Mostrando postagens com marcador perfil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador perfil. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de agosto de 2014

Pesquisa traça perfil de empreendedores brasileiros no exterior

Economia

A pesquisa tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e será estendida a outras comunidades empresariais brasileiras estabelecidas no exterior.

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil 
Pesquisa foi feita em Orlando, nos Estados Unidos,
 pelo alto fluxo de turistas brasileiros na cidade
 (Tânia Rego/Agência Brasil)
Pesquisa feita em Orlando, nos Estados Unidos, pelo Departamento de Empreendedorismo e Gestão (DEG) da Universidade Federal Fluminense (UFF), a partir de 2012, traçou o perfil dos pequenos empreendedores brasileiros na cidade e descobriu nova área de estudo, que é a internacionalização de pequenas empresas, além do envolvimento da internacionalização com o movimento de imigração de brasileiros. A pesquisa tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e será estendida a outras comunidades empresariais brasileiras estabelecidas no exterior. O professor Eduardo Picanço, um dos coordenadores do trabalho, disse à Agência Brasil que os dados apurados até agora levam a crer que, no caso dos brasileiros que vão para outros países, o que ocorre é uma internacionalização de empresários e não de negócios. Orlando foi escolhida pelo alto fluxo de turistas brasileiros, estimado em mais de 768 mil em 2013, de acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos. A isso se soma o número de negócios regulares de brasileiros na cidade, em torno de 500, incluindo salas comerciais e lojas. Computando as pessoas que trabalham em casa, os negócios podem passar de mil.
Não há, informou Picanço, nenhum caso descrito na literatura acadêmica que mostre o que foi percebido em Orlando. “O empresário que vai para lá passa por muitas dificuldades porque está em um mercado novo que não conhece e acaba sendo naturalmente levado a abrir uma empresa para brasileiro também. E aí você cria um ciclo que pode ser crucial para o insucesso do negócio”. Ele ponderou que o número de brasileiros que estão visitando Orlando pode diminuir um dia e isso acarreta risco para as empresas que praticamente dependem do turista brasileiro para sobreviver. “Você não pode criar uma situação de dependência do seu cliente”, alertou.
Em sua maioria, os brasileiros que se estabeleceram em Orlando a partir da década de 1980 são pessoas que não eram empresárias no Brasil, tinham características de imigrante de viver o sonho americano e não o sonho empresarial. “Os que tiveram sucesso, acabaram montando seus negócios lá”. Já a maioria dos novos integrantes das comunidades brasileiras sai do país empresário para continuar o processo no exterior.
Eduardo Picanço destacou que em torno de 70% abriram uma empresa em uma área de negócio diferente da que trabalhavam no Brasil. Todos os outros responderam que deixaram o país porque não aguentavam mais a insegurança, a má qualidade da educação, a corrupção. Um grupo menor disse estar indo fazer carreira nos Estados Unidos, enquanto outra parcela alegou opções pessoais: “o pai morava lá, um amigo convidou”.
Segundo o professor da UFF, o estudo está levando para um caminho que considera inédito na linha das teorias sobre empreendedorismo internacional. A generalização da pesquisa vai confirmar essa tese, disse. Concluída a etapa da pesquisa em Orlando, a meta agora é investigar as cidades de Miami e Pompano Beach, segunda maior colônia de brasileiros nos Estados Unidos, antes de seguir, em 2015, para Nova York, Los Angeles e Boston, que abrigam a maior comunidade oriunda do Brasil. Estagiários do DEG já mapearam os empresários existentes nessas áreas. Depois de concluída nos Estados Unidos, a pesquisa será feita na Europa.
Outro dado coletado confirma que a maioria das empresas brasileiras no exterior emprega brasileiros, o que acaba fortalecendo a colônia e gerando desenvolvimento econômico. Picanço reiterou, entretanto, o risco de a comunidade acabar ficando dependente dos turistas brasileiros. O estudo revela ainda, do lado social, que quando a comunidade empresarial brasileira é forte, “com certeza tem uma comunidade forte ao lado. Ela é geradora de emprego”.
Ronaldo Esteves largou o curso de engenharia que fazia no Rio faltando apenas 1,5 ano para se formar e decidiu mudar para a área de turismo. Fez cursos de inglês e espanhol e há 27 anos se mudou para Orlando com a mulher, também brasileira. Seis meses depois de chegar à cidade, abriu uma operadora de turismo receptivo, a RGE. Há 12 anos, vislumbrou outro nicho promissor, que era o serviço pela internet, e mudou para a atual empresa, Orlando Ticket On Line, que tem quase 100% do seu público formado por turistas brasileiros que vão para os Estados Unidos, além de argentinos, mexicanos e venezuelanos. “Fui com o intuito de ficar um ano para aperfeiçoar o inglês e voltar para montar uma empresa receptiva no Rio”, disse àAgência Brasil. Acabou ficando. As duas filhas, de 17 e 19 anos, nasceram em Orlando. Ronaldo Esteves não pretende retornar ao Brasil.
Voltar ao Brasil não faz parte também dos planos de Paulo de Souza, que há 14 anos foi para Orlando com a mulher e dois filhos. Levou para lá a experiência que tinha na área de publicidade e foi designer gráfico em uma publicação da cidade até que, há 7,5 anos, decidiu abrir o seu próprio jornal Nossa Gente, que distribui mensalmente 8 mil cópias gratuitas. Os custos são pagos pelos anúncios de comerciantes. “A gente já está enraizado aqui. Minha filha está indo para o college (faculdade). Cada vez é mais difícil pensar em voltar”, comentou.
O DEG-UFF está estudando a possibilidade de levar para Orlando, a partir de outubro próximo, um curso semipresencial de formação básica de técnica de gestão. O objetivo é atender aos empreendedores menos favorecidos, “aqueles que ainda não têm a sua loja, trabalham dentro de casa ou em parte da loja de um amigo”, explicou Eduardo Picanço. O curso é gratuito. Se o projeto tiver sucesso, ele poderá ficar disponível para qualquer grupo de brasileiros organizado no exterior.
Fonte - Agência Brasil  09/08/2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cresce no País número de domésticas que estão cursando o ensino superior

