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quinta-feira, 4 de março de 2021

Visita técnica ao CCO do VLT de Cuiabá em V. Grande

Transportes sobre trilhos  🚄

A visita contará com a participação das cinco maiores entidades ferroviárias do país. Centro de Controle e Operação (CC0) é uma área de 133 mil metros quadrados localizada ao lado do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Essa área foi doada pela União (por meio da Infraero) com a única finalidade de funcionar o CCO do VLT.

Diário de Cuiabá (Artigo) 
Vicente Vuolo
O Movimento Pró-VLT, cívico e suprapartidário, promoverá uma visita técnica ao Centro de Controle e Operação (CCO) no próximo dia 8 de março, segunda-feira, às 9h. A visita contará com a participação das cinco maiores entidades ferroviárias do país. Estão confirmadas as presenças do senhor Jean Pejo, Secretário Geral da Associação Latino – Americana de Ferrovias (ALAF), que criou o Grupo de Trabalho do VLT em junho de 2019 formado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, Governo do Estado de Mato Grosso e Caixa Econômica Federal; sr. Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer); sra. Silvia Cristina Silva, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP); sra. Roberta Marchesi, Superintendente da Associação dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTRILHOS); sr. Paschoal de Mario, Diretor Técnico do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais Rodoviários e Ferroviários e Ferroviários (SIMEFRE). O Ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho também foi convidado. De acordo com a Chefe da Assessoria Especial do Ministro, sra. Verônica Sanches, o Ministro será representado pelo Secretário Nacional de Mobilidade Urbana, sr. Tiago Pontes. Outro órgão importante convidado foi o Ministério Público Federal na pessoa do Subprocurador Dr. Luiz Augusto Santos Lima. De acordo com a Secretária Executiva do MPF, em Brasília, Sra. Cintia Morimoto, o representante será do MPF de Mato Grosso. O convite foi feito diretamente à Procuradora Denise Slhessarenko. A vice-presidente de Governança da Caixa Econômica Federal, sra. Tatiana Thomé de Oliveira e a Gerente Executiva da CEF, sra. Erika Danielly Silva também foram convidadas. O Centro de Controle e Operação (CC0) é uma área de 133 mil metros quadrados localizada ao lado do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Essa área foi doada pela União (por meio da Infraero) com a única finalidade de funcionar o CCO do VLT. Foram investidos mais de R$ 500 milhões na construção de quatro galpões gigantescos, oficina, compra de 40 trens, 280 vagões, trilhos, cabos de energia, catenárias, postes, sistema semafórico, aparelhos de mudança de via (AMV), dentre outros equipamentos tecnológicos caríssimos como computadores. Várzea Grande concentra 70% das obras de infraestrutura do VLT prontas. Foram construídos os viadutos do aeroporto e da avenida da FEB, a estação de passageiros, 3,5 km de trilhos eletrificados até o bairro Cristo Rei, faltando apenas exatamente 1 km de trilhos para chegar a ponte sobre o rio Cuiabá, que está pronta para receber o VLT. De acordo com o engenheiro José Pícolli, uma Parceria Público Privada (PPP) é maneira mais rápida e econômica para a conclusão das obras. Segundo o renomado engenheiro Pícolli,“o dinheiro que tem na conta do VLT, R$ 193 milhões, é suficiente para finalizar a primeira etapa: Aeroporto-Porto-Centro. O restante até o CPA e Coxipó será com a iniciativa privada. Portanto, não precisa mais de dinheiro novo para a conclusão das obras como diz erradamente o governador do Estado. A população está perdendo muito com as obras paradas e poderá perder ainda mais se os trens forem trocados por ônibus poluentes, como anunciou o governador. Talvez o interesse do Governo esteja na promoção dos lucros dos donos de empresas de ônibus. Mas é certo que a população perde em saúde, em qualidade de vida e nos seus bolsos, transferindo dinheiro via tarifas mais caras para magnatas dos ônibus poluentes.
VICENTE VUOLO é economista, cientista político e coordenador do Movimento Pró-VLT.
Fonte - Revista Ferroviária  04/02/2021

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

VLT "De Cuiabá": oito anos de espera

Transportes sobre trilhos  🚄

Não há sentido algum nos atrasos e na prorrogação dos prazos da obra. A espera já dura 8 anos. E mostra ao mundo o atestado de incompetência dos últimos governos e o do atual. Mas nas campanhas políticas, não faltaram promessas e discursos inflamados dos candidatos à governador. Depois de eleitos, todos viraram as costas, cada um com as suas desculpas: corrupção, falta de planejamento na construção, pressão dos empresários dos ônibus poluentes, judicialização.

Vicente Vuolo*
Diário de Cuiabá
foto - ilustração/arquivo
Mato Grosso é palco de um vexame sem precedentes em sua história: a conclusão das obras do VLT de Cuiabá e Várzea Grande. A espera já dura 8 anos. E mostra ao mundo o atestado de incompetência dos últimos governos e o do atual. Mas nas campanhas políticas, não faltaram promessas e discursos inflamados dos candidatos à governador. Depois de eleitos, todos viraram as costas, cada um com as suas desculpas: corrupção, falta de planejamento na construção, pressão dos empresários dos ônibus poluentes, judicialização. O resultado até agora, é de decepção, incompetência e falta de compromisso com a sociedade. Ora, caríssimos leitores. A corrupção (se houve, já que ninguém foi punido) tem que ser punida exemplarmente. Mas, a obra tem que ser finalizada porque a grande prejudicada é a sociedade. Diante da inação do Governo do Estado, nós lançamos o Movimento Pró VLT, cívico e suprapartidário, em maio de 2019. Após um amplo debate com a sociedade, reuniões entrevistas, a criação do Grupo de Trabalho (GT), o Movimento Pró VLT decidiu apresentar uma proposta para a conclusão das obras. Os engenheiros de Mato Grosso e de São Paulo, inclusive, o Secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Jean Pejo, entenderam que a maneira mais econômica e rápida (tanto para o Estado como para a sociedade) de finalizar a obra é por meio de uma Parceria Público Privada (PPP). Nessa proposta, não haveria mais necessidade de investir dinheiro novo. O dinheiro que está depositado na conta do VLT de R$ 193 milhões é suficiente para terminar a primeira etapa: Aeroporto – Porto – Centro. O restante seria a iniciativa privada com uma importante observação. O Estado entregaria os equipamentos que foram comprados e que estão guardados no Centro de Operação e Controle ao lado do aeroporto, em Várzea Grande. A área de 133 mil quadrados contém 40 trens, 280 vagões, 40 km de cabos de energia, 22 km de trilhos, 9 subestações, posteamento com catenárias para todo o percurso. O dinheiro que está depositado na conta do VLT de R$ 193 milhões é suficiente para terminar a primeira etapa: Aeroporto – Porto – Centro Além disso, serão entregues 3,5 km de trilhos eletrificados, viaduto do aeroporto, trincheira da avenida da FEB, em Várzea Grande, ponte sobre o rio Cuiabá, viadutos da Sefaz, UFMT, 294 vigas de concreto para a ponte sobre o rio Coxipó e o viaduto da entrada para Santo Antônio de Leverger, em Cuiabá. Ou seja, o “P” público estaria em alta e o Estado com credibilidade para atrair empresas para a parceria. Os especialistas informaram ao Movimento Pró VLT que esta solução é viável e está de acordo com a legislação. Mas o governo se recusa a debater o assunto com a sociedade, o que aumenta dúvidas de comerciantes, empresários, engenheiros e cidadãos em geral sobre os reais interesses do governo, lembrando que as obras paradas entre todos os prejuízos que causa à população, ainda gera uma perda mensal considerável. O Estado paga R$ 4 milhões de juros ao mês pelo empréstimo tomado junto a Caixa Econômica Federal para a construção.
Vicente Vuolo
Não há sentido algum nos atrasos e na prorrogação dos prazos, a não ser que o governo queira fazer com que os prazos judiciais se esgotem e ninguém acabe punido pela eventual corrupção que motivou a paralisia da obra. Será mais um caso de inocência por decurso de prazo?
*VICENTE VUOLO é economista, cientista político e coordenador do Movimento Pró-VLT .(Publicado no Diário de Cuiabá em 17/12/2020)
Fonte - Diário de Cuiabá - 22/12/2020

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Movimento Pró-VLT - Cuiabá

Transportes sobre trilhos  🚄

Com a paralisação das obras do VLT, a imagem que temos dos últimos 6 anos de Mato Grosso para o Brasil é a de um Estado constituído de políticos medíocres, incompetentes e corruptos. Tudo porque, a maioria fala que apoia o VLT, mas na verdade, não toma qualquer providência para resolver a questão. Foi assim, nas últimas campanhas eleitorais. Muito discurso e pouca ação. 

