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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CSN confirma Ciro na Transnordestina

Ferrovias

O ex-ministro terá como principal desafio a conclusão da obra orçada em R$ 7,5 bilhões que deveria ter sido entregue em 2010

DN
foto -  Erika Fonseca
São Paulo - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) confirmou ontem que o ex-ministro da Integração Nacional do primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006) Ciro Gomes (PROS) começou a trabalhar ontem na empresa.
De acordo com a companhia, Ciro ocupa o cargo de "diretor da CSN responsável pela Transnordestina", subsidiária responsável por obras da ferrovia no Nordeste. Ele será o número um na hierarquia da Transnordestina, acima do diretor-presidente interino, Ricardo Fernandes, que assumiu o cargo em janeiro de 2014, após Angelo Baptista renunciar ao posto. Fontes ouvidas pela Agência Estado, afirmam que Ciro deverá assumir formalmente como diretor-presidente em breve.
A empresa não informou detalhes da contratação, como o tempo de vigência do contrato e o salário. O ex-ministro está trabalhando no prédio da CSN na Avenida Faria Lima, na capital paulista. A confirmação de que ele iria para a CSN foi noticiada em 23 de janeiro. A informação foi passada pela assessoria do político que, na época, não informou o cargo que ele ocuparia.
Ciro terá como principal desafio a conclusão da Transnordestina, obra orçada em R$ 7,5 bilhões que deveria ter sido entregue em 2010, mas, após sucessivas paralisações, está prevista para ser concluída em 2016.

sábado, 23 de novembro de 2013

AS LOCOMOTIVAS - MX620‏

Locomotivas

As MX620 foram as sucessoras naturais das G12 nas linhas da antiga RMV. Sem nenhum apelo estético, porém confiáveis e valentes, ainda são a principal força nos piores trechos da linha.

Mestre Ferroviário

Em 1975 foi criada pelo governo federal a CCPCL - Comissão Coordenadora da Política de Compra de Locomotivas, visando capacitar o Brasil com mais duas fábricas de locomotivas. Foi apontado por esta comissão que, a partir de 1980, o Brasil necessitaria de 300 locomotivas e 8 mil vagões por ano.
Até aquele momento, o único fabricante era a General Electric, em Campinas, com capacidade de 120 locomotivas por ano.
Surgem então:
“Villares” - Grupo General Motors (Electro-Motive Division-EMD, Estados Unidos) e GEC Traction (Inglaterra). Local: Araraquara, SP.
“Emaq” - MLW / Bombardier (Canadá) e MTE (França). Local: Magé, RJ.
Em 17 de Março de 1980 a Emaq entrega as duas primeiras locos MX620, com os números 1901 e 1902 para a RFFSA / SR2 (antiga R.M.V.), de uma encomenda de 74 unidades. O índice de nacionalização nas primeiras locomotivas foi de 12% e nas últimas de mais de 50%, com o preço de cada unidade girando em torno de US$ 1,3 milhões.

Devido a saldos na balança comercial com a Espanha, algumas locomotivas vieram pré-montadas pela CAF - Cia. Auxiliare de Fabricacion), recebendo na Emaq peças e componentes produzidos no Brasil. O mesmo não ocorreu com as locomotivas GM SD40-2, da qual vieram da Espanha (Macosa) 36 unidades prontas para entrar em serviço na RFFSA / SR3 (números 5211 a 5246).


Apesar de os componentes terem várias origens (Canadá, USA, Espanha, Brasil...), a locomotiva não apresentou nenhum problema sério em operação.
Estas locomotivas estão sediadas em:
6101 a 6166 em Divinópolis, MG
6167 a 6174 em Lavras, MG
Operaram com tração tripla em trens de petróleo / cimento / grãos na rota Belo Horizonte - Brasília, recebendo auxílio de mais 1 locomotiva entre Tigre e Campos Altos, para transpor o trecho pesado da Serra do Tigre com 30 vagões carregados.


