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domingo, 13 de abril de 2025

Autoridade Metropolitana de Transportes - Porque precisamos dela

 Mobilidade Urbana 🚇  🚉 🚄 🚍

A centralização do controle operacional e administrativo independente dos sistemas de transportes pelas AMTs, torna possível uma melhor gestão proporcionando melhor eficiência, racionalidade, integração resultando em uma melhora substancial na qualidade do serviço oferecido a população como um todo.


Luis Prego Brasileiro
foto - ilustração/Pregopontocom
A Autoridade Metropolitana de Transportes é um modelo de gestão de sistema de transportes público bem sucedido em diversos países da Europa. Os países são divididos em regiões, que englobam um certo numero de cidades, onde cada uma região tem sobre o seu controle a sua Autoridade de Transportes. A centralização do controle operacional e administrativo independente dos sistemas de transportes pelas AMTs, torna possível uma melhor gestão proporcionando melhor eficiência, racionalidade e integração resultando em uma melhora substancial na qualidade do serviço oferecido a população como um todo.
A falta de uma integração inteligente dos sistemas de transportes existentes nas grandes cidades e capitais brasileiras, principalmente a falta de conexão entre os modais, a *acessibilidade precária principalmente no setor de transporte por ônibus, onde ainda persiste  o uso de veículos com piso alto, portas estreitas com catracas posicionadas logo após a porta de entrada para os passageiros, causando um gargalo e retardando o movimento de embarque, além da motorização dianteira, tornam-se um grande entrave na eficiência operacional desse sistema que além do desconforto causado a população que faz uso do mesmo, eleva concomitantemente o custo operacional do sistema com consumo de combustível desnecessário, aumentando o  tempo de viagem, além da poluição ambiental em função do tempo maior de permanência perdido no embarque e desembarque dos passageiros em função das dificuldades de acessibilidade expostas aqui. .

Autoridade Metropolitana de Transportes
Como resolver o problema da fragmentação da gestão do transporte público? a partir da criação de uma gestão única  tornando-o mais eficiente diminuindo o seu custo operacional e ofertando um sistema de transportes totalmente integrado, com eficiência, conforto, segurança, horários regulados e uma tarifa que proporcione e incentive a população a usar o sistema de transporte público.
A criação da AMT, (mais não no formato de uma Ag. Reguladora, pois teríamos ai mais um elefante branco burocrático, inchado, e provavelmente mais um cabide de emprego) tem que ser uma entidade independente, onde os entes (municípios, cidades e estado) envolvidos indicariam no máximo 2  técnicos-conselheiros (não cabe uma indicação política ou por apadrinhamento) com conhecimento comprovado na área de mobilidade e transportes e com empatia com o tema. A partir dai numa eleição interna seriam então escolhidos um Diretor de operações, um Diretor de gestão de frota (seria o responsável pela escolha do modal e veículos adequados para cada tipo de serviço através de estudos e a realização de pesquisas), Diretor de planejamento para composição de rotas e linhas e estudos de tarifas, Um Diretor adjunto (2º na hierarquia) e o Diretor Geral. Todas as ações oriundas de projetos e planejamentos seriam  submetidos a apreciação e aprovação de todo o conselho para que fossem colocadas em práticas.

Entidade Independente
Caberia aos entes participantes apenas prover os recursos necessários proporcionalmente, de acordo com o tamanho da cidade ou município, a sua receita e a densidade demográfica do mesmo, providenciar financiamentos e cobrar da AMT eficiência administrativa e operacional, não cabendo nenhum tipo de interferência por motivação política ou qualquer outra que venha a prejudicar o bom funcionamento e desempenho AMT.

ITS
Em uma segunda etapa seria criado então  o ITS  (Intelligent Transportation System),esta uma ferramenta extremamente necessária e essencial para coordenar toda a operação de todos os modais em conjunto, proporcionando uma operação racional, eficaz proporcionando uma funcionalidade inteligente no sistema de integração intermodais. O ITS será um CCO Master, ou seja o pai de todos os CCOs, a centralização dos CCOs dos modais existentes, coordenando e supervisionando as ações de todos eles e como um elo de ligação, proporcionando assim um sistema de operação e integração racional, eficaz  e inteligente.