Diário de Cuiabá - Vicente Vuolo*
foto - ilustração/arquivo
Quando o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, foi assassinado no dia 22 de novembro de 1963 por um disparo enquanto circulava no automóvel presidencial na Praça Dealey, em Dallas (Texas), a cidade ficou conhecida por dezenas de anos como a cidade do ódio, até que uma campanha publicitária intensa mudou a imagem da terra dos cowboys. Fazendo uma analogia com o que aconteceu em Cuiabá e Várzea Grande, em 2014, com a paralisação das obras do VLT, a imagem que temos dos últimos 6 anos de Mato Grosso para o Brasil é a de um Estado constituído de políticos medíocres, incompetentes e corruptos. Tudo porque, a maioria fala que apoia o VLT, mas na verdade, não toma qualquer providência para resolver a questão. Foi assim, nas últimas campanhas eleitorais. Muito discurso e pouca ação. A maior prova desse descaso governamental, é que o governador nunca visitou a obra. E pelos prejuízos causados à sociedade, foi processado criminalmente. A 4ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande ajuizou Ação Civil Pública (ACP) por degradação ambiental e material na área de 132 mil metros quadrados localizada ao lado do aeroporto, para a construção do Centro de Controle, Manutenção e Operação do VLT. É um crime doloso! E assim, o governo do Estado de Mato Grosso passa a imagem do deboche e da mentira. Mentiram ontem, e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma completamente. Mentem diariamente. E de tanto mentir tão bravamente, constrói um governo de mentiras diariamente. Essa é a imagem de mais um governo de promessas não cumpridas. Como bem disse a jornalista Maju no Jornal Nacional: o VLT é vergonha nacional. Ciente dos enormes prejuízos que essa obra parada está trazendo para a população e ao erário, é que surgiu há 1 ano e 5 meses, o Movimento Pró VLT, cívico e suprapartidário, para cobrar do governo do Estado a conclusão imediata das obras. O Movimento Pró VLT está ampliando o seu trabalho de conscientização desse modal de transporte ecologicamente correto para a melhoria na qualidade de vida de nossa população. Depois da criação do Movimento Cidadania Pró VLT de Várzea Grande, que organizou no mês passado, um protesto na ponte sobre o rio Cuiabá construída para o VLT, o Movimento Pró VLT ampliou, ainda mais, o seu raio de atuação. Lideranças das mais representativas coxipoenses decidiram somar nessa luta criando o Movimento Coxipó Pró VLT. O local escolhido para a manifestação foi o viaduto da UFMT, na Avenida Fernando Correa da Costa, onde se encontram abandonados os trilhos do VLT. Além da minha participação, estiveram presentes nessa manifestação cívica, que obedeceu a limitação de pessoas por causa da pandemia, o administrador de empresas, Emanoel Rosa de Oliveira, o engenheiro civil Edson José Carvalho da Costa, o professor e policial rodoviário federal Paulo Vieira de Melo, a cirurgiã dentista Iasmim Patrícia de O. Costa, o advogado Edmilson Rosa de Oliveira, o economista Nailton Caio de Jesus, o administrador de empresas Luís Cesar Aguaio, a turismóloga Thais Alves Barbosa e o proprietário da Faculdade Impacto do Coxipó José Olímpio dos Santos. Para o Coordenador do Movimento Coxipó Pró VLT, Emanoel Rosa de Oliveira, O povo do Coxipó não aguenta mais sofrer diante do caos no transporte público. Todo dia existe engarrafamentos de veículos com os ônibus poluentes superlotados sem ar-condicionado. O VLT será a solução, tem a preferência do semáforo, será mais rápido e confortável com poluição zero.

De acordo com o especialista em VLT, engenheiro José Pícolli, foram investidos para receber o VLT somente no Coxipó, mais de R$ 100 milhões assim distribuídos: R$ 37. 917.000,00 (viaduto da Universidade Federal de Mato Grosso), R$ 53.899.000,00 (ponte sobre o rio Coxipó com 294 unidades de vigas pré-moldadas prontas), R$ 31.728.000,00 (viaduto da entrada para Santo Antônio do Leverger), totalizando R$ 103.544,00. Esse dinheiro não pode ser jogado no lixo. O governador não pode continuar governando contra a sociedade. O povo quer VLT já!
*VICENTE VUOLO é economista, cientista político e coordenador do Movimento Pró-VLT.
Fonte - Revista Ferroviária  09/10/2020

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Nos Trilhos de Roma

Ponto de Vista  🚄  🚇

Hoje, a capital romana é a terceira cidade mais visitada da União Europeia, depois de Londres e Paris e recebe uma média de 10 milhões de turistas por ano.Caminhar pelas ruas estreitas da “Cidade Eterna” revelou-se para mim, por meio das obras de arte de praticamente todos os períodos arquitetônicos, um gigantesco tesouro. Um verdadeiro tesouro a céu aberto!

Vicente Vuolo*
foto - ilustração/Pregopontocom
Minha viagem pela Itália chega a Roma, uma das cidades mais importantes para a humanidade, pelo que representa no desenvolvimento da história e da cultura mundial e na construção da Civilização Ocidental.
Seu passado incomparável abrange mais de 2.500 anos, desde a fundação lendária em 753 a.C. por Rômulo, que segundo a tradição romana, foi o primeiro rei de Roma.
Hoje, a capital romana é a terceira cidade mais visitada da União Europeia, depois de Londres e Paris e recebe uma média de 10 milhões de turistas por ano.
Caminhar pelas ruas estreitas da “Cidade Eterna” revelou-se para mim, por meio das obras de arte de praticamente todos os períodos arquitetônicos, um gigantesco tesouro. Um verdadeiro tesouro a céu aberto!
A arquitetura da Roma imperial é uma combinação dos estilos etrusco e grego clássico que se desenvolveu aos poucos e deu origem às novas linhas romanas baseadas em arcos, abóbadas e domos.
A primeira pausa da caminhada foi na Fonte de Trevi, encostada na fachada do Palácio Poli, hoje museu. A maior e mais famosa fonte de construção barroca, criada por Nicola Salvi, foi concluída em 1762. No centro está a figura de Netuno, com dois tritões: um tentando domar um cavalo-marinho rebelde e outro conduzindo um animal mais tranquilo, em uma referência às diferentes condições do mar. O monumento foi o cenário de vários filmes da Itália e de Hollywood. Em 2016, foram recolhidos um milhão e meio de euros em moedas atiradas para a fonte para a realização de um desejo.
No percurso pela importante Via del Corso, uma parada para saborear o delicioso sorvete italiano, que para muitos, é o melhor do mundo. Mais à frente, depois de cruzar a Piazza Venezia, já na Via del Fori Imperiali, finalmente, adentrei no centro simbólico do mundo romano, tendo a direita o Fórum Romano e, no final da avenida, o Coliseu.
Para perceber melhor o conjunto do Fórum Romano, construído em 179 a.C., pude observá-lo do alto do monte Capitolino, antes de percorrer suas vias emaranhadas, repletas de ruínas de templos, arcos e basílicas. Pelo trajeto da Via Sacra que atravessa o Fórum, seguiam os religiosos e as procissões trinfais em direção ao Templo de Júpiter, no Campidoglio.
O próximo passo foi chegar ao Coliseu. Fiquei impressionado, por dentro e por fora, com a sua grandiosidade, poderia abrigar entre 50 e 80 mil espectadores. Embora parcialmente arruinado por causa de danos causados por terremotos e saques, o Coliseu é ainda o maior e mais famoso símbolo do Império Romano. É uma das atrações turísticas mais populares de Roma e tem também conexões com a Igreja
Católica Romana, pois a cada Sexta-Feira Santa, o Papa guia a Via Crúcis que começa na área em torno do Coliseu.
E foi nos arredores dessa belíssima arena, observando o Arco di Constantino e, depois, em direção ao Circo Massimo (um antigo estádio utilizado para corrida de bigas que podia acomodar cerca de 150 mil espectadores) que me deparei, para a minha alegria, com o Veículo Leve sobre Trilhos deslizando nos trilhos de Roma. O VLT tem grande importância na “Cidade Eterna”, isto porque todas as vezes que se iniciam as escavações para uma nova linha de metrô, se encontram algumas ruínas, pedaços de algum Sítio Arqueológico. Ou seja, paralisa toda a obra. Por isso, o metrô de Roma possui apenas 60 km de trilhos.
Para combater o trânsito caótico, barulho de buzinas e estresse no trânsito, o metrô de superfície ou VLT foi a solução encontrada. Com 6 linhas: (2) Piazza Mancini – Piazza le Flamínio; (3) Piazza Thorwaldsen (Trastevere); (5) Giovanni Amendola – Piazza dei Gerani; (8) Torre Argentina (Trastevere); (14) Giovanni Amendola – Palmiro Togliatti; e (19) Piazza Risorgimento – Piazza dei Gerani, formando 40 km de extensão, o VLT se desponta como um transporte limpo e ágil.


