal produtivo da família. De lá, saem não só os alimentos que a família consome. Ela reúne o excedente para vender na feira em Quixadá. Além disso, produz e vende um bolo feito com o milho colhido em casa.
A segurança hídrica é apenas um dos muitos pontos importantes da convivência com o Semiárido. Odaléa Severo, integrante da coordenação estadual da Articulação no Semiárido (ASA), defende que o acesso à terra e a estocagem de alimentos para as pessoas e para os animais são outros meios de manter as famílias sertanejas em suas terras. “Seca não se combate. É preciso criar mecanismos para viver bem no Semiárido. Experiências como essa mostram que isso é possível. Estamos rompendo com um paradigma de combate à seca que foi repercutido ao longo da história.”

Nova Russas - Moradores convivem com período de seca
 na comunidade rural de Irapuá. O agricultor João Pinto
 52 anos, mantém uma plantação e cria galinhas para sustento da família
 (Fernando Frazão/Agência Brasil)Fernando Frazão/Agência Brasil
Nova Russas - Moradores convivem com período de seca na comunidade rural de Irapuá. O agricultor João Pinto, 52 anos, mantém uma plantação e cria galinhas para sustento da família (Fernando Frazão/Agência Brasil)Fernando Frazão/Agência Brasil
Em Nova Russas, na região dos Inhamuns (a 239 quilômetros de Quixadá), a comunidade Irapuá é uma demonstração do potencial do Semiárido. Lá, os produtores se reuniram em associações para organizar o trabalho, que envolve a produção de frutas e hortaliças, de artesanato, de aves e de mel de abelha. O próximo passo da comunidade é conseguir um selo que comprove a excelência do trabalho na produção orgânica de mel. Além disso, os apicultores aguardam a próxima florada, resultado das chuvas recentes, para colocar em funcionamento o novo entreposto – local em que o mel é beneficiado para chegar ao consumidor.
A expectativa para as primeiras produções no novo local é um pouco menor. Antes das chuvas, quando a água estava escassa e a temperatura era alta, as abelhas deixaram mais da metade das 320 colmeias de Irapuá. Atualmente, os apicultores contam com, aproximadamente, 150 colmeias. Mesmo assim, o presidente da Associação Agroecológica de Certificação Participativa dos Inhamuns (Acep), Vicente Pinto de Carvalho Neto, está otimista. Ele estima que, em abril, já haverá mel e que o número de colmeias voltará a crescer. “Como choveu, as abelhas que foram embora voltam, trazem outras e se reproduzem.”
Com as chuvas de fevereiro e março, a cisterna de enxurrada (que capta água diretamente do solo e faz duas filtragens antes de ser armazenada) do quintal do agricultor João Pinto, 52 anos, ficou praticamente cheia. Mesmo assim, ele não deixou de ficar atento ao bom uso da água. Uma tecnologia que ajuda no uso sustentável do recurso é o chamado canteiro econômico. Trata-se de um espaço de nove metros quadrados onde a irrigação se dá de baixo para cima, por meio de uma tubulação com furos que passa por baixo da terra. A água é colocada por uma abertura e distribuída na terra pelos furos. João estima que o canteiro precise de dez litros de água, enquanto espaços convencionais cheguem a consumir até 40 litros de água.
Na comunidade de Irapuá, a produção de algodão agroecológico é a principal fonte de renda dos agricultores que trabalham com o manejo ecológico, segundo o presidente da Associação dos Produtores da Agricultura Familiar (Apaf), Antônio Giovane Pinto de Carvalho. No quintal de João Pinto, as primeiras sementes já foram plantadas e as plumas devem ser colhidas entre junho e julho. Uma empresa estrangeira com sede no Brasil adquire a produção orgânica cearense e já apresentou aos agricultores a meta de comprar 4 mil quilos de pluma de algodão. Um grande desafio para Irapuá, que produziu no ano passado 400 quilos. Além dos agricultores da comunidade, segundo o presidente da Apaf, há cerca de 60 trabalhadores na região dos Inhamuns certificados para produzir algodão agroecológico e mais 50 interessados em trabalhar dentro dessa perspectiva.
Com autonomia para decidir o que plantar e acompanhamento para saber trabalhar com recursos escassos em momentos de seca, o sertanejo não precisa sair de sua terra, avalia o técnico agrícola da Cáritas de Crateús, Edmar Filho. Para ele, o Poder Público tem muito o que aprender com os sertanejos.
“Existe uma troca de conhecimentos, de técnicas de convivência com o semiárido, entre nós, técnicos, e as comunidades que ainda não usam essas técnicas. Elas [as técnicas] são bastante disseminadas entre as entidades que acompanham as comunidades e esperamos que sejam mais disseminadas ainda entre os governos. O Poder Público tem que vir no campo e ver o que os agricultores estão fazendo”, defende.
Fonte - Agência  Brasil  19/03/2015