Sistemas de transportes em Salvador e RMS dentro AMT
Em Salvador, no caso especifico, os sistemas que comporiam a AMT seriam os seguintes: Metroferroviário : Metrô,Trens,VLTs, Monotrilhos e Teleféricos 
Sistemas de ônibus: Urbanos, Alimentadores, Complementares, Semi-Urbanos e Metropolitanos
Sistemas Hidroviários; Sistema Ferry-Boat, Lanchas na BTS-Salvador/Ilhas, Lanchas Salvador/Recôncavo (Morro de São Paulo) e outros localidades.

A  AMT bem como o ITS quando criados e se criados, trará muitos benefícios para a Mobilidade Urbana em Salvador e RMS, bem como em outras localidades em todo o pais, proporcionando um sistema de transporte mais eficiente, mais racional e inteligente, com redução de custos  e benefícios para a população.
Pregopontocom 14/04/2025


*Acessibilidade precária - A falta de acessibilidade nos ônibus causa um enorme prejuízo ao sistema operacional, motivada pela demora do embarque e desembarque de passageiros gera um maior consumo de combustível, o aumento da poluição ambiental e aumento do tempo de viagem. Esse será um tema  abordado num próximo artigo. 



infográfico - Pregopontocom



VEJA TAMBÉM - 

Um debate para além do Monotrilho

https://pregopontocom.blogspot.com/2019/09/um-debate-para-alem-do-monotrilho.html
Abordagem também do tema sobre a Autoridade Metropolitana de Transportes

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O transporte como aliado do tempo

Mobilidade  🚌 🚄  🚇

Entre as 10 cidades do mundo com maior tempo de deslocamento, três são brasileiras. Rio de Janeiro, Recife e São Paulo fazem parte do ranking de maior tempo médio de deslocamento em uma direção única (de ou para casa/trabalho), segundo o levantamento do aplicativo de mobilidade Moovit. Os cariocas gastam 1h07 nos seus percursos; enquanto os paulistanos e os recifenses consomem 1h02 em seus trajetos. 

Roberta Marchesi*
foto - ilustração/arquivo
Metrô de Salvador/Linha/2
A necessidade de deslocamentos impacta diretamente na vida das pessoas e na sua qualidade de vida. Diariamente, milhões de brasileiros gastam horas nos percursos casa-trabalho. É um tempo desperdiçado e que poderia estar sendo aproveitado para outras atividades. Quanto mais tempo parado nos congestionamentos, menos tempo a pessoa terá para estar com a família, para dedicar-se ao lazer, aos estudos e às atividades que gosta.
Entre as 10 cidades do mundo com maior tempo de deslocamento, três são brasileiras. Rio de Janeiro, Recife e São Paulo fazem parte do ranking de maior tempo médio de deslocamento em uma direção única (de ou para casa/trabalho), segundo o levantamento do aplicativo de mobilidade Moovit. Os cariocas gastam 1h07 nos seus percursos; enquanto os paulistanos e os recifenses consomem 1h02 em seus trajetos. Considerando o tempo nos congestionamentos, anualmente, as pessoas passam quase um período de férias no trânsito. A valorização desse tempo passa pela adoção de medidas que proporcionem mais qualidade para a vida dos cidadãos e menor agressão ao meio ambiente.
A mobilidade é um direito constitucional e privar o cidadão do transporte eficiente é limitá-lo da sua liberdade de ir e vir. Não pensar no planejamento e desenvolvimento do transporte é privar a população do deslocamento eficiente. É preciso mudar essa realidade com o desenvolvimento de políticas públicas que priorizem o transporte coletivo com qualidade, proporcionando mais agilidade nos trajetos das pessoas.

