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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Público novo nos shopping centers revela mudanças

Economia

Público de shopping centers muda - De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers da Bahia (Abrasce/BA), Edson Piaggio, 52% do volume de compra dos shoppings baianos tem sido adquiridos pelo público que passou a frequentar estes estabelecimentos nos últimos tempos.

Matheus Fortes - TB
Foto: Romildo de Jesus
O perfil dos consumidores de shoppings centers tem mudado nos últimos anos. A maior parte dos clientes dos grandes centros comerciais em tempos recentes são as classes que historicamente sempre tiveram um poder menor de compra.
Este, inclusive, é um fator que tem levado à construção de novos empreendimentos comerciais por todo o país, e diversificado cada vez mais os shoppings, levando em conta sua localidade, e, conseqüentemente, seu público-alvo.
Na Bahia, o aumento das classes C, D e E nos shoppings centers segue a tendência nacional, assim como a edificação de novos centros comerciais de grande porte em áreas que não estejam necessariamente próximas às áreas com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers da Bahia (Abrasce/BA), Edson Piaggio, 52% do volume de compra dos shoppings baianos tem sido adquiridos pelo público que passou a frequentar estes estabelecimentos nos últimos tempos. Porém, embora ainda não haja uma a percentagem específica, ele garante que o número de frequentadores é bem maior.
Com a chegada de novos visitantes, também se faz necessária mudanças que possam acomodá-los, por isso tem havido um esforço maior por parte dos estabelecimentos para agregar esse novo público. “Os shoppings do estado ampliaram sua área de lazer, e tem buscado se adaptar em matéria de comunicação, layout e treinamento para os vendedores”, comentou o coordenador da Abrasce/BA.
Em Salvador, por exemplo, estabelecimentos desse porte foram construídos, nos últimos anos, em locais que estão fora das regiões onde vivem o público mais antigo desses centros comerciais – que corresponde às classes alta e média alta.
Enquanto o Shopping Bela Vista foi erguido nas proximidades da Rótula do Abacaxi e do Cabula – onde grande parte da população corresponde às classes média e baixa –, e trouxe inclusive um novo conceito de urbanização para a capital baiana, a região de São Cristóvão – vizinha a Lauro de Freitas –, recebeu o Shopping Salvador Norte.
Para a antropóloga Luciana Aguiar, a ascensão das classes C, D e E, vem acompanhado de um crescimento da economia do país. “O maior acesso a trabalho, embora a remuneração não seja tão grande, tem levado essas pessoas a consumirem mais”, explicou ela.
De acordo com o estudo feito pela antropóloga, entre 2001 e 2011, a população mais pobre teve um aumento acumulado de renda de 91% no Brasil. Na região nordeste, a rentabilidade das classes mais baixas cresceu 72%.
Outro fator relevante é que o jovem de classe C está mais escolarizado do que seus pais. “Por conta do acesso mais fácil à educação, a relação desse jovem com as lojas de varejo é bem diferente. Ele frequenta mais o comércio e faz mais compras pela internet. Tendo acesso à informação de forma bem mais facilitada do que seus pais”, explicou a antropóloga.
Essa tendência, segundo ela, tem levado o varejo a se adaptar ao novo público, com a abertura de novas lojas nas regiões mais distantes dos centros econômicos das grandes cidades. Contudo, mesmo que haja maior acesso, as classes ascendentes continuam com um poder de compra menor. Estaria o mercado se preparando também para uma redução de preços, com o objetivo de agregar ainda mais a população recém-chegada aos grandes centros comerciais?
“Ainda é cedo para pensar em preços menores. Isso ainda vai depender de uma maior distribuição de renda, e de como os departamentos de marketing dessas empresas vão trabalhar para agregar essa nova classe. O certo é que esse ônus demográfico tende a aumentar no Nordeste, pois a população, como um todo, é mais jovem e economicamente ativa, o que a faz também, mais consumidora”, finalizou a Luciana Aguiar.
Fonte - Tribuna da Bahia 25/09/2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cresce no País número de domésticas que estão cursando o ensino superior

