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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Com queda dos reservatórios, crise hídrica deve perdurar em São Paulo

Crise Hídrica/SP

O Sistema Cantareira opera na reserva técnica, e tem armazenados 12,3% da capacidade total das represas. São necessários 131,4 bilhões de litros de água para o sistema voltar ao índice positivo.Em 26 de julho, o sistema tinha 10,4% de déficit. Em um ano, o Cantareira perdeu 85,14 bilhões de litros de água, queda de 6,7 pontos percentuais em relação ao volume total.

Daniel Mello 
Repórter da Agência Brasil
Divulgação/Sabesp
Com queda no nível dos reservatórios e poucas chuvas, a região metropolitana de São Paulo deve continuar a enfrentar grave crise no abastecimento de água. O Sistema Cantareira opera na reserva técnica, e tem armazenados 12,3% da capacidade total das represas. São necessários 131,4 bilhões de litros de água para o sistema voltar ao índice positivo.
Em 26 de julho, o sistema tinha 10,4% de déficit. Em um ano, o Cantareira perdeu 85,14 bilhões de litros de água, queda de 6,7 pontos percentuais em relação ao volume total. Outro sistema importante, o Alto Tietê, também opera em níveis baixos, apenas 14,4% da capacidade. Há um mês, esses reservatórios tinham armazenados 18,5% da capacidade.
Diante desse cenário e caso os reservatórios se esgotem, a redução mais severa do abastecimento de água se torna urgente, na opinião do professor de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Décio Semensatto. Para ele, a situação poderia ter sido evitada com a adoção de medidas estruturais. “Da água que sai do reservatório até chegar na torneira, cerca de 30% se perde na distribuição. Perdas na distribuição são aceitáveis, fazem parte do sistema. Mas, em países com o mesmo nível de desenvolvimento econômico do estado de São Paulo, esse nível de perdas está em torno de 10%”, citou.
“A gente chegou agora ao final de agosto, praticamente no pico da estação seca. A gente tem ainda entre 45 dias e 60 dias para passar com seca. E a gente tem menos água do que tinha no ano passado. Talvez a gente não esgote todos os reservatórios neste ano, pois por determinação do Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica], a saída de água foi bastante reduzida e a gente está consumindo menos, por meio de racionamento”, disse o professor.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reduziu a pressão do abastecimento. Com isso, os consumidores recebem água por algumas horas do dia, e redistribuiu a demanda entre os sistemas. Antes da crise, os reservatórios do Cantareira eram usados para atender mais de 9 milhões de pessoas, atualmente pouco mais de 5 milhões. Ganharam importância os sistemas do Alto Tietê e Guarapiranga, que juntos fornecem água para mais de 10 milhões de habitantes.
Na região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a situação também é grave, de acordo com o coordenador de Projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad. “A situação continua crítica. Estamos em um grau de criticidade bastante grande, visto que os rios estão com baixas vazões, o índice pluviométrico está baixo”, ressaltou sobre os mananciais que fornecem água para 5 milhões de pessoas em 62 municípios. Desses, 58 estão no interior paulista e quatro em Minas Gerais.
Na avaliação do técnico, a crise hídrica deve durar pelo menos mais um ano. “Não há uma grande perspectiva de melhora. Segundo os institutos de meteorologia, a situação de poucas chuvas deve continuar por mais um ou dois anos”, acrescentou.
Para lidar com o problema, Saad defende tanto ações individuais, como os consumidores captarem água da chuva, e iniciativas do Poder Público, como o desassoreamento de rios e novas barragens. “Pequenas ações, bem distribuídas, vão dar bons resultados para a bacia de forma geral”, destacou o coordenador.
Fonte - Agência Brasil   02/09/2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Manifestantes fazem ato contra crise hídrica em São Paulo

Crise Hídrica 

A manifestação, organizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), chegou a bloquear parte da Avenida Morumbi. ProTeste defende que o racionamento de água na cidade seja decretado oficialmente pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmim 

