UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Mais de 70% dos paulistanos consideram risco de falta d'água alto, diz pesquisa

Crise hídrica

Apenas 7% dos paulistanos desconsideram a possibilidade de colapso no abastecimento,revela a pesquisa Irbem.O levantamento foi divulgado hoje (19) pela Rede Nossa São Paulo.Entretanto, o percentual dos que consideravam que havia grandes chances de colapso hídrico na capital caiu 10 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Realizado no final de 2014, o levantamento mostrava que 82% das pessoas ouvidas tinham essa percepção.

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil
Divulgação/Cesan
O risco de falta d'água por longos períodos na capital paulista é alto, dizem 72% dos moradores da cidade, conforme a pesquisa Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem). O levantamento foi divulgado hoje (19) pela Rede Nossa São Paulo.
Entretanto, o percentual dos que consideravam que havia grandes chances de colapso hídrico na capital caiu 10 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Realizado no final de 2014, o levantamento mostrava que 82% das pessoas ouvidas tinham essa percepção.
Para elaboração do estudo atual, foram entrevistadas 1,5 mil pessoas entre 30 de novembro e 18 de dezembro do ano passado. Os resultados mostram ainda que 20% dos paulistanos consideram que existe um pequeno risco de que a população seja obrigada a viver sem água por longos períodos. Apenas 7% não acreditam nessa possibilidade. No levantamento anterior, 3% dos moradores desconsideravam a possibilidade de colapso no abastecimento.
Desde o dia 18 de dezembro, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) amenizou o racionamento d'água na região metropolitana. Segundo a estatal, as casas paulistanas recebiam menos água durante, em média, 15 horas diárias no período de crise. A duração do racionamento caiu para oito horas diárias, em média. A redução da pressão atualmente ocorre, na maioria dos bairros, à noite.
De acordo com a companhia, os reservatórios fecharam o ano passado em melhores condições do que em 2014. Entre o ano passado e o anterior, houve acréscimo de 402,13 bilhões de litros de água, um aumento de 133%.
Na comparação com a pesquisa Irbem anterior, houve aumento de 61% para 67% entre os que atribuem o problema da crise hídrica à Sabesp. Para 45% da população, a falta d'água foi provocada pela ausência de planejamento do governo estadual. Na pesquisa anterior, o índice era 42%.
Fonte - Agência Brasil  19/01/2016

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Com queda dos reservatórios, crise hídrica deve perdurar em São Paulo

Crise Hídrica/SP

O Sistema Cantareira opera na reserva técnica, e tem armazenados 12,3% da capacidade total das represas. São necessários 131,4 bilhões de litros de água para o sistema voltar ao índice positivo.Em 26 de julho, o sistema tinha 10,4% de déficit. Em um ano, o Cantareira perdeu 85,14 bilhões de litros de água, queda de 6,7 pontos percentuais em relação ao volume total.

Daniel Mello 
Repórter da Agência Brasil
Divulgação/Sabesp
Com queda no nível dos reservatórios e poucas chuvas, a região metropolitana de São Paulo deve continuar a enfrentar grave crise no abastecimento de água. O Sistema Cantareira opera na reserva técnica, e tem armazenados 12,3% da capacidade total das represas. São necessários 131,4 bilhões de litros de água para o sistema voltar ao índice positivo.
Em 26 de julho, o sistema tinha 10,4% de déficit. Em um ano, o Cantareira perdeu 85,14 bilhões de litros de água, queda de 6,7 pontos percentuais em relação ao volume total. Outro sistema importante, o Alto Tietê, também opera em níveis baixos, apenas 14,4% da capacidade. Há um mês, esses reservatórios tinham armazenados 18,5% da capacidade.
Diante desse cenário e caso os reservatórios se esgotem, a redução mais severa do abastecimento de água se torna urgente, na opinião do professor de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Décio Semensatto. Para ele, a situação poderia ter sido evitada com a adoção de medidas estruturais. “Da água que sai do reservatório até chegar na torneira, cerca de 30% se perde na distribuição. Perdas na distribuição são aceitáveis, fazem parte do sistema. Mas, em países com o mesmo nível de desenvolvimento econômico do estado de São Paulo, esse nível de perdas está em torno de 10%”, citou.
“A gente chegou agora ao final de agosto, praticamente no pico da estação seca. A gente tem ainda entre 45 dias e 60 dias para passar com seca. E a gente tem menos água do que tinha no ano passado. Talvez a gente não esgote todos os reservatórios neste ano, pois por determinação do Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica], a saída de água foi bastante reduzida e a gente está consumindo menos, por meio de racionamento”, disse o professor.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reduziu a pressão do abastecimento. Com isso, os consumidores recebem água por algumas horas do dia, e redistribuiu a demanda entre os sistemas. Antes da crise, os reservatórios do Cantareira eram usados para atender mais de 9 milhões de pessoas, atualmente pouco mais de 5 milhões. Ganharam importância os sistemas do Alto Tietê e Guarapiranga, que juntos fornecem água para mais de 10 milhões de habitantes.
Na região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a situação também é grave, de acordo com o coordenador de Projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad. “A situação continua crítica. Estamos em um grau de criticidade bastante grande, visto que os rios estão com baixas vazões, o índice pluviométrico está baixo”, ressaltou sobre os mananciais que fornecem água para 5 milhões de pessoas em 62 municípios. Desses, 58 estão no interior paulista e quatro em Minas Gerais.
Na avaliação do técnico, a crise hídrica deve durar pelo menos mais um ano. “Não há uma grande perspectiva de melhora. Segundo os institutos de meteorologia, a situação de poucas chuvas deve continuar por mais um ou dois anos”, acrescentou.
Para lidar com o problema, Saad defende tanto ações individuais, como os consumidores captarem água da chuva, e iniciativas do Poder Público, como o desassoreamento de rios e novas barragens. “Pequenas ações, bem distribuídas, vão dar bons resultados para a bacia de forma geral”, destacou o coordenador.
Fonte - Agência Brasil   02/09/2015

