Mostrando postagens com marcador SwissLeaks. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SwissLeaks. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Receita obtém informações detalhadas sobre brasileiros citados no SwissLeaks

Internacional

Os dados foram obtidos depois da visita de auditores à sede da Direction Générale des Finances Publiques (DGFiP) – administração tributária francesa, em Paris, no dia 31 de março, com a finalidade de colher informações sobre contribuintes brasileiros titulares de contas-correntes no HSBC na Suíça.

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
A Receita Federal obteve informações mais precisas sobre contribuintes brasileiros citados no caso SwissLeaks. De acordo com o Fisco, os dados foram obtidos depois da visita de auditores à sede da Direction Générale des Finances Publiques (DGFiP) – administração tributária francesa, em Paris, no dia 31 de março, com a finalidade de colher informações sobre contribuintes brasileiros titulares de contas-correntes no HSBC na Suíça. Desde fevereiro, a Receita acompanhava o caso e agora confirmou ter obtido informações mais detalhadas.
Com base em acordo para evitar a dupla tributação existente entre os dois países, 8.732 arquivos eletrônicos foram entregues à Receita Federal, cada um contendo um perfil de cliente brasileiro do banco suíço. Desde então, informou o órgão, os técnicos brasileiros estão trabalhando na correta identificação das pessoas físicas correntistas.
A Receita informou também que foram feitas 34.666 consultas aos cadastros referentes às diferentes combinações de nomes e datas de nascimento possíveis, resultando em 652.731 prováveis nomes dos titulares das contas. Depurados esses dados, foram efetivamente identificados como contribuintes brasileiros 7.243 correntistas pessoas físicas.
Após a identificação, os próximos passos são a identificação dos contribuintes com interesse fiscal, no período de 2011 a 2014, para posterior programação e fiscalização; continuidade das pesquisas das pessoas físicas/jurídicas não identificadas nesta depuração inicial, que correspondem a 1.129 nomes; continuidade das pesquisas para identificação dos correntistas pessoa jurídica e respectivas pessoas físicas relacionadas; identificação de contribuintes mortos e seus eventuais herdeiros; análise de vínculos entre os contribuintes identificados de forma a encontrar grupos de contribuintes relacionados para o tratamento em conjunto.
Na sequência, a Receita Federal trocará ainda informações com o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de modo a buscar elementos para identificar indícios de possíveis práticas de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro e aprofundar as investigações para, nos casos mais graves, acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Fonte - Agência Brasil  04/05/2015

quinta-feira, 26 de março de 2015

Cardozo diz que irá à CPI do HSBC e defende investigações fiscais e criminais

Política

A investigação jornalística sobre o caso, conhecida como SwissLeaks, é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Acredita-se inicialmente que houve sonegação e evasão fiscal por parte do banco e de alguns correntistas com contas na Suíça.
"Jamais me furtarei a atender a um convite do Congresso Nacional.

