UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Relatório da ONU alerta sobre necessidade de melhorias na habitação

Habitação

Segundo os dados  no relatório das ONU divulgado na Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, a Habitat 3,que acontece no Equador entre os dias 17 e 20 de outubro,cerca de 40% do crescimento urbano em todo o mundo, hoje,ocorre em favelas.

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Rovena Rosa/Agência Brasil
Cerca de 40% do crescimento urbano em todo o mundo, hoje, ocorre em favelas. Quase um bilhão de pessoas vivem em favelas urbanas ou assentamentos informais. Os dados estão no relatório das ONU divulgado na Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável, a Habitat 3, que acontece no Equador entre os dias 17 e 20 de outubro.
“Em muitas favelas, o acesso a serviços básicos, como educação e cuidados de saúde, é extremamente limitado. Nestas áreas, intervenções simples, mas eficazes, tais como telhados com isolamento, iluminação solar e aquecimento solar de água podem melhorar o nível de vida e reduzir os impactos de ondas de calor e condições meteorológicas extremas”, registra o documento.
O relatório lembra ainda que as taxas de doença e morte prematura são significativamente mais altas entre os grupos mais pobres e marginalizados das sociedades, incluindo moradores de favelas e assentamentos informais.
A Habitat 3 faz parte do ciclo de conferências mundiais periódicas para debater temas relativos à habitação e ao desenvolvimento urbano. A primeira conferência da série ocorreu em 1976. Entre os participantes estão governos nacionais, regionais e locais, ONGs, acadêmicos, profissionais de pesquisa e do setor privado, entre outros.
Fonte - Agência Brasil  19/10/2016

segunda-feira, 2 de março de 2015

Moradores de favelas movimentam R$ 68,6 bilhões por ano, mostra estudo

Economia

A pesquisa mostra ainda que o aumento da renda média, proporcionado principalmente pelo crescimento real do salário mínimo e do emprego formal, Os dados preliminares do estudo, divulgados hoje (2), indicam que, em 2015, 75% das casas têm máquina de lavar roupas. No levantamento de 2013, o índice era 69%. 

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil 
Pesquisa Data Favela mostra situação econômica de moradores.
 Na foto, a comunidade da Rocinha, localizada
na zona sul do Rio Tomaz Silva/Agência Brasil
Os moradores de favelas movimentam R$ 68,6 bilhões por ano, segundo pesquisa do Data Favela, feita com o apoio do Data Popular e da Central Única das Favelas (Cufa). A pesquisa mostra ainda que o aumento da renda média, proporcionado principalmente pelo crescimento real do salário mínimo e do emprego formal, tem permitido que os 12,3 milhões de pessoas que vivem nessas comunidades participem do mercado de consumo.
Os dados preliminares do estudo, divulgados hoje (2), indicam que, em 2015, 75% das casas têm máquina de lavar roupas. No levantamento de 2013, o índice era 69%. Em relação à posse de TV de plasma, LED ou LCD, os aparelhos estão presentes em 67% das residências, contra 46% em 2013. O estudo revela ainda que subiu de 20% (em 2013) para 24% o percentual de moradores que têm carro.
Também cresceu, no entanto, o número de moradores de favelas endividados. Em 2013, 27% deles tinham dívidas, em 2015 são 35%. A faixa etária entre 35 e 49 anos tem o maior percentual de endividados, 45%. A inadimplência ficou no mesmo nível: 22% têm contas atrasadas há mais de 30 dias, 53% dizem que está difícil manter as contas em dia e 80% têm medo da inflação.
A pesquisa foi feita, em fevereiro deste ano, com base em 2 mil entrevistas de moradores de 63 favelas, em dez regiões metropolitanas – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. A pesquisa completa será divulgada amanhã (3) no 2º Fórum Nova Favela Brasileira, no Complexo Ohtake Cultural, zona oeste da capital paulista.
Fonte - Agência Brasil  02/03/2015

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Haddad garante que moradores de favela incendiada terão suas casas no mesmo local

Política

Prefeito de São Paulo prometeu construir 500 apartamentos, em dois anos, para reassentar famílias da comunidade do Piolho. Nesse tempo, eles poderão optar por auxílio-aluguel ou permanência no terreno - Haddad repetiu várias vezes que não vai retirar os moradores do local e garantiu diálogo permanente