Uma inspiração para nossa Cuiabá. Um transporte de massa, que se adapta ao volume de tráfego e horário e, ao mesmo tempo, impacta muito pouco a arquitetura e o meio ambiente, em custo muito inferior ao metrô. Mas aqui talvez faltem líderes de visão. Uma pena!
*Vicente Vuolo é Economista e Cientista Político
Por Vicente Vuolo via e mail  05/12/2019

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Cuiabá - Quem é contra o VLT?

Ponto de Vista  🚄

O VLT tem sido adotado em todas as principais capitais da Europa e em muitas cidades importantes da Ásia e da América do Norte. Complementa, em alguns casos, ou é a espinha dorsal, em outros, o conjunto de modais de transporte das cidades modernas. É o futuro. O ônibus está perdendo terreno e em vários lugares desaparecerá. Os transportes movidos a combustíveis fósseis têm os dias contados e não serão permitidos na maioria dos lugares em 2030.

Vicente Vuolo*
Vicente Vuolo
Esta semana fui surpreendido com um telefonema inusitado do Secretário de Infraestrutura do governo do Estado de Mato Grosso, Marcelo Oliveira. O que era para ser uma conversa democrática acabou se transformando num monólogo pelo Secretário que em seguida desligou o telefone e me desconectou do seu WhatsApp.
O motivo da fúria do representante do governador foi a minha fala no seu WhatsApp: “Na verdade quem está tumultuando o processo de retomada do VLT é o Governador Mauro Mendes que exigiu do Grupo de Trabalho (GT) um estudo para a mudança do modal para ônibus. Gostaria que ele desmentisse publicamente”.
Infelizmente, não só o governador não desmentiu como, também, o Secretário. Ou seja, o secretário determinou o estudo de mudança de modal para ônibus poluentes mesmo sabendo que seria um desastre ambiental para a nossa cidade, cujos termômetros marcaram esta semana 46,5° no relógio do centro da cidade.
Marcelo perdeu a oportunidade para travar uma conversa amistosa, cuiabana e democrática na busca de um consenso para a conclusão imediata das obras do Veículo Leve sobre Trilhos. Mas, preferiu o caminho da ameaça.
A truculência não é o caminho para resolver uma questão tão importante como o VLT. Parece que o posto de secretário de obras, com um dos maiores orçamentos do Estado, o poder de usar a caneta para nomear ou demitir quem quiser subiram à cabeça da pessoa humilde, carinhosamente chamado de “Marcelo Padeiro”. O grito, o uso da força do cargo, não são requisitos para resolver a questão da mobilidade urbana. Ninguém é mais que ninguém!
Ultrapassado esse episódio, fruto de um tipo de política que nós, brasileiros, queremos ver superada, voltemos ao tema. O VLT tem sido adotado em todas as principais capitais da Europa e em muitas cidades importantes da Ásia e da América do Norte. Complementa, em alguns casos, ou é a espinha dorsal, em outros, o conjunto de modais de transporte das cidades modernas. É o futuro. O ônibus está perdendo terreno e em vários lugares desaparecerá. Os transportes movidos a combustíveis fósseis têm os dias contados e não serão permitidos na maioria dos lugares em 2030.
As duas maiores cidades de Mato Grosso, Cuiabá e Várzea Grande, serão pioneiras no uso desse modal de transporte de massa. Poderão, com isso, minimizar problemas que hoje enfrentam e também terão oportunidade de usar essa nova situação para orientar a política metropolitana de mobilidade urbana.
Por isso há um conflito entre o velho e o novo, o arcaico e o moderno, que se reflete em interesses econômicos dos que temem perder mercado e a população que deseja serviços públicos melhores e mais saudáveis.
Ao que tudo nos indica, a população já fez sua escolha pelo VLT, resta algumas autoridades reconhecer isso e concluir as obras sem desvios e sem corrupção.
*Vicebre Vuolo é Economista,Cientista Política e coordenador do Movimento Pro VLT
Por Vicente Vuolo via e-mail  12/09/2019

*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

VLT: O sonho de Dom MILTON

Transportes sobre trilhos  🚄

"Descer uns poucos metros a ladeira da Igreja Bom Despacho até a Estação da Avenida da Prainha, pegar o VLT e passear até o aeroporto de Várzea Grande para saborear um cafezinho”.O sonho de D. Milton é o sonho dos cuiabanos que está prestes a se concretizar. Afinal, com a criação da Portaria 1.674 de 11 de julho de 2019, formado pelos governos federal, estadual e CEF, o GT tem até quatro meses para definir se a conclusão das obras será feita pelo Estado, por uma Parceria Público Privada ou a privatização.

Vicente Vuolo*
foto - ilustração/arquivo
Há poucos dias fui recebido pelo Arcebispo da Arquidiocese de Cuiabá, Dom Milton Antônio dos Santos. A conversa republicana foi pautada na Campanha da Fraternidade (CF) 2019, cujo tema é “Fraternidade e Políticas Públicas”.
Nesta Campanha, a Igreja Católica, inspirada no trecho da Bíblia que nos diz: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27), busca chamar a atenção dos cristãos para o tema das políticas públicas, ações e programas desenvolvidos pelo Estado no sentido de garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis.
Um desses direitos é o de ir e vir para se deslocar ao trabalho, escola e lazer. Estamos falando de uma mobilidade urbana com conforto, rapidez, segurança, e de uma forma ecologicamente correta. A garantia de tudo isso está principalmente no transporte público de qualidade, que falta em nossa capital.
Neste sentido, fui convidá-lo, no dever de bom cristão, para a próxima reunião do Movimento Pró VLT, dia 12 de agosto, às 10:30 horas no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). Para a minha grata surpresa, ouvi nas sábias palavras de D. Milton o grande desejo de sua vida: “Vuolo, tenho um sonho. Descer uns poucos metros a ladeira da Igreja Bom Despacho até a Estação da Avenida da Prainha, pegar o VLT e passear até o aeroporto de Várzea Grande para saborear um cafezinho”.
O sonho de D. Milton é o sonho dos cuiabanos que está prestes a se concretizar. Afinal, com a criação da Portaria 1.674 de 11 de julho de 2019, formado pelos governos federal, estadual e CEF, o GT tem até quatro meses para definir se a conclusão das obras será feita pelo Estado, por uma Parceria Público Privada ou a privatização.
A palavra profética da Igreja Católica, muito bem conduzida em Cuiabá por D. Milton, busca “estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”, justamente o que estamos fazendo com a mobilização das lideranças sociais e da sociedade em geral para que possamos pressionar as autoridades públicas a uma ação positiva e direta em favor da mobilidade urbana e da garantia dos direitos das pessoas simbolizada neste momento no VLT, que poderá passar de um marco da incompetência para um exemplo de política pública que se espraie e transforme Cuiabá e Várzea Grande em lugares de bem viver.
Vicente Vuolo
Não vamos deixar o foco do momento que é a conclusão dessa primeira etapa do VLT, mas sabemos que não devemos parar por aí. Esta deve ser a mobilização que demonstre nossa capacidade em pensar alternativas humanas, sustentáveis e saudáveis para a locomoção das pessoas na Região Metropolitana, unindo e combinando vários meios de transporte que valorizem a vida e apoiem o
desenvolvimento das duas cidades, atraindo turistas e fazendo com que nossos cidadãos possam curtir melhor as maravilhas que temos.
*Vicente Vuolo é Economista e Cientista Político
Pregopontocom  09/08/2019

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Reunião do Movimento Pró VLT Cuiabá acontecerá em 12 agosto

Transportes sobre trilhos  🚄

O Movimento Pró VLT promove, no dia 12 de agosto, às 10h30, nova reunião para discutir o tema. Segundo o grupo, que tem como uma das suas preocupações as protelações constantes sobre o reinício das obras do VLT em Cuiabá, o governo do Estado de Mato Grosso não pode mais ficar adiando indefinidamente a data do reinício das obras. 