Vladimir Platonow 
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse hoje (26), no Rio de Janeiro, que atenderá ao convite feito por integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar possíveis crimes financeiros e fiscais a partir de contas abertas por brasileiros no Banco HSBC da Suíça.
A investigação jornalística sobre o caso, conhecida como SwissLeaks, é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Acredita-se inicialmente que houve sonegação e evasão fiscal por parte do banco e de alguns correntistas com contas na Suíça.
"Jamais me furtarei a atender a um convite do Congresso Nacional. Irei sempre que convidado, a quaisquer comissões ou mesmo ao plenário. É um dever do governante prestar contas ao Poder Legislativo. No caso do HSBC, existiriam cerca de 8 mil brasileiros, segundo a imprensa, que teriam contas no HSBC da Suíça. Nós não sabemos se são legais ou ilegais ou que contas são", disse Cardozo, após reunião com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, para tratar do combate a grupos de milicianos e traficantes que têm invadido conjuntos residenciais do Programa Minha Casa, Minha Vida.
Cardozo destacou que o governo brasileiro requisitou informações oficiais dos governos francês e suíço sobre essas contas bancárias. Ele disse que, diante da possibilidade de existirem brasileiros com contas ilegais em um banco estrangeiro, sem a devida declaração à Receita Federal, "entramos em contato com o governo francês, uma vez que esses dados saíram da Suíça e foram para a França, bem como entramos em contato com a Suíça. Há uma firme disposição do governo francês de, com rapidez, atender ao pedido, e que os dados sejam encaminhados ao Brasil".
O ministro explicou que tão logo as informações cheguem, elas serão confrontadas com as declarações dos contribuintes, para checar sua legalidade. "Assim que esses dados chegarem, serão encaminhados à Polícia Federal e à Receita Federal para que façam o exame dos nomes, a confrontação das respectivas declarações de rendimento, para verificar se as contas são legais ou ilegais. No caso de existirem ilegalidades, seguramente teremos uma parte que será apurada pela Receita Federal, por força dos delitos fazendários, e outra parte criminal, que poderia, em tese, envolver crimes de evasão de receita e lavagem de dinheiro."
Cardozo defendeu que haja celeridade nas investigações, e disse que "o governo tem total interesse, o dever, de fazer o possível para obter esses dados e fazer a investigação. Se há indício de crimes, cabe ao governo apurar e agir com a máxima rapidez para que isso seja esclarecido".
Ele comentou também que a Operação Zelotes, deflagrada hoje contra fraudadores da Receita Federal, incluindo integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – o antigo Conselho de Contribuintes da Receita, vinculado ao Ministério da Fazenda – e escritórios de advocacia e de contabilidade, "foi uma operação da Polícia Federal [PF], com absoluta autonomia. Esta é uma etapa desta investigação".
Quanto aos crimes praticados por milicianos e traficantes contra moradores do Minha Casa, Minha Vida, o ministro informou que haverá uma operação conjunta, com a participação da PF e das polícias do Rio. O objetivo é identificar e prender os criminosos que, em diversos casos, têm aterrorizado moradores dos conjuntos habitacionais, que são obrigados a deixar os imóveis, sob ameaça de morte.
Fonte - Agência Brasil  26/03/2015

terça-feira, 24 de março de 2015

Senado instala CPI do HSBC

Política

Com 11 membros e prazo de 180 dias para concluir os trabalhos, a comissão terá o objetivo de investigar quantos correntistas brasileiros do banco, entre os mais de 8 mil, cometeram crime de evasão fiscal.A CPI deve primeiramente, identificar qual são as falhas desse sistema tributário brasileiro que possibilita uma provável evasão fiscal desse tamanho”, disse Randolfe.

Karine Melo
Repórter da Agência Brasil 
foto - ilustração
Os senadores Paulo Rocha (PT-PA) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) serão, respectivamente, presidente e vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do HSBC no Senado. Eles foram eleitos, por aclamação, na manhã desta terça-feira (23). O relator da comissão será o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).
Com 11 membros e prazo de 180 dias para concluir os trabalhos, a comissão terá o objetivo de investigar quantos correntistas brasileiros do banco, entre os mais de 8 mil, cometeram crime de evasão fiscal.
“Mais do que ser uma caça às bruxas, ela [a CPI] deve, primeiramente, identificar qual são as falhas desse sistema tributário brasileiro que possibilita uma provável evasão fiscal desse tamanho”, disse Randolfe.
O senador, que também é autor do pedido de criação da CPI, adiantou que vai protocolar ainda hoje na secretaria da comissão vários requerimentos para ouvir autoridades da Receita Federal, do Ministério Público e de jornalistas.
Para o relator, senador Ricardo Ferraço, além da sonegação de impostos, são várias as possibilidades de crimes associados aos depósitos milionários de brasileiros em contas numeradas na Suíça, que somam aproximadamente US$ 7 bilhões, segundo as primeiras estimativas do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.
“A lavagem de dinheiro pode estar ligada a episódios de corrupção, como os apurados na Operação Lavo Jato, da Polícia Federal, envolvendo contratos com a Petrobras. Essa é uma das hipóteses. Isso já mostra a importância do trabalho desta Comissão Parlamentar de Inquérito, em parceria necessária, evidentemente, com a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, Ministério Público Federal, a Polícia Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras e, eventualmente, até com alguns organismos internacionais, que poderão nos ajudar na elucidação desses fatos”, destacou Ferraço.
O presidente do colegiado, senador Paulo Rocha, disse que vai presidir a comissão com equilíbrio e responsabilidade. O senador foi um dos investigados pela Ação Penal 470, o processo do mensalão, quando era deputado federal, e foi absolvido por lavagem de dinheiro pelo Supremo Tribunal Federal. Por isso, Rocha disse que terá muito cuidado na condução dos trabalhos.
“É um processo para a classe política muito tentador, mas tem consequências graves para as pessoas envolvidas. Digo isso porque, desde 2005, vivi e senti isso na pele. Passei por um processo de investigação e de julgamento muito forte que teve consequência na minha carreira política e na minha vida pessoal, dado essa coisa do julgamento espetacular, sem direito de ampla defesa de cada um”, disse o presidente da CPI.
Na próxima quinta-feira (25) a comissão volta a se reunir às 8h30 para discutir um plano de trabalho.
Fonte - Agência Brasil  24/03/2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