domingo, 12 de abril de 2015

Programa de gestão da água de Itaipu é apresentado como solução para São Paulo

Meio ambiente

A iniciativa, desenvolvida pela empresa Itaipu Binacional, recuperou municípios da região da usina hidrelétrica, na bacia hidrográfica Paraná 3, no oeste do estado.Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, essa é uma estratégia local para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a gestão de bacias hidrográficas....

Camila Boehm
Repórter da Agência Brasil
Arquivo - Agência Brasil
O programa Cultivando Água Boa, implementado no Paraná e considerado pelas Nações Unidas (ONU) a melhor prática de gestão da água no mundo neste ano, está sendo apresentado na cidade São Paulo como alternativa para contornar a crise hídrica no estado.
A iniciativa, desenvolvida pela empresa Itaipu Binacional, recuperou municípios da região da usina hidrelétrica, na bacia hidrográfica Paraná 3, no oeste do estado. Em 29 cidades, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas, o projeto contou com cerca de 2,4 mil colaboradores e resultou na produção anual de 430 bilhões de litros de água, duas vezes mais que a necessidade da população local.
Para o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, essa é uma estratégia local para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a gestão de bacias hidrográficas, o que pode ajudar, neste momento de crise, a rever a forma de uso dos recursos hídricos.
“Nós elegemos a unidade 'bacia hidrográfica' como território de atuação do programa, porque é assim que a natureza está planejada. A recuperação tem um resultado extraordinário para as pessoas, para os municípios e para o país, porque recupera o solo, a água e a convivência comunitária”, explica.
No início do programa, quando foi implementado nas cinco primeiras microbacias, houve a recuperação de 55 espécies da flora e fauna. “O mais importante é que isso despertou nas próprias comunidades um interesse novo, porque voltaram também [a aparecer] pastos que já não se encontravam mais [na região da usina] e algumas flores”, disse o diretor.
O tratamento da água abrange muitos setores e ações, entre elas, a recomposição de mata ciliar, a educação ambiental, a agricultura familiar e a coleta de recicláveis. A educação envolveu merendeiras, professores, pescadores, jardineiros e estudantes. Já o desenvolvimento de uma agricultura orgânica, sem agrotóxicos e sustentável, resultou no percentual de 70% da merenda escolar sendo fornecida pela produção local de alimentos.
A inclusão social e produtiva alcançou ainda comunidades indígenas e quilombolas, incentivando não só o cultivo de alimento, mas também a instalação de centros de artesanato e apoio para infraestrutura. “Há uma forte ação educacional e construção de uma cultura da água, da cultura de sustentabilidade, com ênfase nos nexos da água com a produção de energia, a produção de alimentos e a sustentação da comunidade de vida”, apresentou a Itaipu.
O secretário do Verde e Meio Ambiente, Wanderley Meira, disse que a educação ambiental é importante sobretudo na primeira infância. Ele destacou ainda que a cidade de São Paulo exige que tudo seja em grande escala, o que seria um desafio para implementação de programas como este.
“Também é importante frisar que, na cidade de São Paulo, quem cuida da água, tanto do seu manejo, do tratamento, do abastecimento e do acondicionamento é a Sabesp”, acrescentou. Apesar disso, ele observou que há ações que podem ser executadas pelo governo municipal. “Tem, sim, um papel da prefeitura, mas muito mais de educação ambiental e de preparar a população para o uso mais adequado do consumo do que necessariamente na operação da água.”
A comunidade poderá conhecer mais sobre o programa Cultivando Água Boa em uma exposição gratuita que está aberta no Museu Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP).
Fonte - Agência Brasil  12/04/2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Controle da água do Cantareira deveria ter começado antes, diz presidente da ANA

Crise da água

Segundo ele, a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) apresentou estudos equivocados sobre a gravidade da crise no estado. “Erraram porque [houve] a cultura de que a chuva viria, de que não se pode fazer uma gestão restritiva, que ela teria impacto sobre a opinião da população", destacou. "Se a gente não tiver coragem para tomar as medidas necessárias neste processo, corremos o risco de não termos água em 2016”.

