Mostrando postagens com marcador escolha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escolha. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de dezembro de 2013

Para ficar quites - O Brasil e os caças suecos

Política

Jânio de Freitas
Folha de SP
foto - ilustração
O melhor da compra dos caças suecos não está nas condições do negócio nem nas conveniências do avião, já muito conhecidas. Está no momento em que foi comunicada. Foi só o presidente francês François Hollande dar as costas, encerrada a vinda a Brasília com ofertas e um chefão da fábrica do caça Rafale, e Dilma Rousseff noticiou a vitória dos suecos. Ficamos quites com as desfeitas da França de Hollande e de seu antecessor Sarkozy ao Brasil.Não foi a única retribuição dada ao medíocre Hollande. Mas a outra, por acaso concomitante com aquela, aplica-se também a todos os que aqui ridicularizaram a iniciativa de Dilma e do então ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, de apresentar à ONU uma proposta de resolução motivada pela espionagem dos Estados Unidos: estender às comunicações digitais, em todo o mundo, os direitos de proteção já reconhecidos a governos, cidadãos, empresas e entidades.
O "socialista" Hollande não permitiu a adesão da França à proposta. Só a conservadora Angela Merkel, entre os governantes citados na espionagem denunciada, teve a dignidade de juntar-se a Dilma. A resolução foi aprovada por consenso da Assembleia Geral, na quarta-feira, sem sequer precisar de votação. A França de Hollande teve de se curvar. Aqui, para conhecimento (ligeiro) desse êxito, só esmiuçando o noticiário.
Apesar de nem lembrado, foi uma grande vitória também do denunciador Edward Snowden, extensiva ao jornalista Glenn Greenwald, que o ajudou na revelação de injustificáveis espionagens americanas. A nova consequência das denúncias dá-se, aliás, em momento de certa confusão a propósito de asilo de Snowden no Brasil. Minha leitura da sua carta aos brasileiros não vê ali uma proposta de asilo no Brasil em troca de revelações. Seu impedimento de atender a pedidos de senadores brasileiros, "até que um país conceda asilo permanente", aplica-se a qualquer país. E, a meu ver, reflete muito menos um possível pedido do que uma realidade conhecida: mesmo na Rússia, seu asilo provisório está sob a condição de que não revele documentos da espionagem americana.
Daí que não tenha havido recusa do governo brasileiro a asilo de Snowden. Nem decisão negativa de Dilma Rousseff a respeito, só a ela cabendo decidir. A campanha para concessão do asilo está crescendo, mas o fator decisivo, não só no Brasil, será outro. Como ninguém sabe o que Snowden tem ainda a revelar, prevalece o temor de que grandes novidades provoquem reações extremadas dos Estados Unidos. Não é de pedido e concessão que Snowden depende, mas de encontrar, com seus coadjuvantes, solução para os medos que provoca.
A propósito, a eliminação do caça americano, na compra brasileira, está identificada por muitos como represália à espionagem de e-mails de Dilma. Do ponto de vista moral não faz muita diferença, mas outra razão fixou-se desde longe: os americanos não são confiáveis. Por mais que a Boeing ofereça garantias de transferência de tecnologia, acima dela estará sempre o governo americano, para impor limitações e proibições quando queira, por motivos políticos e não necessariamente reais. Com a democracia sueca não há risco.

SEM ESQUECER
João Goulart recebeu de volta, simbolicamente, o seu mandato de presidente, por proposta dos senadores Randolfe Rodrigues e Pedro Simon. Em 2 de abril de 1964 o Congresso declarou vaga a Presidência, por abandono alegado pelo senador paulista Auro de Moura Andrade. Mas era mentira, Jango não saíra do país. Houve, portanto, dois golpes de Estado em 64: o militar e o parlamentar. Este, ainda mais desprezado pela historiografia do que o outro, e isentados os seus articuladores de toda consequência, ainda que apenas como nódoa biográfica. Lá está Moura Andrade, por exemplo, em retrato presidencial no Senado.
Jango ressurge por efeito da passagem do Brasil de "país sem memória" a "país que não esquece". Melhor: que não deixam esquecer. Não é o caso só dos desaparecimentos e torturas. Estão aí, outra vez, as mortes de Jango e de Juscelino. O que torna mais plausíveis as suspeitas de suas causas é sempre o mesmo: a ideia de investigá-las, para chegar-se a uma palavra final em qualquer sentido, levanta a inquietação de pessoas que se ligaram à ditadura, e procuram depreciar qualquer esforço de esclarecimento. Por certo, têm os seus motivos. E outros têm memória.
Fonte - Jânio de Freitas (Flh.de SP)   22/12/2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