SwissLeaks: lista do HSBC inclui doleiros

SwissLeaks

Na base de dados do HSBC suíço vazada em 2008 por um ex-funcionário do banco aparecem os nomes de Henrique José Chueke e sua filha, Lisabelle Chueke, Favel Bergman Vianna, Oscar Frederico Jager, Benjamin Katz, Dario Messer, Raul Henrique Srour e Henoch Zalcberg.Todos os citados nas planilhas do HSBC suíço encontrados pela reportagem de O Globo afirmaram que não são doleiros.

Da Agência Brasil 
foto - ilustração
Na lista dos 8.667 brasileiros com contas numeradas no HSBC da Suíça em 2006 e 2007 aparecem sete doleiros envolvidos em casos anteriores de corrupção no Brasil e a filha de um deles. Segundo publicação do jornal O Globo, em todos os episódios eles foram investigados pela suspeita de terem operado dinheiro de origem duvidosa e acobertado operações financeiras ilegais. Os citados negam irregularidades.
Na base de dados do HSBC suíço vazada em 2008 por um ex-funcionário do banco aparecem os nomes de Henrique José Chueke e sua filha, Lisabelle Chueke, Favel Bergman Vianna, Oscar Frederico Jager, Benjamin Katz, Dario Messer, Raul Henrique Srour e Henoch Zalcberg.
Todos os citados nas planilhas do HSBC suíço encontrados pela reportagem de O Globo afirmaram que não são doleiros. Eles também negaram ter cometido qualquer irregularidade na realização de operações financeiras ou não quiseram fazer comentários sobre as contas ao jornal.
A investigação jornalística sobre o caso, conhecida como SwissLeaks, é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. As investigações dão conta, até o momento, de que houve sonegação e evasão fiscal por parte do banco e de alguns correntistas.
Ter uma conta numerada no exterior não pressupõe crime. Isso só ocorre quando o contribuinte não declara à Receita Federal e ao Banco Central que mantém valores fora do país. Nesse caso, o cidadão pode ser processado por evasão de divisas e sonegação fiscal.
Na Receita, está em andamento uma investigação sobre a origem dos recursos de brasileiros com contas numeradas no HSBC suíço.
Fonte - Agência Brasil  20/03/2015

sábado, 14 de março de 2015

SwissLeaks: lista de correntistas do HSBC revela donos de jornais brasileiros

Notícias

O caso que está sendo chamado de SwissLeaks, em alusão ao WikiLeaks, que publica em sua página na internet dados de governos e organizações que considera de interesse dos cidadãos. A lista do HSBC foi divulgada pelo International Consortium of Investigative Journalism (Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo) e pode indicar fraude fiscal.