Da Agência Brasil 
O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA),
 Vicente Andreu, em entrevista ao programa Espaço Público
 da TV Brasil - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Ao comentar a crise hídrica que atinge o país, em particular o estado de São Paulo, o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse hoje (10) que a restrição da oferta de água no Sistema Cantareira deveria ter começado “muito antes” e que não basta controlar a água pela demanda, mas pela oferta possível de ser feita pelo sistema.
“Temos que gerenciar o risco de ficarmos sem essa água", disse. "Se cinco [dias sem água] por dois [com água] conseguir fazer com que os reservatórios sejam recuperados, é ótimo que seja adotado. Porém, como essa decisão foi protelada ao longo de um ano, e não foi tomada, o receio que se tem é que talvez o cinco por dois possa não dar a segurança necessária de que em novembro de 2015 ainda tenhamos água no Sistema Cantareira”, completou Andreu ao participar nesta terça-feira do programa Espaço Público, da TV Brasil.
Segundo ele, a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) apresentou estudos equivocados sobre a gravidade da crise no estado. “Erraram porque [houve] a cultura de que a chuva viria, de que não se pode fazer uma gestão restritiva, que ela teria impacto sobre a opinião da população", destacou. "Se a gente não tiver coragem para tomar as medidas necessárias neste processo, corremos o risco de não termos água em 2016”.
Para Andreu, é preciso haver mudanças de hábitos para diminuir o volume de água que cada brasileiro, principalmente na Região Sudeste, consome, além de evitar o desperdício. “Sempre se achou que a água era infinita no Brasil e aí gerou todo tipo de desperdício, seja na agricultura, como no âmbito das empresas de saneamento.”
Ele também defendeu que o Brasil retome uma política de construção de reservatórios. "Isso tem impactos sobre o meio ambiente? Tem. Tem impacto sobre algumas comunidades? Tem. Mas temos que colocar do outro lado os eventuais benefícios que uma política desse tipo tem, às vezes, até para controlar enchentes."
Fonte - Agência Brasil  10/02/2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Manifestantes fazem ato contra crise hídrica em São Paulo

Crise Hídrica 

A manifestação, organizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), chegou a bloquear parte da Avenida Morumbi. ProTeste defende que o racionamento de água na cidade seja decretado oficialmente pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmim 

Fernanda Cruz 
Repórter da Agência Brasil 
Arquivo/Agência Brasil
Aproximadamente 15 pessoas protestaram na manhã de hoje (26) em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A manifestação, organizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), chegou a bloquear parte da Avenida Morumbi. Maria Inês Dolci, coordenadora institucional do ProTeste, defende que o racionamento de água na cidade seja decretado oficialmente pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmim.
“Queremos transparência neste processo, que o racionamento seja decretado de forma oficial, porque só assim pode se cobrar a sobretaxa. Estão cobrando uma tarifa adicional, sem instituir oficialmente o racionamento”, declarou.
De acordo com a advogada da ProTeste, Tatiana Viola de Queiroz, a cobrança da multa pelo desperdício de água é ilegal. “A associação entrou com ação na Justiça para que o racionamento fosse oficialmente decretado. A tarifa de contingência só pode ser cobrada após a decretação oficial do racionamento, a partir do momento que isso é publicado no Diário Oficial, aí sim, pode cobrar essa multa”, disse.
“A situação é muito grave e esta falta de atitude do governo é o que tem mais irritado a população”, acrescentou.
No dia 8 deste mês, a associação havia ganhado ação na Justiça, barrando essa cobrança enquanto o racionamento não fosse instituído de forma oficial. A liminar, porém, foi derrubada no dia 13 de janeiro. A tarifa está valendo desde a semana passada para mais de 28 milhões de consumidores atendidos pela Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp), em 364 municípios.
A ProTeste informou que recorreu hoje, no Tribunal de Justiça de São Paulo, da decisão que autorizou o retorno da sobretaxa na conta de água para consumidor que exceder a média de consumo.
Fonte - Agência Brasil  26/01/2015

sábado, 24 de janeiro de 2015

Nível do Sistema Cantareira cai para 5,25%

Crise Hidrica

Nível do Cantareira cai neste sábado (24). Mesmo com alta de volume em outros reservatórios, paulistas convivem com chuvas abaixo da média histórica de janeiro

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil 
Divulgação Sabesp
São Paulo - O nível do Sistema Cantareira caiu de 5,3%, registrado nesta sexta-feira (23), para 5,25% hoje (24), de acordo com informações da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp). Os dados mostram que o índice pluviométrico em janeiro foi 90,8 milímetros (mm), enquanto a média histórica é 271,1 mm.
No Alto Tietê, o nível passou de 10,3% para 10,4%. Choveu na área 62 mm no mês, quantidade também menor que a média histórica de 251,5 mm. No Sistema Guarapiranga, o nível passou de 38,5% para 39,4%, com 152,8 mm de chuva e média histórica de 229,3 mm. No Alto Cotia, passou de 28,5% para 28,6%. O índice pluviométrico no mês foi 70,8 mm. A média histórica para o manancial é 232 mm.
A Sabesp informou que, no Sistema Rio Grande, o nível de água armazenad passou de 70,3% para 71,7%, com o índice de chuva chegando 185,8 mm no mês. A média histórica para o período é 251,5 mm. No reservatório de Rio Claro o nível ficou em 30,6mm, mesmo valor de ontem. No mês choveu 154,7 mm na represa, que tem média histórica de 298,9 mm.
Fonte - Agência Brasil  24/01/2015

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mais de 1 milhão de pessoas continuam sem água em São Paulo

São Paulo

Entre os bairros que continuam sem receber água estão o Jardim São Luiz, Jardim Ângela, Parque Fernanda e Capão Redondo, envolvendo cerca de 600 mil pessoas. Elas são atendidas pela Estação Elevatória de Água Jardim São Luiz, que teve fornecimento de energia interrompido por volta das 4h e retomado às 10h.

Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
São Paulo - Ainda deve demorar dois dias a normalização do abastecimento de água para cerca de 1,2 milhão de pessoas de bairros localizados em parte das regiões oeste e sul da capital paulista, além de Cotia e outros municípios vizinhos (Taboão da Serra, Embu e Itapecerica da Serra). A queda de uma árvore sobre a rede elétrica provocou falta de energia nas estações elevatórias de água João XXIII e Jardim São Luiz, na madrugada de ontem (22). O problema foi sanado, mas de forma parcial.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) justificou que “a tensão de energia está tendo oscilações e a previsão é que o abastecimento seja retomado paulatinamente, podendo demorar de 24 a 48 horas”. Segundo a empresa, falta potência para bombear a água, o que está afetando a distribuição.
Entre os bairros que continuam sem receber água estão o Jardim São Luiz, Jardim Ângela, Parque Fernanda e Capão Redondo, envolvendo cerca de 600 mil pessoas. Elas são atendidas pela Estação Elevatória de Água Jardim São Luiz, que teve fornecimento de energia interrompido por volta das 4h e retomado às 10h.
A Sabesp informou que, nesses locais, a água deve chegar às casas aos poucos e haverá maior demora nas que ficam em áreas mais elevadas e distantes das estações. Em Embu Guaçu, a retomada começou por volta das 18h de ontem (22). Lá, o problema atingiu 39 mil moradores.
Fonte - Agência brasil  23/01/2015

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Volume de água armazenado no Cantareira cai para 9,4%

São Paulo

No dia 15, começou a ser bombeada a segunda parte do volume morto, água que fica abaixo do nível das comportas. Este é o último recurso de armazenamento disponível. 

Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil 
Divulgação/Sabesp
Em quedas sucessivas há dez dias, o volume de água armazenado no Sistema Cantareira chegou hoje (24) a 9,4%. Os dados fazem parte do levantamento diário divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. No dia 15, começou a ser bombeada a segunda parte do volume morto, água que fica abaixo do nível das comportas.
A reserva técnica acrescentou 105 bilhões de litros ao volume útil do sistema. Este é o último recurso de armazenamento disponível. A primeira parte da reserva foi incluída no dia 16 de maio, após obras para a instalação de bombas, e incorporou 182,5 bilhões de litros de água ao Sistema Cantareira.
Outros mananciais importantes no abastecimento de São Paulo apresentaram queda hoje. O volume armazenado no Alto Tietê, segundo mais importante da cidade, passou de 6,1% para 5,9%; no Guarapiranga, na zona sul da capital, o nível caiu de 32,3% para 32,2%; no Rio Grande, de 63,8% para 63,4%; e no Rio Claro, de 31,9% para 31,3%. O Alto Cotia, por sua vez, ficou estável em 28%.
Fonte - Agência Brasil  24/11/2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

São Paulo vai usar água de esgoto tratado para abastecimento

São Paulo

Em meio à crise hídrica, São Paulo usará esgoto tratado no abastecimento.De acordo com o governo estadual, o esgoto, após tratado, será lançado à Represa Guarapiranga e ao Rio Cotia. Misturada ao manancial, essa água é novamente tratada e transformada em água potável

Fernanda Cruz 
Repórter da Agência Brasil 
Divulgação/Sabesp
São Paulo passará a usar água de reúso (esgoto tratado) no abastecimento da população, anunciou o governador Geraldo Alckmin. A medida também será adotada por Campinas, cidade localizada a 100 quilômetros da capital. Os municípios paulistas passam pela maior crise de abastecimento de água já enfrentada.
De acordo com o governo estadual, o esgoto, após tratado, será lançado à Represa Guarapiranga e ao Rio Cotia. Misturada ao manancial, essa água é novamente tratada e transformada em água potável. A previsão é que as obras, que incluem duas estações de produção de água de reúso com capacidade de gerar três mil litros por segundo, sejam entregues em dezembro de 2015. Os empreendimentos estão em andamento desde julho de 2013, com investimentos de R$ 76,5 milhões.
Outra medida adotada pelo governo paulista é o aumento da retirada de água no Guarapiranga. O fornecimento neste mês será de mil litros por segundo, quantidade que atende a 300 mil habitantes. Serão construídos 29 reservatórios para ampliar em 10% a produção de água. A meta é que todos fiquem prontos até o fim de 2015. O investimento alcançará R$ 169 milhões.
No município de Campinas, a Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto (Sanasa) anunciou, no final de outubro, que vai modificar a Estação de Tratamento de Esgoto Anhumas para produzir água de reúso. Essa água é lançada no Rio Atibaia com 99% de pureza, assegura o prefeito Jonas Donizette.
Um sistema adutor, executado em parceria com o Aeroporto Internacional de Viracopos, que já adota a tecnologia, vai também levar água da Estação Produtora de Água de Reúso (Epar) para o Rio Capivari. No total, a ampliação no volume de água, que deve estar pronta em dois anos, chega a 290 litros por segundo no Rio Capivari e 600 litros por segundo no Rio Atibaia.
O especialista em Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas, Antônio Carlos Zuffo, avalia que o abastecimento com o esgoto tratado é uma boa solução. “Vivemos numa região que não produz água suficiente para o abastecimento e vamos ter que fazer o reúso. Só que esse reúso tem que passar pelo tratamento, jogar num rio ou numa lagoa para aumentar o tratamento natural. Depois capta novamente a água e passa pela estação de tratamento. Então, passa por três tipos de tratamentos.”
Zuffo esclarece que a água de esgoto tratada lançada aos rios chega a ter mais qualidade que a água encontrada nos mananciais. Segundo ele, muitas cidades do mundo já utilizam essa água, como é caso da Califórnia, nos Estados Unidos. Lá, o efluente é injetado no solo, para que passe pelo filtro natural e retorne em nascentes para ser captado.
“O mito nessa história é que efluente de esgoto, a gente não pode consumir. A estação de tratamento de esgoto não trata 100%, não torna potável, mas lança no curso de água já com uma qualidade melhor que alguns lançamentos diretos”, disse. De acordo o especialista, a água presente nos rios, muitas vezes, tem qualidade inferior por conter esgoto diluído, jogado de forma irregular.
Fonte - Agência Brasil   06/11/2014

sábado, 1 de novembro de 2014

Apesar da seca,CPTM mantém lavagem de trens

São Paulo

Funcionários trabalham diariamente na área ao lado da Estação Jundiapeba para lavagem dos carros das composições da CPTM.Usuários observam surpresos a medida.

