UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

EUA iniciaram uma guerra não declarada contra os BRICS?

Política

O conflito entre os EUA e os BRICS iniciou-se ainda alguns anos atrás. Washington temia a influência crescente do bloco dos cinco países e, pelo que se viu, os EUA não ficaram de braços cruzados, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik o especialista russo Ilya Kharlamov.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Às vezes especialistas norte-americanos são bastante sinceros nas suas declarações sobre a intenção dos EUA de manter o domínio global. Especialmente aqueles que vivem fora dos EUA. Um deles publicou um texto em que afirma que a primeira etapa de destruição do bloco BRICS já se iniciou. Na sua opinião, este grupo é o que coloca maior ameaça à hegemonia econômica norte-americana, hegemonia que Washington e o mundo de negócios leal aos EUA estão prontos a defender por todos os meios possíveis, inclusive de armas na mão. Trata-se principalmente do Brasil. Foi o Brasil que tentou enfrentar os oligarcas ocidentais no mercado energético brasileiro, mas perdeu esta luta. Washington usou o seu "método de mudança de governos" ligado ao habitual tema da corrupção. Por exemplo, este mesmo método foi usados na Ucrânia e em outros países. Há tentativas de manipular as pessoas e de provocar protestos em contextos de situação econômica desfavorável, nos países onde o problema da corrupção pode servir de rastilho.
Na opinião do analista russo Ilya Kharlamov, este cenário foi muito eficaz no caso do Brasil. A ex-presidente do Brasil foi afastada depois de uma campanha para manchar a sua imagem. Michel Temer, destacou o especialista, foi informador da Agência Central de Inteligência (CIA), segundo as informações do portal WikiLeaks. O novo líder brasileiro já anunciou a venda dos ativos petroleiros do Estado, que podem ir parar às mãos dos que não estavam satisfeitos com Dilma. Uma outra coisa interessante é que foram as agências de rating norte-americanas que prestaram a maior atenção ao fato de o país estar numa situação econômica muito grave.
É o que o Brasil vinha consolidando gradualmente a sua soberania e a sua influência, inclusive no quadro do BRICS. O novo bloco transformou-se em um novo centro de poder, o que não agrada de maneira nenhuma aos EUA. A competição entre os BRICS e os EUA começou ainda alguns anos atrás quando, por exemplo, os países dos BRICS começaram a discutir o problema de desigualdade de quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) entre os países ocidentais e o resto do mundo.
O apetite dos EUA estende-se também para outros países da América Latina, inclusive à Venezuela, que desenvolve de forma ativa relações com a Rússia. O presidente deste país fala abertamente sobre conspirações organizadas pelos EUA. Agora o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou mesmo o seu desejo de desenvolver boas relações com os EUA, o que aconteceu no meio das discussões sobre o referendo e sobre a saída de Maduro do poder. A tentativa de neutralizar a influência dos BRICS tornou-se uma tendência política estável. No contexto das ambições globais podemos lembrar também a Europa, o Oriente Médio e a África do Norte, afirmou Kharlamov. Com certeza, os EUA não conseguem fazer tudo o que querem. Este é o maior perigo para os EUA, que podem não ter capacidade suficiente para manter os seus apetites geopolíticos, como aconteceu no caso do o Império Otomano, que se estendia dos países Balcânicos até a Ásia Central e da Crimeia até Marrocos. No início do século XX esta construção gigantesca desintegrou-se. Quem sabe se o mesmo não pode acontecer aos EUA se estes não desistirem das suas ambições?
Fonte - Sputnik  29/09/2016

terça-feira, 24 de maio de 2016

Especialista: Banco dos BRICS poderá financiar projetos importantes em áreas carentes

Economia

Washington, D. C., abrigou nesta segunda-feira, 23, o seminário “Doing Business With The BRICS” (“Fazendo Negócio com os BRICS”), numa perspectiva que permite vislumbrar como será o relacionamento dos cinco países do bloco com os demais membros da comunidade mundial.

Sputnik
Sputnik
Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) são vistos por vários analistas econômicos internacionais como “os emergentes que estão em rota de ascensão, podendo mesmo, no futuro, exercer um protagonismo mundial”. Para Paulo Wrobel, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e membro do BRICS Policy Center, este protagonismo já começa a se revelar na forma como a China vem se relacionando com diversos outros países, financiando, investindo e exercendo firmes parcerias em infraestrutura. Wrobel também acentua o relevante papel da Rússia em tais questões, ao também considerar prioritários os investimentos em infraestrutura.

Falando à Sputnik, Paulo Wrobel acentuou:
“A questão fundamental é a da infraestrutura. A China e até certo ponto a Rússia montaram nesses últimos anos uma infraestrutura bastante adequada. A China investiu fortemente como parte de sua política de ampliação no comércio internacional. Por exemplo, o país investiu em transportes e nos portos. Um tipo de investimento que foi muito comum nos anos 50, 60 na reconstituição da economia do pós-guerra e que depois caiu num certo vácuo em termos de investimento internacional, tanto público quanto privado, tanto dos bancos públicos quanto nos investimentos privados. Já no Brasil, temos uma carência imensa de infraestrutura em tudo isso que eu mencionei, como nos portos, nos transportes e nas áreas de petróleo e gás em que estamos precisando de uma nova rodada de investimentos. Eu chamaria a atenção para essa necessidade de investimentos e para grandes oportunidades de negócios e infraestrutura no nosso país.”