Da Agência Brasil 
foto - ilustração/R7.com
Matéria publicada hoje (14) no jornal O Globo informa que na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça aparecem donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas. A Receita Federal está de olho na relação de nomes e já informou que continua trabalhando com o objetivo de aumentar as medidas de cooperação internacional necessárias para obter de autoridades europeias a lista oficial e integral dos contribuintes brasileiros suspeitos de ter contas na subsidiária do banco HSBC na Suíça.
O caso que está sendo chamado de SwissLeaks, em alusão ao WikiLeaks, que publica em sua página na internet dados de governos e organizações que considera de interesse dos cidadãos. A lista do HSBC foi divulgada pelo International Consortium of Investigative Journalism (Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo) e pode indicar fraude fiscal.
A matéria é baseada em levantamento feito pelo próprio jornal, em parceria com o portal UOL, pertencente ao Grupo Folha, com base em documentos oficiais que foram vazados pelo ex-funcionário do banco, Hervé Falciani. A investigação jornalística é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.
De acordo com o jornal, há ao menos 22 empresários do setor e sete jornalistas brasileiros entre os correntistas do HSBC suíço.
Na lista, divulgada pelo jornal, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha. Tiveram conta conjunta naquela instituição os empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho já falecidos. Luiz Frias, atual presidente da Folha e do UOL, aparece como beneficiário da mesma conta, criada em 1990, e encerrada em 1998.
Integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram vazados. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad e da empresária Maria Helena Saad Barros, também falecidos, e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.
Outro nome que aparece na lista obtida pelo jornal é de Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho, ex-proprietário do Diário Carioca, e Roberto Marinho, dono das Organizações Globo. Os dois estão mortos. Lily de Carvalho morreu em 2011.
Na lista do jornal consta ainda Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do extinto jornal Gazeta Mercantil, e integrantes do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do Diário do Nordeste. Constam na lista do HSBC, Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz. Edson Queiroz Filho, que morreu em 2008, também surge como beneficiário de uma das contas.
O jornal revela ainda que na lista estão Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário das rádios Scalla, Tupi, Kiss, entre outras, e João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná.
O levantamento de O Globo e do UOL indica ainda Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, da TV e da rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete.
O apresentador Ratinho (Carlos Roberto Massa), dono da Rede Massa (afiliada ao SBT no Paraná), foi outro que teve conta no HSBC da Suíça. A lista inclui ainda Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica) e sete jornalistas: Arnaldo Bloch (O Globo), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines. Finaliza a lista divulgada pelo O Globo, o radialista Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádio Jovem Pan. Alberto Dines, pai de quatro dos jornalistas citados, informou que três dos seus filhos moram há anos no exterior e não são obrigados a declarar ao Fisco brasileiro.
Procurados, os empresários de mídia e jornalistas que aparecem na lista do HSBC negaram a existência das contas numeradas na Suíça ou qualquer irregularidade. O Grupo Folha e a família de Octavio Frias de Oliveira informaram “não ter registro da referida conta bancária e manifestam sua convicção de que, se ela existiu, era regular e conforme à lei”. O Grupo Bandeirantes, de João Jorge Saad, informou, por meio de sua assessoria, que “não vai comentar o assunto”.
Sobre a conta de Lily de Carvalho, viúva dos jornalistas Horácio de Carvalho e Roberto Marinho, o Grupo Globo não comenta. Pelo Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares, Lenise Queiroz Rocha afirmou desconhecer a existência da conta. Luiz Fernando Ferreira Levy, ex-presidente da Gazeta Mercantil, disse que não tinha conta.
A família de Dorival Masci de Abreu, que era proprietário da rede CBS de rádios, disse, por meio de assessoria, que não se manifestará.
Julieta, mulher de João Lydio Seiler Bettega, da Curitiba e Ouro Verde FMs, afirmou que o casal nunca teve conta na Suíça e que é correntista do banco em Curitiba. Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, foi procurado por e-mail enviado para sua diretoria dele, mas não respondeu.
Anna Bentes, mulher de Adolpho Bloch, não foi encontrada. O Grupo Massa, de Ratinho, afirmou que todos os bens e valores de Carlos Roberto Massa e Solange Martinez Massa foram devidamente declarados. O Grupo Alfa, de Aloysio de Andrade Faria, afirmou que não tinha “nada a declarar”.
O jornalista Arnaldo Bloch afirmou que nunca teve conta no HSBC, no Brasil ou no exterior. Já o jornalista José Roberto Guzzo disse que “nunca teve conta no HSBC da Suíça em qualquer outra época”. Mona Dorf, da Jovem Pan, foi procurada, por meio de sua assessoria, mas não respondeu.
O jornalista Fernando Vieira de Mello afirmou que nem ele nem o pai foram titulares de conta no HSBC suíço.
Fonte - Agência Brasil  14/03/2015

