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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Força aérea russa destrói alvos do Estado Islâmico na província síria Homs

Internacional

Segundo o ministro russo 237 alvos dos terroristas situados em seis províncias da Síria foram atingidos em 28 horas.Konashenkov explicou que os golpes eram direcionados contra os grupos terroristas Estado Islâmico e Frente al-Nusra.

Da Agência Sputnik Brasil
Agência Sputinik Brasil
A Força Aeroespacial da Rússia destruiu várias posições subterrâneas e pontos de artilharia antiaérea dos terroristas na província síria de Homs, disse nesta segunda-feira (2) o representante oficial do Ministério da Defesa da Rússia, major-general Igor Konashenkov.
"No distrito de Tadmor, província de Homs, um bombardeiro Su-25 aplicou um golpe a uma posição fortificada dos militantes do Estado Islâmico. No resultado de golpes diretos nas estruturas fortificadas, esconderijos subterrâneos e pontos de artilharia antiaérea dos terroristas, com dois dispositivos 3SU-23, foram eliminados", disse Konashenkov.
Segundo ele, 237 alvos dos terroristas situados em seis províncias da Síria foram atingidos pela aviação russa em 28 horas.
Konashenkov explicou que os golpes eram direcionados contra os grupos terroristas Estado Islâmico e Frente al-Nusra.
O representante do ministério chegou a comentar as acusações dos EUA sobre supostos alvos civis, inclusive hospitais, que a aviação russa teria atacado — juntamente ou em vez de alvos do Estado Islâmico.
"Cinco dos seis hospitais que foram supostamente alvos de ataques russos não existem", disse Konashenkov.
A Rússia está fazendo a sua operação aérea na Síria desde 30 de setembro, quando a câmara alta do parlamento russo aprovou o envio da Força Aeroespacial a esse país, após pedido oficial de Damasco.
Fonte - Agência Brasil  02/11/2015

domingo, 4 de outubro de 2015

Os ataques russos na Síria e o jogo de forças entre Putin e Obama

Internacional

Entre acusações e especulações, evidencia-se polarização e um novo cenário mundial.Obama e Putin concordaram em negociar para evitar conflitos na Síria."Os EUA reclamaram que os bombardeios teriam tido como alvo, na verdade, o grupo de rebeldes treinados pela CIA."Putin, por sua vez, ressaltou que Estados Unidos, Austrália e França, que bombardearam as posições do EI, não receberam mandato do Conselho de Segurança da ONU nem tiveram a intervenção militar solicitada pela Síria.

