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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Prefeitura do Rio retira moradores de rua para coibir delitos

Direitos Humanos

"...a Agência Brasil acompanhou a ação durante mais de uma hora, até as 10h de hoje, e verificou que alguns moradores foram encaminhados para a van da prefeitura, para serem levados à delegacia e depois ao abrigo, mesmo sem querer ajuda das autoridades.
Duas irmãs que dormiam na areia da Praia de Copacabana disseram que não gostariam de voltar ao abrigo de onde tinham saído ontem e onde disseram ter sido maltratadas. Os agentes da prefeitura insistiram em levá-las à van e quando fracassaram, disseram que precisavam levá-las à delegacia para verificar se não tinham cometido nenhum crime...."

Vitor Abdala 
Repórter da Agência Brasil
Prefeitura do Rio retira moradores de rua 
para evitar delitos
Imagem de Arquivo / Agência Brasil
A prefeitura do Rio de Janeiro iniciou hoje (18) uma operação na zona sul e no centro da cidade, com o objetivo de coibir a “prática de pequenos delitos”. Nos bairros de Copacabana e Leme, na zona sul da cidade, os agentes da prefeitura e policiais militares tinham como foco principal o recolhimento de moradores de rua.
“A ideia é dar um ordenamento maior na orla e nessas regiões, atender à população de rua que precisar de ajuda e a polícia, obviamente, enfrentar os pequenos delitos. Há casos em que a fronteira é muito pequena, como um dependente químico que está na rua e pode estar cometendo um delito. Isso é um caso de segurança pública. Se ele não cometeu um delito, obviamente é um caso de assistência social. Mas o morador de rua só é recolhido, se ele quiser”, disse o secretário municipal de Governo, Rodrigo Bethlem.
No entanto, a Agência Brasil acompanhou a ação durante mais de uma hora, até as 10h de hoje, e verificou que alguns moradores foram encaminhados para a van da prefeitura, para serem levados à delegacia e depois ao abrigo, mesmo sem querer ajuda das autoridades.
Duas irmãs que dormiam na areia da Praia de Copacabana disseram que não gostariam de voltar ao abrigo de onde tinham saído ontem e onde disseram ter sido maltratadas. Os agentes da prefeitura insistiram em levá-las à van e quando fracassaram, disseram que precisavam levá-las à delegacia para verificar se não tinham cometido nenhum crime.
Ainda diante da negativa das irmãs, um policial militar interveio dizendo que elas não precisariam ir à delegacia, mas que teriam que sair da praia, mesmo sendo um local público. Em uma praça no bairro do Leme, os agentes da prefeitura, acompanhados de guardas municipais e policiais militares, acordaram um casal que dormia no chão.
Os dois se recusaram a entrar na van e tiveram que ser conduzidos, pelo braço, pelos agentes. Um deles conseguiu escapar e os agentes o perseguiram pela orla. Questionado pela Agência Brasil se os moradores de rua não estavam sendo coagidos ou sendo retirados à força pela prefeitura, o secretário alegou que muitos não tinham documentos e, por isso, precisavam levá-los à delegacia.
“Eles não têm documento, então a polícia nos orientou a encaminhá-los à delegacia. Eles podem ter cometido algum crime e serem foragidos”, disse o secretário à reportagem.
No mesmo momento em que o casal de moradores de rua foi acordado pelos agentes, um recolhedor de apostas do jogo do bicho permaneceu sentado em um banco da praça, sem ser importunado ou sequer abordado por policiais e guardas municipais. Ele apenas recolheu seu material e os guardou. Ninguém pediu para verificar seus documentos.
O jogo do bicho é proibido pelo artigo 58 da Lei de Contravenção Penal que prevê pena de quatro meses a um ano de prisão, além de multa. A Agência Brasil também questionou o secretário por que o contraventor não havia sido abordado pelos agentes. “Tinha jogo do bicho ali? Nem vi. Mas isso é caso de polícia. Nós não somos polícia”, disse Bethlem.
A reportagem questionou então, se o objetivo da operação não era coibir pequenos delitos e se não era justamente essa a razão de policiais militares participarem da operação. O secretário disse então que os policiais deveriam ter agido.
Segundo o secretário, a operação terá caráter permanente e será realizada dia e noite. São quatro equipes com profissionais como guardas municipais, policiais militares, assistentes sociais e agentes de ordem pública.
Fonte - Agência Brasil  18/02/2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

"FAVELINHA" - Um problema ou uma questão social ???...