domingo, 1 de março de 2015

Escândalo bancário global reacende debate sobre papel social da internet

Comunicação

Caso apelidado de 'Swissleaks' aprofunda discussão iniciada em episódios denunciados por Assange e Snowden.Nos casos das denúncias feitas pela web por Assange, Nuzzi, Snowden e Falciani, a maior discussão se dá em torno do que seria um aparente conflito entre dois direitos fundamentais: o Direito à Privacidade e a Liberdade de Expressão

DN
foto - Reutrs
Imagine um banco multinacional com milhões de clientes, em praticamente todos os países do mundo. Considere, no entanto, que esse banco mantém dezenas de milhares de contas secretas em uma de suas unidades.
Pense ainda que um funcionário tenha acesso aos dados dessas milhares de contas e os traga a público. Acrescente à trama, um website, criado e mantido por jornalistas do mundo inteiro, que se debruça sobre esses dados e revela que entre esses correntistas há desde monarcas até pessoas envolvidas com crimes como tráfico de drogas. Parece, mas essa não é uma história narrada em um dos filmes que concorreu ao Oscar, no domingo passado.
O fato real envolveu o banco britânico HSBC Private Bank, em uma de suas filiais suíças, mais precisamente na cidade de Genebra. Os dados divulgados são referentes a 106 mil correntistas ao redor do mundo, dos quais cerca de 8,6 mil são residentes no Brasil, no período entre 2006 e 2007. No total, essas contas até então secretas, somavam respectivamente US$ 100 bilhões e US$ 7 bilhões.
O denunciante é o especialista em sistemas de computador, Hervé Falciani, um franco-italiano (apesar de ter nascido em Mônaco), que trabalhava para o banco e chegou a ser detido na Suíça por suspeita de ter roubado informações bancárias sigilosas. Liberado, ele fugiu para a França e em 2008 entregou os dados a que teve acesso às autoridades daquele país.
Poucos anos depois, o Fisco francês cedeu o material ao jornal Le Monde que compartilhou o conteúdo com o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), algo como Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.
A equipe da associação jornalística analisou os dados brutos sobre as contas durante meses, até que no início de fevereiro, começou a publicar reportagens revelando alguns nomes por trás delas, entre eles o do piloto de Fórmula 1, Fernando Alonso, o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, e o dos reis Mohammed VI e Abdullah II, do Marrocos e da Jordânia, respectivamente.

Impacto no Brasil
No Brasil, o jornalista Fernando Rodrigues, integrante do ICIJ, também revelou que nomes citados na Operação Lava-Jato, empresários do setor rodoviário, banqueiros e industriais do setor têxtil mantinham contas no HSBC de Genebra.
A repercussão do caso no País, em parte ofuscada pelas investigações sobre suposto esquema de corrupção na Petrobras, motivou a articulação de parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A primeira manifestação partiu do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RJ), que solicitou ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República a apuração sobre eventuais crimes fiscais cometidos por brasileiros, através dessas contas secretas. Na quinta-feira (26), foi a vez do deputado federal cearense Chico Lopes (PCdoB) apresentar requerimento de informações ao Ministério da Justiça.
"Nós sabemos que o banco, lícita ou ilicitamente, recebeu esse dinheiro. É um escândalo de caráter internacional. O Brasil tem quase dez mil pessoas na mira dessa investigação. Nós fizemos um requerimento solicitando uma consulta ao Banco Central. Eles terão 30 dias para nos informar o que dispõem", explicou o comunista.
No mesmo dia, só que no Senado, a discussão foi mais adiante. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) coletou cerca de 30 assinaturas, número superior às 27 necessárias para solicitar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiu a favor da instalação, ainda na quinta.

