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domingo, 6 de outubro de 2019

Importância das florestas e seus produtos para o desenvolvimento sustentável são discutidos em painel

Sustentabilidade  🌱🌴

Para discutir o assunto, o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) trouxe a plenária “Florestas e produtos florestais para um futuro mais verde”.Foram convidados para o debate o diretor do programa de Pesquisa GCIAR sobre Florestas, Árvores e Agroflorestas, Vincent Gitz, da Indonésia, e Francisco Razzolini, diretor executivo de Tecnologia Industrial, Inovação e Produtos Sustentáveis da Klabin S/A. A professora Daniela Kleinschmit foi a moderadora da plenária.

Revista Amazônia
iufro2019 Plenarias
Quando o assunto são as mudanças climáticas, a floresta e seus produtos têm ficado no centro das atenções.
Para discutir o assunto, o XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) trouxe a plenária “Florestas e produtos florestais para um futuro mais verde”.
Foram convidados para o debate o diretor do programa de Pesquisa GCIAR sobre Florestas, Árvores e Agroflorestas, Vincent Gitz, da Indonésia, e Francisco Razzolini, diretor executivo de Tecnologia Industrial, Inovação e Produtos Sustentáveis da Klabin S/A. A professora Daniela Kleinschmit foi a moderadora da plenária.
Para dar início ao debate, Daniela destacou que toda discussão tem “duas mãos” e explicou que, ao mesmo tempo que o setor florestal tem tido destaque para resolver as questões climáticas e o aquecimento global, há também os efeitos controversos.
“Os produtos florestas estando no centro podem trazer outros problemas, como o aumento da exploração, possível perda de biodiversidade e a lacuna resultante entre demanda e fornecimento”.
Vicent Gitz concordou, e afirmou que o mundo quer mais árvores, mais florestas e mais madeira, mas que isso não está acontecendo. O pesquisador é líder no programa CGIAR, uma parceria global de pesquisa para um futuro com segurança alimentar, dedicado à redução da pobreza, aprimoramento da segurança alimentar e nutricional e melhoria dos recursos naturais.
Segundo ele, o problema está na economia, que é “estúpida, porque o sistema global de alimentação é o principal drive de desmatamento e má conservação de florestas”. Quando se pensa em madeira, Gitz apontou que um número importante mostra que o consumo per capita é bastante desigual, citando que o consumo na Europa, por exemplo, é seis vezes mais alto do que o da Ásia.
Além disso, ele lembrou que o principal limite para o consumo é a produção regional, à medida que o comércio entre regiões é limitado. “Há potencial de crescimento de demanda, seguindo o crescimento populacional na África e Ásia, locais onde o consumo per capita é baixo.
Também devemos ter em mente que leva tempo para a madeira crescer, e o aumento da demanda pode ser endereçado para o que já está disponível. Do contrário, vamos ‘comer as florestas’”, comentou.
Ele reforçou que a preservação as florestas plantadas representam 7% da superfície de florestas e produzem 47% da madeira bruta, e para fazer estimativas para o aumento de plantações, é preciso levar em conta o que existe de terra disponível e aproveitar os potenciais de reprodução a curto prazo. Mas, segundo o pesquisador, “não há muito para se trabalhar nas florestas. Por isso, o mais importante é trabalharmos na cadeia de valor”.
O problema para isso são os obstáculos, como a estrutura clássica, já que, quando o país e o setor estão em desenvolvimento, falta cadeia de valor organizada, o que dificulta a criação de espaço para investimento econômico.
Na questão econômica, especificamente das florestas e agricultura, ele citou que há uma linha de tempo entre investimentos e retorno, baixas margens operacionais e baixa visibilidade para operações a longo prazo.
Por isso, é preciso falar de políticas de terras, pensando também na competição com outros setores, como a agricultura, por exemplo, que dá retorno mais rápido. Nesse cenário, Vicent Gitz disse que há algumas ações que podem ser propostas, como o zoneamento do uso da terra, que identifica as áreas que são permanentemente de uso florestal e que podem proteger florestas intactas e funções ecossistêmicas.
“Zoneamento de terra pode levar a segurar uso de terra a longo prazo e facilitar financiamentos, pois reconhece valor adicionado a partir dos investimentos originais”, explicou.
Em seguida, ele sugeriu organização e planejamento no desenvolvimento do setor florestal ou parte dele, enquanto que, simultaneamente, usam-se diferentes áreas.
Outro ponto levantado pelo pesquisador foi com relação à transformação política. Ele disse que, em nível nacional, isso merece ser apoiado pela comunidade internacional, por reconhecimento dos ativos globais de preservação e sustentabilidade.
“A cooperação internacional poderia se concentrar em apoio ao ambiente institucional e econômico propício ao desenvolvimento da silvicultura, transferência de tecnologia, facilitação de investimentos e pesquisa e desenvolvimento”, destacou.
Por fim, Gitz ressaltou que toda essa discussão traz implicações para cientistas e pesquisadores, pois as soluções “não são como receita de bolo”.
“Em uma Conferência em Roma que falava de desmatamento, alguns participantes disseram que não precisamos de mais pesquisa, de mais ciência, precisamos agir. Mas nós acreditamos que precisamos, sim, de tudo isso para desenvolver mais soluções”.
Como sugestões, ele citou zoneamento de terras com base em evidências; fundamentos para revisitar os modelos de produção e sua coabitação; e nova análise da curva de transição florestal, para mais florestas e mais produtos de madeira ao mesmo tempo, com mais dados sobre os custos e os benefícios do setor florestal, incluindo restauração de terras e de florestas.
“Temos um número limitado de soluções técnicas testadas com conhecido retorno econômico. Vimos ótimos exemplos no Brasil realizados pela Embrapa para testar projetos de cadeia de valor, para ver como o desenvolvimento técnico pode ser acompanhado com análise de custo-benefício.
Precisamos basear tudo isso com opções de abordagem contextual, em que tanto os tipos de floresta, como o modo de produção e cadeia de valor são adaptados às condições”, concluiu.
Fonte - Revista Amazônia  06/10/2019