Na rota de Arcos (MG) a Volta Redonda (RJ) operavam em tração dupla substituindo 4 locomotivas G12 antes empregadas para rebocar o trem de 22 a 24 vagões de calcário para a CSN. Quando havia sobra de G12's no trecho, a mesma era acoplada às MX para vencer as rampas pesadíssimas da serra da Mantiqueira entre Lavras e Augusto Pestana, com 1.260 metros de altitude. Estudos feitos pela RFFSA apontaram o peso ideal para as MX620 em 120 toneladas, e não 96 toneladas, como foram construídas. Com esse peso a locomotiva tem sua capacidade (esforço de tração) aumentada e pode movimentar um trem mais pesado.


Atualmente elas são operadas pela concessionária FCA, ainda prestando serviços nas fortes rampas das linhas mineiras. Existem estudos para a troca dessas máquinas, que devido à idade começam a perder força e confiabilidade, mas nenhuma substituta até agora conseguiu se manter tão bem quanto as veteranas MX, que ainda reinam absolutas na rota do calcário, além de cumprirem suas tarefas nas outras partes da linha, onde as grandes locomotivas articuladas não podem trafegar por restrição de gabarito.



Fonte - CFVV Sul de Minas  23/11/2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Economistas que privatizaram Vale deveriam se envergonhar de criticar Libra

Política

Jornal do Brasil
O Campo de Libra foi vendido por R$ 15 bilhões e demandará um investimento inicial de R$ 770 milhões por ano apenas para dar início à montagem de sua estrutura para exploração de petróleo no pré-sal. Esses investimentos durarão alguns anos até que a extração esteja a todo o vapor.
Este pesado investimento inicial se multiplicará no Brasil, resultando em criação de empregos e literalmente injetando combustível no desenvolvimento industrial, naval e de infraestrutura.


Quando a Vale do Rio Doce foi privatizada, em 1997, era uma empresa saudável, que não precisava de investimento e gerava lucro. Na ocasião, ela custou cerca de R$ 3,3 bilhões, o que equivaleria hoje a R$ 12,2 bilhões. Quem a adquiriu obteve retornos magníficos, com o valor do minério saltando de US$ 15 para US$ 120 a tonelada. Seu valor de mercado atualmente é de R$ 183 bilhões.Leilão do Campo de Libra é concretizado. Injeção de R$ 15 bilhões

Contudo, a Vale privatizada não seguiu os mesmos trilhos da projeção de seus números, pelo menos no que diz respeito à geração de empregos. Não foram poucas as demissões - 1.300 em 2008 -, que levaram inclusive o então presidente Lula a reagir energicamente.
Os homens da época deveriam se envergonhar de, hoje, falar em privatização quando se referem ao leilão de Libra. O país deveria cobrar o fim da vida pública desses homens pelas depredações que fizeram no patrimônio nacional.
Citamos a Vale porque não queremos fazer aproximações com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), vendida em 1993 a R$ 1,2 bilhão, valor que hoje equivale a aproximadamente R$ 5 bilhões, e cujo atual valor de mercado é de R$ 17 bilhões.
Ou mesmo com a Light, vendida em 1996 por cerca de R$ 2,2 bilhões, que corrigidos dariam R$ 4 bilhões, e cujo valor de mercado atual é de R$ 8.8 bilhões. Hoje, os dividendos dos lucros distribuídos aos acionistas somados ao atual valor de mercado da empresa ultrapassam estes R$ 8,8 bilhões. Vale lembrar também que, recentemente, uma participação pequena da empresa foi negociada a R$ 2 bilhões.
Ou ainda da Telebrás, privatizada em 1998, quando foi vendida por cerca de R$ 22 bilhões, valor que hoje equivale a R$ 76 bilhões. Somente a Telefônica, que integrava o grupo da Telebrás, vale hoje no mercado R$ 54 bilhões.
Lamentavelmente, as últimas manifestações públicas do FMI - a quem o Brasil já foi devedor e hoje é credor, graças a empréstimos feitos no governo Lula - nos permite imaginar que há um início de tentativa de forçar agências de risco a preparar, por razões políticas, um rebaixamento da nota do Brasil.
Fonte - Jornal do Brasil 24/10/2013