O Professor Paulo Wrobel também salientou o fato de o Banco dos BRICS – Novo Banco de Desenvolvimento – conceder financiamentos sem exigir contrapartidas políticas. Para Wrobel, este poderá ser um atrativo a mais na prospecção de negócios com os países do bloco:
“Havia uma certa expectativa a respeito de que o Banco dos BRICS seria um banco estritamente voltado para questões técnicas, econômicas, financeiras, se iria se concentrar em captar projetos de desenvolvimento viáveis que atendam aos interesses dos países, ou se a instituição teria um viés de atender mais a interesses políticos, seja de qual país for, mesmo que de fora do grupo BRICS. Eu tenho a impressão de que essa é uma afirmação muito importante e que levará a que o Banco dos BRICS possa ter um ótimo futuro como um dos bancos financiadores de projetos importantes em áreas muito carentes.”
Fonte - Sputnik  23/05/2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

‘Sem dólar’ e sem concorrer com FMI: Conheça a fundo o projeto econômico dos BRICS

Internacional

BRICS ganha força no mercado financeiro.- Aleksandr Lukashik, chefe do departamento da planificação de política externa do Ministério das Relações Exteriores da Rússia e da seção do BRICS, deu uma entrevista à Sputnik.

Sputinik
Marcelo Camargo/Ag.Brasil 
Sputnik: Conta-nos, por favor, sobre o Banco de Desenvolvimento do BRICS.
Aleksandr Lukashik: O acordo de criação do Banco de Desenvolvimento foi celebrado em Fortaleza durante a cúpula do grupo BRICS em 2014. Já em 2015 ele começou a funcionar. Depois disso, os representantes dos nossos países discutiam o conteúdo dos documentos que regulam o funcionamento do banco. Agora estes documentos estão sendo aprovados pelos representantes. O Banco já está de fato operando. A sua sede foi estabelecida em Xangai após a celebração do acordo entre os representantes da China e os chefes deste Banco.

S: Países do BRICS mantem a rota em direção à renúncia do dólar e a repassagem ao comercio nas moedas nacionais…
AL: Agora se trata do aumento dos volumes e intercâmbios entre os nossos países em moedas nacionais.

S: Então, sem uso de dólar?
AL: Então, sim. Por exemplo, existe um acordo de 2015 entre o Banco Central da Rússia e o Banco Nacional da China de estabelecimento da linha de swap entre estes bancos e também da cooperação entre bancos comerciais. Foram realizados testes bem sucedidos. Agora estamos discutindo a questão de aumento do comércio, pelo menos, entre a Rússia e a China em moeda nacional. Estudamos a questão de tais operações entre a Rússia e a Índia e também entre a Rússia e o Brasil. Não está faltando trabalho. Mas isto não é assunto do grupo BRICS, mas um assunto das relações bilaterais.

S: É que este banco é um concorrente do Fundo Monetário Internacional (FMI)?
AL: Não, não podemos dizer isso. Pelo contrário estamos tentando desmentir esta comparação, quando alguém a formula, porque isto não é assim. O nosso objetivo novo consiste na entrada no sistema monetário internacional que existe agora e fazer uma contribuição, apresentar as nossas propostas para fazê-lo mais legítimo e equilibrado porque a nossa opinião é que a parte dos países em desenvolvimento é baixa e não corresponde ao seu nível do desenvolvimento econômico na etapa atual. Especialmente, tomando em conta o poder de compra dos nossos cinco países. Acreditamos que no âmbito da decima quinta ronda da revisão das quotas, que deve ser afinal começado, os países do BRICS ressaltarão das posições do aumento da sua participação e das suas quotas no âmbito do FMI, que permitirá fortalecer as posições desta organização e aumentar o papel do BRICS na salvação das questões ligadas com o funcionamento do FMI.

S: Como é que os países pequenos podem ser incluídos na vossa agenda?
AL:Vejo a possibilidade da realização de tal cooperação através do desenvolvimento econômico e estratégico e também através do mapa rodoviário da cooperação econômica e de investimentos. Além disso pode prestar a tensão do que os países do BRICS no âmbito do projeto do novo banco de desenvolvimento vão discutir os projetos ligados com o desenvolvimento da infraestrutura e com a realização do projeto no âmbito do desenvolvimento estável. Neste domínio é possível a construção de alguns objetos e os investimentos em países terceiros. Os projetos de construção podem ser realizados naqueles países onde eles estão apresentados.
Fonte - Sputnik  04/05/2016

sexta-feira, 10 de julho de 2015

BRICS saem vencedores da guerra das sanções

Internacional

“O G7, grupo das nações supostamente mais industrializadas, se reúne há muitos anos e jamais conseguiu criar instituição alguma, enquanto o BRICS já tem dois organismos institucionais: o NBD e o Arranjo Contingente de Reservas.” A constatação é do Professor Marcos Troyjo, que falou com exclusividade para a Sputnik Brasil.

SPUTNIK
BRICS saem vencedores da guerra das sanções
© SPUTNIK/ Vladimir Pesnya
Marcos Troyjo, professor da Universidade Columbia, dos EUA, e cofundador do BricLab, da mesma Universidade, responde a perguntas sobre a construção institucional do BRICS e analisa o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas do BRICS em comparação ao Banco Mundial e ao FMI.