Abifer

Contando com as presenças do presidente da ABIFER, Vicente Abate, do coordenador do Movimento Pró VLT, Vicente Vuolo e do ex-gerente de Contrato do Consórcio VLT, Fernando Orsini, o Movimento Pró VLT promove, no dia 12 de agosto, às 10h30, nova reunião para discutir o tema. Segundo o grupo, que tem como uma das suas preocupações as protelações constantes sobre o reinício das obras do VLT em Cuiabá, o governo do Estado de Mato Grosso não pode mais ficar adiando indefinidamente a data do reinício das obras. O Movimento Pró VLT tem trabalhado de forma transparente e suprapartidária, no sentido de incentivar a implantação do VLT em Cuiabá e outras cidades do Mato Grosso.
O encontro será no Auditório do CREA-MT, na Avenida Rubens de Mendonça, 491, Bairro Araés, em Cuiabá/MT.
Fonte - Abifer  05/08/2019

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A ABIFER e Vicente Vuolo participarão de encontro do Movimento Pró VLT

Transportes sobre trilhos  🚄

Vicente Vuolo e Vicente Abate acertam presença da ABIFER em reunião para debater VLT em Cuiabá.O Movimento Pró VLT promove, dia 12 de agosto, nova reunião para discutir o assunto. Segundo o grupo, o governo do Estado de Mato Grosso não pode mais ficar adiando indefinidamente a data do reinício das obras.

Abifer
foto/divulgação
Preocupado com as protelações constantes sobre o reinício das obras do VLT em Cuiabá, o Movimento Pró VLT promove, dia 12 de agosto, nova reunião para discutir o assunto. Segundo o grupo, o governo do Estado de Mato Grosso não pode mais ficar adiando indefinidamente a data do reinício das obras.
O presidente da ABIFER, Vicente Abate, em encontro, em Brasília, no dia 10, com Vicente Vuolo, coordenador do Movimento, confirmou que estará presente na reunião. O Movimento Pró VLT tem trabalhado de forma transparente e suprapartidária, no sentido de incentivar a implantação do VLT em Cuiabá e outras cidades do Mato Grosso.
Fonte - Abifer  22/07/2019

sexta-feira, 21 de junho de 2019

VLT é sucesso no mundo

Transportes sobre trilhos  🚄

Observando o que está sendo feito no mundo, fica mais claro quais caminhos devemos seguir. Todos os países desenvolvidos estão construindo ou ampliando suas redes urbanas de VLT associado com facilidades e incentivos para que as pessoas caminhem e pedalem.Por isso, é muito importante que a gente insista na continuidade do VLT Várzea Grande e Cuiabá como parte de um projeto mais arrojado de transformação das cidades em lugares mais saudáveis e criativas.

MidiaNews - Vicente Vuolo
foto - ilustração/arquivo
VLT de Cuiabá/Várzea Grande
As principais cidades do mundo caminham a passos largos para o desenvolvimento sustentável. É um novo ciclo de desenvolvimento de cidades inteligentes dotadas de alta tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Só a Alemanha investiu R$ 500 bilhões em 2017 em tecnologias verdes, de turbinas eólicas e prédios com energia solar até veículos elétricos e incineradores de lixo. Lá a prioridade é o caminho sobre trilhos. Só em Berlim, a ferrovia é uma das mais extensas do mundo com 200 quilômetros e transporta por ano mais de 160 milhões de passageiros. A sua rede de transportes de massa é composta por trens de superfície (S-Bahn) e trens subterrâneos (U-Bhan), sendo complementada pelos Trans (VLT) com 22 linhas.
Outras cidades europeias, também, utilizam o metrô + VLT + bicicleta como uma das melhores formas de se locomover, ainda mais que existem bicicletários em todas as estações. O raciocínio é simples: o ônibus é poluente, tem pneus que rodam no asfalto, que é petróleo. Os veículos que rodam a combustível fóssil estão sendo retirados das cidades inteligentes.
O VLT em Madri, operado pela empresa de transporte público "Metro Ligero" tem 3 linhas e 35 estações do Veículo Leve sobre Trilhos que alcançam a extensão de 27,7 quilômetros, sendo que o metrô possui 283 km com 300 estações. A cidade do Porto, em Portugal, com apenas 250 mil habitantes possui um total de 70 km de linhas comerciais duplicadas do VLT.
O crescimento do número de passageiros do VLT de Barcelona tem sido constante desde o início das operações, tendo transportado 26,8 milhões de passageiros durante 2016. Em quase 13 anos de serviço do TRAM, mais de 277 milhões de passageiros tem utilizado o VLT de Barcelona. Já o VLT de Paris, inaugurado em 2012, cerca de 170 mil usuários usam diariamente o VLT que contorna a capital francesa com 22 km de extensão. É o modal complementar ao sistema metroviário (um dos mais antigos do mundo) com 303 estações, espalhadas por 214 quilômetros de trilhos que transportam mais de 1,5 bilhões de passageiros por ano.
A visão estratégica dos ingleses merece ser registrada. Com mais de 150 anos, o metrô tem capítulos de pioneirismo em tecnologia sobre trilhos. O metrô de Londres foi o primeiro sistema metroviário do planeta. Atualmente, é o terceiro maior em extensão (depois do metrô de Xangai, na China) com números impressionantes: 400 km de extensão, 270 estações, 11 linhas, 4.070 veículos e mais de 2 milhões de passageiros diários.
Mesmo com toda essa infraestrutura ferroviária, Londres decidiu investir no VLT por várias razões: permite percorrer curvas apertadas; poupam energia, visto que não precisam de iluminação de estações (plataformas e corredores) durante o dia; podem-se aproveitar velhas redes de caminho de ferro, que estejam em serviço quer estejam abandonadas. Um belo exemplo é o moderno "trem da Costa" de Buenos Aires ou o TRAM Metropolitano de Alicante (Espanha) no trecho de Luceros a Benidorm.
Observando o que está sendo feito no mundo, fica mais claro quais caminhos devemos seguir. Todos os países desenvolvidos estão construindo ou ampliando suas redes urbanas de VLT associado com facilidades e incentivos para que as pessoas caminhem e pedalem.
O modelo das cidades cheias de automóveis, ônibus e caminhões já chegou ao fim. Esse modelo prejudica o meio ambiente e faz muito mal à saúde física e mental das pessoas.
Vicente Vuolo
Por isso, é muito importante que a gente insista na continuidade do VLT Várzea Grande e Cuiabá como parte de um projeto mais arrojado de transformação das cidades em lugares mais saudáveis e criativas. Do contrário, o seu sepultamento será, com certeza, o maior retrocesso da história de Mato Grosso.
*VICENTE VUOLO é economista e cientista político
Fonte - Revista Ferroviária  21/06/2019

quarta-feira, 15 de maio de 2019

VLT é saúde

Transportes sobre trilhos  🚄

A preocupação com a saúde é tão grande no Velho Continente que a Suécia propôs que a União Europeia proíba carros a gasolina e a diesel a partir de 2030. Vários países já estão antecipando essa política sustentável, como a Inglaterra, Alemanha, França, Holanda e Noruega. Já a Índia quer se livrar dos motores a combustão 10 anos antes. Até a China, maior mercado automotivo mundial, causou surpresa ao anunciar que se prepara para proibir a venda de carros movidos a combustíveis fósseis. Ou seja, a consciência dos danos causados por esse veneno imperceptível está se tornando uma unanimidade.