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Governo assina acordos para acelerar Transnordestina

Ferrovias

foto - ilustração
Ministério dos Transportes
Acordos foram assinados na última sexta-feira (20/09) entre governo federal e empresas para proporcionar maior celeridade às obras da ferrovia concedida à Transnordestina Logística S/A (TLSA). Foram assinados Termo Aditivo ao Contrato de Concessão, Acordo de Acionistas, Acordo de Investimentos, além de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Os documentos estabelecem condições e responsabilidades para a conclusão das obras de implantação da Ferrovia Transnordestina.
Participaram da assinatura, no Ministério dos Transportes, dirigentes das empresas Companhia Siderúrgica Nacional e TLSA (concessionária), e do BNDES, Valec e Sudene, além da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Durante a assinatura, o ministro dos Transportes, César Borges, enfatizou a importância desta ferrovia e destacou a capacidade de produção agrícola da região. “Com a assinatura retomamos um processo muito importante para o Brasil e reforçamos a importância da conclusão do projeto da Ferrovia Transnordestina”, disse Borges.
“São 1.728 quilômetros que irão permitir a interligação dos estados brasileiros e a valorização da região nordeste”, completou o ministro. O projeto vai encurtar distâncias entre as regiões para reduzir custos e potencializar o escoamento de grãos e minério. A ferrovia vai ligar os estados do Piauí, Pernambuco e Ceará. A Ferrovia Transnordestina é um dos principais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem como objetivo potencializar o transporte de cargas no Nordeste.
Condições
- A assinatura do contrato firma uma nova etapa do empreendimento. De um lado, a concessionária terá a obrigação de concluir o empreendimento em 36 meses. De outro, ficam criadas condições objetivas para a aceleração das obras, na medida em que se equacionou as fontes de financiamento do projeto.
A TLSA informou que está concluindo a contratação de novas empreiteiras, o que permitirá abertura de novas frentes de serviço no trecho entre Missão Velha(CE) – Pecém(CE). Também fará a retomada do ritmo de trabalho mais intensivo nos trechos entre Eliseu Martins(PI) e o Porto de Suape(PE).
Investimentos - O acordo de investimentos, por sua vez, disciplina bases e condições dos financiamentos públicos presentes no projeto, considerando o novo prazo de concessão para exploração da linha férrea até 2057. De acordo com o diretor-presidente da Transnordestina Logística S/A , Angelo Baptista, a assinatura do contrato aditivo marca uma nova fase para a ferrovia. “Com a assinatura, poderemos acelerar as obras nas frentes de trabalho e entregar a ferrovia em 3 anos”, afirmou Baptista.
Com a revisão dos recursos da obra, o projeto da ferrovia recebeu um novo aporte de investimentos, o que ampliou o valor do empreendimento para R$ 7,5 bilhões. Os investimentos serão aplicados na conclusão e na entrada em operação da nova malha da Transnordestina, prevista para 2016.
Ainda foi estabelecido o compromisso de devolução de trechos de ferrovias inseridos no Programa de Investimento em Logística (PIL) que estavam concedidos à Transnordestina. A devolução da ligação de Recife a Sergipe permitirá a licitação do PIL no trecho Feira de Santana (BA) - Ipojuca (PE).
Fonte - Revista Ferroviária  24/09/2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Pratos Cuspidos e Trilhos Entalados

Transporte sobre trilhos

Pode ser uma cartada decisiva. A continuidade do desenvolvimento requer algo em torno de R$ 500 bilhões em investimentos para dilatar a fronteira logística de um sistema econômico originalmente projetado para servir a 30% da sociedade.