Sputnik: O que podemos esperar dos resultados da 7.ª Cúpula do BRICS, realizada nesta semana em Ufá, na Rússia?
Marcos Troyjo: Nós tivemos uma fase do acrônimo original BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – que foi muito marcada pela performance econômica desses quatro países, a partir de um estudo feito por Jim O'Neill, economista-chefe da área de administração de ativos do Banco Goldman Sachs. Ali nós observamos uma projeção do que se acreditava ser o crescimento econômico dessas nações que legitimaria a tese de que, por volta do ano de 2040, uma parte importante da economia global iria ser determinada pelos rumos de Brasil, Rússia, Índia e China. Essa primeira fase do conceito BRICS é o que eu chamo de BRICS 1.0. Desde os últimos oito anos começaram gestões para que esses quatro países – mais tarde juntamente com um representante do continente africano, a África do Sul – não apenas fossem uma classe de ativos a ser examinada pelos analistas e investidores internacionais, mas também um processo de construção institucional de modo a permitir uma ordem econômica mais multipolar. E é nesse marco, que eu chamo de BRICS 2.0, ou seja, esse processo de construção de novas instituições, que se realizou agora a Cúpula de Ufá. Os BRICS caminharam bastante, criaram um Banco de Desenvolvimento que nasce com um capital de 100 bilhões de dólares, instituíram um mecanismo de ajuda mútua caso algum desses países venha a sofrer uma crise de liquidez – o Arranjo Contingente de Reservas, que permite o redirecionamento de 100 bilhões para acudir um desses países caso eles tenham problema de caixa de curto prazo. Ou seja, é um avanço importante sobretudo se considerarmos que o G7, o grupo das nações supostamente mais industrializadas, se reúne há muitos anos e jamais conseguiu criar instituição alguma. Nessas áreas, sobretudo de financiamento e desenvolvimento, maior previsibilidade e estabilidade para a economia global, eu acho que os BRICS estão fazendo a sua parte.

S: O senhor vê essas duas instituições, o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas, como atualizações ou concorrentes, respectivamente, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional?
MT: Não, não vejo. O FMI tem uma estrutura de capital muito maior do que o Arranjo Contingente de Reservas. O FMI tem uma tradição de socorro a países que não estão necessariamente vinculados a uma região demográfica, é um órgão mais abrangente. No caso do Banco Mundial, é inegável que o corpo técnico, a qualidade dos estudos feitos pelo banco é extraordinária, ali tem gente de muito boa qualidade, mas feliz ou infelizmente o Banco transmutou um pouco a sua vocação inicial de provedor de recursos para o desenvolvimento para ser apenas quase que um mecanismo de alívio da pobreza e também de geração de estudos para o desenvolvimento. Ele quase que funciona por vezes como se fosse uma universidade, um centro de estudos acadêmicos, sobre quais serão as melhores práticas para o financiamento do desenvolvimento. Capital em si, muito pouco. Aliás, os Bancos de Desenvolvimento da China e do Brasil, o BNDES, têm uma estrutura de capital muito mais robusta do que a do Banco Mundial. Aí, sim, é que eu acho que o Novo Banco de Desenvolvimento não é um competidor, mas vem criar outra alavanca que é importante para financiar desenvolvimento, mesmo porque ele se dá no contexto de uma família de outras instituições de financiamento do desenvolvimento, como é o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, o próprio Fundo da Rota da Seda, que estão aí a oferecer uma alternativa robusta aos mecanismos tradicionais de financiamento de desenvolvimento.

S: Um banco deste porte teria espaço para financiar, ceder recursos a países altamente endividados como a Grécia?
MT: Eu acho que vai depender muito do que estiver presente no plano de ação do Banco. Em primeiro lugar, embora a situação da Grécia seja muito delicada, ela ainda tem uma renda per capita média-alta. Na semana passada, quando houve a moratória grega, o comentário geral na imprensa internacional era de que pela primeira vez um país desenvolvido deixava de pagar obrigações – dava um calote – no FMI. Se o objetivo do Novo Banco que se organiza é para o desenvolvimento, ele não é um banco de socorro de liquidez. É pouco provável que uma situação como a da Grécia viesse a constituir um objeto de financiamento do Banco. Em terceiros países, em nações para além dos BRICS, muitos projetos de desenvolvimento podem aparecer e constituir oportunidades importantes até para projetos transnacionais.
É muito importante que nesses primeiros doze meses de operação da nova instituição alguns sucessos sejam realizados. É importante ter êxito logo no começo da operação para criar uma espécie de onda positiva em relação àquilo que o Banco pode oferecer. Seriam as duas prioridades. Ter alguns projetos que talvez não necessariamente devam ser tão grandes em escopo mas contem com uma boa chance de implementação, de sucesso. Isso será tanto mais útil para o mundo em desenvolvimento se ele vier a ser realizado por atores dos países BRICS mas não necessariamente no território deles. Temos um campo vasto na Ásia, na África e na América Latina, que também contemplaria os investimentos do Banco de Desenvolvimento do BRICS.
Fonte - SPUTNIK 10/07/2015

Líderes do Brics oficializam criação do Novo Banco de Desenvolvimento

Internacional

A expectativa é que a instituição financeira comece a operar a partir do próximo ano, financiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável para os países do bloco e, posteriormente, para outros países em desenvolvimento que apresentarem interesse.