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Economia não é eficaz em produzir justiça social e sustentabilidade

Sustentabilidade 🌱 👪

A razão pela qual o desenvolvimento sustentável tornou-se referencial para a ONU é a crise. E a crise decorre de que a economia mundial não atende a objetivos econômicos, sociais e ambientais de maneira holística. Em vez disso, a economia mundial tornou-se eficaz em produzir crescimento econômico, mas é ineficaz em produzir justiça social e desastrosamente contrária à sustentabilidade ambiental”,disse Sachs.

Agência Fapesp
Imagem do Freepik/Portogente
O papel da pesquisa científica e da comunidade do conhecimento na promoção do desenvolvimento sustentável foi o tema de uma videoconferência realizada pelo economista e analista político norte-americano Jeffrey Sachs, no dia 3 de maio último, durante a 8ª Reunião Anual do Global Research Council (GRC). “Necessitamos de ciência para tornar evidente quais são as restrições ambientais e as soluções necessárias. Se a ciência for completamente perdida, não iremos sequer saber que o planeta está se aquecendo, não entenderemos a climatologia e as dimensões do desafio, e não teremos ideia de como mapear o caminho para a segurança”, enfatizou durante o evento.
Na apresentação por videoconferência, Sachs definiu desenvolvimento sustentável como desenvolvimento econômico com justiça social e sustentabilidade ambiental. Segundo ele, essa tríade forneceu o quadro de referência para o Acordo de Paris, formulado no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima em 2015, e subscrito por todos os países-membros da ONU no ano seguinte. “A razão pela qual o desenvolvimento sustentável tornou-se referencial para a ONU é a crise. E a crise decorre de que a economia mundial não atende a objetivos econômicos, sociais e ambientais de maneira holística. Em vez disso, a economia mundial tornou-se eficaz em produzir crescimento econômico, mas é ineficaz em produzir justiça social e desastrosamente contrária à sustentabilidade ambiental”, disse.
O resultado, segundo o analista, é que o sistema econômico mundial cresce, mas cresce desigual e insustentavelmente. Para Sachs, isso requer uma mudança nas políticas públicas, mas também uma mudança nas tecnologias, que precisa ser guiada pelas ciências básicas. E integrar essas três áreas – ciências básicas, engenharias e ciências políticas –, de modo a poder responder às grandes questões da atualidade, constituiria um enorme desafio para o que ele chamou de “comunidade do conhecimento”. A esta caberia liderar o processo, uma vez que os governos estariam intelectualmente despreparados e politicamente desinteressados em enfrentar problemas tão graves como o das mudanças climáticas globais.
De acordo com Sachs, mesmo o melhor cenário vislumbrado no Acordo de Paris, de um aquecimento global menor do que 1,5º C, seria muito perigoso. E não impediria o derretimento das calotas polares. O analista insistiu na necessidade de uma “descarbonização” total do setor energético, com a redução a zero das emissões até meados do século. “Então, precisamos dos engenheiros para nos dizer como isso pode ser feito. De fato, os caminhos para a descarbonização profunda estão atualmente sendo elaborados por engenheiros especialistas”, afirmou.
Na visão de Sachs, a descarbonização profunda constitui o primeiro e o mais premente tópico de uma lista de seis desafios que apresentou na videoconferência. Os demais são, pela ordem: o uso sustentável da terra e a produção de alimentos, preservando os últimos bolsões de biodiversidade do planeta, como a floresta amazônica; saúde e bem-estar, com o controle de doenças transmissíveis e não transmissíveis; educação; urbanização sustentável, considerando que cerca de 2,5 bilhões de pessoas serão incorporadas às cidades nas próximas décadas, compondo com os habitantes urbanos atuais e seus descendentes 70% da população mundial em meados do século; e tecnologia de informação, com ênfase na governança das grandes corporações do setor, de modo a preservar a liberdade e a privacidade dos usuários.
Para enfrentar tais desafios, Sachs enfatizou a importância da integração do conhecimento, apoiada no tripé ciências básicas, engenharias e ciências políticas. “Necessitamos de todas estas três aproximações disciplinares, trabalhando de maneira integrada”, disse.
A palestra reuniu, em São Paulo, dirigentes de agências de fomento à pesquisa de meia centena de países dos cinco continentes. A reunião do GRC foi organizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelo Consejo Nacional de Investigaciones Científicas e Técnicas (Conicet), da Argentina, e pela German Research Foundation (DFG), da Alemanha.