Por Saul Leblon
Foto - ilustração
O governo vai em romaria aos grandes centros financeiros mundiais para atrair investidores interessados em construir ferrovias, estradas, portos e aeroportos no país. Não é um passeio. Pode ser uma cartada decisiva. A continuidade do desenvolvimento requer algo em torno de R$ 500 bilhões em investimentos para dilatar a fronteira logística de um sistema econômico originalmente projetado para servir a 30% da sociedade.
O Brasil corre contra o tempo, mas o momento é favorável. O governo oferece projetos de concessão pré-esquadrejados pelo Estado.
O interesse público define as prioridades , prazos, qualidade do serviço e taxas de retorno – atraentes, diga-se, de até 15% ao ano.
Num mundo estagnado pela desordem neoliberal, com juro negativo e dinheiro embolorando no caixa das corporações, pode dar certo.
Mas a romaria que começa nesta sexta-feira não visa apenas o capital externo.
Na verdade, destina-se também a desfechar um safanão no rentismo local.
Em 2012 ele já fora abalroado por um corte de 5,5 pontos na taxa da Selic.
Dilma roçou baixo o pasto gordo da renda fixa, livre, leve e líquida propiciada pelos títulos públicos.
Ainda assim a manada hesita.
Resiste em migrar dos piquetes de engorda de curto prazo para canteiros de obras de longo curso.Mesmo com taxas de retorno maiores que a do juro real da dívida pública.
A relutância não é totalmente espontânea. Anima-a a lira musical conservadora que sassarica dando voltas no salão, a embalar expectativas de que o Brasil de Dilma vai acabar na próxima curva.
A estratégia tem lógica.
Trata-se de engessar a economia em um imenso gargalo de infraestrutura, capaz de emprestar alguma relevância ao discurso do senhor Neves, em 2014. O governo tenta contornar a arapuca trazendo a concorrência do investidor estrangeiro para atiçar o investimeto local.
Mas não é o único obstáculo que enfrenta.
O país que pretende construir 10 mil kms de ferrovias nos próximos anos não dispõe de uma única fábrica de trilhos para atender a demanda prevista. O colapso dos trilhos, curiosamente, não integra os hits da lira musical conservadora. De todos os colapsos alardeados pelas manchetes nos últimos meses, o dos trilhos é o mais palpável.
Não como ameaça.
É a realidade palpitante dos dias que correm. Um trecho de 600 km da Ferrovia Norte-Sul, que ligará as cidades de Ouro Verde (GO) e Estrela D"Oeste, em São Paulo, em construção pela Valec, está com as obras prestes a parar. Por falta de trilhos, informa o insuspeito jornal Valor Econômico.
Que a fuzilaria midiática não se debruce sobre esse férreo gargalo causa espécie.
O Brasil, ao lado da Austrália, é o maior exportador de minério de ferro do mundo.
Não qualquer minério.
A mina de Carajás, no Pará, concentra a maior reserva de ferro de alto teor do planeta. Bom para fazer o aço requerido por uma laminadora de trilho. Trata-se de uma reserva nuclear rodeada por um imenso estoque de manganês, além de ouro, dez jazidas de cobre e quatro de níquel.
Carajás, que fica próximo a Serra Pelada, tem fôlego para cerca de quatro séculos de exploração.
O paradoxo não fica nisso.
A China compra 70% do minério de ferro embarcado pelo Brasil. E o país importa da China cada centímetro de trilho de aço de que necessita. Quando há problema com as importações, como agora no caso da Valec, o comboio descarrila. Como entender que o senhor Neves, seus padrinhos de partido e os embarcados da mídia não explorem um desconcerto como esse que grita ao sol do meio dia?
Uma rápida recapitulação ajuda a entender o paradoxo dentro do paradoxo. A Vale do Rio Doce, detentora da jazida de Carajás, foi privatizada por R$ 3,3 bilhões, em 1997 no governo FHC --com o empenho firme de Serra, gosta de contar o ex-presidente tucano. Um trimestre padrão de lucro da empresa pagaria o valor atualizado da transação. A Vale exporta, em média, uns US$ 25 bi ao ano em minério de ferro bruto.
Fundamentalmente para a China, no valor médio de US$ 130 a tonelada.