Giselle Garcia
Correspondente Ag. Brasil/EBC
A presidenta Dilma Rousseff e o presidente russo,Vladimir Putin, durante
VII Cúpula do Brics, em Ufa, na Rússia  
(Roberto Stuckert Filho/PR)
Líderes do Brasil, da Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) assinaram hoje (9) em Ufa, na Rússia, o memorando de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou Banco do Brics, que terá sede em Xangai, na China, com capital inicial de US$ 50 bilhões. A expectativa é que a instituição financeira comece a operar a partir do próximo ano, financiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável para os países do bloco e, posteriormente, para outros países em desenvolvimento que apresentarem interesse.
O presidente russo, Vladimir Putin, fez um discurso em nome dos líderes presentes. Ele afirmou que durante a sétima cúpula, que começou ontem (8), a situação da economia global foi discutida em detalhes. “Estamos preocupados com a instabilidade dos mercados, com a alta volatilidade do preço do petróleo e das commodities, com o acúmulo da dívida soberana de uma série de grandes países. Todos esses desequilíbrios estruturais causam impacto direto na dinâmica de crescimento de nossas economias. Nessas condições, os países do Brics pretendem usar ativamente seus próprios recursos para o desenvolvimento interno,” disse.
Putin também falou sobre o Tratado do Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), no valor de US$ 100 bilhões. “Uma das nossas mais importantes conquistas é o lançamento do Arranjo Contingente de Reservas, que nos dará a oportunidade de reagir a movimentos dos mercados financeiros de maneira ágil e adequada.” Do total de recursos do CRA, US$ 41 bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18 bilhões cada e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões.
A presidenta Dilma Rousseff citou a nova agenda do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015, da Organização das Nações Unidas, e destacou que as iniciativas lançadas pelo Brics contribuirão de modo construtivo para o novo momento das relações internacionais, mais focado no desenvolvimento sustentável.
Mais cedo, durante encontro com o Conselho Empresarial do Brics, ela enfatizou a importância do bloco – formado pelo Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul – no cenário mundial. “Os países do Brics foram responsáveis por 40% do crescimento mundial e pela intensificação dos fluxos econômicos entre os países.”
Dilma observou que, até 2020, os países em desenvolvimento precisarão de um volume de investimento em infraestrutura superior a US$ 1 trilhão por ano. “Atingir essa cifra não será tarefa simples. O investimento externo mundial caiu quase 50% nos últimos cinco anos. É nesse cenário que o novo banco de desenvolvimento terá um papel importante na intermediação de recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em nossos países e, posteriormente, em outros países em desenvolvimento”.
A presidenta acrescentou que desde a última cúpula do Brics, em Fortaleza, no ano passado, todos os acordos para a criação do banco do Brics e do Arranjo Contingente de Reservas foram ratificados. Ela informou que relatório do Conselho Empresarial do Brics trouxe mais de 40 projetos de interesse dos países-membros em áreas como indústria, energia, transporte, logística e tecnologia da informação. “É um acervo importante de iniciativas que serão analisadas com toda a seriedade por nossos governos e que contarão com o apoio do Novo Banco de Desenvolvimento.”
O NBD será presidido pelo banqueiro indiano K. V. Kamath, tendo como vice o economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Junior. Com o banco, os países-membros do Brics esperam reduzir o domínio do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial sobre o sistema financeiro global e criar espaço para outras moedas, além do dólar americano, no comércio internacional.
Durante a cúpula, Dilma também participou de encontros bilaterais com os demais chefes de governo dos países-membros do bloco, além de reuniões com líderes de outros países convidados.
Fonte - Agência Brasil  09/07/2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Presidenta Dilma chega à Rússia para encontro anual do Brics

Internacional

A presidenta Dilma Rousseff chegou agora há pouco à cidade de Ufa, capital do Bascortostão,para participar do sétimo encontro anual do Brics,juntamente com chefes de governo da Rússia, Índia, China e África do Sul 

Giselle Garcia
Correspondente da Agência Brasil/EBC
foto - ilustração
A presidenta Dilma Rousseff chegou agora há pouco à cidade de Ufa, capital do Bascortostão, na Rússia, onde se juntará aos chefes de governo da Rússia, Índia, China e África do Sul para o sétimo encontro anual do Brics. A cúpula de dois dias, que acontecerá em uma das mais belas regiões russas, nas encostas dos Montes Urais, terá início com um jantar típico oferecido aos líderes políticos.
O presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente Sul-Africano, Jacob Zuma, chegaram durante a manhã a Ufa e tiveram encontros bilaterais com o presidente russo, Vladimir Putin. Para o líder russo, a cúpula é uma oportunidade de mostrar ao ocidente que Moscou não está isolada, mesmo com a suspensão do país do grupo G8 – as nações mais industrializados do mundo –, por causa da anexação da Crimeia, em março do ano passado.
Na agenda prioritária dos líderes está o acordo sobre o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) do Brics ou Banco do Brics, que entrou em vigor na última semana. Eles vão discutir detalhes sobre o funcionamento da nova instituição, que terá sede em Xangai, na China, e será presidida pelo banqueiro indiano K. V. Kamath, tendo como vice o economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Junior.
O banco, que começa a operar no ano que vem, terá capital inicial de US$ 50 bilhões, divididos em partes iguais entre os membros. Com ele, os países-membros do Brics esperam reduzir o domínio do FMI e do Banco Mundial sobre o sistema financeiro global e criar espaço para outras moedas, além do dólar americano, no comércio internacional. A instituição financiará projetos de infraestrutura nos países do Brics, mas as operações podem ser estendidas a países em desenvolvimento que desejem fazer empréstimos.
A criação do NDB ocorreu em julho do ano passado, na última reunião do Brics, em Fortaleza, no Ceará. Na ocasião, também foi lançado o Arranjo Contingente de Reservas (CRA na sigla em inglês) no valor de US$ 100 bilhões, dos quais US$ 41 bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18 bilhões cada e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões.
A cúpula também servirá para discutir ações de cooperação econômica e comercial entre os países do bloco, englobando setores como energia e infraestrutura. O Brics representa um quinto da economia mundial e 40% da população do planeta.
Fonte - Agência Brasil  08/07/2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Senado aprova projetos que criam o Banco do Brics

Economia

O Banco do Brics será criado para fomentar políticas de desenvolvimento em infraestrutura nos cinco países. Terá capital inicial de US$ 50 bilhões, sendo US$ 10 bilhões em recursos e US$ 40 bilhões em garantias.