Fernanda Cruz 
Repórter da Agência Brasil 
Arquivo/Agência Brasil
Aproximadamente 15 pessoas protestaram na manhã de hoje (26) em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A manifestação, organizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), chegou a bloquear parte da Avenida Morumbi. Maria Inês Dolci, coordenadora institucional do ProTeste, defende que o racionamento de água na cidade seja decretado oficialmente pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmim.
“Queremos transparência neste processo, que o racionamento seja decretado de forma oficial, porque só assim pode se cobrar a sobretaxa. Estão cobrando uma tarifa adicional, sem instituir oficialmente o racionamento”, declarou.
De acordo com a advogada da ProTeste, Tatiana Viola de Queiroz, a cobrança da multa pelo desperdício de água é ilegal. “A associação entrou com ação na Justiça para que o racionamento fosse oficialmente decretado. A tarifa de contingência só pode ser cobrada após a decretação oficial do racionamento, a partir do momento que isso é publicado no Diário Oficial, aí sim, pode cobrar essa multa”, disse.
“A situação é muito grave e esta falta de atitude do governo é o que tem mais irritado a população”, acrescentou.
No dia 8 deste mês, a associação havia ganhado ação na Justiça, barrando essa cobrança enquanto o racionamento não fosse instituído de forma oficial. A liminar, porém, foi derrubada no dia 13 de janeiro. A tarifa está valendo desde a semana passada para mais de 28 milhões de consumidores atendidos pela Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp), em 364 municípios.
A ProTeste informou que recorreu hoje, no Tribunal de Justiça de São Paulo, da decisão que autorizou o retorno da sobretaxa na conta de água para consumidor que exceder a média de consumo.
Fonte - Agência Brasil  26/01/2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

Cantareira tem nova queda e está com 5,9% da capacidade

Abastecimento d'água

Os demais reservatórios da região metropolitana de São Paulo também apresentaram queda. O Alto Tietê também registra níveis críticos, com 10,5% da capacidade de armazenamento. O volume do Guarapiranga, na zona sul da capital paulista, passou de 39,7% para 39,3% neste domingo. 

Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil 
Divulgação/Sabesp
São Paulo - Em quedas sucessivas há sete dias, o volume armazenado no Sistema Cantareira, principal reservatório de água da Grande São Paulo, chegou hoje (18) a 5,9% da capacidade. Desde o dia 16, não é registrada chuva na região dos reservatórios, de acordo com boletim diário da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A média pluviométrica para janeiro é 271,1 milímetros (mm), mas o acumulado do mês é bem inferior, 60,1 mm.
Os demais reservatórios da região metropolitana de São Paulo também apresentaram queda. O Alto Tietê também registra níveis críticos, com 10,5% da capacidade de armazenamento. O volume do Guarapiranga, na zona sul da capital paulista, passou de 39,7% para 39,3% neste domingo. Houve redução ainda no Alto Cotia (de 29,4% para 29,1%), no Rio Grande (de 69,7% para 69,4%) e no Rio Claro (de 24,5% para 23,9%).
Nesta semana, o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, informou que as obras para a interligação do Sistema Cantareira com a Bacia do Rio Paraíba do Sul devem começar ainda este mês. Ele participou na sexta-feira (16) de reunião, em Brasília, com representantes da Agência Nacional de Água (ANA) e dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Com a interligação, será construído um reservatório que bombeará água para o Cantareira. O projeto apresentado no ano passado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, prevê a construção de um canal entre as represas Atibainha, que integra o sistema que abastece a Grande São Paulo, e o Reservatório Jaguari, um dos afluentes do Paraíba do Sul, principal fonte de abastecimento do Rio de Janeiro, que também abastece Minas Gerais.
Segundo o secretário, o processo de interligação não comprometerá o abastecimento do Rio de Janeiro e deve começar a funcionar em março do ano que vem. “A ideia é aumentar a segurança hídrica da Bacia do Rio Paraíba do Sul. Ou seja, vamos armazenar água nos reservatórios para que o Rio de Janeiro tenha segurança hídrica. Vamos interligar a Bacia do Rio Jaguari com o Sistema Cantareira para que São Paulo tenha segurança hídrica. Não há conflito nenhum”, declarou.
A ideia, conforme a proposta paulista, é construir um sistema de “mão dupla”. Ou seja, quando um dos reservatórios tiver excedente de água, o volume será enviado para a outra represa. A interligação, no entanto, enfrentou resistência do Rio de Janeiro, já que dois terços das águas do Rio Paraíba do Sul são desviados para garantir o abastecimento da região metropolitana do Rio.
O Paraíba do Sul, que nasce em São Paulo e atravessa os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, contribui para o abastecimento de 15 milhões de pessoas por onde passa.
Fonte - Agência Brasil  18/01/2015