Rodrigo Gomes da RBA
RENATO MENDES/BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS
São Paulo – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), assumiu na manhã de hoje (12) o compromisso de que as famílias da favela do Piolho, no Campo Belo, zona sul da cidade, vão permanecer no local e de que serão ali construídos 500 apartamentos para acomodá-las. Ele determinou que o secretário municipal da Habitação, José Floriano Marques, instale hoje mesmo um escritório com funcionários da pasta e da Assistência Social para atender aos moradores. Um incêndio no domingo (7) deixou ao menos 640 famílias desabrigadas – algumas só com a roupa do corpo.
O prefeito afirmou que a construção das moradias vai levar cerda de dois anos. O dinheiro, segundo Haddad, está garantido e virá da Operação Urbana Água Espraiada que, embora não pretendesse desapropriar a área da favela do Piolho inicialmente, já tinha seus moradores contados nas ações de realocação. A área a ser desapropriada tem cerca de 7 mil metros quadrados e começou a ser ocupada nos anos 1970. A prefeitura já tem reservados R$ 300 milhões para realizar a medida.
“A lei (da Operação Urbana) garante o direito de vocês permanecerem aqui. Vamos desapropriar o terreno e construir as moradias aqui mesmo. Sem expulsar ninguém como se fez no passado”, afirmou Haddad.
Questionado se isso não infringiria a ordem do cadastro municipal para moradias, Haddad explicou que as ações habitacionais da Operação Urbana não se relacionam com o cadastro municipal, pois estão regidas por legislação própria.
O valor da obra ainda não está definido. Floriano espera que em 90 dias o projeto e as licenças para início dos trabalhos sejam concluídos. O secretário lembrou que embora as famílias prioritárias sejam as afetadas pelo incêndio, toda a comunidade do Piolho vai receber moradias próprias no andamento da Operação Urbana.
Haddad conversou por cerca de uma hora com os moradores e definiu com eles o atendimento que será prestado pela prefeitura. O escritório receberá os moradores para fazer o cadastramento e eles poderão optar por permanecer na área ou sair dela e receber auxílio-aluguel no valor de R$ 400, “até que as chaves sejam entregues”, frisou o prefeito. O primeiro depósito do auxílio, com adiantamento de três meses (R$ 1.200) deve ser liberado em dez dias.
MAURICIO CAMARGO/ELEVEN/FOLHAPRESS
Incêndio destruiu ao menos 600 barracos. O fogo se alastrou rápido e as famílias não conseguiram retirar seus pertencesQuem optar pela permanência vai ser acompanhado por engenheiros da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), que vão dividir o terreno em quatro partes e determinar onde as pessoas podem reocupar, sem afetar o andamento da obra ou implicar riscos à segurança. Nessa caso, as famílias vão construir as moradias por conta própria. A construção dos apartamentos será feita em outra parte do terreno e, quando concluída, vai receber os moradores ocupantes, para que o empreendimento possa ser realizado na parte restante.
Haddad se comprometeu a manter diálogo permanente com a população e disse que ela poderá monitorar o processo passo a passo. “Vamos voltar aqui quantas vezes forem necessárias. Faço questão que vocês acompanhem.”
Estão em processo de desapropriação outros 200 terrenos na região abrangida pela Operação Urbana. O objetivo é construir oito mil moradias para abrigar as famílias removidas das favelas do complexo Alba e outras ao longo da avenida Jornalista Roberto Marinho. Mas caso não seja possível a permanência de todos os moradores que desejem ficar no terreno da favela do Piolho, a administração municipal vai avaliar a possibilidade de encaminhá-las a uma dessas áreas.
Já no caso do auxílio-aluguel, as famílias poderão fazer contratos informais com familiares ou amigos, pois o prefeito admitiu que o valor é baixo para alugar uma casa na região. No Campo Belo, o preço do metro quadrado construído chega a R$ 11 mil e o aluguel de um cômodo não sai por menos que R$ 500. “Vamos discutir esse valor no Conselho Gestor da Operação Urbana Água Espraiada, pois existe uma proposta de o valor ser aumentado para R$ 600”, ponderou Haddad.
O auxílio-aluguel divide opiniões, pois muitas pessoas temem a irregularidade do pagamento, problema bastante comum. No entanto, algumas famílias estão dispostas a receber, como a de Fábio Teixeira, que vive com a esposa Fabiana e as filhas Giovana e Gabriela. “Só não queremos ir parar no fim do mundo. Nossa vida está organizada aqui. Eu já vim do Eldorado (bairro no extremo sul da cidade) para cá porque não tinha condições de ir de lá para a Avenida Paulista trabalhar”, explicou.
Mesmo assim, os moradores se sentiram contemplados pela proposta. “Eu moro aqui desde que nasci e não quero deixar este lugar. A gente já ouviu muita coisa e nada se cumpriu. Temos fé que vai acontecer e esperamos que o prefeito não nos decepcione”, disse Natália Santos, de 19 anos, grávida do primeiro filho.
O prefeito também se comprometeu a solicitar ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) que um posto de atendimento móvel do Poupatempo fique disponível no local para que as famílias façam as segundas vias dos documentos perdidos no incêndio.
Na saída, Haddad foi convidado a conhecer uma das cozinhas comunitárias construídas pelos moradores para concentrar as doações de alimentos e garantir que todos façam as refeições. Tomou café e comeu pão com margarina, acompanhado do secretário Floriano e do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que também foi ver a situação da comunidade.
Desde o incêndio, os moradores estão vivendo em barracas improvisadas nas calçadas do entorno. Eles vêm acumulando doações de roupas, mantimentos e materiais – madeira, lonas, pregos – para reconstruir as moradias. Muitos não têm conseguido ir trabalhar e as crianças não estão indo para a escola.
Fonte - RBA (Rede Brasil Atual)  12/09/2014