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil 
foto - ilustração
O Senado aprovou hoje (3) os projetos de decreto legislativo que criam o Banco do Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e confirmou o Tratado para o Estabelecimento do Arranjo Contingente de Reservas do bloco.
O Banco do Brics será criado para fomentar políticas de desenvolvimento em infraestrutura nos cinco países. Terá capital inicial de US$ 50 bilhões, sendo US$ 10 bilhões em recursos e US$ 40 bilhões em garantias.
O acordo para a criação do banco foi feito em julho do ano passado, quando os representantes do bloco se encontraram em Fortaleza e definiram que a sede do banco será em Xangai, na China, e o primeiro presidente será indicado pela Índia.
Na mesma ocasião, foi firmado o Tratado para o Estabelecimento do Arranjo Contingente de Reservas dos Brics, que cria um fundo com recursos de todos os membros para ser acessado pelos países do bloco em momentos de crise.
O fundo terá capital inicial de US$ 100 bilhões com aporte de US$ 41 bilhões da China, US$ 18 bilhões do Brasil, da Índia e Rússia, cada um, e US$ 5 bilhões da África do Sul.
“Todos nós sabemos aqui dos solavancos que a economia brasileira sofreu, principalmente em função das variações cambiais, das crises externas. Então, qual é o objeto da criação desse fundo de US$100 bilhões? É exatamente para criar um colchão, criar uma blindagem para proteger esses países. Portanto, é algo absolutamente pertinente”, explicou o relator do projeto, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Sobre o Banco do Brics, a senadora Ana Amélia (PP-RS), manifestou-se favorável ao projeto, mas ressaltou a importância de o Brasil aproveitar a oportunidade para reforçar seu protagonismo no cenário geopolítico e não ficar a reboque da China e da Rússia.
“Penso que o mais importante nisso é o Brasil estar neste processo de globalização e participando do grupo dos Brics de forma 'protagônica', sendo atuante, não aceitando o papel de coadjuvante, que não está do seu tamanho, do seu porte”, defendeu a senadora.
Fonte - Agência Brasil   03/06/2015 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Presença sul-americana no Brics reforça aliança do Brasil com a região

Internacional

Alguns minutos antes da reunião, a presidenta Dilma Rousseff declarou que a intenção era replicar o modelo do encontro na África do Sul. “Fizemos a reunião com países africanos e faremos aqui com países da Unasul, que também é muito importante para o relacionamento com o Brics”, explicou.

Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil 
Segunda sessão de trabalho da 6ª Reunião de Cúpula do Brics
com a participação dos presidentes de países da América do Sul
 José Cruz/Agência Brasil
A presença dos líderes sul-americanos no segundo dia da 6ª Reunião de Cúpula do Brics ameniza possíveis indisposições regionais provocadas por rumores de que o Brasil estaria se afastando do continente e priorizando negociações e acordos com o bloco, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Hoje (16), os 12 países da América do Sul participam das discussões, no Palácio Itamaraty, em Brasília. O encontro começou com atraso de uma hora.
A sessão de trabalho que ocorre a portas fechadas criou ambiente para que líderes da Argentina, Colômbia, Venezuela e Bolívia, por exemplo, manifestem anseios e demandas prioritárias no cenário internacional.
Alguns minutos antes da reunião, a presidenta Dilma Rousseff declarou que a intenção era replicar o modelo do encontro na África do Sul. “Fizemos a reunião com países africanos e faremos aqui com países da Unasul, que também é muito importante para o relacionamento com o Brics”, explicou.
Os países da América do Sul não têm, por exemplo, perspectiva de serem beneficiados diretamente pela principal medida aprovada na cúpula do Brics. A criação do Banco de Desenvolvimento do Brics, formalizada em Fortaleza, só deve impactar a região sul-americana a longo prazo. Projetos priorizados por Brasil, Rússia, Índia e China podem repercutir, indiretamente, nas economias de todos os vizinhos brasileiros.
Dilma reforçou a previsão de que, num primeiro momento, os países que não compõem o bloco não poderão se beneficiar diretamente da instituição recém-criada, mas “quero dizer que o banco sequer foi formado. Sempre olharemos com muita generosidade os nossos empréstimos. Eles serão feitos com padrão de boa gestão. Ninguém vai sair por aí [emprestando] nem é este o papel do banco do Brics. De fato ele [o banco] reflete um mundo mais multipolar”, declarou a presidenta.
Na prática, as operações do banco não devem impactar imediatamente nem mesmo o bloco, já que os empréstimos só devem estar disponíveis em dois anos, depois que os parlamentos de cada um dos quatro países aprovar a criação e as regras da instituição.
Às 13h30, a presidenta Dilma Rousseff oferece um almoço em homenagem aos chefes de Estado que participam do encontro e à noite, com o fim da Cúpula do Brics, os líderes devem participar de um coquetel oferecido pelo governo brasileiro no Itamaraty.
Amanhã, o Itamaraty segue com a agenda de encontros com líderes que ainda permanecerão em território brasileiro. Além dos sul-americanos, o trabalho será ampliado com os representantes do Quarteto da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), formado por Chile, Antígua Barbuda, Cuba e Costa Rica.
Fonte - Agência Brasil  16/07/2014

terça-feira, 6 de maio de 2014

Brics cresce 3,5% este ano e 4% em 2015 - OCDE

Economia

De acordo com as previsões feitas no relatório Perspectivas Econômicas, da OCDE, a China e a Índia destacam-se no Brics, com crescimento de 7,4% e 5,4%, respectivamente, mais que o dobro de qualquer um dos outros países que formam o grupo das chamadas economias emergentes, devido ao potencial que apresentam.