Por Vicente Vuolo - ReporterMT
foto - ilustração/arquivo
VLT  - Rhônexpress Lyon
Nos últimos anos, já com os reflexos de grandes congestionamentos e poluição ambiental nas grandes cidades, as atenções se voltaram novamente para o transporte coletivo. Apesar do crescimento do setor metroferroviário em algumas cidades, houve também o aumento expressivo do número de veículos prejudicando sobremaneira o meio ambiente. Em São Paulo, por exemplo, os automóveis transportam 30% dos passageiros, mas emitem 73% dos poluentes.
A preocupação com a saúde é tão grande no Velho Continente que a Suécia propôs que a União Europeia proíba carros a gasolina e a diesel a partir de 2030. Vários países já estão antecipando essa política sustentável, como a Inglaterra, Alemanha, França, Holanda e Noruega. Já a Índia quer se livrar dos motores a combustão 10 anos antes. Até a China, maior mercado automotivo mundial, causou surpresa ao anunciar que se prepara para proibir a venda de carros movidos a combustíveis fósseis. Ou seja, a consciência dos danos causados por esse veneno imperceptível está se tornando uma unanimidade.
A poluição emitida pelos gases dos veículos a gasolina e diesel costuma ser um assassino silencioso e é um dos maiores riscos à saúde em todo o mundo. Isso leva mais gente aos hospitais por doenças como asma, bronquite e até câncer de pulmão e da bexiga. O que não desejamos! Queremos, sim, envelhecer com saúde utilizando um transporte limpo e saudável.
Dentre as alternativas inovadoras para resolver o problema, destaca-se o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos – como a solução de mobilidade urbana mais adequada e que vem alcançando grande sucesso nos mais diversos países.
Hoje, quando se fala em cidades inteligentes, não se consegue desvincular o transporte ecologicamente correto da mobilidade urbana para tornar a vida das pessoas menos estressante, dinamizar os deslocamentos com conforto e segurança e melhorar a qualidade de vida da população.
No Brasil, algumas regiões metropolitanas já operam o VLT. Em Santos-São Vicente, na Baixada Santista, o sistema é elétrico e conta com trens produzidos pela Vossloh. Em Sorocaba a primeira linha tem 11 km e operada pelo Consórcio BR Mobilidade. O VLT do Rio de Janeiro percorre o Centro e o Porto da cidade, conectando todas as demais redes de transporte metropolitano – metrô, trens, ônibus, barcas e teleférico – além do aeroporto, da rodoviária e do terminal de cruzeiros, a frota é composta por 32 trens Alstom Citadis, com captação de energia do solo. O VLT do Recife é operado pela CBTU, são duas linhas com 33,9 km de extensão. Liga as cidades de Recife e Jaboatão dos Guararapes. Em Fortaleza, o VLT é operado pelo Metrô, o sistema conta com 10,8 km passando por 8 estações. Outras cidades, como Maceió, Natal, João Pessoa e Teresina possuem VLT a diesel, não recomendável, mesmo que esse transporte sobre trilhos sirva para retirar milhares de veículos das ruas.
Outras cidades brasileiras pretendem implantar o Veículo Leve sobre Trilhos como Brasília e Goiânia. Na capital federal, ligando Brasília a Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal. E na capital goiana, cortando a principal e maior artéria da cidade, a avenida Anhanguera.
Em Cuiabá, as obras estão paralisadas há 7 anos, sendo que um pequeno trecho com uma estação, ao lado do aeroporto, em Várzea Grande, está pronto. Pelo projeto original, orçado em R$ 1,4 bilhão, o VLT pretende ligar Várzea Grande a Cuiabá, com 22 km de trilhos movidos a energia elétrica e 33 estações de embarque e desembarque. As 40 composições com um total de 280 vagões, produzidas pela empresa espanhola Construcciones y Auxiliar Ferrocarriles (CAF), situada em Beasain, País Basco, foram compradas antecipadamente, trazidas de navio para o Brasil e são mantidas a céu aberto em uma área nas proximidades do aeroporto.
Em dezembro passado, o governo do Estado rompeu o contrato com o Consórcio VLT Cuiabá (formado pelas empresas CR Almeida, Santa Bárbara, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia e Astep Engenharia) e anunciou estudos para uma nova licitação.
Como o Tribunal de Contas da União e os tribunais de contas dos Estados têm repetidamente dito que a obra mais cara de todas é a obra parada, certamente o VLT de Várzea Grande e Cuiabá será um dos mais caros do Brasil, isso se nada acontecer com os 280 vagões que se deterioram.
Como já disse, é hora da sociedade civil mato-grossense se manifestar e pressionar para que uma solução se dê ao problema dos desvios e da paralisação das obras. Uma solução que coloque a obra em andamento e faça com que o mais rápido possível a população tenha acesso ao VLT elétrico. Medida que terá impacto positivo na saúde de todos e na mobilidade das duas cidades. Não se pode admitir mais atrasos.
Fonte - Abifer  14/05/2019

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ANTT VIOLA CUIABÁ - Vicente Vuolo

Ponto de Vista  🚉

A ferrovia São Paulo – Cuiabá, é um projeto que nasceu na capital mato-grossense no início da década de 70, inspirado num estudo técnico muito bem elaborado pelo brilhante engenheiro Domingos Iglesias Valério, que ganhou uma concorrência nacional do melhor traçado para ligar o Sul ao Norte do país.Os dirigentes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) desconhecem por completo a história da ferrovia para Mato Grosso.

Vicente Vuolo*
foto - ilustração
Não bastasse o isolamento por mais de 200 anos que a nossa cidade sofreu após a decadência do ciclo do ouro, o que fez com que o asfalto só chegasse a Cuiabá na década de 1970, eis que surge outro entrave para os trilhos da ferrovia chegarem a Cuiabá, a ANTT.
Os dirigentes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) desconhecem por completo a história da ferrovia para Mato Grosso. Os tecnocratas de plantão, não sabem que essa obra não é uma obra por si só, feita de dormentes de concreto, ecologicamente mais correto. Ela tem vida, tem alma, porque está sendo construída com a participação popular e em função dos interesses de uma vasta região.
Não se pode admitir que a ANTT tenha concordado que a concessionária ALL/RUMO (responsável pela construção da ferrovia) tenha adquirido empréstimo junto ao BNDES de mais de 5 bilhões de reais para – ao invés de ampliar a malha brasileira, inclusive estender os trilhos até Cuiabá – comprar 8 mil km de ferrovias na Argentina. Há indícios de corrupção nisso. Não se pode admitir que a ANTT seja subserviente com a simples decisão da ALL/RUMO em não se interessar em construir o trecho até Cuiabá, abandonando por completo o projeto de país. A falta de planejamento, de um Plano Nacional Ferroviário é o maior causador desses conflitos permanentes no país. Os burocratas preferem lançar pedaços de ferrovia. Sim! Trechos que só servem para atender interesses escusos de empresários gananciosos, que só pensam no bolso. E não no país!
A ferrovia São Paulo – Cuiabá é um projeto que nasceu na capital mato-grossense, no início da década de 70, inspirado num estudo técnico muito bem elaborado pelo brilhante engenheiro Domingos Iglesias Valério, que ganhou uma concorrência nacional do melhor traçado para ligar o Sul ao Norte do país. Coube ao cuiabano Vicente Emílio Vuolo apresentar esse projeto no Congresso Nacional, através do projeto número 312-A, na Câmara dos Deputados, que incluiu a ligação ferroviária São Paulo – Rubineia (SP) – Aparecida do Taboado (MS) – Rondonópolis – Cuiabá, no Plano Nacional de Viação, por meio da construção da ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná. Esse projeto foi aprovado e sancionado pelo Presidente Geisel e transformado na Lei n° 6.376 de 6 de junho de 1976.
Esse sonho só foi possível se concretizar, após intensa mobilização liderada pelo ex-senador Vuolo, envolvendo governadores, senadores, deputados, vereadores e prefeitos dos três Estados (São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso). Foram inúmeras reuniões, audiências públicas em Cuiabá, Rondonópolis, Alto Garças, Alto Araguaia, Alto Taquari, Costa Rica, Chapadão do Sul, Paranaíba, além dos municípios de oeste paulista e na capital São Paulo. A luta de Vuolo acabou se transformando numa obstinação para a chegada dos trilhos até Cuiabá. Além de ter recebido a medalha do Mérito Ferroviário, o filho do Coxipó, foi agraciado como Senador Honorário do Oeste Paulista outorgado por 34 municípios. Foi Ulysses Guimarães que apelidou Vuolo como “o Pai da Ponte”.
O maior obstáculo sempre foi a construção da ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná (3.600 metros). Mas, muitos não entendiam por que se falava tanto da ponte. É porque a ponte (que numa linha reta entre São Paulo-Cuiabá passa por ela) era fundamental para o prolongamento dos trilhos da ferrovia ex-Araquarense.
Esse crime que a ANTT insiste em cometer contra Cuiabá é doloso para o país. Isto porque, a ANTT engavetou o maior projeto de integração do Centro Oeste e da Região Amazônica. O projeto original (protocolado em 1989 por Olacyr de Moraes na SUDAM) prevê, além da chegada dos trilhos à Cuiabá, a ampliação da ferrovia duas vertentes: Cuiabá – Santarém, para ligar a hidrovia do Amazonas; e Cuiabá – Porto Velho para ligar a hidrovia do Madeira. Portanto, Lucas do rio Verde, está a apenas 200 km para ter a ferrovia, uma vez os trilhos em Cuiabá.
O Brasil não pode ficar à mercê de improvisos e da aplicação de recursos públicos em função de supostos interesses pecuniários de um ou outro funcionário público. Essas áreas estratégicas requerem planos de longo prazo e o cumprimento dos mesmos, com controle social rígido e prestação de contas à sociedade.
É fundamental que as lideranças políticas e sociais de Mato Grosso, nossos empresários, sindicalistas e os militantes do desenvolvimento sustentável de nossa região se mobilizem para fazer valer nossa voz. Que parem os burocratas da ANTT de nos fazer de joguetes e cumpram o compromisso de trazer rapidamente os trilhos a Cuiabá. Não joguem dinheiro público no ralo, nem compactuem com interesses privados de uma empresa que pega dinheiro aqui para investir ou comprar ativos na Argentina. É hora do basta!
*Vicente Vuolo é Economista, Cientista Político e Analista Legislativo do Senado Federal.
E-MAIL: vicente.vuolo10@gmail.com
Enviado por e-mail em 16/02/2017