divulgação/ANPTrilhos
Ao redor do mundo, os sistemas de alta capacidade são aliados dos deslocamentos rápidos. Os exemplos exitosos são verdadeiras redes de transporte a serviço do cidadão, que foram estruturadas a partir de sistemas de alta capacidade, como é o caso trens, metrôs e VLT, integrados física e tarifariamente com os demais modos de transporte da cidade, especialmente na primeira e última milhas. Nessas cidades, o transporte de passageiros sobre trilhos responde por um percentual de 40 a 45% dos deslocamentos diários da população, contribuindo para a estruturação dos grandes fluxos de transporte, ao mesmo tempo em que garante a rapidez, a regularidade e a maior segurança desses deslocamentos. Aqui no Brasil, por outro do lado, os trens e metrôs são responsáveis por apenas 7% dos deslocamentos diários, mostrando a dependência que o país tem do transporte baseado nos combustíveis fósseis, o que explica os enormes congestionamentos diários que vivenciamos nas grandes e médias cidades.
As práticas mundiais podem ser exemplos para o Brasil desenvolver a sua rede integrada, proporcionando redução nos tempos de viagem e mais qualidade de vida. Juntos, o transporte sobre trilhos, os ônibus, a bicicleta, o patinete e a mobilidade ativa, formarão a rede inteligente de transporte, cada um cumprindo o seu papel dentro da mobilidade urbana.
Para que as cidades brasileiras deixem de configurar o quadro de longos tempos de deslocamentos é preciso planejamento aliado ao investimento permanente para a evolução das redes de transporte. Retomar a capacidade de planejamento dos municípios é fundamental para que esse investimento constante possa ser feito à frente da necessidade da população. Hoje, infelizmente, o investimento está aquém da necessidade de mobilidade.
Acreditamos que é possível reverter esse quadro nas principais cidades brasileiras. A ANPTrilhos apoia os municípios a pensar o planejamento de redes inteligentes e integradas de transporte. O alerta vale não só para as cidades que já estão enfrentando problemas de deslocamento, como as apresentadas na pesquisa do Moovit, mas, especialmente, para aquelas que ainda não têm, mas que, se nada fizerem, certamente passarão a apresentar problemas em um período de cinco ou seis anos.
*Roberta Marchesi é Diretora Executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Mestre em Economia e Pós-Graduada nas áreas de Planejamento, Orçamento e Logístic
Fonte - ANPTrilhos  20/02/2020

Comentário Pregopontocom

Planejamento a médio e longo prazo,rede integrada de transportes,investimentos em sistemas de transportes de massa certamente formarão uma rede inteligente de transportes.Mas....aliado a esses fatores é preciso também investir na modernização dos sistemas de administração e operação do transporte público como um todo. Antes de tudo pensar num sistema de transportes Metropolitano integrado,principalmente nas grandes cidades, cercadas pelas suas satélites,ou seja toda a sua Região Metropolitana racionalizando e unificando a administração e operação do transporte de todas as cidades que compõe uma RM. Um sistema de transporte jamais será eficiente quando administrado e operado separadamente,totalmente desconectado, por cada cidade componente de uma RM e o seu eixo principal,é preciso uma administração unica para todos os sistemas de transportes que operam em toda região.O melhor exemplo vem de fora,a expl. da Europa onde distritos ou cidades de uma região mantem sobre controle a operação e administração dos sistemas de transportes subordinados a uma Autoridade de Transportes Regional.Atrasado mais ainda em tempo,precisamos criar aqui a nossa "Autoridade Metropolitana de Transportes",para administrar,regular e operar os sistemas de transportes em cada grande região metropolitana do país.A integração e a unificação dos sistemas sobre a coordenação geral da Autoridade Metropolitana de Transportes(Não se trata de mais uma Agência),cujo comitê administrativo terá a participação de  representantes de cada cidade abrigada na AMT,ficará encarregada das licitações de linhas dos modais existentes,licitações para compra de materiais rodantes,operação de todo sistema,fiscalização e ordenamento geral.Aliado a AMT a criação do "Intelligent Transport System",torna-se imprescindível", para coordenar e supervisionar todas as ações dos diversos CCOs de todos os modais que operam no sistema.Não será possível atingir um bom nível de eficiência e uma boa prestação de serviço para os clientes dos sistemas de transportes de maneira integrada, insistindo no erro da administração e operação de cada modal de maneira isolada e separadamente.Além de tudo é preciso mudar a visão e a concepção para a nova realidade da Mobilidade Urbana com relação as novas práticas e a novas tecnologias.

sábado, 14 de setembro de 2019

Um debate para além do Monotrilho

Transportes sobre trilhos  🚄

O monotrilho chega a Salvador trazendo a bordo um polêmico e acalorado debate em função da sua escolha,e vem brigando com um melancólico saudosismo a ele resistente.Mais nós aqui vamos dar um salto a frente desse debate,debate em que um lado não leva em conta a necessidade premente da população do subúrbio de Salvador que almeja a muito tempo pela melhoria da qualidade do transporte público,atualmente com uma péssima prestação de serviço,seja para os 3% que se deslocam nos atuais trens(R$0,50) ou para os 97% no ônibus que operam nos bairros da região com uma tarifa de R$4,00.