Educação

Rivânia Nascimento
TB
foto - ilustração
Aquele velho perfil da doméstica, com baixa escolaridade e renda inferior a um salário mínimo por mês, está perdendo espaço para um novo perfil de profissional com mulheres mais estudadas e conscientes do seu valor profissional. Uma pesquisa divulgada este mês pelo IBGE nacional mostra que o número de trabalhadoras domésticas que estão na faculdade cresceu 10% nos últimos três anos.
A pesquisa apontou que o salário delas também subiu 8% em 12 meses. Entretanto, os percentuais de trabalhadoras que começaram a trabalhar com carteira assinada caíram de 6,5% para 5,9%. Embora o IBGE-BA não tenha nenhuma pesquisa específica contendo o número de trabalhadoras domésticas cursando a faculdade na capital e interior, o órgão confirmou que na Região Metropolitana do Estado houve sim uma redução no número de pessoas ocupadas, comparado com 2012.
Segundo a pesquisa mensal de empregos do IBGE 2012-2013, a estimativa de pessoas trabalhando em outubro deste ano era de 133 mil pessoas enquanto no ano passado eram de 149 mil. Ou seja, em outubro de 2012 esse grupamento era de 8% e este ano, no mesmo período, caiu para 7,02%. Com isso, a taxa de desemprego subiu de 7% para 9,1% este ano, representando uma redução na taxa de desocupação nessa região, considerada pelo IBGE, uma das mais expressivas, de 2,02%.
A pesquisa aponta que o bom momento da economia de 2012 com perspectivas e ampliações dos direitos da categoria dos profissionais domésticos com a aprovação da PEC das Domésticas, como foi apelidada a medida que garante 16 direitos trabalhistas para babás, faxineiros e cozinheiros, além de outros trabalhadores de residências fomentou a procura de trabalhadoras pela atividade. Em contra partida, em 2013 as famílias ficaram mais resistentes na contratação, temendo os altos encargos trabalhistas.
Um novo perfil de profissional
O IBGE aponta também que muitas dessas profissionais têm buscado estudar visando migrar para outras áreas que ofereceram maior estabilidade financeira. O Brasil é o país com mais trabalhadores domésticos no mundo. São 7,2 milhões de brasileiros na categoria, segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com garantias trabalhistas asseguradas, essas mulheres têm alçado voos cada vez maiores.
Um exemplo disso é da babá Silvana do Nascimento, de 40 anos, que, com determinação, orgulho da profissão e o apoio incondicional da patroa, transformou o sonho de cursar a faculdade de psicologia em realidade. Ela conta que há seis anos saiu do município de Irará, interior da Bahia, determinada a se tornar a primeira universitária da família. Com a ajuda da patroa, a engenheira química Aline Camilo Fonseca, conclui o ensino médio e prestou vestibular, mas não foi aprovada. Persistente, fez mais uma vez, sendo aprovada, e agora, cursando terceiro semestre da faculdade de psicologia, já faz novos planos para sua vida no futuro.
“Não vou dizer que não enfrento preconceito. Ele existe sim. Tanto dos colegas de sala como dos professores, mas isso não me desanima em nada, muito pelo contrário. Quando me perguntam em público qual a minha profissão, falo com orgulho: babá. Os meus planos agora é de comprar um carro e depois de concluir a faculdade montar meu consultório e continuar cuidando de crianças, que é o que mais amo fazer”, comemorou.
A engenheira Aline Camilo conta que sempre incentivou os estudos da babá e que até abriu mão da academia que fazia à noite para que ela pudesse ir para a faculdade.
“Como viajo muito, em épocas de prova dela eu deixo minha filha com minha mãe ou com o pai. Somos apenas nós duas e contamos uma com a outra sempre. Eu incentivo seus estudos porque quero uma pessoa instruída trabalhando ao meu lado. Não acho que o fato de termos posições sociais distintas nos torne diferente ou melhor, uma da outra. Quero que ela cresça e que minha filha assista com orgulho à sua formatura”, disse.
Fonte - Tribuna da Bahia  10/12/2013