sábado, 24 de agosto de 2013

FAVELA É CIDADE é tema de evento de debates no Complexo da Maré

Cidadania

Akemi Nitahara
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro – Com breves palestras de até 20 minutos sobre temas como desenvolvimento econômico e social, direitos humanos, política sobre drogas, cultura, ativismo digital e tecnologia em favor da cidadania, ocorreu hoje (24) o evento TEDxMaré, com o tema Favela É Cidade, no Complexo da Maré, na zona norte do Rio.
O objetivo foi debater questões relevantes para as pessoas que moram na comunidade, fazendo a inserção de questões ligadas à cidade e também temas globais. Líderes locais e pessoas com trajetória global apresentaram suas ideias para jornalistas, estudantes e moradores.
Um dos palestrantes foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que falou sobre o crescimento econômico do país, quase nunca acompanhado de desenvolvimento social e a opressão que os menos favorecidos têm conseguido superar nos últimos anos. Para ele, levar figuras públicas para dentro da comunidade é um caminho para inverter a ordem de poder. “Não tenho dúvida, é importante que eles saibam, aprendam, conheçam. Isso é uma democracia, o Brasil está avançando”.
O organizador do evento, Anderson França, lembra que foi a primeira vez que o evento independente de debates, normalmente voltado para universidades e intelectuais, foi organizado em uma favela. “Nunca houve um TEDx dentro de uma favela. A gente rompe esse paradigma, fazendo o evento dentro da favela, com gente importante de dentro da favela também, ativistas, midialivristas e traz uma pessoa que já dialoga com o nosso trabalho dentro das favelas. Trazer o Fernando Henrique é trazer alguém que está do outro lado mas que entende o que a gente tem feito, que não é ONG [organização não governamental], são pessoas se conectando e propondo novos modelos de trabalho, de ação e de conexão”.
Também participaram do evento representantes do coletivo Mídia Ninja; o capitão Leonardo Nogueira, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Mangueira; Leo Lima, fotografo da comunidade do Jacarezinho; o escritor Luis Fernando Guggenberger; o mobilizador social Romario Regis, entre outros.
O estudante de comunicação Igor Citrangulo, morador da Tijuca, na zona norte, assistiu às palestras e considera o evento agregador. “Acho que é importante ter mais eventos como esses em comunidades como essa, que são vistas como à margem da cidade. Ainda falta integração com os próprios moradores do local, mas é um trabalho de formiguinha, não vai ser mudado de uma hora para outra, essas ações têm que acontecer para que eles passem a ter interesse, passem a vir mais. Acho que o intuito de um evento como esse é agregar, porque a gente está em uma era em que não é mais para haver separação”.
Fonte - Agência Brasil  24/08/2013