Jornal do Brasil
Pamela Mascarenhas

A Rússia tomou a iniciativa na quarta-feira (30) de combater o Estado Islâmico (EI) na Síria, evidenciando uma nova correlação de forças mundial e demonstrando que a intervenção dos Estados Unidos e de seus aliados em outros países agora gera respostas, explicam analistas consultados pelo JB. Eles questionam as críticas à ação russa e resgatam os movimentos que levaram a Síria a atual situação. Por outro lado, considerando o perfil político do presidente norte-americano, salientam a possibilidade de negociação efetiva entre Obama e Putin.
"A tensão [na Síria] começou há muito tempo, e quem começou não foi a Rússia", destaca o professor da Unicamp, João Quartim de Moraes. O chefe do Departamento de Relações Internacionais da Uerj, Williams Gonçalves, chama a atenção para a hesitação dos EUA em relação ao Estado Islâmico. O país não está satisfeito com o EI, mas ainda assim espera que ele derrube o governo da Síria.
Neste sábado (3), a aviação militar russa realizou 60 ataques na Síria e atingiu mais de 50 bases estratégicas do EI, informou o vice-secretário de Estado, Andrei Kartapolov. O governo russo anunciou que vai intensificar as ações no território sírio e que está disposto a se unir com "países interessados". Segundo Kartapolov, mais de 600 militantes do EI teriam fugido de seus postos de comando e "diversos mercenários" começado a desertar.
Dois dias após a reunião entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente norte-americano, Barack Obama, o Parlamento russo aprovou o envio de militares à Síria, sob a alegação de que Assad teria pedido ajuda para combater o EI. O diálogo entre os dois líderes não era realizado há dois anos, em meio às sanções impostas à Rússia.
Os EUA reclamaram que os bombardeios teriam tido como alvo, na verdade, o grupo de rebeldes treinados pela CIA. Putin, por sua vez, ressaltou que Estados Unidos, Austrália e França, que bombardearam as posições do EI, não receberam mandato do Conselho de Segurança da ONU nem tiveram a intervenção militar solicitada pela Síria. Mais tarde, a Rússia informou que os ataques aéreos têm como alvo não apenas o EI, mas outras milícias em luta contra o regime de Bashar al-Assad.
Na ONU, enquanto o presidente russo pediu o apoio da comunidade internacional ao governo de Assad, Obama disse que este deveria renunciar para iniciar uma transição que resolveria os conflitos na área. Para Putin, a apoio dos Estados Unidos às forças rebeldes é ilegal e ineficaz, e rebeldes treinados pelos norte-americanos estariam se unindo ao Estado Islâmico com armas financiadas por Washington. "Eu me relaciono muito respeitosamente com meus colegas dos Estados Unidos e da França, mas eles não são cidadãos da Síria e não deveriam se envolver com a escolha da liderança de outro país", disse Putin.
João Quartim de Moraes, professor na Unicamp, destaca que a iniciativa russa na Síria, apesar das críticas dos Estados Unidos e da Europa, demonstra que a situação internacional mudou. EUA e Europa não dão mais as cartas. Podem tomar iniciativa e realizar novos ataques, mas agora sabem que a resposta a esses ataques pode ser forte.
"Eles não têm mais força para impor o que impuseram desde 1989, até meados de 2004, quando Putin já estava forte. Eles têm dificuldade de aceitar que, nos últimos dez anos, a situação mudou completamente, e a desfavor deles, eles já não podem mais fazer o que querem", comenta o professor. "Ao mesmo tempo, eu não creio que Obama queira incendiar o mundo, ele defende o Estado do qual ele é presidente, mas ele tem uma política muito diferente do Bush, isso dá um campo para eles [Obama e Putin] se entenderem."
Moraes ajuda a traçar o histórico dos conflitos na Síria. A tensão começou há muito tempo, desde antes do movimento de Fundação da Síria Livre, que era controlado pelos sucessores do Talibã, que agora se intitulam Estado Islâmico. A ligação dos Estados Unidos, explica o professor, começa há 30 anos, com o armamento do Talibã, isto é, de sunitas fanáticos da Arábia Saudita, apoiados também pelo governo Reagan para derrubar a presença soviética do Afeganistão. A OTAN, por sua vez, criada para resistir a uma ameaça de ataque soviético, continua como a máquina de guerra colonial mais perigosa do mundo, destruindo países como a Iugoslávia e a Líbia, e que chegou antes à Síria.
Para o professor, a revitalização da Rússia com o governo Putin assusta os interesses da Europa, Estados Unidos e aliados. Ele recorda que, quando houve a derrocada do URSS, Boris Yeltsin, conhecido publicamente como corrupto, criou um momento calamitoso na região. Putin, por sua vez, criou uma situação militar internacional que nunca tinha sido tão desfavorável para os EUA desde os anos 1960.
"A Rússia entrou [na Síria] para estabilizar a situação, só que para estabilizar para valer, porque a Rússia, com todos os seus problemas, é o segundo arsenal nuclear do mundo, com um exército muito confiante em si, que derrotou o Hitler, eles venceram os nazistas", destaca Moraes. "Putin entrou como fator de estabilização com apoio da China e várias potências asiáticas, em acordo militar de defesa contra a OTAN, e a OTAN sabe disso."
Sobre as denúncias norte-americanas de que os russos estariam atacando grupos de rebeldes treinados pela CIA e não o Estado Islâmico, o professor aponta que trata-se de uma "confissão escandalosa" de que grupos de rebeldes assessorados por eles há cinco anos criam confusão na Síria. Ele critica ainda o espanto norte-americano ao ataque russo nesta semana, depois das toneladas de bombas jogadas por eles durante quatro anos. "Realmente é uma desproporção."
Williams Gonçalves, chefe do Departamento de Relações Internacionais da Uerj, aponta que o mundo está diante de um processo um pouco diferente do que estava acostumado. Os Estados Unidos perdem a capacidade de tomar iniciativas isoladamente no que diz respeito aos conflitos internacionais. O mundo já não é mais unipolar, é multipolar.
"A Rússia tomou a iniciativa de resolver o problema da Síria porque tem base militar na Síria e quer preservar essa base militar. A Rússia teme que esses problemas do EI cheguem a suas fronteiras", indica o professor. "A atitude dos EUA tem sido ambígua, porque este Estado Islâmico foi invenção dos EUA, como a Al Qaeda. Os EUA inventam esses movimentos para se livrar dos inimigos e depois eles ganham pernas próprias", diz o professor, explicando que a ideia era que o EI se juntasse a outros grupos e derrubasse o governo sírio.4
Gonçalves aponta ainda que o Estado Islâmico não seria tão forte se não houvesse quem comprasse o petróleo deles e vendesse armas para eles. "Alguém compra petróleo sabendo que está comprando petróleo deles. Esse horror ao Estado Islâmico é recheado de hipocrisia. Se não houvesse quem comprasse petróleo, o EI não teria chegado ao ponto que chegou. Os EUA não estão satisfeitos com o EI, mas esperam que ele derrube o governo da Síria."
Fonte - Jornal do Brasil  04/10/2015