domingo, 19 de outubro de 2014

SÃO PAULO esta virando um SAARA?.....

São Paulo

Capacidade de armazenamento do Sistema Cantareira cai para 3,6% - Também é crítica a situação no Sistema Alto Tietê, cuja capacidade chegou hoje a 9%.

Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil 
Sistema Cantareira - Divulgação/Sabesp
O Sistema Cantareira, conjunto de represas que abastecem cerca de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, chegou neste domingo (19) a 3,6% da capacidade de armazenamento de água. O monitoramento diário feito pela Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Sabesp) indica queda de 0,2 ponto percentual no volume desde ontem.
Também é crítica a situação no Sistema Alto Tietê, cuja capacidade chegou hoje a 9%. Com a crise hídrica no estado, as águas desse reservatório estão sendo usadas desde março para suprir o abastecimento de áreas que eram atendidas pelo Cantareira.
Na última sexta-feira (17), a Justiça Federal liberou o uso da segunda cota da reserva técnica do Cantareira. A decisão suspendeu decisão liminar do dia 10, que impedia o uso do chamado volume morto e determinava que a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daee) revissem a retirada feita pela Sabesp.
A ação, proposta pelos ministérios públicos Estadual e Federal, pedia que os órgãos de regulação definissem semanalmente a vazão a ser cumprida, com a fixação de metas de restrição ou suspensão do uso da água pelas pessoas.
Também na semana passada, a Sabesp informou que restavam apenas 40 bilhões de litros de água da primeira cota da reserva técnica do Cantareira, cuja retirada começou no dia 16 de maio. Segundo a companhia, a segunda cota acrescentará mais 106 bilhões de litros ao sistema. Em depoimento na Câmara de Vereadores no dia 15, a presidenta da Sabesp, Dilma Pena, admitiu que, se não chovesse nos dias subsequentes, a primeira parte disponbilizada do volume morto acabaria em meados de novembro.
Calor em São Paulo
Marcelo Camargo/Agência Brasil
As chuvas acumuladas na região do Cantareira em outubro, no entanto, somam 0,4 milímetro, quando a média história para o mês é 130,8 milímetros, conforme dados da Sabesp.
Na capital paulista, o calor não deve contribuir para a enfrentamento da crise hídrica em São Paulo, quando o consumo de água tende a aumentar.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências, neste domingo, a temperatura máxima prevista na capital paulista é 33 graus Celsius (°C). Na última sexta-feira (17), a cidade registrou temperatura recorde, com os termômetros chegando a 39,3 °C, a maior desde o começo das medições, em 2000.
Fonte - Agência Brasil  19/10/2014

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Melhora da situação dos reservatórios aumenta possibilidade de desligamento de térmicas mais caras

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Com a melhora da situação dos reservatórios do país, o Operador Nacional do Sistema (ONS) considera cada vez mais provável o desligamento das usinas térmicas mais caras, que geram energia a partir de óleo diesel. A decisão deverá ser tomada na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, prevista para a próxima quinta-feira (9).