O Diario de Mogi
Foto: Edson Martins
Em tempos de represas quase secas e de uma longa estiagem, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não alterou um hábito antigo: lavar as composições de sua frota. Funcionários trabalham diariamente ao lado da Estação Jundiapeba limpando os vagões. Usuários observam surpresos a medida.
Em entrevistas dadas há pouco tempo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ressalta que o Estado vive a pior crise hídrica dos últimos 100 anos, o que fez com que o Sistema Cantareira operasse com apenas 12,4% de sua capacidade e o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) chegasse à alarmante marca de 6,6%, segundo dados oficiais da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A autarquia estadual, aliás, anunciou bônus para aqueles consumidores que usarem menos o precioso bem.
Apesar de ser em Mogi, onde o fornecimento de água é feito pelo Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) – que garante que até o momento não há risco de desabastecimento na Cidade –, a estatal de transportes vem mantendo a rotina de limpeza dos trens com a água. Desde quarta-feira, a reportagem de O Diário constata a medida. Existem campanhas iniciadas pelas redes sociais que chegaram às ruas incentivando os proprietários de carros a não lavarem os veículos enquanto não chover. Quem usa a rede de transporte sobre trilhos viu com espanto a água usada. “Acho que é muito desperdício. Não tem necessidade de lavar agora, quando está tão seco”, disse uma idosa à reportagem, na Estação Jundiapeba, na manhã de anteontem.
Procurada, a CPTM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que respeita o meio ambiente e que não usa água corrente. “A limpeza de trens e estações é realizada regularmente em conformidade às leis ambientais e o uso racional da água. Para esses serviços, é utilizada água de poço artesiano, com abastecimento fornecido por caminhão pipa. A lavagem completa de cada trem (externa e interna) é feita, em média, a cada 40 dias. Já a limpeza interna, necessária para manutenção da higiene do local que recebe muitos usuários, é feita diariamente com vassouras e produtos de limpeza. A CPTM adota várias iniciativas para redução do consumo de água nas estações e instalações internas. Nas estações em operação, existe controle do consumo nos medidores, fiscalização dos sanitários públicos para evitar o desperdício, acompanhamento da limpeza das plataformas e áreas operacionais, otimizando o tempo na lavagem e constantes inspeções das tubulações para evitar vazamentos”, trouxe a nota. (Lucas Meloni)
Fonte - STEFZS  01/11/2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Meu Banho Minha Vida

Balde Família

PSDB lança “Meu Banho, Minha Vida”! - para enfrentar a grave crise de água que tortura os paulistas em decorrência do “choque de indigestão” 

Por Altamiro Borges 
foto - ilustração
O irreverente José Simão, um dos poucos colunistas que ainda merece ser lido na Folha tucana, publicou mais uma pérola nesta quarta-feira (22). Segundo ironiza, o governo deverá lançar em breve o programa “Meu Banho, Minha Vida!” para enfrentar a grave crise de água que tortura os paulistas em decorrência do “choque de indigestão” do PSDB. Outro programa que está em discussão é o “Balde Família”, que visa armazenar este líquido precioso para os dias piores que virão. “O Alckmin vai lançar o Balde Família: toda família terá direito a um balde vazio! Rarará!”.
Deixando de lado as piadas, o cenário em São Paulo é cada dia mais dramático. Segundo pesquisa Datafolha, os cortes de água se generalizaram pela capital paulista: 60% dos entrevistados relataram ter sofrido ao menos um caso nos últimos 30 dias. Nas pesquisas anteriores, em junho e agosto, os índices foram de 35% e 46%. “O levantamento mostra também que os paulistanos estão pessimistas em relação ao futuro: 88% deles creem que a metrópole corre grande risco de ficar longos períodos sem água nos próximos meses”, relata o editorial da Folha desta quarta-feira.
O temor é tão real que 66% dos entrevistados já cogitam recorrer à estocagem da água. “Essa iniciativa traz alguns perigos. O armazenamento inadequado – por exemplo, em recipientes não esterilizados –, pode levar à contaminação da água por bactérias, ocasionando prejuízo à saúde dos que vierem a consumi-la. Mais grave, com a proximidade do verão, estação em que costuma se verificar aumento do número de casos de dengue, os reservatórios em casas e apartamentos podem servir de nascedouro para o mosquito transmissor da doença”, alerta o jornal.
Mas o governador Geraldo Alckmin, que foi reeleito graças também à cumplicidade da mídia tucana – que escondeu a grave crise da água –, ainda permanece inerte. Ele “tem sido evasivo em relação à segurança hídrica”, segundo a Folha, que adora “tucanar” a desgraceira. Na verdade, Alckmin protela o enfrentamento do problema para beneficiar Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB. Tudo é feito com base em cálculos eleitoreiros! Passado o segundo turno, os programas “Balde Família” e “Meu Banho, Minha Vida” até poderão ser implantados!
Este estelionato eleitoral, porém, parece que não está dando resultado. Ainda segundo uma notinha na Folha tucana, “a cúpula da campanha de Aécio Neves culpa a falta de água em São Paulo pela recuperação de Dilma Rousseff na reta final da eleição. A crise, explorada pela propaganda petista, seria o principal motivo da redução da vantagem do tucano no Sudeste. Os aecistas temem que o problema continue a drenar votos até domingo”. A crise no setor atiça as bicadas entre os aspones de Aécio e Alckmin, dois grão-tucanos que nunca conviveram bem no ninho.
Fonte -  Blog do Miro  22/10/2014