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Obama pede US$ 500 milhões destinado a “treinar e equipar” os rebeldes sírios

Internacional

Se aprovada pelo Congresso, medida implicaria mudança significativa na política norte-americana para a guerra civil na Síria - Os US$ 500 milhões pedidos agora por Obama fazem parte de um pacote de US$ 1,5 bilhão dedicado a uma “iniciativa de estabilização regional” para ajudar a oposição a Damasco e os vizinhos da Síria, Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque, a lidarem com as consequências da guerra civil síria nos seus territórios.

Por Redação 
com DW - de Washington, EUA

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu ao Congresso para aprovar uma ajuda financeira de US$ 500 milhões destinada a “treinar e equipar” os rebeldes sírios que combatem tanto o presidente Bashar al-Assad como o grupo extremista sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).
Os recursos ajudarão os sírios a se defender, a estabilizar as áreas sob controle da oposição, a facilitar a prestação de serviços essenciais, a combater as ameaças terroristas e a promover as condições para uma solução negociada, argumentou o governo norte-americano, demonstrando preocupação com a influência dos extremistas do EIIL na Síria e no vizinho Iraque.
Obama sempre relutou em apoiar os rebeldes sírios com armas, temendo que estas pudessem cair nas mãos de extremistas. Para críticos, a relutância do líder norte-americano abriu espaço para grupos extremistas, como o EIIL.
Oficialmente, o apoio dos EUA aos rebeldes sírios foi limitado logo no início do conflito, em março de 2011: 287 milhões de dólares em material não letal. Entretanto, a CIA participou de um programa secreto de treinamento militar dos rebeldes moderados na Jordânia.
Os US$ 500 milhões pedidos agora por Obama fazem parte de um pacote de US$ 1,5 bilhão dedicado a uma “iniciativa de estabilização regional” para ajudar a oposição a Damasco e os vizinhos da Síria, Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque, a lidarem com as consequências da guerra civil síria nos seus territórios.
O US$ 1 bilhão restante destina-se aos países vizinhos, para fortalecerem a segurança interna, as fronteiras e a capacidade de receberem refugiados sírios.
O presidente americano anunciou a decisão num discurso na Academia Militar de West Point, no qual também revelou a criação de um fundo de US$ 5 bilhões, para financiar a luta contra o terrorismo.
Fonte - Correio do Brasil  27/06/2014

sábado, 31 de maio de 2014

EUA confirmam envolvimento de norte-americano em atentado suicida na Síria

Internacional

É a primeira vez que é confirmada a participação de um cidadão dos EUA em um atentado suicida