Luis Prego Brasileiro*
Salvador Sobre Trilhos

A cidade de Salvador até poucos anos atrás,vivia numa letargia na Mobilidade Urbana,sem sinais que a cura para esse mal poderia estra próxima.De repente, a cidade que contava com apenas 13 Km de trilhos em que um trem ancião ainda rola sobre eles as duras penas,ganha duas linhas de metrô,em um tempo muito breve de construção rasgando os dois principais corredores de demandas da cidade,uma linha saindo do centro e chegando as margens da BR 324 em Pirajá e a outra chegando ao Aeroporto e a vizinha cidade de Lauro de Freitas no litoral norte,em fim o tão esperado moderno sistema de transportes sobre trilhos tornou-se realidade e Metropolitano.
Mais o velho Trem cansado de guerra, ainda continua lá no subúrbio ferroviário a transportar do jeito que pode e consegue, uma pequena parcela (3%) da população de mais de 600 mil habitantes de um conglomerado de bairros que se debruçam sobre uma das mais belas paisagens da Baia de Todos os Santos.
Mais os velhos ACF-GE e Toshibas,estão prestes a alcançar a sua merecida aposentadoria pelos tandos serviços que já prestaram ao longo de 6 a 7 décadas transportando gente pra lá e pra cá.
A abominável letargia, a qual agora só será possível vê-la pelo retrovisor do tempo,mais do que nunca vai ficando para trás,vem ai o Monotrilho.
O monotrilho chega a Salvador trazendo a bordo um polêmico e acalorado debate em função da sua escolha,e vem brigando com um melancólico saudosismo a ele resistente.
Mais nós aqui vamos dar um salto a frente desse debate,debate em que um lado não leva em conta a necessidade premente da população do subúrbio de Salvador que almeja a muito tempo pela melhoria da qualidade do transporte público,atualmente com uma péssima prestação de serviço,seja para os 3% que se deslocam nos atuais trens(R$0,50) ou para os 97% no ônibus que operam nos bairros da região com uma tarifa de R$4,00.
A individualidade ou individualização dos modais,operando de maneira separada cada um deles,e sem estar inseridos no conceito de um sistema metropolitano não trás benefícios para Mobilidade, para a população e muito menos para as cidades envolvidas.Não só a capital mais as cidades da RMS (Região Metropolitana de Salvador) que se misturam e se entrelaçam, precisam também estar inseridas nesse conceito,ou seja a metropolitanização dos sistemas de transportes públicos.
Por isso é preciso dar passos mais largos muito além da discussão sobre o Monotrilho e da conquista do Metrô,para pensarmos em algo mais abrangente,onde eles e outros sistemas,serão atores de algo muito maior.
É preciso começar a pensar na criação de uma "Autoridade Metropolitana de Transportes",um novo sistema de governança,retirando da "inchada Agerba" as atuais atribuições e o controle sobre todos os sistemas de Transportes Metropolitanos,Metrô,futuro Monotrilho,Ônibus,Metropolitanos,sistemas aquaviários (Ferry-Boat, e lanchas),juntando a eles o ônibus Urbanos e Semi-Urbanos.A AMT seria um novo ente dedicado exclusivamente aos sistemas de transportes Metropolitanos,contando com uma equipe técnica especializada no assunto,para assumir a governança do novo e abrangente sistema de transportes Metropolitanos.A partir da criação e entrada em operação a AMT (uma prática já bastante usada em várias cidades do mundo e já em discussão em algumas cidades brasileiras), a mesma promoveria a partir de estudos um projeto de reestruturação e reorganização de todo sistema de transportes, já dentro do conceito Metropolitano,no âmbito de regulação,integração,racionalização e operacionalidade,criando um sistema altamente sincronizado,promovendo mais qualidade, mais eficiência e a melhoria na oferta e distribuição do novo sistema de transportes totalmente reconfigurado.