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Nível do Sistema Cantareira atinge novo recorde de baixa capacidade: 4,7%

São Paulo

Tempo seco agrava crise hídrica em São Paulo - Esse é o novo recorde de redução, segundo a Companhia de Saneamento e Abastecimento do Estado de São Paulo (Sabesp). A crise hídrica deve continuar, pois não há previsão de chuva significativa para os próximos dez dias, em toda a Região Sudeste, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec)

Marli Moreira 
Repórter da Agência Brasil 
Divulgação/Sabesp
O nível do Sistema Cantareira – principal manancial de São Paulo – baixou de 4,8% da capacidade ontem (12) para 4,7% hoje (13). Esse é o novo recorde de redução, segundo a Companhia de Saneamento e Abastecimento do Estado de São Paulo (Sabesp). A crise hídrica deve continuar, pois não há previsão de chuva significativa para os próximos dez dias, em toda a Região Sudeste, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec).
Há um ano, o sistema operava com 39% da capacidade e os reservatórios contavam com um volume acumulado de chuva de 53,8 milímetros. Nesses primeiros 13 dias de outubro, o número está em 0,4 milímetro.
Apesar de não ser tão crítica quanto à do Cantareira, a situação hídrica dos demais sistemas de abastecimento de São Paulo também enfrentam diminuição de volumes. No Alto Tietê, o nível está em 10,5% ante 46,9%, registrados há um ano. Também em 12 meses, caíram de forma expressiva as reservas existentes nos sistemas Guarapiranga (de 77,3% para 46,9%), Alto Cotia (de 86,3% para 32,8%), Rio Grande (de 93,7% para 74,3%) e Rio Claro (de 90,8% para 54,3%).
Por enquanto, o uso da reserva técnica tem permitido garantir o abastecimento para a maioria das 6,5 milhões de pessoas que dependem do Sistema Cantareira.
Porém, na cidade de Itu, distante cerca de 75 quilômetros da capital paulista, a crise no fornecimento de água provocou um protesto no início da noite de ontem (12).
Segundo a Polícia Militar, os manifestantes interditaram a Rodovia Waldomiro Correia de Camargo (SP-79), nos dois sentidos próximo ao bairro Cidade Nova. Eles atearam fogo a pneus e ônibus. Quando os bombeiros e policiais chegaram ao local, foram recebidos com rojões e pedradas, mas conseguiram acabar com o tumulto. Ninguém foi preso e não há o registro de feridos.
Por meio de nota, a prefeitura de Itu informou que “respeita os manifestos pacíficos como expressão democrática e de diretos dos cidadãos, mas lamenta eventuais atos de vandalismo”. Segundo o comunicado, na região do Pirapitingui, onde fica o bairro Cidade Nova, foi adotado o esquema de racionamento pela Concessionária Águas de Itu.
O manancial de São Miguel, que abastece a região, está praticamente sem reserva, com vazão inferior a 40 litros por segundo, explica a nota. Em razão disso, em caráter emergencial, caminhões-pipa fazem o abastecimento noturno de creches, escolas, unidades de saúde e outros prédios públicos. Esse recurso foi estendido ainda para o caso de consumidores idosos e doentes cadastrados.
Pode chover na quarta-feira (15), mas com fraca intensidade e de forma localizada, “talvez restringindo-se às regiões de serra”, de acordo o meteorologista Gustavo Escobar, coordenador do Grupo de Previsão de Tempo do Cptec.
Segundo ele, são esperadas chuvas mais fortes apenas para final do mês, entre os dias 25 e 26. “O inverno mais seco está dentro da normalidade, o problema que é no último verão não choveu”. O meteorologista observou ainda que as análises do comportamento do clima do Cptec indicam precipitações mais regulares após a segunda quinzena de outubro.
Fonte - Agência Brasil  13/10/2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Para relatora da ONU, falta de água é culpa do governo de São Paulo

São Paulo

Candidato à reeleição, o governador tucano nega o racionamento, que na prática já atinge 2,1 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo

Por Redação da RBA
Catarina avalia que Alckmin falhou ao não adotar
medidas e investimentos necessários para lidar com a crise

ELZA FIÚZA/ARQUIVO ABR
São Paulo – A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Água e ao Saneamento, Catarina Albuquerque, atribuiu ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), a responsabilidade de pela falta de água no estado. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (31). Ela afirma que não é a única a ter esta opinião. Candidato à reeleição, o governador tucano nega o racionamento, que na prática já atinge 2,1 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo.
Para Catarina, a lição que se pode tirar desta crise hídrica é a necessidade de planejamento. Segundo ela, a água é fundamental e o esgoto deve ser tratado como um recurso. "E olhar para a água como um bem precioso e escasso, indispensável à sobrevivência humana", diz. A relatora avalia que Alckmin falhou ao não adotar medidas e investimentos necessários para lidar com a crise.