Da Agência Lusa

O Departamento de Estado norte-americano confirmou que um cidadão dos Estados Unidos participou de um atentado suicida esta semana na Síria, apesar de não detalhar a sua origem. “O cidadão norte-americano implicado no atentado suicida na Síria é Mohammad Abu Salha Moner”, disse a porta-voz do departamento, Jen Psaki, em comunicado.
Já o observatório Sírio dos Direitos Humanos revelou que o norte-americano era membro da Frente de Nusra, filial da Al Qaeda na Síria, e cometeu o atentado suicida há cinco dias na província de Idleb, fronteira com a Turquia.
Vários norte-americanos já morreram nos três anos de guerra civil na Síria, mas é a primeira vez que é confirmada a participação de um cidadão dos EUA em um atentado suicida.
Fonte - Agência Brasil  31/05/2014

sábado, 25 de janeiro de 2014

Moscou adverte Estados Unidos a não interferir na situação da Ucrânia

Internacional

Voltaram a acontecer manifestações em Kiev na madrugada deste sábado, 25


Em entrevista à televisão russa, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, advertiu os Estados Unidos a não interferir nos acontecimentos da Ucrânia. Lavrov disse que discutiu a crise ucraniana com o secretário de Estado americano, John Kerry, durante a conferência Genebra-2, para a paz na Síria, e que, então, chamou a atenção de seu colega dos EUA para o fato de que “agora é muito importante não interferir nos acontecimentos e evitar quaisquer declarações que apenas agravarão a situação”. E Lavrov concluiu: “Espero que ele tenha me ouvido.”Um oposicionista fotografa a linha de defesa da polícia, em Kiev, durante a trégua de sexta-feira, 24
Na sexta-feira, 24, o Secretário de Estado John Kerry tinha reafirmado o apoio dos Estados Unidos aos manifestantes ucranianos, dizendo que Washington está trabalhando com os seus aliados e altos funcionários do Governo da Ucrânia para pôr fim à violência entre as forças de segurança e os oposicionistas. “Nós estamos com o povo da Ucrânia”, proclamou Kerry no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça.
Neste sábado, 25, o líder do partido Svoboda (Liberdade), Oleg Tyahnibok, apoiado por dois outros oposicionistas, Vitali Klitschko e Arseni Yatsenyuk, convocou os ucranianos a criar unidades de defesa contra o Governo, e a tomar o poder em suas próprias mãos.
Na noite de sexta-feira para sábado foram reiniciados no centro de Kiev os confrontos entre manifestantes e a polícia. Milhares de pessoas ainda continuam na Praça de Independência. Durante toda a madrugada os manifestantes queimaram pneus e reforçaram suas barricadas, sendo ouvidos aguns tiros.
Ainda durante o dia da sexta-feira, 24, durante a breve trégua nas manifestações, as autoridades e a oposição acordaram em conceder anistia aos manifestantes detidos durante os protestos em Kiev. A informação foi do presidente do país, Viktor Ianukovich. Segundo ele, na reunião da quinta-feira, 23, foi acordado que aceitariam a decisão do Parlamento de introduzir uma lei da anistia para todos os que foram detidos durante o processo das manifestações, inclusive os radicais, mas que não tenham cometido crimes graves.
No dia 19 de janeiro os protestos da oposição em Kiev tiveram os confrontos intensificados entre os oposicionistas e as forças policiais. Os grupos mais radicais tentaram romper o cordão de isolamento em volta da quadra do Governo, jogando coquetéis molotov nos policiais. Durante os confrontos, três manifestantes morreram.
Fonte - Diário da Russia  25/01/2014