A operação dos sistemas
A criação e a implantação de uma ferramenta de gerenciamento em tempo real,o " ITS" (Intelligent Transport System),um sistema tecnológico avançado de controle operacional, que coordenaria todos os CCOs (Centro de Controle Operacionais) do Metrô,do Monotrilho,dos ônibus e dos transportes aquaviários (O pai de todos os CCOs) para coordenar e regular a operação de todos os modos de transportes,equilibrando,equalizando e possibilitando uma melhor eficiência na operação geral do sistema como um todo. Precisamos sim, avançar no debate de temas de grande importância, principalmente quando se trata de criar soluções objetivas e inteligentes para evitar a individualização operacional dos diversos sistemas de modos de transportes,fazendo com que os mesmos estejam sempre,interligados,integrados,operando harmónicamente,oferecendo aos seus "clientes" (indevidamente chamados de usuários) uma melhor e mais qualificada prestação de serviços.
Com a presença do Metrô e a chegada do Monotrilho é preciso por em prática soluções inteligentes e sustentáveis, para que todos os sistemas juntos possam alcançar o máximo de eficiência e produtividade operacional. - O debate tem que avançar com mais amplitude e para além do monotrilho,e não pode estacionar, e ficar restrito apenas aos seus pilares e trilhos de concretos,pois se torna inócuo e vazio.
Mobilidade Inteligente e Sustentável, esse é o caminho.
*Luis Prego Brasileiro é membro e fundador do Movimento Salvador Sobre Trilhos
Pregopontocom 13/09/2019

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Mobilidade Metropolitana: Oportunidade para Transformação

Transportes sobre trilhos  🚄  🚇

Longe de querer questionar a validade das privatizações, notamos que no momento, ainda, resta a metade das linhas sob a coordenação operacional do governo,ou seja: as linhas:07, 10, 11, 12 e 13 da CPTM, e as linhas 01, 02 e 03 do Metrô. Outras notícias citam investimentos chineses no setor ferroviário e, levam-nos a supor, que a onda de concessões poderá se estender às outras linhas ainda vinculadas ao poder público.Esse processo poderá agravar as dificuldades na coordenação da rede.