Para além da política
Mas independentemente dos desdobramentos políticos ou criminais que as investigações sobre o escândalo conhecido como "Swissleaks" venham a ter, o caso já serviu para reacender o debate sobre o papel social da internet, aprofundado também a partir de escândalos anteriores, tais como o "Wikileaks", o "Vatileaks" e as denúncias do ex-agente do serviço de inteligência dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden. Vale também citar as manifestações que sacudiram o mundo em países como Tunísia, Egito, e, mesmo o Brasil, cujas mobilizações começavam a ser promovidas nas redes sociais.
Nos casos das denúncias feitas por figuras como Julian Assange, Gianluigi Nuzzi, Snowden ou Falciani, usando a internet como a principal ferramenta, a maior discussão se dá em torno do que seria um aparente conflito entre dois direitos fundamentais, previstos tanto na Constituição Federal, quanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos: o Direito à Privacidade e a Liberdade de Expressão.
Tudo isso permeado pela questão do conceito de "Interesse Público" e, no caso do Brasil, sob a luz do Marco Civil da Internet, aprovado em 2014.
De acordo com o advogado e professor universitário, Paulo Sá Elias, "essas revelações são de extrema gravidade e importância para o mundo todo. O interesse público com certeza será o forte argumento no processo de ponderação que normalmente é utilizado pelos Tribunais para solucionar conflitos de direitos fundamentais".
Ele, que é também mestre em Direito Constitucional, acrescenta que "na prática, não se atribui preferência a um ou outro princípio ou direito fundamental, mas na realidade, há um esforço do Tribunal para que seja assegurada a aplicação das normas conflitantes, ainda que uma delas possa sofrer atenuações. Se há interesse público envolvido, ou seja, interesses primários, de coletividade, o sigilo bancário privado pode e deve ser excepcionado".

Ferramenta serve às lutas do século XXI
No século passado, as lutas pela descolonização ou contra a discriminação racial, por exemplo, foram encampadas por milhares de pessoas que arriscaram suas vidas pelas causas que defendiam, muitas vezes inspiradas por líderes com forte oratória ou semblante inquebrantável.
No século XXI, de acordo com especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste, os ativistas têm um perfil um pouco diferente, mas uma ferramenta tão ou mais poderosa que microfones ou câmeras às mãos.
Aliás, uma ferramenta que contém esses e outros instrumentos de divulgação de mensagens: a internet, que além de tudo permite reunir uma quantidade de informações inimaginável há 50 ou 60 anos atrás.
"Quem hoje teria coragem de se posicionar, por exemplo, contra Mahatma Gandhi ou Martin Luther King Jr.? Eu realmente não sei dizer se comparo indevida e prematuramente Julian Assange ou Edward Snowden a esses dois grandes exemplos para a humanidade. A verdade é que na época em que eles estavam no front da duríssima batalha que travaram, vários conceitos e valores que hoje são muito claros para o estágio atual da civilização não eram compreendidos pela grande maioria", defende Paulo Sá Elias, criador do site Direito da Informática.
"Muitas pessoas não conseguiam enxergar a importância das ações que eles estavam fazendo, tanto é verdade que naquela época eles encontraram fortíssimos e perigosos opositores. Ambos foram perseguidos e presos. Injustamente, hoje sabemos. Temos vergonha disso. Será que no futuro também teremos vergonha de ter mantido o jornalista Julian Assange preso e perseguido de forma tão implacável? Idem, quanto ao Edward Snowden? - Sinceramente, às vezes tenho receio que sim", prossegue o advogado.
Já para o especialista em Direito Digital, Renato Leite Monteiro, que é também advogado, "a principal influência dessas revelações é o aumento da consciência da privacidade e da proteção de dados pessoais. Novas leis têm surgido ao redor do mundo e o Marco Civil, que estava parado no Congresso brasileiro desde 2011, avançou nesse contexto, muito devido ao fato da presidente Dilma ter sido alvo da espionagem, assim como outros membros do Executivo".
Ele explica que "essas revelações aceleraram as discussões sobre o Marco Civil e resultaram em alterações em seu texto, que era um antes das denúncias feitas por Edward Snowden e a versão final passou a dar mais proteção aos dados pessoais".
Renato Leite Monteiro afirma ainda que o Brasil poderia conceder asilo ao ex-agente da NSA. "Essa é uma questão meramente política, não há nada na legislação que impeça".
Por sua vez, Sá Elias, diz esperar "que o Marco Civil possa se firmar como uma importante legislação em benefício da Internet livre, da liberdade de manifestação do pensamento juntamente com a Constituição Federal que já traz tais garantias. O que importa, no entanto, é a prática. A realidade".