domingo, 22 de setembro de 2013

Serguei Lavrov diz que EUA "estão chantageando” Rússia na questão Síria

Internacional

Ministro dos Negócios Estrangeiros russo fala à TV sobre tensão internacional

Serguei Lavrov: “Os Estados Unidos
 estão tentando chantagear a Rússia e o resto do mundo”
Os Estados Unidos estão tentando chantagear a Rússia e o resto do mundo, impondo à comunidade internacional o seu controvertido cenário de paz na Síria, segundo afirmou neste domingo, 22, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, em entrevista à principal rede de TV do país, o Canal 1.
O chefe da diplomacia russa acusou Washington de politicar excessivamente a crise síria. Lavrov disse que os Estados Unidos estão usando a guerra civil naquele país do Oriente Médio para "afirmar a sua supremacia" e fazer a região "dançar a sua música". E ele garantiu que a abordagem americana nada tem a ver com a paz continuada e o plano de retirada das armas químicas pregados pela Rússia.
O Ministro Lavrov apelou para que os Estados Unidos cheguem à conclusão de que o mundo se tornou "policêntrico", e que não é bom impor as opiniões dos Estados Unidos sobre a comunidade internacional.
Esta foi a primeira vez em que o normalmente imperturbável ministro ddos Negócios Estrangeiros russo atacou os parceiros ocidentais de Moscou. O tom do comentário de Lavrov na entrevista ao Canal 1 mostra quão profunda parece estar a tensão entre o bloco Rússia -China, de um lado, e a coalizão EUA-Reino Unido-França, do outro.
A entrevista de Lavrov ocorreu poucos dias antes de sua viagem a Nova York, para participar da Assembleia-Geral da ONU. Então, o chefe das Relações Exteriores da Rússia deverá reunir-se com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e com outros diplomatas. A expectativa é de que as negociações trilaterais entre Sergei Lavrov, John Kerry e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, vai alavancar a nova conferência de paz sobre a Síria, apelidada de Genebra 2.
Ainda na entrevista ao Canal 1, Lavrov disse que a recente publicação do relatório dos inspetores das Nações Unidas sobre as armas químicas da Síria deu lugar a um grande número de insinuações, provando que o Ocidente realmente não precisou de uma prova para fazer acusações. “Os Estados Unidos e a França realmente nunca pretenderam usar muito desse relatório”, comentou. “Eles alegaram saber tudo de antemão, dizendo que seu serviço de inteligência foi impecável, embora nunca tenham sido apresentados dados completos, enquanto os dados que escolheram para nos mostrar não provam que havia armas químicas no conflito.”
O ministro russo observou ainda que uma carta aberta de veteranos da CIA e do Pentágono dirigida ao Presidente Barack Obama e publicada antes da investigação da ONU, em 8 de setembro, dizia que o suposto ataque químico de 21 de agosto perto de Damasco foi uma provocação.
A carta acusa o diretor da CIA John Brennan de tentar repetir o cenário criado em relação ao Iraque, para mais uma vez enganar os americanos e o Congresso dos EUA. Os veteranos da CIA citaram a inteligência da Grã-Bretanha, dizendo que o governo sírio não estava implicado no ataque químico a civis. Mas a notícia não foi divulgada.
Lavrov afirmou também que os Estados Unidos intencionalmente usam o relatório da ONU para forçar a Rússia e a comunidade internacional a aceitar a sua abordagem. Ele disse:
"Nossos parceiros ocidentais estão começando a nos chantagear: se nós não aprovarmos a resolução do Capítulo 7 do Conselho de Segurança da ONU, iremos efetivamente anular o trabalho da Organização para a Proteção Contra as Armas Químicas, em Haia. Isso vai contra tudo que nós acordamos com John Kerry – que é aguardar a decisão da OPAQ e depois sustentá-la com uma resolução do Conselho de Segurança, embora não sob o Capítulo 7."
Sergei Lavrov sugeriu que o Ocidente viu o acordo Rússia-Estados Unidos sobre as armas químicas na Síria não como uma oportunidade para livrar o mundo do arsenal tóxico existente, mas como "uma chance para avançar sobre o bloco russo-chinês uma resolução de força que tem como objetivo derrubar o regime e encobrir as ações de oposição, para atribuir a culpa a Bashar al-Assad e dar espaço a cenários militares”.
"Eles [o Ocidente] não podem admitir seu erro. Eles cometeram um erro na Líbia quando bombardearam o país e o empurraram à beira do precipício; cometeram um erro no Iraque, onde fizeram as mesmas coisas, além de lançar uma operação terrestre e causar a destruição no país, que vê dezenas de inocentes morrerem a cada dia que passa na mão de terroristas. Não é uma preocupação a mais. Agora todo o mundo está dizendo que Bashar al-Assad deve sair. É claro que eles não querem falar sobre a catástrofe que essa série de operações militares tem causado na região. "
O diplomata russo destacou que dois em cada três militantes da oposição síria são jihadistas empenhados em transformar o país num califado islâmico, e que isso pode desencadear um desastre em todo o Oriente Médio.
"Eu gostaria de ressaltar que não podemos garantir que a Síria vai desistir de suas armas químicas”, disse Serguei Lavrov. “Vimos que a Síria aderiu à Convenção Contra as Armas químicas, sem quaisquer reservas. Agora, a Síria é uma parte responsável deste documento, o que significa que a comunidade internacional – ou a OPAQ, para este caso – deve garantir que a Síria vai agir em conformidade com isso."
Sergei Lavrov também apontou para o fato de que a comunidade internacional não precisa enviar suas tropas para a Síria a fim de monitorar o processo de eliminação de armas químicas. Ele disse que a polícia foi suficiente para garantir os inspetores da OPAQ, mas ofereceu as forças de segurança russas para assumir esta tarefa.
Fonte - Diário da Russia  22/09/2013