sexta-feira, 6 de março de 2015

Água Doce,a Bahia terá R$ 61 milhões para investir em projeto no semiárido

Sustentabilidade

O convênio da Bahia é o maior no âmbito do programa - R$ 61 milhões. O Estado receberá 385 sistemas de dessalinização que beneficiarão cerca de 150 mil pessoas. Na quinta-feira, 5 de março, terá início a obra do projeto piloto no município de Jeremoabo.

Por Rafaela Ribeiro
Ministério do Meio Ambiente

As obras do Programa Água Doce (PAD) na Bahia serão iniciadas esta semana. Técnicos da equipe nacional do Programa estão em Paulo Afonso (BA) para capacitar servidores do núcleo estadual, consultores e os responsáveis, das empresas contratadas, pela execução das atividades. “É muito importante que todos estejam bem afinados com a metodologia do Água Doce”, destacou o diretor de Revitalização de Bacias do Ministério do Meio Ambiente, Renato Saraiva.
O convênio da Bahia é o maior no âmbito do programa - R$ 61 milhões. O Estado receberá 385 sistemas de dessalinização que beneficiarão cerca de 150 mil pessoas. Na quinta-feira, 5 de março, terá início a obra do projeto piloto no município de Jeremoabo. Na primeira fase do programa, foram diagnosticadas 1.174 comunidades em 41 municípios do semiárido baiano.

Finalidades
Coordenado pelo MMA, o Programa Água Doce faz parte do conjunto de ações do Plano Brasil sem Miséria. O objetivo é estabelecer uma política pública permanente de acesso a água de qualidade para o consumo humano por meio do aproveitamento sustentável de águas subterrâneas. De modo simplificado, o sistema de dessalinização purifica a água coletada por meio de poços e a disponibiliza em espaços como um tanque ou um chafariz. A ação leva em conta cuidados ambientais, técnicos e sociais.
O programa prioriza as regiões em situação mais críticas. Lugares com os menores índices de Desenvolvimento Humano (IDH), altos percentuais de mortalidade infantil, baixos índices pluviométricos e com dificuldades de acesso aos recursos hídricos serão os primeiros a serem contemplados pelos planos. Assim como o Índice de Condição de Acesso à Água do Semiárido (ICAA), desenvolvido a partir do cruzamento dos mesmos indicadores.
Fonte - Revista Amazônia 05/03/2015

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Mais Médicos atenderá toda a Amazônia e o Semiárido até o fim de dezembro

Saúde

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil


São Paulo - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou hoje (29), que o Programa Mais Médicos chegará a todos os municípios da Amazônia Legal e do Semiárido nordestino que fizeram a solicitação de profissionais até o último dia do ano.
De acordo com o ministro, a expectativa é que todos os municípios tenham recebido os 13 mil médicos previstos pelo programa até março do próximo ano. Até o final de dezembro, mais de 6,6 mil médicos atuarão no país. “Teremos a oferta de médicos brasileiros que se formam no final deste ano”, disse ele. As inscrições para a terceira etapa do Mais Médicos foram abertas ontem (28).
Sobre o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado hoje (29), que identificou uma desigualdade regional acentuada na distribuição de médicos pelo país, Padilha disse que apesar de a média de profissionais do Sudeste ter ficado dentro da ideal, isso não se traduz em distribuição igualitária de médicos entre as comunidades. O Ministério da Saúde recomenda a proporção de 2,5 médicos por mil habitantes e apenas o Sudeste atingiu essa meta, com 2,61.
“São Paulo tem grande número de pessoas concentradas na periferia das metrópoles”, disse ele. Isso explica o fato de São Paulo ter sido o estado que mais recebeu médicos na segunda etapa do programa. “O estado de São Paulo foi o que mais pediu médicos, foram 2,5 mil”, completou Padilha.
Fonte - Agência Brasil  29/11/2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Manejo ecológico garante fertilidade do solo na Paraíba