Instituto de Engenharia
foto/divulgação
A operação da rede metroferroviária da Região Metropolitana de São Paulo– RMSP, sucessivamente,vem sendo concedida à iniciativa privada. Notícias da imprensa nos dão conta que a publicação do edital de concessão das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, foi programada para setembro de 2019, e o recebimento das propostas para dezembro do mesmo ano.Já passaram, por processo semelhante de concessão, as linhas 04, 05, 06, 15, 17 e 18 da Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, insinuando que esta é uma tendência do governo paulista.
Longe de querer questionar a validade das privatizações, notamos que no momento, ainda, resta a metade das linhas sob a coordenação operacional do governo,ou seja: as linhas:07, 10, 11, 12 e 13 da CPTM, e as linhas 01, 02 e 03 do Metrô. Outras notícias citam investimentos chineses no setor ferroviário e, levam-nos a supor, que a onda de concessões poderá se estender às outras linhas ainda vinculadas ao poder público.Esse processo poderá agravar as dificuldades na coordenação da rede.Em condições normais, cada operadora – privada ou pública – tem o seu respectivo Centro de Controle Operacional – CCO, responsável pela comunicação, frequência, regularidade e segurança na movimentação dos trens. E,conforme a disponibilidade das instalações, também,pode comandar as portas de plataforma e o sistema de sinalização, sendo através de CBTC em algumas linhas. Embora, as três linhas remanescentes do Metrô disponham de um mesmo CCO, as demais linhas têm níveis distintos de automação e CCO’s independentes uns dos outros. Nem poderia ser diferente. O que choca, em termos técnicos, é que sendo uma rede integrada fisicamente, até agora não foi implantado, sequer planejado, um CCO para coordenar todos os CCO’s, ou melhor,um controle centralizado, denominado Intelligent Transport System – ITS, como os existentes em todas as regiões metropolitanas do planeta, onde haja uma rede transporte integrada.
A situação beira o absurdo e nos leva a crer que, na RMSP, são ignoradas algumas das atividades indispensáveis para operação da rede, tais como:planejamento operacional, regulação da oferta, uniformização dos níveis de serviço,reconhecimento da situação em tempo real, comunicação uniforme e integração tarifária. Tampouco, são simulados os dados das pesquisas de origem-destino na determinação das integrações ou na definição das linhas que atendem os itinerários dos passageiros no seu percurso multimodal. A falta de coordenação dos transportes metropolitanos, novamente, evidencia-sena regulação dos meios de pagamento em que o Bilhete Único, de responsabilidade do município de São Paulo (e de tecnologia ultrapassada),é o principal bilhete utilizado na rede metropolitana.
Em condições normais, a boa técnica exigiria uma coordenação centralizada ou uma Autoridade Metropolitana de Transporte para regular a operação da rede metroferroviária e das linhas de ônibus metropolitanos da RMSP. E, neste nível de governo, isso já poderia estar organizado, pois não há obrigação de alteração institucional para implantá-la.
Mais surpreendente, ainda, é o fato desta rede metroferroviária, que cobre boa parte da RMSP, estar conectada fisicamente à rede de ônibus do município de São Paulo e à rede de ônibus metropolitana de competência do mesmo nível de governo. A questão crucial é que a importância da rede sobre pneus não pode ser menosprezada, uma vez que ela transporta mais passageiros por dia do que a rede sobre trilhos e contempla inúmeras linhas com percursos paralelos ou concorrentes à rede metoferroviária. Agravando a situação, a rede de ônibus municipal não está projetada, hierárquica e estruturalmente, para integração multimodal.
O perigo real para a rede multimodal, é que os dois níveis de governo agem independentes um do outro. E o que é mais incrível, cada um, mesmo as empresas metroferroviárias -vinculadas à mesma secretaria estadual -avaliam o seu desempenho isoladamente.Em complementação a esta rede fragmentada, pasmem: a Prefeitura de São Paulo, recentemente,licitou um software único, denominado Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional, com hardware e software fornecidos pelos operadores de ônibus – a ser instalado numa SPE – com a função de ITSexclusivo da rede municipal de ônibus.
A exigência de ITS para a rede de ônibus não exime os gestores municipais do órgão concedente da responsabilidade pelo planejamento, controle e fiscalização do sistema de transporte por ônibus e sua complexidade. Mas, evidencia o descompasso e desagregação da rede multimodal que circula pelo mesmo território da RMSP. É um disparate que a rede metroferroviária não tenha qualquer sistema de coordenação operacional do conjunto, enquanto a rede de ônibus tem ITS. E o que falar da inexistência de ITS, para a RMSP, em face dos novos aplicativos que surgem todo dia na região? Esbarramos no descontrole e insegurança.
Por fim, não só pela introdução de novos atores da iniciativa privada para operação das concessões, o poder público precisa reconhecer a oportunidade da transformação da estrutura administrativo-operacional da RMSP. A melhoria e a segurança da rede metropolitana de transporte público pedem a urgente adoção de uma entidade organizada, canalizadora dos recursos financeiros, coordenadora dos níveis de oferta com integração físico-tarifária da rede, e a instalação de sistemas inteligentes para supervisão operacional dos trens, metrô e ônibus metropolitanos em curto prazo, e da inclusão dos ônibus municipais em médio prazo. Cabe citar que foi estimado médio prazo para implementação de uma Autoridade Metropolitana de Transporte, para regular a operação da rede multimodal nos dois níveis de governo (incluindo a mobilidade nos 39 municípios), devido à necessidade de alteração institucional para implantá-la. Esta situação também se repete, em menor escala,em todas as regiões metropolitanas brasileiras, tais como: Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Santos e outras.
A agenda das regiões metropolitanas não pode ser administrada de maneira desagregada e independente pelos dois níveis de governo. Todos precisam reconhecer o papel de um novo modelo de governança para as aglomerações urbanas. Mas, como nós vimos,ainda, isto é um assunto pendente.
Fonte - Abifer  30/08/2019