Educação

Rivânia Nascimento
TB
foto - ilustração
Aquele velho perfil da doméstica, com baixa escolaridade e renda inferior a um salário mínimo por mês, está perdendo espaço para um novo perfil de profissional com mulheres mais estudadas e conscientes do seu valor profissional. Uma pesquisa divulgada este mês pelo IBGE nacional mostra que o número de trabalhadoras domésticas que estão na faculdade cresceu 10% nos últimos três anos.
A pesquisa apontou que o salário delas também subiu 8% em 12 meses. Entretanto, os percentuais de trabalhadoras que começaram a trabalhar com carteira assinada caíram de 6,5% para 5,9%. Embora o IBGE-BA não tenha nenhuma pesquisa específica contendo o número de trabalhadoras domésticas cursando a faculdade na capital e interior, o órgão confirmou que na Região Metropolitana do Estado houve sim uma redução no número de pessoas ocupadas, comparado com 2012.
Segundo a pesquisa mensal de empregos do IBGE 2012-2013, a estimativa de pessoas trabalhando em outubro deste ano era de 133 mil pessoas enquanto no ano passado eram de 149 mil. Ou seja, em outubro de 2012 esse grupamento era de 8% e este ano, no mesmo período, caiu para 7,02%. Com isso, a taxa de desemprego subiu de 7% para 9,1% este ano, representando uma redução na taxa de desocupação nessa região, considerada pelo IBGE, uma das mais expressivas, de 2,02%.
A pesquisa aponta que o bom momento da economia de 2012 com perspectivas e ampliações dos direitos da categoria dos profissionais domésticos com a aprovação da PEC das Domésticas, como foi apelidada a medida que garante 16 direitos trabalhistas para babás, faxineiros e cozinheiros, além de outros trabalhadores de residências fomentou a procura de trabalhadoras pela atividade. Em contra partida, em 2013 as famílias ficaram mais resistentes na contratação, temendo os altos encargos trabalhistas.
Um novo perfil de profissional
O IBGE aponta também que muitas dessas profissionais têm buscado estudar visando migrar para outras áreas que ofereceram maior estabilidade financeira. O Brasil é o país com mais trabalhadores domésticos no mundo. São 7,2 milhões de brasileiros na categoria, segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com garantias trabalhistas asseguradas, essas mulheres têm alçado voos cada vez maiores.
Um exemplo disso é da babá Silvana do Nascimento, de 40 anos, que, com determinação, orgulho da profissão e o apoio incondicional da patroa, transformou o sonho de cursar a faculdade de psicologia em realidade. Ela conta que há seis anos saiu do município de Irará, interior da Bahia, determinada a se tornar a primeira universitária da família. Com a ajuda da patroa, a engenheira química Aline Camilo Fonseca, conclui o ensino médio e prestou vestibular, mas não foi aprovada. Persistente, fez mais uma vez, sendo aprovada, e agora, cursando terceiro semestre da faculdade de psicologia, já faz novos planos para sua vida no futuro.
“Não vou dizer que não enfrento preconceito. Ele existe sim. Tanto dos colegas de sala como dos professores, mas isso não me desanima em nada, muito pelo contrário. Quando me perguntam em público qual a minha profissão, falo com orgulho: babá. Os meus planos agora é de comprar um carro e depois de concluir a faculdade montar meu consultório e continuar cuidando de crianças, que é o que mais amo fazer”, comemorou.
A engenheira Aline Camilo conta que sempre incentivou os estudos da babá e que até abriu mão da academia que fazia à noite para que ela pudesse ir para a faculdade.
“Como viajo muito, em épocas de prova dela eu deixo minha filha com minha mãe ou com o pai. Somos apenas nós duas e contamos uma com a outra sempre. Eu incentivo seus estudos porque quero uma pessoa instruída trabalhando ao meu lado. Não acho que o fato de termos posições sociais distintas nos torne diferente ou melhor, uma da outra. Quero que ela cresça e que minha filha assista com orgulho à sua formatura”, disse.
Fonte - Tribuna da Bahia  10/12/2013