"Uma parte da gravidade poderia não ser previsível, mas a seca, em si, era. Tinha de ter combatido as perdas de água. É inconcebível que estejam quase em 40%”, afirma a relatora.
Catarina lembra que o preço cobrado sobre a água para a agricultura, a indústria e o turismo em outros países é bem caro e sugere: "Deveria haver um aumento exponencial do preço em relação ao consumo para garantir que quem consome mais pague muitíssimo mais", diz.
Ela cita como exemplos positivos os adotados pelos Estados Unidos da América (EUA), onde são multadas pessoas que lavam o carro em tempos de seca, e o exemplo japonês, onde são adotados sistemas de canalização paralela para reaproveitamento da água.
Questionada sobre a distribuição de lucros da Sabesp aos seus acionistas, Catarina destaca que, apesar de a legislação brasileira prever esse mecanismo, uma empresa que fornece água não deveria ser ter o mesmo sistema de uma que fabrica parafusos.
"Em São Paulo, os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito", observa.
Fonte - RBA ( Rede Brasil Atual) 31/08/2014

domingo, 23 de março de 2014

Crise hídrica a maior de São Paulo expõe lentidão do governo e a fragilidade do sistema

Crise Hídrica em SP

 - Maior crise hídrica de São Paulo expõe lentidão do governo e sistema frágil - 
No dia 1º de fevereiro, 8,8 milhões de paulistanos foram surpreendidos por uma novidade: se consumissem 20% menos água, ganhariam desconto de 30% na conta seguinte. O bônus faz parte das medidas emergenciais adotadas pelo governo do Estado durante a pior crise hídrica vivida por São Paulo na sua história recente. A princípio, o bônus valeria até setembro, mas, em março, foi estendido até o fim do ano. O significado da prorrogação é claro: o problema é grave e não há previsão de quando será resolvido – e a situação pode piorar.

Rafael Barifouse
BBC Brasil em São Paulo
Não só o verão seco e de calor intenso 
explica a crise;
 Faltou ação do governo, diz o Ministério Público
foto - Reuters