Limite tênue
Privacidade e Liberdade de Expressão
O Direito à Privacidade, assegurado internacionalmente pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) em seu art. 12, pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, art. 17, e reforçado no Art. 5º da Constituição Federal (CF), acoberta a faculdade que cada indivíduo tem de evitar acesso de estranhos à sua vida privada e familiar, conferindo-lhe a exclusão da participação ou do conhecimento alheio sobre o que diz respeito somente à própria pessoa, ao que se quer resguardar da ingerência de terceiros. A Liberdade de Expressão, por sua vez, também presente na CF/88 e definida na DUDH pelo art. 19, consiste-se no direito de manifestar livremente opiniões, ideias, informações e pensamentos por quaisquer meios independentemente de fronteiras. Cabe, pois, relevar a antiga premissa de que um direito termina exatamente onde o outro começa, de forma que a manutenção do Estado Democrático de Direito é o bem maior a ser perseguido por todos, inclusive - e principalmente - na Internet, espaço onde deve ser muito bem calculado o limite tênue que separa os dois direitos.
Priscilla Oliveira da Silveira - Advogada*
*Membro da Comissão de Direitos Culturais da OAB

Fonte - Diário do Nordeste 01/03/2015

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Ministro Cardozo determina que Polícia Federal investigue denúncias do caso SwissLeaks

Política

PF investigará denúncias do caso SwissLeaks.A determinação dada ontem (27) pelo ministro José Eduardo Cardozo ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, é que se faça "análise, apuração de eventuais ilícitos e adoção das providências cabíveis"

Karine Melo
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Brasília - A Polícia Federal (PF) vai apurar a prática de possíveis atos ilícitos no caso conhecido como SwissLeaks, informou o Ministério da Justiça, em nota divulgada hoje (28). A determinação dada ontem (27) pelo ministro José Eduardo Cardozo ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello, é que se faça "análise, apuração de eventuais ilícitos e adoção das providências cabíveis".
No dia 9 deste mês, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação divulgou documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC, que revelam supostos esquemas de evasão fiscal. Na Receita Federal, está em andamento uma investigação de brasileiros com indícios de movimentação financeira no Banco HSBC na Suíça, com base em lista divulgada pelo consórcio. Entre os correntistas envolvidos estão 8,7 mil brasileiros – o que não quer dizer que todos tenham praticado irregularidades.
As denúncias também serão investigadas por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado. Ontem (27), com a leitura em plenário do requerimento de criação da CPI do HSBC, o Senado abriu caminho para indicação dos nomes que vão compor o grupo, que terá 11 titulares e seis suplentes. Ainda não há previsão de data para instalação da comissão. A partir daí, o senadores terão 180 para realizar o trabalho.
Fonte - Agência Brasil  28/02/2015