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ANDANDO DE VLT

Ponto de Vista

O VLT passou a ser o grande eixo social, ambiental e econômico servindo como novo padrão de desenvolvimento da cidade. É indiscutível os benefícios que a cidade vem colhendo. O planejamento estratégico levou a eficiência. A eletrificação ferroviária passou a ser o grande indutor do crescimento econômico. Transporta energia limpa, é mais rápida, econômica e segura.

Vicente Vuolo
foto - ilustração/arquivo
Quem visita a cidade do Rio de Janeiro e chega pelo aeroporto Santos Dumont, logo se depara com o novo e moderno meio de transporte circulando pelas ruas do centro da cidade maravilhosa. É o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) deslizando pelas avenidas e zona portuária ao lado de ciclovias e pedestres tornando a paisagem mais humana e ambientalmente saudável.
É indiscutível os benefícios que a cidade vem colhendo. O planejamento estratégico levou a eficiência. A eletrificação ferroviária passou a ser o grande indutor do crescimento econômico. Transporta energia limpa, é mais rápida, econômica e segura.
O VLT passou a ser o grande eixo social, ambiental e econômico servindo como novo padrão de desenvolvimento da cidade. Trabalhadores, empresários, executivos, estudantes se deslocam num menor tempo e com muito mais conforto. Criaram-se condições para atrair novos investimentos que gerem riqueza e melhoria na qualidade de vida. Tudo isso, com a preocupação central, que é a questão ambiental. A adoção dessa tecnologia reduz a emissão de CO2, que é parte de acordos internacionais sobre o clima.
Atualmente, o modal liga a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, no centro da cidade, e faz conexão com ônibus intermunicipais, metrô e terminal de cruzeiros marítimos. Como o trem não possui catracas ou cobradores, o usuário deve validar o cartão em um dos 28 equipamentos instalados no interior do veículo. Quem não possuir Bilhete Único pode adquirir o bilhete expresso nas paradas do VLT, que possuem terminais de autoatendimento.
Andar de VLT no Rio não é mais um sonho. É uma realidade! Um transporte ecologicamente correto que veio para ficar e servir de inspiração para outras cidades. Uma solução prática para substituir os engarrafamentos, poluição, stress e demora para chegar ao trabalho do dia a dia das grandes cidades.
Andar de VLT em Cuiabá ainda é um sonho. A obra está paralisada para espanto da população. Um prejuízo gigantesco para o Estado e a população.
Pasmem! Poucos políticos falam do assunto na mídia como se fosse uma coisa normal abandonar uma obra de mais de 1 bilhão de reais. O que parece sobrar são candidatos mais preocupados com o seu projeto de poder e menos com o projeto da cidade.
Depois de tantos escândalos de corrupção que levaram muitos à prisão, um recente afastamento da Presidente da República e da cassação do Presidente da Câmara dos Deputados, era de se esperar que os debates eleitorais estivessem mais conectados com a sociedade e viessem carregados de maior seriedade, com a preservação de projetos para a sociedade e para a cidade. Deveríamos estar escolhendo entre vários projetos de solução para o caos da mobilidade urbana, entre projetos diferentes para o tratamento do desemprego e as ideias de desenvolvimento econômico sustentável de nossas cidades.
Os eleitores e as eleitoras devem cobrar isso de seus candidatos. Não vamos a lugar algum se ficarmos votando sem responsabilidade e fazendo vigorar a velha política de troca de favores. É hora de mudarmos isso!
Por que não discutimos o VLT de Cuiabá, a reurbanização em volta de seu trajeto, o incentivo à indústria do turismo, a formação de polos de geração de emprego com base
tecnológica, a despoluição de nossos cursos d’água, a criação de hortas comunitárias e espaços de convivência?
Cuiabá está prestes de completar 300 anos de história. Não merece de presente esse cartão postal de abandono das obras do VLT. De quem é a responsabilidade? Uma coisa é certa: é um crime doloso contra capital mato-grossense.
*Vicente  Vuolo é economista.cientista político e analista legislativo do Senado Federal
Enviado por Vicente Vuolo  15/09/2016

segunda-feira, 14 de março de 2016

VLT SIM!

Transportes sobre trilhos

As cidades brasileiras continuam apresentando alto índice de poluição, uma das responsáveis pelas mudanças climáticas no planeta. Os transportes e os resíduos constituem os grandes fatores de emissões de gases de efeito estufa. 