Meio Ambiente

Luciano Nascimento
Enviado Especial da Agência Brasil/EBC

Campina Grande (PB) - Experiências de manejo agroecológico promovidas por famílias paraibanas das regiões da Borborema, do Cariri e do Curimataú foram apresentadas hoje (29) aos cerca de 300 participantes do 3º Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores do Semiárido.
O manejo consiste no plantio consorciado de árvores frutíferas, grãos, tubérculos, plantas medicinais, espécies forrageiras usadas para a alimentação de animais e árvores nativas do Semiárido, como angico, sabiá e camunzé, entre outras. O sistema regenera a fertilidade natural do solo e aumenta a contenção e acumulação de água, elemento fundamental em uma região com períodos de seca prolongados.
Com a prática, os agricultores do Semiárido estão conseguindo aliar sustentabilidade ambiental e geração de renda, possibilitando uma renda adicional às famílias e reduzindo os riscos de entressafras e anos ruins.
Uma das experiências relatadas no encontro é desenvolvida por José Domingos de Barros, 59 anos, o seu Loro. Nascido no município de Massaranduba, no agreste paraibano, ele tem há 30 anos uma propriedade com 3 hectares - cada hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial. No local, durante muito tempo, ele desenvolvia um cultivo tradicional, sem preocupação em manter a biodiversidade e a mata nativa.
Nessa época, ele ocupava seu terreno com plantações de mandioca, milho, fava, batata-doce e feijão, até que uma seca severa fez com que ele tivesse que rever a forma de plantio.
"Desmatei muito, meu pai desmatava, a gente desmatava e não replantava. Com o passar do tempo, foi acabando tudo e eu me perguntava como minha família ia sobreviver”, relatou.
A prática do plantio agroecológico começou há dez anos, após seu Loro participar de uma visita de intercâmbio promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Massaranduba, com agricultores da região que utilizavam este tipo de plantio. "Eu até dizia que a terra estava com anemia braba. Com o passar do tempo, fiquei pensando o que fazer com a terra, porque ela estava precisando de mim".
A recuperação do terreno começou com a plantação de espécies adaptadas, como nim e gliricídia, em consórcio com o cultivo de laranja e mandioca. Depois vieram os pés de banana e mamão, além de plantas típicas do Semiárido, como palma e angico. Algumas delas, como a gliricídia e a palma, são usadas para complementar a alimentação dos animais durante a seca. Já o nim é utilizado como um pesticida natural.