sábado, 14 de setembro de 2013

Rússia e Estados Unidos chegam a acordo sobre armas químicas na Síria

Internacional

Depois de três dias de conversações Lavrov e Kerry concordam com controle internacional e destruição do armamento

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia e o secretário de Estado americano, reunidos em Genebra, na Suíça, chegaram neste sábado, 14, a um acordo sobre pontos fundamentais da questão criada em torno da guerra civil na Síria. Serguei Lavrov e John Kerry, depois de três dias de negociações, concordam com a ideia da colocação das armas químicas da Síria sob o controle da comunidade internacional e com a destruição desse armamento em meados do próximo ano.

Nos últimos dias, Washington ameaçou fazer um ataque à Síria depois da divulgação de um suposto uso de armas químicas em 21 de agosto num subúrbio de Damasco. Os Estados Unidos atribuíram a guerra química ao Governo de Bashar al-Assad, e algumas potências ocidentais apoiaram a decisão do presidente americano, Barack Obama, de lançar mísseis sobre a Síria.Serguei Lavrov e John Kerry: Três dias de conversações em Genebra sobre a questão síria
O presidente russo, Vladimir Putin, porém, anunciou a firme posição da Rússia, contrária à intervenção militar, e exigiu que qualquer atitude contra a Síria fosse tomada por decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Conselho, contando com dois votos contra – os votos russo e chinês – não aprovou a ação militar. Além disso, Putin fez sérias advertências aos Estados Unidos, sobre o que a intervenção militar poderia acarretar em âmbito global, e o Presidente Obama pediu tempo à opinião pública mundial e ao Congresso dos Estados Unidos.
A grave crise política e institucional da Síria produziu conflitos que se estendem desde março de 2011 e já causaram a morte de mais de cem mil pessoas e a fuga de cerca de dois milhões de refugiados.
Fonte - Diário da Russia  14/09/2013

Os fatos sobre a ajuda dos russos aos EUA - Síria

Internacional

O ataque dos EUA à Síria já começou e já acabou. Tudo aconteceu no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava. A Rússia neutralizou os dois mísseis: um foi destruído em voo e o segundo foi desviado para o mar.