Vicente Vuolo
foto - ilustração/Pregopontocom - Lyon
A polêmica do VLT em Cuiabá é uma questão muito maior do que simples disputa entre um modal e outro. Entre outros pontos importantes, envolve também o meio ambiente. Um aspecto fundamental para nós que, queremos realmente um país mais saudável para a próxima geração.
As cidades brasileiras continuam apresentando alto índice de poluição, uma das responsáveis pelas mudanças climáticas no planeta. Os transportes e os resíduos constituem os grandes fatores de emissões de gases de efeito estufa.
Essa foi a principal conclusão dos participantes da II Jornada sobre o Clima nas Cidades, ocorrido entre os dias 23 e 25 de fevereiro, em Fortaleza (Ceará), promovido pelo Iclei-Governos Locais pela Sustentabilidade. Vários gestores públicos de diferentes municípios do Brasil apresentaram estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas nas cidades.
De acordo com dados apresentados pelos palestrantes, cerca de 30% dos municípios brasileiros tiveram, em 2015, algum evento climático extremo ligado às mudanças climáticas.
Com relação à mobilidade, a frota cada vez maior de veículos particulares e de ônibus (diesel) são responsáveis pelo aumento dos engarrafamentos e da emissão de gases de efeito estufa. O resultado disso é a baixa produtividade dos sistemas de transporte coletivo, que já é de baixíssima qualidade. São justamente as populações mais pobres que sofrem com uma qualidade de transporte ruim e com um trânsito engarrafado. Mas a desigualdade social nunca é considerada, apesar de as populações de baixa renda serem mais vulneráveis aos efeitos climáticos, por terem dificuldades estruturais de adaptação.
A forma mais evidente de poluição do ar que encontramos rotineiramente em grandes centros urbanos – como é o caso de Cuiabá e Várzea Grande - onde há grande concentração de pessoas, são os resíduos produzidos pela combustão do diesel que movimenta a frota de caminhões e ônibus e que são lançados no ar que respiramos. A fumaça preta que sai dos escapamentos dos veículos a diesel é formada pela mistura de poluentes gasosos e particulados nocivos à saúde humana. Dentre os poluentes emitidos por motores a diesel alguns se destacam, tais como: óxidos de carbono (CO e CO2), óxidos sulfúricos (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx), henoidrocarbonetos aromáticos (HA). O monóxido de carbono (CO), por exemplo, é uma substância que prejudica a oxigenação dos tecidos e, por isso, é classificada como um asfixiante sistêmico.
Pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia mostra que os veículos movidos por diesel são responsáveis por 80% da poluição no país. A frota de veículos movida em São Francisco – no Estado americano da Califórnia - é de apenas 10%, número muito inferior aos automóveis que utilizam gasolina. Esses 10% são responsáveis por cerca de 60% da produção de aerossóis orgânicos secundários (AOS), partículas nocivas à saúde humana. De acordo com outra pesquisa realizada pela Universidade de Berkeley (Califórnia), em todo o país, o diesel é responsável por 80% da emissão dessas partículas. Os estudos foram os primeiros a comparar a produção de AOS na atmosfera proveniente de automóveis movidos a diesel e gasolina. Os AOS são responsáveis por 90% dos danos causados à saúde humana provenientes de poluentes de escapamentos de carros. Elas são formadas na atmosfera a partir de gases que são emitidos por veículos automotores e também ajudam agravar o aquecimento global, além de possuírem um efeito a longo prazo semelhante ao do cigarro.
Por tudo isso, é fundamental que os governantes e os planejadores urbanos tenham o meio ambiente como elemento de peso fundamental quando escolherem alternativas de transporte urbano e quando pensarem soluções para os problemas das cidades e regiões metropolitanas.
Temos que reduzir o número de automóveis. O transporte de massa é a solução. Qualquer transporte? Não. Hoje, sabemos que há alternativas umas melhores que as outras. O VLT é melhor que o ônibus diesel. O monotrilho é melhor que ambos em áreas pequenas e se existem recursos disponíveis. O trem metropolitano é adequado em algumas situações e para grandes volumes de passageiros. Enfim, há modelos que sozinhos ou de forma combinada podem atender situações específicas.
No caso de Cuiabá e Várzea Grande, não podemos desprezar os benefícios do VLT. Não somente porque já foi gasto muito dinheiro na obra (parte desviada, segundo investigações em curso), mas principalmente porque é uma alternativa que traz benefício à mobilidade urbana e ao meio ambiente (incluindo a saúde da população).
É fundamental que nossa sociedade esteja atenta, fiscalizando os gastos e exercendo o controle social sobre onde o nosso dinheiro é gasto. Fundamental também é que estejamos bem informados sobre todos os aspectos que envolvem obras de vulto, e que possamos defender nossa saúde e nosso ambiente.
*Vicente Vuolo - economista,cientista político e analista legislativo do Senado Federal
Fonte - Vicente Vuolo  (vicente.vuolo10@gmail.com) 14/03/2016

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

VLT PEDE SOCORRO

Transportes sobre trilhos

O otimismo tomou conta da maioria da população porque afinal, teríamos um transporte que garante o fluxo de um grande número de pessoas utilizando menos energia poluente, diminui a emissão de gases tóxicos na atmosfera e evita qualquer tipo de engarrafamento. Essa ideia só podia ser louvável.Só não esperávamos a falta de planejamento, organização, responsabilidade dos construtores e do governo estadual para executar as obras. 

Por Vicente Vuolo*
foto - ilustração/VLT Cuiabá
Em junho de 2011, defendi em artigo, a necessidade de se implantar o VLT em Cuiabá e Várzea Grande. Disse, na ocasião, que deveríamos seguir o exemplo de várias grandes cidades brasileiras, oferecendo aos usuários cuiabanos a mesma qualidade existente em diversos países da Europa.
Naquela oportunidade, a expectativa era grande com a realização da Copa do Mundo em 2014. O otimismo tomou conta da maioria da população porque afinal, teríamos um transporte que garante o fluxo de um grande número de pessoas utilizando menos energia poluente, diminui a emissão de gases tóxicos na atmosfera e evita qualquer tipo de engarrafamento. Essa ideia só podia ser louvável.
Só não esperávamos a falta de planejamento, organização, responsabilidade dos construtores e do governo estadual para executar as obras. Logo se viu uma enxurrada de lançamentos de canteiros de obras para todo lado, obstruindo ruas, modificando trânsito e causando enormes prejuízos ao comércio das duas maiores cidades do Estado, gerado pela falta de cronograma preciso do término de cada setor anunciado: Aeroporto, Porto, Avenida do CPA e Coxipó da Ponte.
Passados quatro anos, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. De quem é a culpa? Alguém será responsabilizado pelos danos causados? As empresas que aceitaram cumprir uma meta impossível de acontecer serão premiadas com a continuidade das obras? Uma brincadeira de mau gosto que causou prejuízos incalculáveis a população e até falências no comércio local.
Esta semana, o Juiz Ciro de Andrade Arapiraca, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, concedeu prazo de cinco dias para o Governo do Estado se manifestar sobre o contrato firmado com o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, que está suspenso judicialmente desde o final de fevereiro.
Uma vergonha! Que só acontece no Brasil. Por que isso não ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos da América? Porque, naquele país, a falta de cumprimento da legislação pune exemplarmente os culpados com ressarcimento ao erário e com cadeia. Aqui, estamos esperando o quê? Premiar quem?
Uma obra dessa magnitude não pode ser prejudicada por quem quer que seja. O VLT é primordial. Mas, isso não significa que pode ser construído de qualquer jeito e no prazo que quiser.
Precisamos aprimorar nossas leis e também a forma de interpretar a legislação existente. Tarefa para o Legislativo e para o Judiciário. Mas também não podemos ficar eternamente esperando que esses Poderes tomem a iniciativa. Quando há prejuízo à população, como é o caso que citei algo deve ser feito. O Ministério Público e o Judiciário devem ler e compreender a lei à luz dos direitos da população. Isso se fundamenta no conceito do Estado Democrático de Direito, a base de nossa Constituição.
Simplesmente parar uma obra de interesse público por causa de corrupção e desvios não é a solução. A população não pode pagar várias vezes ou ser penalizada recorrentemente.
*Vicente Vuolo é economista,cientista político e analista legislativo  do Senado Federal.
e-mail - vicente.vuolo10@gmail.com
Fonte - Vicente Vuolo  20/08/2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Transoceânica existe!

Opinião

Trata-se da antiga Estrada de Ferro Araraquarense, que foi incorporada a Fepasa, depois privatizada e hoje nas mãos da ALL/RUMO. Ferrovia moderna, de bitola larga, dormentes de concreto, ecologicamente correto e alta durabilidade, que já está em operação ligando o Porto de Santos, passando por São Paulo atravessando a ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná entre Rubinéia (SP) e Aparecida do Taboado (MS), Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis. 