Hoje, Loro cultiva espécies frutíferas para produção de caju, manga, tangerina, graviola, além de três espécies de laranja: poncã, bahia e mimo do céu, além dos limões taiti e galego, que são carros-chefes da produção. Como lavoura temporária (culturas de curta duração), ele plantou feijão-bravo, fava e melancia, em consórcio com joão-mole e eucalipto.
O capim cortado, diferentemente de outras plantações, não é retirado, mas deixado no solo, junto com as folhas da vegetação, para proteger da erosão e da perda de nutrientes. Também não há o uso de agrotóxicos. Pragas, como a mosca negra dos citros, considerada a maior ameaça a esse tipo de plantação, é controlada com o uso de técnicas da agricultura tradicional.
Para desenvolver a agroecologia, os pequenos produtores precisam fazer a recomposição ambiental. Para atender a essa finalidade, seu Loro resolveu, com o apoio do sindicato de Massaranduba, criar um viveiro com espécies locais e adaptadas para a região, para oferecer mudas de árvores como maçaranduba, angico, jatobá, pau d'arco, nim e pau-brasil. As espécies são distribuídas gratuitamente. Atualmente, a rede de viveiros de mudas já abrange cinco município da região: Massaranduba, Solânia, Remigio, Alagoa Nova e Esperança.
"Depois que eu comecei a trabalhar dessa forma, vi o quanto obtive de retorno. Antes, os vizinhos achavam que eu era bobo por manter a mata. Hoje, eles já estão entendendo o benefício que isso traz. Cada muda que saí daqui é uma planta a mais para o sertão. Eu sinto que cada pé de árvore que sai daqui é como se fosse uma criança nova no mundo", filosofa Loro.
Vindo da Chapada Diamantina, região de serras no centro da Bahia, o agricultor Reginaldo de Lima disse que estava contente em poder compartilhar da experiência. "Na minha roça, eu também estou fazendo o mesmo. Se cada um fizesse a sua parte, a gente não teria tanto problema com a água", alertou.
Outro participante, Francisco de Sousa, prestava assessoria técnica para os produtores familiares do Semiárido, mas resolveu experimentar o "outro lado" e hoje desenvolve, junto com 35 famílias de Viçosa, no Ceará, um trabalho de agroecologia na Serra da Ibiapaba, na divisa com o Piauí.
"Nós trabalhamos com respeito a natureza. Hoje, conseguimos recuperar boa parte da mata nativa. Não cortamos mais as árvores para fazer lenha, plantamos algumas espécies, como o sabiá, para essa finalidade, disse o produtor, também especializado na produção de cítricos.
Fonte - Agência Brasil  30/10/2013

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dilma lança na Bahia Plano Safra para o semiárido

Lúcio Távora| Ag. A TARDE

Dilma Rousseff posa para fotos com prefeitos do semiárido




A presidente Dilma Rousseff, o governador Jaques Wagner e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, lançaram nesta quinta-feira, 4, no Centro de Convenções, em Salvador, o Plano Safra , que pela primeira vez é voltado para os agricultores familiares que convivem com a seca.
Prefeitos, autoridades e convidados participaram do lançamento. Segundo o governo brasileiro, o programa visa aumentar a segurança produtiva e melhorar a estrutura dos produtores rurais durante a estiagem, permitindo que o Nordeste conviva com a seca.
O programa dá continuidade ao Plano Safra da Agricultura Familiar, complementa as ações que os governos federal e estadual têm implementado para garantir a segurança hídrica da região. O semiárido brasileiro, onde fica 70% do território baiano.
Para o governador Jaques Wagner, "todos os prefeitos baianos têm compromisso com o povo do semiárido. Que a gente possa fazer na nossa pequena área como os grandes fazem nos grandes territórios".
Já a presidente Dilma acredita que "a seca não pode virar uma catástrofe, ela pode ser perfeitamente controlada. Para isso, é preciso vontade política e ação conjunta, e aqui houve ação conjunta para o semiárido".
O Plano Safra vai garantir também crédito para os agricultores desenvolverem suas plantações e que as máquinas distribuídas hoje vão dar apoio à produção agrícola do semiárido.
Cisternas - 
Durante o lançamento, foi assinada também ordem de serviço para execução, por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e da Parnaíba (Codevasf), de obras para a implantação de 38.252 cisternas no semiárido da Bahia. O investimento é de R$ 217,25 milhões e vai beneficiar 195 mil pessoas.
Outras 46.594 cisternas de consumo serão implantadas com o termo de compromisso assinado para repasse de recursos do Ministério da Integração Nacional para o governo da Bahia, beneficiando 325 mil pessoas com mais um investimento de R$ 264,63 milhões.
Máquinas -
Na solenidade, a presidente Dilma entregou 323 máquinas - 130 retroescavadeiras e 193 motoniveladoras -, todas voltadas para a agricultura e abertura e manutenção de estradas vicinais na Bahia, e fez também a entrega simbólica de 250 ônibus escolares do Programa Caminho da Escola, de um total de 500 que o estado está recebendo.
Fonte - A Tarde  - 04/07/2013