Levantamento mais recente do ONS, divulgado nessa quinta-feira (2), informa que os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste – usadas como referência por concentrarem mais de 70% dos reservatórios do país – estavam com 62,6% da capacidade. Apesar de o percentual estar abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (76,09%), ele está bem acima do registrado em 2001, pior ano da série histórica (32,18%).

Segundo a entidade, as perspectivas são boas porque, historicamente, em situações como a atual, a demora do início do período de chuvas (em geral previsto para novembro) resulta também em atraso para o final do período (abril). Portanto, argumentam os técnicos do ONS, há boas possibilidades de as chuvas continuarem neste mês de maio.
Fonte - Agência Brasil  03/05/2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

ENERGIA sem racionamento

Sem racionamento

MAURICIO TOLMASQUIM

Em 2013 o setor elétrico deverá quebrar dois recordes: o da maior capacidade de geração e a maior extensão de redes instaladas em um ano no Brasil
Foto  ilustração - Baixaqui
Não há razão para se temer o desabastecimento de energia elétrica no país. Afinal, a atual situação de equilíbrio estrutural do sistema elétrico foi conquistada com a retomada do planejamento, a partir da instituição do Novo Modelo, em 2004. Vamos aos fatos.
Em fins de 2011, o Sistema Interligado Nacional (SIN) superou 105 mil MW, instalados em hidrelétricas (77%), termelétricas e fontes alternativas. Nesse ano, a carga atendida foi de 56.000 MW médios. Isto significa capacidade de geração suficiente para atender às necessidades do mercado.
Durante a maior parte do ano produzimos energia a partir da água, sem consumir combustível. Esta é uma excelente vantagem que temos em relação a outros países. Em tempos de pouca água, acionamos as termelétricas, de operação mais custosa porque funcionam à base de combustível fóssil.
No entanto, não existe almoço grátis. Não se pode querer ao mesmo tempo segurança de abastecimento, hidrelétricas sem reservatórios e, além disto, não pagar pelo despacho de termelétricas quando necessário.
De 2001 até 2011 foram instalados no SIN mais de 11.200 MW de termelétricas convencionais (não contando aí nuclear e biomassa). Um aumento de 223%!
No passado, a falta de planejamento levou ao racionamento em 2001 justamente pela inexistência de termelétricas (e de outras fontes) em quantidade para atender à demanda quando não houve água suficiente.
Da capacidade instalada em 2001, as termelétricas convencionais representavam 7%; em 2011, este percentual superou 15%. A “correria” de 2001 levou ao aluguel intempestivo, por pouco tempo, de termelétricas emergenciais, a diesel e óleo combustível, caras e poluidoras.
A partir do novo modelo, as termelétricas passaram a ser licitadas via leilão e com contratos de longo prazo e custos menores.
Na transmissão, a capacidade instalada cresceu 55% entre 2001 e 2011. Foram construídos, em média, 4.000 km de linhas por ano, contra a média anual de apenas 1.000 km antes de 2001.
Além disso, em 2001 sobrava energia na Região Sul do país. Por falta de planejamento e de investimentos em transmissão, essa energia não pôde ser enviada ao Sudeste. De lá para cá, a capacidade de intercâmbio de energia entre o Sul e o Sudeste aumentou 80% e os limites de transferência para o Nordeste ampliaram-se em 2,5 vezes.
Em 2013 o setor deverá quebrar dois recordes: o da maior capacidade de geração e a maior extensão de redes instaladas em um ano no Brasil. Até o final de dezembro está prevista a incorporação de 9.000 MW de capacidade nova de geração e de mais de 8.000 km de linhas de transmissão.
De 2004 para cá, o planejamento do setor elétrico é, sim, o responsável pelo crescimento da capacidade de geração, pelo aumento da potência termelétrica, pela forte inserção da biomassa e da energia eólica na matriz energética brasileira, pela expansão da transmissão e pelo atendimento adequado do consumo adicional. Enfim, pelo equilíbrio estrutural do mercado e pela sustentabilidade da matriz elétrica.
Fonte -  O Terror do Nordeste  26/01/2013