Salvador a 1ª capital do Brasil

A prefeitura poderia ao invés de tal atitude antipática e truculenta,ter discutido antecipadamente com a comunidade do local a elaboração e criação de um projeto urbanístico para a requalificação,urbanização,reforma e humanização do local implantando ali uma infraestrutura adequada que oferecesse aos ocupantes da área condições de dignidade,inclusão social e cidadania.

Da Redação
foto - a tarde
A ocupação do local chamado "Favelinha" em Salvador já existe lá a décadas,não é nova nem nasceu ontem.Comerciantes ali estabelecidos alegam que pagam seus impostos inclusive IPTU,com licença  e alvará de funcionamento fornecido pela própria prefeitura o que logicamente tornam os seus estabelecimentos devidamente legalizados.A prefeitura ao invés de adotar uma atitude autoritária chegando ao,local as 5 hs da manhã pegando a todos de surpresa sem dar a mínima chance de defesa aos moradores e comerciantes da comunidade,deveria anteriormente ao fato, pelo menos ter promovido um entendimento com a mesma estabelecendo um acordo bilateral e uma estratégia para que tudo ocorresse de maneira plural e pacificamente,evitando assim desgastes políticos,amenizando os prejuízos para os moradores e comerciantes,dando direito a que todos pudessem retirar antecipadamente os seus equipamentos e suas mercadorias,sem o uso da fôrça e coação.Mais ainda que assim o fosse seria apenas um mero "remendo" menos tramático,e certamente estaria longe de ser uma solução mais correta e justa.Essa ideologia e atitude truculenta contribui apenas para aumentar mais ainda a grande desigualdade social e a segregação em nossa cidade cantada com 1ª capital do país...foi um dia e não é mais.Temos ai a velha formula elitista da higienização e faxina social preconizada pelo conceito neoliberal.A prefeitura poderia ao invés de tal atitude antipática e truculenta,ter discutido antecipadamente com a comunidade do local a elaboração e criação de um projeto urbanístico para a requalificação,urbanização,reforma e humanização do local implantando ali uma infraestrutura adequada que oferecesse aos ocupantes da área condições de dignidade,inclusão social e cidadania.Com certeza os resultados colhidos seriam bem diferentes, inclusive com dividendos políticos bem mais saudáveis.E quanto custaria isso???....talvez uma pequena fração do que foi gasto "prioritariamente" na tal "reforma" do rico e chique bairro da Barra onde foram gastos uma fortuna em" MILHÕES",e com apenas alguns "mil reais" e um bom projeto se integraria democraticamente e organizadamente o local e a comunidade (que perderia a pecha de favela) ao bairro dando a todos uma qualidade digna de vida,inclusão social e cidadania.A inclusão social é a unica forma de se resolver os graves problemas da grande distância ainda existente em nossa cidade entre as diversas camadas da população principalmente as mais pobres,periféricas e menos assistidas pelo poder público.O elitismo e o autorismo que hoje predomina nais decisões em ações preconizadas pela administração publica municipal (o que aliais não é um fato novo) da nossa cidade, elege como formula prioritária uma maneira singular para resolver essas questões..."para se acabar com a pobreza basta que se acabe os pobres"....assim o assunto estará sumariamente resolvido....e a desigualdade e a dignidade que se danem.......
A.Luis 10/02/2014