Sachs
Autor do best-seller The End of Poverty (O Fim da Pobreza), entre outras obras de impacto, Sachs é uma das maiores autoridades mundiais na área do desenvolvimento sustentável, tendo atuado, sucessivamente, como consultor especial de três secretários-gerais da Organização das Nações Unidas (ONU): Kofi Annan, Ban Ki-Moon e António Guterres. Além de governantes de diversos países da América Latina, África, Ásia e Leste Europeu.
Atualmente com 64 anos, dirigiu o Earth Institute da Columbia University, onde detém o título de University Professor, a mais alta qualificação que as instituições de ensino superior dos Estados Unidos concedem aos integrantes de seus corpos docentes.
Fonte - Portogente 08/05/2019

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Primeiro relatório global do Centro RIO+ é lançado hoje (22) na África

Sustentabilidade

Para apoiar a formulação de políticas para o desenvolvimento sustentável e trazer uma análise atualizada sobre as iniciativas inovadoras que florescem em todo o continente africano, o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável do PNUD (Centro RIO+) e o Centro Regional do PNUD para a África lançaram nesta quarta-feira, 22 de junho, em Gaborone, capital da Botsuana, o primeiro relatório global do Centro RIO+.

Revista Amazônia
Capa do relatório do Centro RIO+.
Foto - ONU/A. Purcell
Tornar o desenvolvimento sustentável uma realidade até 2030 exigirá uma transformação substancial nas práticas atuais de desenvolvimento. O aumento significativo do número e da qualidade de iniciativas para o desenvolvimento social na África traz esperança renovada e entusiasmo, estabelecendo bases mais sólidas para a sustentabilidade. Esta mudança positiva pode ser uma poderosa força para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sejam cumpridos até o prazo de 2030.
Para apoiar a formulação de políticas para o desenvolvimento sustentável e trazer uma análise atualizada sobre as iniciativas inovadoras que florescem em todo o continente africano, o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável do PNUD (Centro RIO+) e o Centro Regional do PNUD para a África lançaram nesta quarta-feira, 22 de junho, em Gaborone, capital da Botsuana, o primeiro relatório global do Centro RIO+.
O relatório “Proteção Social para o Desenvolvimento Sustentável: Diálogos entre África e Brasil” foi lançado em um evento da União Africana dedicado à elaboração do novo protocolo africano sobre desenvolvimento sustentável.
A publicação global baseia-se nas contribuições e recomendações do Seminário Internacional sobre Proteção Social realizado em Dacar, capital do Senegal, em abril de 2015, fruto da colaboração do PNUD (Centro RIO+ e Centro Regional para a África), a União Africana e os governos do Senegal e do Brasil.
As recomendações do evento de Dacar foram posteriormente aprovadas e adotadas pelos ministros africanos na primeira sessão do Comitê Técnico Especializado sobre o Desenvolvimento Social, Trabalho e Emprego e na Vigésima Quinta Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
O evento de Dacar identificou uma demanda crescente por análise atualizada de políticas inovadoras e criativas para o desenvolvimento sustentável e por mais diálogo entre a África e o Brasil sobre iniciativas para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Serviço:
Página do relatório global do Centro RIO+ (em inglês): -https://riopluscentre.org/sp4sd/-
Página de publicações globais do PNUD: -www.undp.org/content/undp/en/home/librarypage/poverty-reduction/-