Após o verão mais quente e seco em sete décadas, o nível do principal conjunto de reservatórios da região metropolitana, o Sistema Cantareira, chegou a 14,6% na última sexta-feira, o mais baixo desde que foi criado, em 1974. O comitê anticrise, formado pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), estima que o Cantareira se esgotará pela primeira vez em junho, se nada for feito.
O governo de São Paulo aponta como razão o clima. "Com mudanças climáticas, tem ano em que chove demais e, em outros, de menos", afirmou o governador Geraldo Alckmin em entrevista à rádio Bandeirantes. "É uma situação excepcional."
Mas a situação não é tão incomum. Maria Assunção Silva Dias, pesquisadora de Ciências Atmosféricas da USP, diz à BBC Brasil que São Paulo já viveu períodos graves de escassez. “Não é nem preciso falar em mudanças climáticas. Existe a variabilidade normal do clima", afirma Dias. "Desde 1930, tivemos vários anos de precipitação bem abaixo da média, alguns deles seguidos. Se aconteceu no passado, pode acontecer de novo. Não é surpresa."
Entre 2009 e 2013, São Paulo viveu a situação contrária, com chuvas até 30% acima da média. Era natural, diz a especialista, que em seguida viesse um período de seca. "Tinha-se a ideia de que havia autossuficiência de água em São Paulo, mas não é verdade”, afirma Dias. “A crise expôs a fragilidade do sistema, que opera no limite. Bastaram três meses de pouca chuva para ver que ele não se sustenta."
Dependência
- A permissão para que a Sabesp retire água do Cantareira foi renovada há dez anos, quando o atual governador Alckmin ocupava o mesmo cargo. Na época, já se previa no contrato de outorga buscar formas de reduzir a dependência da região da capital, que é abastecida por outros três sistemas – o Alto Tietê, Guarapiranga e Rio Claro -, em relação ao Cantareira.
Ministério Público de SP avalia que estado continua a retirar a mesma quaintdade de água que há dez anos
Na avaliação do Ministério Público do Estado (MPE), o governo não cumpriu essa exigência. "São Paulo continua a retirar a mesma quantidade de água do que há dez anos e pede ainda mais na nova permissão, que será conferida em agosto", diz a promotora Alexandra Faccioli. "Estamos passando por esta situação porque o planejamento falhou. Não foi feito o que era necessário."
O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni, diz que medidas importantes foram tomadas, como a redução do desperdício de água no sistema de transmissão de 30,7%, em 2011, para 25,7% em 2013. Ainda assim, hoje um quarto da água tratada se perde em algum lugar do caminho entre a represa e a torneira.
O governo passou a captar mais água da bacia do Alto Tietê: de 10 mil litros por segundo para 15 mil litros por segundo. Também começou as obras para usar mais 4,7 mil litros por segundo do Vale do Ribeira, no interior do estado, com a construção do sistema São Lourenço. O início das operações era previsto para 2016, mas foi revisto para 2018. "Sem essas ações estaria faltando água", diz Giriboni. "A falta de chuvas complica."
Abaixo do normal
- Não se pode, de fato, desconsiderar a questão climática entre os motivos desse momento crítico. O último verão foi o mais quente desde 1943, quando começaram as medições. A temperatura média, de 31,3°C, ficou 3°C acima do que no verão passado. Tudo graças a uma zona de alta pressão do Oceano Atlântico, que ficou parada sobre a região Sudeste por semanas e afastou as frentes frias e as chuvas.
O alerta soou em dezembro, quando choveu 72% abaixo do normal. Em janeiro e fevereiro, a média foi 66% e 64% menor, respectivamente. É a estiagem mais intensa nos registros de chuvas feitos desde 1930.
A pior marca anterior, de 61%, havia ocorrido em janeiro de 1953. Mas, na época, havia dez vezes menos pessoas vivendo na grande São Paulo, que conta com aproximadamente 20 milhões de habitantes atualmente.
"O crescimento urbano acelerado aumentou a demanda de forma desorganizada. Com isso, o sistema ruiu”, diz Mario Mendiondo, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), à BBC Brasil. "É a crise mais impactante dos últimos 80 anos."
Alerta
- No entanto, o governo estadual já havia sido alertado da fragilidade do sistema em 2009, durante a administração de José Serra, que é do mesmo partido do atual governador Geraldo Alckmin, o PSDB. Um documento produzido pela Fundação de Apoio à USP, o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, destacava que o Cantareira tinha um “déficit de grande magnitude” e aconselhava que medidas fossem tomadas para evitar seu colapso.
O Ministério Público questiona ainda a ação do governo durante a crise. Em 3 de fevereiro, o MPE e o Ministério Público Federal enviaram um documento ao governo recomendando que a quantidade de água enviada a São Paulo fosse reduzida.
A Sabesp tem direito a usar 24,8 mil litros por segundo do sistema Cantareira. Com a seca, vinha usando 33 mil litros. Fazia isso porque tinha direito a um excedente previsto nas regras. Se em um ano chove bastante e não se usa toda a água, ela é contabilizada como economia e pode ser distribuída à população depois.
A redução acabou sendo realizada, um mês depois – primeiro para 31 mil litros e, agora, para 27,9 mil litros por segundo. "Cumprimos as determinações dos órgãos reguladores", diz o secretário Giriboni. "A situação é avaliada mensalmente, e havia em fevereiro uma possibilidade estatística de que chovesse bastante. Só que não choveu."
Risco
- Manter o volume retirado evitou que as torneiras secassem, mas acelerou o esvaziamento do Cantareira. "Respeitar o limite da permissão implicaria em racionamento, medida que já deveria ter sido adotada. Mas há uma resistência grande em fazer isso porque não parece ser conveniente no momento", diz Faccioli, do MPE. "Colocou-se o sistema em risco. Precisamos de medidas de longo prazo e não imediatistas."
Para evitar o racionamento, o governo estadual iniciou obras avaliadas em R$ 80 milhões nas represas de Jaguari e Jacareí, no município de Joanópolis, e de Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Isso permitirá retirar a água que fica no fundo, além do alcance do atual sistema de captação. Esse recurso nunca havia sido usado.O chamado volume morto é de cerca de 400 bilhões de litros. A previsão é usar metade.
Ainda foram redirecionadas águas das Bacias do Tietê e Guarapiranga para atender 3 milhões de pessoas. A exigência de consumo mínimo de água foi suspenso. A empresa ModClima foi contratada por R$ 4,5 milhões para produzir chuva artificial sobre os reservatórios. E houve um corte de 15% da quantidade de água vendida para as cidades de São Caetano e Guarulhos – esta última aplicou um sistema de racionamento para compensar a perda.
Dois novos 'Cantareiras'
- Mas, segundo cálculos do próprio governo em um estudo elaborado ao longo de mais de cinco anos - e apresentado neste mês -, São Paulo necessita dois novos sistemas equivalentes ao Cantareira nos próximos 20 anos para evitar o desabastecimento. O investimento é de, no mínimo, R$ 4 bilhões.
Duas barragens na região das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí já começaram a serem construídas. Quando estiverem prontas, em 2018, gerarão 7 mil litros por segundo. O estado ainda tenta obter junto ao governo federal autorização para ligar o Cantareira à Represa Jaguari, em Igaratá, por meio de canais e bombas. Avaliada em R$ 500 milhões, a ligação levaria mais 5,1 mil litros por segundo ao Cantareira a partir do segundo semestre de 2015.
Esta represa recebe água do Rio Paraíba do Sul, que abastece 184 cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Governo e prefeituras fluminenses resistem à proposta. "Meus técnicos adiantaram que é uma possibilidade remota, eu diria inviável, porque ela implica atrapalhar o abastecimento da população do Rio", disse o governador Sérgio Cabral, em sua conta no Twitter. "Isso não será tolerado."
- Peso eleitoral
A questão começa também a ganhar peso eleitoral. Na sexta-feira, dois pré-candidatos ao governo estadual, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha e o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticaram o governo Alckmin.
"Se uma obra pode resolver o problema em um ano, por que não foi anunciada antes?", questionou Skaf em um congresso no interior do estado. Padilha fez coro em um artigo: "Soluções permanentes levam quatro anos (para ficar prontas). Resta torcer para que chova".
As perspectivas não são animadoras. Apesar de em março ter chovido acima da média, não foi suficiente para reverter a situação do Cantareira. Segundo um estudo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a cabeceira do sistema precisa receber ao menos três vezes mais chuvas do que o normal para elevá-lo a níveis mínimos.
Com o início do outono, na última sexta-feira, a expectativa é de boa quantidade de chuvas entre abril e maio, mas a tendência é que a escassez volte dali em diante com o tempo seco do inverno. "Dificilmente vamos sair dessa situação crítica até a próxima temporada de chuvas, no fim do ano", afirma Dias, da USP. Enquanto isso, é melhor economizar água.
Fonte  BBC Brasil   22/03/2014