* Vicente Vuolo
encontraararaquara
Causou-nos surpresa e espanto o anúncio da construção de uma Ferrovia Transoceânica, que ligaria o Atlântico ao Pacífico, partindo do Porto do Açu (Rio de Janeiro) passando por Corinto (MG), Uruaçu (GO), Lucas do Rio Verde (MT), Porto Velho até o Peru.
O Ministério dos Transportes e do Planejamento deixaram de lembrar a Presidente Dilma que já existe uma ferrovia ligando o Atlântico ao Centro-Oeste. Aliás, a nossa Presidente esteve no ano passado em Rondonópolis inaugurando o Terminal da Ferrovia, onde prestou uma homenagem ao ex-senador Vuolo. Trata-se da antiga Estrada de Ferro Araraquarense, que foi incorporada a Fepasa, depois privatizada e hoje nas mãos da ALL/RUMO. Ferrovia moderna, de bitola larga, dormentes de concreto, ecologicamente correto e alta durabilidade, que já está em operação ligando o Porto de Santos, passando por São Paulo atravessando a ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná entre Rubinéia (SP) e Aparecida do Taboado (MS), Alto Taquari, Alto Araguaia, Itiquira e Rondonópolis. São quase 2 mil quilômetros de ferrovia que não podem ser ignorados.
Seria mais racional não só interligar a ferrovia dos portos de São Paulo (Santos) ao Rio de Janeiro (Açu e Sepetiba) e continuar a construção até Cuiabá fazendo uma bifurcação para Porto Velho (ligando a hidrovia do Madeira) e Cuiabá – Santarém (ligando a hidrovia do Amazonas) como prevê o projeto original.
O projeto da ferrovia São Paulo-Cuiabá foi enaltecido por Euclides da Cunha, há mais de 100 anos, como o caminho mais curto para ligar o Atlântico ao Pacífico. Em seu livro “Contrastes e Confrontos” o escritor já defendia naquela época a construção da ponte: “mercê de uma ponte de 800 metros sobre o grande rio, a travessia entre Jaboticabal e Cuiabá será feita folgadamente em 8 dias... se isso não acontecer, decididamente, porque nos falta um grande engenheiro, um grande empresário e um grande presidente”. Após 50 anos, o ilustre mato-grossense Vicente Emílio Vuolo abraçou esse ideal apresentando na Câmara dos Deputados o projeto 312-A, que incluiu no Plano Nacional de Viação a ligação ferroviária São Paulo-Rubinéia-Aparecida do Taboado-Rondonópolis-Cuiabá, por meio da construção da ponte rodoferrovia sobre o Rio Paraná. Esse projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente Geisel, transformado na Lei nº 6.376/76. É importante salientar que a largura da ponte passou de 800 para 3.600 metros devido à construção da barragem de Ilha Solteira e a formação do grande lago.
O cuiabano, ex-senador Vuolo, nascido no Distrito de Coxipó da Ponte foi totalmente incompreendido na época. Foi chamado “louco”, “doido varrido” pelo projeto “utópico”. Chegaram a pixar os muros de Cuiabá. Era motivo de piadas! Mas, ele nunca se abateu. E, mesmo, lutando contra um câncer mobilizou políticos, empresários, trabalhadores dos três Estados (SP, MT e MS) com reuniões, simpósios, manifestos e encontros no local da ponte, numa luta suprapartidária. E viu, em vida, a chegada dos trilhos em Alto Taquari. Sua luta incansável pelos trilhos até Cuiabá teve o reconhecimento da AMOP (Associação dos Municípios do Oeste Paulista composta por 35 municípios) que conferiu o Título de Senador Honorário do Oeste Paulista. Foi denominada, também, por iniciativa do Deputado Wilson
Santos, Ponte Rodoferroviária Senador Vuolo (parte ferroviária) Lei sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Ferrovia Senador Vuolo o trecho que cruza o Estado de Mato Grosso, sancionado pelo ex-governador Dante de Oliveira.
Com um histórico de lutas e a partir da visão de futuro de alguns grandes brasileiros, a ligação entre o Atlântico e o Pacífico já está em construção. Não tem sentido algum fazer-se uma ferrovia paralela. Muito mais econômico e rápido seria concentrar esforços na conclusão da ferrovia que já está aí.
*Vicente Vuolo é economista,cientista político e analista legislativo do Senado Federal
Enviado por e-mail - Vicente Vuolo  28/05/2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

São Vicente sobre trilhos, por Vicente Vuolo

Transportes sobre trilhos

São Vicente, a primeira vila do país oficialmente, fundada em 22 de janeiro de 1532 pelo português Martim Afonso de Souza  passou a operar desde o último dia 27 de abril o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O início da operação do VLT representa um marco, também, na história da cidade. Além do charme característico do trenzinho elétrico, coloca São Vicente num patamar “sui generis” para desenvolver o seu alto potencial turístico de belas praias e de patrimônio histórico.

Vicente Vuolo*
foto - ilustração
Mais uma cidade histórica brasileira aderiu ao transporte ferroviário. São Vicente, a primeira vila do país oficialmente, fundada em 22 de janeiro de 1532 pelo português Martim Afonso de Souza - passou a operar desde o último dia 27 de abril o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).
Por um longo período se discute a exatidão da data de fundação da cidade de São Vicente. Vários Franceses e Espanhóis, dizem que ali já era povoado em 1516, baseado nas fabulosas histórias contadas por Aleixo Garcia. Já o padre Jaboatão afirma que Martim Afonso chegou em 1525, todavia nem os Portugueses nem ninguém conseguiu satisfatoriamente definir a exata data de sua fundação.
A falta de registros confiáveis impede que se saiba ao certo o que aconteceu no final de 1541. Uma “onda gigante” teria arrasado o lugar. O cataclismo que atingiu a Vila foi relatado por Frei Gaspar da Madre de Deus no século 18, com base nas atas da Câmara. Lendo os textos, o religioso descobriu e registrou: “Hoje é mar o sítio onde esteve a Vila”.
A origem do seu nome remonta no ano de 325, na cidade espanhola de Huesca, então Província de Saragoza. Lá nasceu Vicente, padre dedicado que se destacava por seu trabalho, tanto que o Bispo de Saragoza Valério lhe confiou à missão de pregador cristão e doutrinador catequético. O Padre Vicente foi condenado pelo imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos na Espanha. O martírio sofrido por Vicente foi brutal com gravetos fincado entre unhas e colocado sobre uma grelha de ferro para ser queimado aos poucos. Mesmo assim, Vicente não negou a fé cristã. Seu corpo foi jogado às aves de rapina. Os relatos dão conta que uma delas, um corvo, espantava as outras aves, evitando a aproximação das demais. Os carrascos decidiram, então, jogá-lo ao mar
O corpo de Vicente foi resgatado por cristãos, que o sepultaram em uma capela perto de Valência, na Espanha. Depois, seus restos mortais foram levados à Abadia de Castes, na França, onde foram registrados milagres. Em seguida, foram levados para Lisboa, na Catedral da Sé, onde estão até hoje. Vicente foi canonizado e recebeu o nome de São Vicente Mártir, hoje Santo Padroeiro de São Vicente e de Lisboa.
A cidade de São Vicente tem como base o descobrimento do Brasil e a sua condição histórica antiga. Por isso, detém o título de “Cidade Monumento da História Pátria” ou de “Cellula Mater da Nacionalidade”. Todo dia 22 de janeiro, é comemorado o aniversário da cidade, cujo ponto alto do evento é a encenação da Vila de São Vicente, onde se reafirma sua condição histórica.
O exemplo de São Vicente deve ser seguido por outras cidades históricas como a capital de Mato Grosso, prestes a completar 300 anos. Que sirva de inspiração, também, para concluir as obras rapidamente do VLT de Cuiabá - Várzea-Grande, mal administrado e atrasado, e com denúncias de corrupção. Que os erros de alguns (que devem ser punidos de maneira exemplar) não impeçam de circular o transporte, que é um dos mais eficientes do mundo.
Que o valor histórico da cidade celebrado todos os anos insira na mente de cada brasileiro como é importante cultuar o nosso passado, mas pensar no futuro.
O início da operação do VLT representa um marco, também, na história da cidade. Além do charme característico do trenzinho elétrico, coloca São Vicente num patamar “sui generis” para desenvolver o seu alto potencial turístico de belas praias e de patrimônio histórico. A primeira linha já está circulando ao longo de sete estações: Mascarenhas de Moraes, São Vicente, Emmerich, Nossa Senhora das Graças, José Monteiro, Itararé e João Ribeiro fazem parte do trecho Barreiros-Porto. O percurso de 6 km é percorrido em 24 minutos. A velocidade média inicial é de 20km/h.
Na publicidade da EMTU (empresa que administra o VLT) está escrito: “Já em operação há alguns anos em cidades europeias com excelentes resultados, o Veículo Leve Sobre Trilhos tem emissão zero de poluentes. Interage com o meio urbano de maneira amigável, circulando ao nível das ruas, preservando o patrimônio histórico e colaborando para a revitalização urbanística das vias por onde passa”. Será que precisamos de mais estímulo para fazer o nosso, em Cuiabá?
*Vicente Vuolo,economista,cientista político e analista legislativo do Senado Federal
Fonte - Diário de Cuiabá  14/05/2015