Da Agência Brasil Edição
Com informações da Agência Lusa
foto - ilustração
O Brics, grupo que reúne o Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul, vai crescer 3,5%, em média, este ano, aumentando para 4% em 2015, prevê a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
De acordo com as previsões feitas no relatório Perspectivas Econômicas, da OCDE, a China e a Índia destacam-se no Brics, com crescimento de 7,4% e 5,4%, respectivamente, mais que o dobro de qualquer um dos outros países que formam o grupo das chamadas economias emergentes, devido ao potencial que apresentam.
Segundo o relatório, a China reduzirá ligeiramente o crescimento no próximo ano, para 7,3%, mas as outras economias vão acelerar o passo, sendo o Brasil o país que menos crescerá (2,2%).
O relatório mostra ainda que a média da inflação nos cinco países está em 5%, mas sobe para 7,25% se a China ficar fora das contas, o que "não é um valor particularmente baixo", dizem os analistas.
O grupo foi apresentado inicialmente como Bric pelo economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O'Neil, no estudo Building Better Global Economic Bric, em 2001. Dez anos depois, foi incluída a África do Sul, passando a se chamar Brics. A organização representa cerca de 25% da riqueza mundial e, entre 2003 e 2007, foi responsável por 65% do crescimento global.
Fonte - Agência Brasil  06/05/2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Nigéria pode passar África do Sul e ser a maior economia africana

Internacional

O Instituto Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) vai divulgar os novos dados econômicos, que deverão mostrar o país mais populoso da África passando para o primeiro lugar entre as economias do continente, desbancando a África do Sul.

Da Agência Brasil
Com informações da Agência Lusa
foto - ilustração
A Nigéria deve passar a ser a maior economia africana. Serão conhecidos, no domingo (6), os novos dados sobre a produção econômica, que resultam da atualização dos números conforme o método seguido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O Instituto Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) vai divulgar os novos dados econômicos, que deverão mostrar o país mais populoso da África passando para o primeiro lugar entre as economias do continente, desbancando a África do Sul.
O Departamento de Estatísticas das Nações Unidas recomenda aos países que revejam os cálculos sobre o Produto Interno Bruto de cinco em cinco anos para refletir as mudanças na produção e no consumo. A Nigéria não atualizava os dados desde 1990.
Os novos dados devem já levar em conta os novos setores em rápido desenvolvimento, como as telecomunicações e a indústria cinematográfica local, conhecida como Nollywood.
A Nigéria é o maior produtor de petróleo africano e cresceu 6,8% ao ano, em média, entre 2005 e 2013. Está prevista um aumento para 7,4%, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, que é comparado com os valores ligeiramente acima de 5% para a África do Sul entre 2005 e 2009, que tem tentado ir além de 3,5% nos últimos cinco anos.
Analistas consideram, no entanto, que ter o título de maior economia da África não reflete as condições de vida dos seus 170 milhões de habitantes, que contiunuam, em sua maioria, a viver com menos de US$ 2 por dia, a enfrentar altas taxas de desemprego e dificuldades no acesso a bens essenciais como a eletricidade e a água.
Fonte - Agência Brasil  04/04/2014

domingo, 8 de setembro de 2013

Uma rede para os Brics

Política

Mauro Santayana
Mauro Santayana
Entre as diferentes hipóteses de resposta à espionagem da presidente da República e de seus ministros e assessores, aventa-se a possibilidade segundo afirmam os meios de comunicação, teria sido suspenso o envio da delegação precursora do cancelamento da viagem de Dilma Rousseff aos EUA, no mês que vem.
Pensando fria e estrategicamente, esta pode não ser a opção mais adequada para enfrentar o problema. Ao deixar de comparecer a uma visita de Estado, mesmo que em previsível gesto de protesto, o Brasil estaria abdicando de mostrar ao mundo que procura ter com os Estados Unidos uma relação à altura.
Estaríamos, guardadas as devidas proporções e circunstâncias, agindo como o governo golpista de Federico Franco, que, ao tentar — de maneira inócua — reagir contra a suspensão do Paraguai do Mercosul por quebra de suas salvaguardas democráticas, resolveu votar contra a vitoriosa eleição de representantes brasileiros na OMC e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Muito mais efetivo seria se, no âmbito dos Brics, Dilma obtivesse de nossos parceiros russos, chineses, indianos e sul-africanos, o compromisso de se trabalhar, coordenada e aceleradamente, no desenvolvimento de uma Bricsnet.
O grande alvo da espionagem norte-americana — e isso está claro no caso brasileiro — são os Brics
Uma rede de internet para o grupo, alternativa e paralela à que foi criada pelos Estados Unidos e que permanece sob estrito controle dos norte-americanos. Um sistema que contasse com avançados programas criptográficos que embaralhassem a informação entre origem e destino, impedindo que ela fosse decifrada pelas agências de inteligência dos EUA.
Segundo o analista geopolítico Eric Drauster, entrevistado pela edição espanhola do Russia Today esta semana, o grande alvo da espionagem norte-americana — e isso está claro no caso brasileiro — são os Brics, como a única aliança capaz de rivalizar com o bloco EUA-União Europeia nos planos político, estratégico e econômico nos próximos anos, e essa mesma premissa vale para o campo das redes globais de comunicação instantânea.
A China possui, hoje, tecnologia de ponta na área de telecomunicações, a ponto de a Huawei ter sido impedida de trabalhar nos EUA, pelo Congresso dos Estados Unidos, sob a suspeita — olhem só quem está falando — de que seus equipamentos fossem usados para espionar os norte-americanos.
A Índia, com centenas de milhares de programadores formados, todos os anos, nas mais avançadas linguagens da engenharia da computação, dispõe de um verdadeiro exército para o desenvolvimento de softwares e chaves criptográficas virtualmente imunes à bisbilhotice da CIA ou da NSA.
Juntos, Rússia, China, Índia, Brasil e África do Sul poderiam, se quisessem, em menos de um ano, espalhar uma rede de cabos submarinos da Bricsnet unindo seus respectivos continentes sem que esses equipamentos passassem, como acontece hoje, pelo território dos EUA.
Uma rede de satélites de comunicação da Bricsnet também poderia ser desenvolvida e lançada em curto espaço de tempo — quem sabe, como o primeiro projeto a ser financiado pelo banco de infraestrutura dos Brics — nos moldes de outros programas já existentes, como o Cbers, o Programa de Satélites China-Brasil de Recursos Terrestres.
Uma aliança na Bricsnet entre desenvolvedores indianos e a manufatura chinesa, com a colaboração de russos, brasileiros e sul-africanos, seria praticamente imbatível no desenvolvimento e venda, para os países emergentes — só o Grupo Brics representa mais de 40% da população do mundo — de novos serviços de e-mail, redes sociais, navegadores, sistemas de exibição e distribuição de vídeos e música, sistemas operacionais para tablets e telefones inteligentes, tudo desenvolvido à margem das empresas ocidentais que hoje colaboram, prestimosamente, com os serviços de espionagem dos Estados Unidos.
A presidente Dilma poderia, sim, fazer sua visita de Estado aos Estados Unidos. É importante que ela escute as explicações — se houver e forem dadas— do presidente Barack Obama, que pode ter lá seus problemas com a área de inteligência, como temos aqui, de vez em quando, com a nossa.
O Grupo Brics representa mais de 40% da população do mundo
Mas é muito mais importante, ainda, que ela discurse no jardim da Casa Branca, dizendo na cara dos norte-americanos, e diretamente ao próprio presidente Barack Obama, que a nenhum país foi dado o direito de tutelar os outros em assuntos de segurança. Que o Brasil, assim como outros grandes países, não delegou a ninguém a licença de defendê-lo no mundo. Que somos uma nação soberana que não aceita ser monitorada, sob nenhum pretexto, por quem que seja.
E que a comunicação entre países e entre pessoas não pode — em defesa justamente da liberdade e da democracia — ficar, sob nenhuma hipótese, a cargo de um único estado, por mais que esse estado acredite em mandato divino ou destino manifesto.
Fonte - Jornal do Brasil  08/09/2013