No Redecastorphoto

Fonte diplomática bem informada disse ao jornal As-Safir que
 (...) a guerra dos EUA contra a Síria começou e acabou no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava, até que surgiu uma declaração oficial dos israelenses, que dizia que teriam sido disparados no contexto de um exercício militar conjunto EUA-Israel, e que os mísseis caíram no mar e que nada tinham a ver com a crise Síria.
A fonte também informou ao diário libanês que
(...) os EUA dispararam os dois mísseis de uma base da OTAN na Espanha. Os mísseis foram instantaneamente detectados pelos radares russos e foram repelidos pelos sistemas russos de defesa: um deles foi destruído em voo e o outro foi desviado em direção ao mar. Nesse contexto, disse a fonte, é que surgiu a declaração distribuída pelo Ministério de Defesa russo. A declaração falava sobre a detecção de dois mísseis balísticos disparados na direção do Oriente Médio, mas nada dizia nem sobre de onde os mísseis foram disparados os mísseis, nem que haviam sido abatidos. Por quê?
Porque no momento em que a operação militar estava sendo lançada, o chefe do Serviço de Inteligência da Rússia telefonou à inteligência dos EUA e disse que:
 (...) atacar Damasco significa atacar Moscou. Nós omitimos na nossa declaração oficial a expressão “os dois mísseis foram derrubados”, para preservar as relações bilaterais e para impedir qualquer tipo de escalada. Assim sendo, é imperioso que os EUA reconsiderem suas políticas, abordagens, movimentos e intenções sobre a crise síria, porque os EUA já podem ter certeza de que não conseguirão eliminar nossa [dos russos] presença no Mediterrâneo.
A mesma fonte continuou:
(...) essa confrontação direta entre Moscou e Washington, que não foi divulgada, aumentou ainda mais a confusão reinante no governo Obama e a certeza de que o lado russo insistirá no alinhamento ao lado dos sírios. E, também, a evidência de que os EUA já não tinham outra saída, se não pela iniciativa dos russos, que “salvaria” a imagem dos EUA.
Desse ponto de vista, a mesma fonte diplomática explicou que:
(...) para evitar confusão ainda maior nos EUA, e depois que Israel negara saber do disparo dos dois mísseis (o que é verdade), Washington pediu que Telavive assumisse que teria disparado os mísseis, para não ferir a imagem dos EUA ante a comunidade internacional, sobretudo porque aqueles dois mísseis eram o primeiro movimento do ataque dos EUA à Síria e o anúncio do início das operações militares. O plano original previa que, depois do ataque, o presidente Obama viajaria para o encontro do G-20 na Rússia, para negociar o destino do presidente sírio Bashr Al-Assad. De fato, como depois se verificou, Obama teve de ir à Rússia para negociar o fim do impasse em que se viu preso.
A mesma fonte disse também que: 
(...) depois desse confronto EUA-Rússia, Moscou já trabalha para aumentar o número de especialistas militares, e já ampliou a presença se unidades de guerra e destróieres no Mediterrâneo. Os russos também decidiram marcar para depois do G-20 o anúncio de sua iniciativa para conter a agressão à Síria, depois de se criar um contexto de contatos às margens daquela reunião, e depois de duas visitas sucessivas dos ministros de Relações Exteriores do Irã e da Síria, nos quais se acertaram detalhes de um acordo com os russos, que incluía o anúncio, pela Síria, de que aceitava pôr suas armas químicas sob supervisão internacional e preparar a Síria para assinar o tratado de não proliferação de armas químicas.
Por fim, aquela fonte diplomática comentou que:
(...) um dos primeiros resultados do confronto militar EUA-Rússia foi a rejeição, na Câmara dos Comuns britânica, de qualquer envolvimento na guerra contra a Síria. Em seguida vieram as posições europeias, todas na mesma direção, a mais significativa das quais foi a da chanceler alemã Angela Merkel.
Daoud Rammal é um jornalista libanês sediado em Beitute. Escreve usualmente na imprensa do Oriente Médio (Al Manar, Al Monitor e outras publicações em papel ou eletrônicas). Algumas vezes seus trabalhos são publicados na imprensa eletrônica ocidental como no sítio Rebelión da Espanha, p.ex..
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Fonte - Com texto Livre 14/09/2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vice-ministro diz que Síria vai reagir em caso de ação militar