População questiona escolha da Cidade Baixa para o réveillon de Salvador

Cidade

Carlos Vianna Junior
TB
foto - ilustração
Com o anúncio do prefeito ACM Neto sobre a mudança do local de celebração do Réveillon, da Barra para a Praça Cairu, a Tribuna quis saber como a população recebeu a novidade. O questionamento mais comum foi sobre a capacidade da praça, onde está o Mercado Modelo.
Apesar de gostarem da ideia, alguns acreditam que ela é muito pequena para receber o número de pessoas que serão atraídas pelas boas atrações. Já estão confirmados shows de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Saulo e Pablo. Outro ponto ressaltado pelos entrevistados é a dificuldade no novo local para a tradicional entrada no mar quando da entrega das oferendas à Rainha das Águas.
A novidade foi bem recebida pelo comerciante Samyr Abidalla, proprietário de um dos boxes do Mercado Modelo, há 20 anos. Ele, no entanto, discorda do fim a festa na Barra. “Poderia ser nos dois lugares. A Barra já tem uma tradição e não se desfaz uma história assim”, disse. Segundo o prefeito ACM Neto, o Réveillon da Barra estará suspenso devido às obras que estão em andamento no local.
Abidalla não acredita que a Praça Cairu tenha problemas para receber o público da festa. “Espaço tem. A segurança é que deveria ser uma preocupação. É uma região com muito sacizeiros”, advertiu. Ele resalta a beleza da praça, mas aponta outra situação que pode ser um ponto negativo para o Réveillon na Cidade Baixa. “As oferendas serão feitas e isso vai ser bonito. O problema é a sujeira da água, ninguém vai querer entrar, ou pelo menos não deveria. Além disso, é um mar com muitas ostras que podem cortar a quem se arriscar”, acrescentou.

Local da Cidade Baixa é um dos mais visitados
Para José Francisco Borges, vendedor de flores na região próxima à Praça Cairu, há mais de 50 anos, a festa pode ser um sonho, mas lhe falta a certeza de ser realizada do jeito que ele pensa. “Vou vender mais flores do que nunca vendi, imagino, mas não sei se vão me deixar aqui, e esse é o problema”, explicou. Ele acredita que o local é perfeito para a celebração da passagem do ano. Para a possibilidade da área não ter capacidade de receber um número grande de pessoas, Borges dá a solução. “Tem a Praça Municipal, lá em cima. As pessoas não precisam descer para ver os shows”, sugere.
O corretor de seguros, Eliezer Alcântara dos Santos, foi um dos poucos que não concordou com a mudança. Para ele a Cidade Baixa não tem condição de sediar eventos desse porte. E não é somente a falta de espaço e de estrutura que lhe faz pensar assim. “A praça fica no fundo do Mercado Modelo, de onde não se tem uma visão do mar e Réveillon e o mar têm que estar juntos”, aponta.
Até quem não conhece Salvador tão bem apresenta motivos para desconfiar que a festa de Ano Novo, realizada na área velha da cidade, pode não ser uma grande ideia. O estudante de Tocantins, fazendo turismo na Cidade Baixa, acredita que esse tipo de festa deveria ser realizada à beira de um mar onde as pessoas possam mergulhar e fazer seus pedidos dentro da água. Mas é sua companheira de viagem quem levanta uma questão não pensada até então. “E esses prédios tão antigos e mal conservados aguentarão a multidão dançando e a força da aparelhagem de som?”, perguntou.
De acordo com o prefeito, o Réveillon vai deixar de acontecer na Barra por conta das obras de requalificação da orla. A festa na Praça Cairu será realizada durante quatro dias. Começa no dia 29 e segue até o dia 1º de janeiro, com o projeto Pôr do Som, de Daniela Mercury. No dia 31 acontecerão shows de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Saulo e Pablo.
A reportagem procurou a assessoria da Saltur para saber maiores detalhes da festa, principalmente em relação às mudanças que devem ocorre no local para adequar a Praça Cairu como espaço de shows. A assessoria informou que todos os detalhes serão anunciados, provavelmente, na próxima quinta-feira, 5. Será anunciada, inclusive, uma grande atração artística cujo nome está mantido em segredo.
Fonte - Tribuna da Bahia  29/11/2013