domingo, 16 de junho de 2013

Banco Mundial: Emergentes são os que apresentam maior crescimento

Desde 2008, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) são os países que alavancam a economia mundial

Os países emergentes, incluindo os que integram o grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), continuam sendo as locomotivas da economia mundial. Este é o teor do mais recente informe do Banco Mundial, intitulado “Perspectivas Econômicas Globais, um Estudo Analítico sobre o Comportamento Econômico Internacional”.
Os analistas do Banco Mundial constataram que as economias dos países do grupo BRICS “se tornaram adultas” e estão se aproximando do que chamam de momento da verdade. Os técnicos do Banco entendem que, ao atingir esta etapa, os países BRICS deixarão de ser considerados emergentes, pois estarão automaticamente inseridos na categoria de “nações desenvolvidas”.
Em relação à Rússia, os analistas do Banco Mundial apontam que o seu ritmo de crescimento econômico será bem mais elevado do que o de outros países. E, se as perspectivas da Rússia são boas para 2013, as que focam 2014 e 2015 são melhores ainda. Pelas previsões do Banco Mundial, nos próximos dois anos, o Produto Interno Bruto russo vai crescer de forma ainda mais rápida. E a previsão de crescimento econômico acelerado do PIB foi estendida pelos analistas do Banco Mundial para os demais países do grupo BRICS.
Os técnicos do Banco sustentam que desde 2008 Brasil, Rússia, Índia e China são os países que alavancam a economia mundial. Enquanto isso, os países mais desenvolvidos como Estados Unidos, Japão e alguns integrantes da União Europeia não têm apresentado bons resultados. Os países desenvolvidos só vão recuperar a plenitude do crescimento econômico quando se decidirem a buscar novos estímulos, investindo mais ativamente em infraestrutura. O modelo atual estaria esgotado e, por isso, países do BRICS como Rússia, Índia e China se prevalecem deste quadro para implementar as suas exportações.
Outra receita que os técnicos do Banco Mundial recomendam em especial para os países do grupo BRICS é o estímulo ao fortalecimento da demanda interna mediante a conjugação de três fatores: elevação dos índices de produtividade, aumento dos salários e nivelação dos rendimentos no ambiente profissional.
Fonte -  Diário da Russia 16/06/2013

sábado, 18 de maio de 2013

Importância dos países do BRICS segue em alta

Escolha de Roberto Azevêdo para a presidência da OMC foi mais um importante passo para o grupo