Internacional

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
EBC
Brasília – O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria (o equivalente às Relações Exteriores no
Brasil), Fayçal Moqdad, disse hoje (4) que, mesmo em meio à ameaça de ação militar pelos Estados Unidos, deflagrando o que ele classificou como 3ª Guerra Mundial, o governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, não vai se render.
"O governo sírio não vai mudar de posição mesmo que haja uma 3ª Guerra Mundial. Nenhum sírio pode sacrificar a independência do seu país", disse Moqdad. "A Síria, nos termos da Carta das Nações Unidas, tem o direito de reagir à agressão que não tem justificativa à luz do direito internacional", acrescentou.
Moqdad disse que o país adotou todas as medidas para se defender em caso de ataque. "Os Estados Unidos e seus aliados mobilizam países amigos para uma agressão à Síria. Creio que a Síria tem também o direito de mobilizar seus aliados e de receber apoio deles.”
O vice-ministro destacou que o Irã, a Rússia, a África do Sul e países árabes “recusaram essa agressão e estão prontos a enfrentar a guerra que vai ser declarada pelos Estados Unidos e seus aliados na Síria". "Se a França quer apoiar a Al Qaeda e a Irmandade Muçulmana, como fez no Egito e em outras regiões, acabará por fracassar na Síria."
Perguntado sobre a disposição do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de apoiar uma ação militar, se o Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiar essa intervenção, o vice-ministro disse que os russos não mudaram de posição. "A posição da Rússia não mudou. É uma posição responsável de um país amigo que está a favor da paz."
A oposição síria e vários países ocidentais acusam o regime de Assad de usar armas químicas em ataques no último dia 21, nos arredores de Damasco, matando mais de mil pessoas. O conflito na Síria, que ocorre desde março de 2011, provocou mais de 100 mil mortes.
Fonte - Agência Brasil  04/09/2013

quinta-feira, 20 de junho de 2013

ONU solicita ajuda do Brasil contra crise Síria

Negociador das Nações Unidas vai propor que País seja mediador em encontro sobre conflito na Síria


Oslo. O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Lakdar Brahimi, vai sugerir a participação do Brasil nas negociações sobre a Síria que devem ocorrer em breve em Genebra. A promessa foi feita durante encontro com o chanceler Antonio Patriota em Oslo, na Noruega, ontem.
FOTO: REUTERS

O formato da conferência que será proposto por Brahimi é uma primeira reunião com vários participantes - entre eles, o Brasil- e uma segunda com membros do governo e da oposição sírios.
Brahimi vai apresentar o nome do Brasil como possível mediador durante a reunião preparatória que terá com os governos americano e russo em Genebra na próxima semana. A sugestão também será apresentada ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
"Ele (Brahimi)agradeceu muito a disposição do Brasil em ajudar. Ele acha que há um papel para o Brasil, e vai propor isso no ambiente de preparação da conferência", disse o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, durante entrevista.
Diálogo - 
A conferência, que vem sendo chamada de "Genebra 2", é uma iniciativa dos EUA e da Rússia e pretende retomar as discussões para a solução do conflito sírio iniciadas em Genebra em junho de 2012.
O formato da conferência que será proposto pro Brahimi é uma primeira reunião com vários participantes -entre eles, o Brasil- e uma segunda com membros do governo e da oposição sírios.
Até agora, especula-se que participem do encontro em Genebra -que ainda não tem data definida- os membros do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, Reino Unido, França e China) e alguns países da região.
A grande indefinição ainda é a participação do Irã, um dos únicos aliados do regime de Bashar al Assad. Segundo Brahimi, os europeus já teriam aceito a entrada de Teerã nas negociações -mas os EUA resistem.
Apesar de não ter visto muita "novidade" sobre o tema no comunicado divulgado pelo G8 nesta semana, na Irlanda do Norte, Brahimi disse a Patriota estar "otimista" sobre as conversas entre o secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergey Lavrov.
Refugiados - 
Com a escalada da violência, o número de sírios refugiados no Brasil disparou desde março de 2011, início da guerra civil no país. Há atualmente 202 refugiados sírios no Brasil, sendo que 189 indivíduos chegaram ao país em virtude do conflito.
Somente entre abril e maio deste ano, houve um aumento de 46% no número de refúgios sírios reconhecidos pelo governo. Há ainda 50 solicitações pendentes. Os dados foram divulgados ontem pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça
"Entre os pedidos de sírios, todos foram aprovados pelo governo brasileiro", afirma João Guilherme Granja, diretor do departamento de estrangeiro do Ministério da Justiça.
Fonte - Diário do Nordeste  20/06/2013