O Brasil importou, só em um edital de compras, em 2010, para citar um exemplo, 244,6 mil toneladas de trilhos.
Fundamentalmente da China e secundariamente do leste europeu.
Preço médio: US$ 864 a tonelada.
Quase sete vezes o valor do minério bruto embarcado. Durante seus dois governos, Lula insistiu inúmeras vezes, em público e em encontros privados, para que a Vale investisse em siderurgia e beneficiasse o minério brasileiro.
Transformando-o em trilhos.
Seus apelos foram recebidos com estupefação pela mídia sempre ciosa dos interesses superiores dos acionistas, em relação às necessidades secundárias do país. E tratados com senhorial indiferença pelo presidente executivo da Vale, o tucano Roger Agnelli, que dirigiu a empresa de 2001 a 2011, por indicação dos acionistas privados, conforme reza o esperto escopo da privatização. Uma laminadora de trilhos adquire escala econômica a partir de 500 mil toneladas ano de produção.
A demanda do país chegou a 496 mil toneladas em 2010 .
Ou seja, antes de deflagrar os planos que agora projetam o maior investimento ferroviário dos últimos 40 anos.
O Brasil nem sempre foi assim tão paradoxal. Foi preciso empenho para chegar onde chegamos.
Em 1996, um ano antes de privatizar a Vale do Rio Doce , o governo Fernando Henrique Cardoso desativou também o laminador de produção de trilhos da Companhia Siderúrgica Nacional.
A CSN criada por Vargas.
O tucano que prometeu enterrar o ciclo Vargas fez barba e bigode.Entregou o minério bruto.
E inviabilizou a agregação de valor local. Não foi um plano demoníaco. Foi a pacífica convicção anti-desenvolvimentista na complementariedade dos livres mercados. Movida por uma fé esférica nas vantagens comparativas 'naturais' --que a história não tem direito de contrariar, como Vargas o fez. Ao mandar Vargas e o desenvolvimentismo às favas, o ciclo tucano definiu que cabe ao Brasil fazer o que sabe melhor: raspar Carajás até o fundo do tacho.
Abastecer o mundo.
E importar o que for preciso. Acionistas da Vale nunca reclamaram dessa lógica. Nem a mídia que agora fuzila a Petrobrás, pelos índices de nacionalização impostos às encomendas de equipamentos. Nem o colunismo que ecoa a 'pátria dos acionistas', inconformado com o desvio de dividendos da estatal para a 'irrealista' meta de construir quatro refinarias --e ainda por cima, uma delas com a Venezuela-- que agreguem valor ao pré-sal. Enquanto comandou a Vale, com a cobertura dos acionistas privados, da mídia amiga e dos tucanos, Roger Agnelli jamais permitiu tamanho disparate.
Foi assim que seu nome foi alçado à galeria dos melhores CEOs do planeta. O seleto grupo de ‘matadores’ de um capitalismo reflexo, rapinoso e imediatista, em que as coisas dão certo quando tudo dá certo.
Quando dá errado, como na crise de 2008, a Vale, de Agnelli, foi a primeira empresa brasileira a baixar o porrete grosso: demitiu 1.300 operários numa tacada.
A Petrobrás não demitiu ninguém. E engoliu um congelamento estratégico do preço da gasolina, martelado como escândalo pelo jornalismo especializado no direito dos acionistas graúdos.
O herói pró-cíclico consagrou-se assim.
Esburacando o país para saciar a fome das siderúrgicas internacionais. Graças a sua resistência, a obra tucana de privatizar o subsolo e esfarelar a superfície industrial manteve-se intacta por uma década.
Um ciclo de fastígio da república dos dividendos. Hoje o Brasil é um paradoxo mineral: exporta ferro e vive sob a ameaça de um colapso na oferta de trilhos.
O governo do PT teve tempo.
Poderia ter montado uma laminadora estatal de trilhos, por exemplo. Por que não o fez?
O governo errou.
Mas a mesma mídia que agora retrucará assim – não sem razão – seria a primeira a disparar alarmes e sinalizadores contra 'o estatismo ineficiente e empreguista' do PT.
Ou não é exatamente como agem hoje em relação à Petrobrás e ao pré-sal?
FHC reclama que Dilma cospe no prato fino que os seus oito anos de governo legaram ao país.
O colapso dos trilhos revela a ponta da gororoba, o imenso angu de caroço acumulado sob a película do caviar.
Fonte - Carta Maior  27/02/2013