Sobre o Centro RIO+
O Centro RIO+ foi criado como um legado da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) com o objetivo de manter vivos os compromissos para o desenvolvimento sustentável, tanto no debate público quanto na tomada de decisão.
Fundado em junho de 2013 na cidade do Rio de Janeiro como uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Governo do Brasil, o Centro RIO+ é um dos seis centros globais de excelência do PNUD, trabalhando em estreita colaboração com o Departamento de Apoio a Políticas e Projetos em Nova York e com os escritórios nacionais do PNUD em 166 países.
O Centro RIO+ é um polo mundial de convergência de ideias e ações para o desenvolvimento sustentável, produzindo análises e evidências para os escritórios nacionais do PNUD e para os países do Sul Global, para apoiar a implementação de políticas públicas e fortalecer o envolvimento dos cidadãos nos debates internacionais sobre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Fonte - Revista Amazônia 22/06/2016

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Marcha das Margaridas chega à Esplanada dos Ministérios

Direitos Humanos

Neste ano, a 5ª edição da Marcha das Margaridas tem como tema "Margaridas seguem em marcha pelo desenvolvimento sustentável com democracia, justiça autonomia, liberdade e igualdade". Além de reivindicações históricas como agilidade na reforma agrária e igualdade de direitos

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Ag.Brasil
A Marcha das Margaridas iniciou por volta das 8h30, caminhada em direção à Esplanada dos Ministérios. A mobilização das trabalhadoras rurais saiu do Estádio Nacional Mané Garrincha e vai seguir até o Congresso Nacional, em um percurso de cerca de 5 km. De acordo com Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que é a entidade organizadora do evento, 70 mil pessoas participam da marcha. A Polícia Militar ainda não informou a estimativa de público.
Neste ano, a 5ª edição da Marcha das Margaridas tem como tema "Margaridas seguem em marcha pelo desenvolvimento sustentável com democracia, justiça autonomia, liberdade e igualdade". Além de reivindicações históricas como agilidade na reforma agrária e igualdade de direitos, as manifestantes também pedem reforma política e até a saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ao entoarem nos carros de som: "Marcha mulherada! Sua bandeira na mão empunha. Viemos de todo canto, botar pra fora Eduardo Cunha".
Além das trabalhadoras rurais, a marcha também tem participação de centrais sindicais e outros movimentos sociais. Às 11horas, as margaridas serão homenageadas em sessão solene no Senado e às 15h encontrarão a presidenta Dilma Rousseff, que deve dar uma resposta ao movimento sobre a pauta de reivindicações entregue ao governo no início de julho.
Fonte - Agência Brasil  12/08/2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Aplicações em ciência e tecnologia podem ajudar país a sair da crise, diz Rebelo