Pela primeira vez desde a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), um membro dos países do grupo BRICS estará à frente da entidade, o Embaixador Roberto Azevêdo, do Brasil. A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, comemorou a escolha do diplomata para dirigir o organismo, afirmando que, devido à sua experiência e ao seu comprometimento, ele será capaz de conduzir a OMC em direção a uma ordem econômica mundial mais justa e dinâmica.
Roberto Azevêdo representa o Brasil na Organização Mundial do Comércio desde 2008 e, a partir de 1º de setembro deste ano, será o sucessor do atual diretor, o francês Pascal Lamy cujo mandato se encerra em 31 de agosto. O diplomata brasileiro derrotou o candidato rival, o ex-Ministro do Comércio do México, Hermínio Blanco. Sua por parte dos representantes dos 159 países membros do organismo terá um impacto muito forte sobre o enfoque político da OMC.
Com a investidura de Roberto Azevêdo, os países em desenvolvimento, liderados pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terão uma oportunidade de ouro para se pronunciar sobre questões polêmicas relacionadas à agricultura e aos subsídios, problemas estes que continuam sem soluções devido à polarização entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estes problemas se arrastam desde a chamada Rodada de Doha realizada pela OMC em 2001.
Antes da escolha de Roberto Azevêdo, a União Europeia havia expressado apoio a Hermínio Blanco. Porém, Estados Unidos e Canadá, parceiros do México no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), não se manifestaram.
Egito continua sonhando em entrar para o Grupo dos BRICS: 
Quando ainda se discutia a sucessão de Pascal Lamy na Organização Mundial do Comércio, um fato agitou a pauta de discussões dos BRICS, o desejo do Presidente do Egito, Mohammed Mursi, em aderir ao grupo. A proposta foi confirmada pelo próprio chefe de Estado egípcio à Dilma Rousseff durante sua visita ao Brasil. Ele disse que fortaleceu esta ideia ao assistir à reunião de cúpula do quinteto em Durban, na África do Sul, em março deste ano. A partir daquele encontro, começou a trabalhar com esta possibilidade e chegou a sugerir que, com a admissão do Egito, o grupo alteraria a sua denominação para E-BRICS.
Formalmente, os países do grupo consolidaram a sua atuação em bloco em 2009, durante a reunião de cúpula realizada em Ekaterinburgo na Rússia. Dois anos depois, em 2011, a convite do então Presidente e hoje Primeiro-Ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, a África do Sul foi admitida no Grupo.
Para muitos teóricos, a entrada do Egito no grupo deve ser considerada pelo BRICS. Mesmo ainda se recuperando da crise política que emergiu em 2011 e provocou a renúncia do então Presidente e hoje prisioneiro Hosni Mubarak, o Egito tem um considerável peso político não só na África como também no Oriente Médio, especialmente no que diz respeito ao relacionamento dos países árabes com Israel.
Estes teóricos também entendem que apesar de continuar às voltas com uma crise econômica, o Egito poderá se transformar numa potência econômica da África. Por isso, os analistas entendem que os cinco países do BRICS devem analisar minuciosamente a proposta do Egito de aderir ao grupo. As chances da relação custo-benefício se tornarem positivas são concretas e isto tem de ser levado em conta pelos governantes das nações do quinteto.
Banco de Desenvolvimento dos BRICS ganha estrutura: 
Também está ganhando relevância a ideia da criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS. A iniciativa foi proposta pelo Ministro das Finanças da Índia, P. Chidambaram, na reunião de cúpula de Nova Déli, em março de 2012, debatida em março deste ano em Durban e voltará a ser analisada na próxima reunião do grupo em março de 2014, no Brasil. Os planos são de que, até o encontro seguinte, em 2015, na Rússia, tudo esteja definido.
O Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse em Durban que é preciso apressar três definições: a cidade sede do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, o valor do capital social e de quanto será a competência financeira de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul na composição nova instituição.
Ao participar do Fórum Econômico Mundial sobre a África, há algumas semanas, Jacob Zuma citou como foi importante para a África do Sul ter passado a fazer parte do BRICS. Segundo o presidente, este fato aumentou a importância política e econômica do país e o que passou a representar para Brasil, Rússia, Índia e China a porta de entrada para o continente africano, que conta com mais de um bilhão de habitantes.
Os cinco países do BRICS reúnem hoje 40% da população mundial e representam 25% do PIB de toda a Terra. Por isso, a ascensão de um dos seus representantes na OMC fortalecerá a voz dos países em desenvolvimento e ajudará a dar uma nova forma à ordem econômica mundial que se encontra em constante evolução.
Fonte - Diário da Russia 17/05/2013

terça-feira, 9 de outubro de 2012

BRICS surge uma nova FÔRÇA MUNDIAL


O BRICS AVANÇA  
Mauro Santayana  09/10/12

Ignorado e desvalorizado pela mídia “ocidental”, que só noticia sua existência quando das cúpulas presidenciais, o grupo BRICS, que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, se prepara para promover verdadeira revolução no mercado financeiro internacional.
Reunindo alguns dos maiores credores dos EUA - com 378 bilhões de dólares em reservas internacionais, o Brasil é o seu terceiro maior credor - o grupo se organiza para criar o seu próprio banco mundial e a sua própria agência de qualificação de riscos.
Eles se cansaram de esperar pelas reformas do FMI e do Banco Mundial, que lhes dariam mais poder e cotas dentro daquelas organizações, e decidiram atuar em conjunto para superar a crise. Na semana que vem, será realizada em Tóquio mais uma reunião dos países membros do Fundo Monetário Internacional. Mas os países do BRICS não esperam qualquer avanço nos debates pela reforma da instituição, já que os Estados Unidos a isso se opõem.
Em ano eleitoral, o Presidente Barack Obama não quer dar pretextos à crítica dos republicanos, dando a impressão que os EUA estariam dispostos a ceder mais espaço de poder para os BRICS na mais conhecida – até agora – organização financeira do planeta.
Nada disso, no entanto, muda o fato de que o apego ao poder dos Estados Unidos e da Europa nos organismos internacionais está cada vez mais distante da situação geopolítica real.
Para o “mercado”, manda quem tem dinheiro, e, se os EUA e a Europa estão cheios de dívidas, por causa de guerras como as do Iraque e do Afeganistão, e de anos de hedonismo e de consumo irresponsável, o dinheiro agora está nas mãos da China e do BRICS como um todo.
Os membros do grupo tem um perfil de dívida baixo e não devem quase nada ao Exterior, comparando-se aos países do G-7, (Brasil, 13% de dívida externa, 35% de dívida líquida total – contra 55,5% em 2002) e já detêm, com pouco mais de 4.3 trilhões de dólares, quase 50% das reservas internacionais do planeta.
No dia 15 de agosto realizou-se na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS.
No dia 26 de setembro, um fórum de especialistas do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, se reuniu em Chongqing, na China e ali foi discutida a idéia de se criar uma agência de qualificação do grupo, como alternativa às agências de classificação ocidentais, que não souberam prever a crise de 2008, nem a que eclodiu este ano.
Nesta semana, em Tóquio, os ministros das finanças do BRICS voltarão a reunir-se, à margem do encontro do FMI. Da pauta deverá constar a troca de reservas, em caso de eventual necessidade de financiamento externo, e a criação do Banco do BRICS, cujo capital inicial, segundo anuncia a imprensa internacional, poderá chegar a 50 bilhões de dólares.

Fonte - Do Blog  Mauro Santayana  09/10/2012