Ciência e Tecnologia 

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, defende mais investimentos para o setor, na abertura da reunião da SBPC, em São Carlos (SP).Segundo ele, é fundamental que se entenda que a pesquisa é o único caminho para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Maiana Diniz
Repórter da Agência Brasil 
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, defendeu hoje (13), em São Carlos, São Paulo, a importância da ciência e da tecnologia como ferramentas para a solução dos problemas do país nas mais diversas áreas, como defesa, agricultura e infraestrutura. Segundo ele, é fundamental que se entenda que a pesquisa é o único caminho para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
O ministro avalia que o investimento em inovação, que é a ciência e a tecnologia aplicada, pode ajudar o país a superar a crise econômica, pois aumenta a competitividade das empresas brasileiras e aumenta a geração de impostos. “Apoiando-se a ciência e o desenvolvimento tecnológico na indústria e no setor de serviços, o país ganha competitividade. Ou seja: as empresas geram mais empregos, têm lucro e geram tributos. Assim poderão ter participação no mercado mundial compatível com a importância do Brasil”, avaliou.
Em São Carlos, interior de São Paulo, para a abertura da 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Aldo Rebelo disse que acha um equívoco que a ciência tenha sido retirada do texto de regulamentação do fundo social do pré-sal, no Congresso Nacional, que destinou metade dos recursos para saúde e educação. “Não vejo como fazer educação e saúde sem ciência”, declarou, dizendo que a pesquisa científica é fundamental para “todas as áreas”.
Rebelo defendeu o aumento dos investimentos públicos e privados no setor e a inclusão do tema na regulamentação dos 50% restantes dos recursos do fundo social do pré-sal. Ele também anunciou a entrega, em breve, de uma proposta construída com as principais instituições científicas do país para uso de parte desse fundo à presidenta Dilma Rousseff.
Na instalação da programação científica da reunião da SBPC, o ministro recebeu um documento dos estudantes da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) pedindo a manutenção de investimentos em pesquisas que, segundo eles, ficaram comprometidas pelo corte de quase R$ 2 bilhões no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Rebelo avaliou que os cortes no setor são passageiros e que os principais programas não foram comprometidos. Segundo ele, a prioridade do ministério é recompor o orçamento da União e dos estados, buscando fontes externas para garantir os recursos.
Segundo o ministro, o Brasil tem aumentado os investimentos no setor. Na sua avaliação. os recursos destinados à ciência mostram curva ascendente nos últimos 15 anos, no país. Atualmente, acrescentou que o Brasil passa por um momento de contração de recursos, "mas isso é passageiro“, acredita.
O ministro reconheceu que o fato de o Brasil, sétima economia do mundo, não responder nem por 2% da publicação científica mundial não é bom, mas ressalta que nos últimos anos o país avançou muito. “Deve ser levado em conta nosso passado recente. Se isso for feito, o Brasil avançou bastante. A nossa posição em geral é essa, mas em algumas áreas temos mais destaque“, afirmou.
Fonte - Agência Brasil  13/07/2015

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Flip debate papel do urbanismo para a construção de uma cidade mais democrática

Cidadania

Um dos fundadores do Observatório de Favelas, que desenvolve trabalhos sociais na periferia do Rio de Janeiro, Jailson de Sousa acredita que as políticas públicas de segurança aplicadas em favelas tem como eixo a repressão e a polícia atua apenas para combater a criminalidade. 

Flávia Villela 
Repórter da Agência Brasil  
foto - ilustração
O papel do urbanismo na construção de uma cidade mais democrática, acessível e menos desigual foi o tema da primeira mesa hoje (31), no segundo dia da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2014. Para a sul-africana Rene Uren, que é conselheira da cooperação alemã para o desenvolvimento sustentável na área de prevenção de crime e da violência na África do Sul, se a comunidades oferecer dignidade, infraestrutura, equipamentos sociais e serviços básicos, a presença policial não precisa ser ostensiva.
"As moradias feitas pelo governo [sul-africano] têm cerca de 20 metros quadrados, sem paredes internas, que abrigam muitas vezes famílias de oito pessoas", explicou ao citar que as condições precárias contribuem para a proliferação de gangues e assassinatos. "Na minha comunidade 33 mil pessoas moram em uma área planejada para 3 mil pessoas. Temos uma média de dez mortes a cada 11 dias", a maioria de adolescentes, ressaltou.
Um dos fundadores do Observatório de Favelas, que desenvolve trabalhos sociais na periferia do Rio de Janeiro, Jailson de Sousa acredita que as políticas públicas de segurança aplicadas em favelas tem como eixo a repressão e a polícia atua apenas para combater a criminalidade. A lógica de guerra e combate está arraigada nos policiais que entram para a corporação, argumentou ele. “Eles não querem ser mediadores de conflitos, trabalhar a pé", disse. "Precisamos construir um modelo de segurança que incorpore mais a população local que veja a segurança como um direito do cidadão".
A antropóloga Paula Miraglia, especialista em temas como prevenção da violência, segurança pública e urbanismo, acredita que um dos desafios das cidades hoje é promover a conexão entre a periferia e o centro. Para ela, a violência é resultado das desigualdades estruturais que ainda não foram superadas no país e de um modelo de desenvolvimento que não considera a segurança como um direito, mas como um privilégio garantido pelo setor privado. "As cidades brasileiras não podem ser pensadas como negócio, " defendeu ela."Temos uma das maiores populações carcerárias do mundo e ainda assim a violência não para de crescer", disse.
"É necessário ter um modelo de crescimento que agregue e beneficie o conjunto das cidades, que não seja excludente", disse. Para a antropóloga, cidades mal planejadas geram e perpetuam desigualdades e consequentemente a violência. "Belo Monte virou uma grande cracolândia", comentou ao citar a construção da Hidrelétrica de Belo Monte como exemplo de grandes empreendimentos que provocam impactos negativos nas cidades pela falta de planejamento.
Fonte - Agência Brasil  31/07/2014