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domingo, 28 de setembro de 2014

Pequenos investidores garantem recorde na venda de títulos públicos por internet

Economia

A venda de títulos públicos a pessoas físicas pela internet somou R$ 3,39 bilhões em 2014. Segundo dados divulgados na última semana pelo Tesouro Nacional, as vendas de papéis por meio do Programa Tesouro Direto aumentaram 37,4% em relação aos oito primeiros meses do ano passado.

Wellton Máximo 
Repórter da Agência Brasil 

Atraídos pela segurança e pela rentabilidade, cada vez mais investidores têm comprado papéis do governo. A venda de títulos públicos a pessoas físicas pela internet somou R$ 3,39 bilhões em 2014. Segundo dados divulgados na última semana pelo Tesouro Nacional, as vendas de papéis por meio do Programa Tesouro Direto aumentaram 37,4% em relação aos oito primeiros meses do ano passado.
O montante é o maior registrado desde o início do programa, em 2002. A composição das vendas mostra que a maioria dos aplicadores quer se proteger da inflação. No ano, os títulos mais demandados foram os corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), responsáveis por 49,94% das vendas de janeiro a agosto.
Os investimentos de menor valor continuaram a liderar a preferência dos aplicadores. As vendas abaixo de R$ 5 mil concentraram 63,4% das operações no ano. “O Tesouro Direto foi criado justamente para atrair o pequeno investidor, que pode descobrir outros tipos de aplicações no sistema financeiro”, declara Fernando Garrido, coordenador-geral de Operações da Dívida Pública.
O sistema tem atraído principalmente investidores de até R$ 5 mil, que concentraram 63,4% das operaçõesMarcello Casal / Agência Brasil
Em segundo lugar, vieram os papéis prefixados (com juros definidos antecipadamente), que responderam por 29,41% das vendas. Em terceiro, ficaram os títulos vinculados à taxa Selic (juros básicos da economia), com participação de 20,64% no ano.
O número total de investidores cadastrados no programa alcançou 419.037, o que representa aumento de 15,7% nos últimos 12 meses. Somente em agosto, 6.221 participantes aderiram ao Tesouro Direto, o segundo maior volume mensal de ingressos, perdendo somente para julho, quando 6.333 pessoas passaram a fazer parte do programa.
Para Fernando Garrido, as taxas dos títulos públicos e o maior conhecimento da população contribuíram para a disseminação do Tesouro Direto. “Os títulos públicos estão rendendo em torno de 12,3% ao ano. É uma aplicação de retorno garantido. Isso atrai os investidores que buscam segurança”, diz.
A adesão crescente tem ampliado o volume de papéis aplicados por intermédio do programa. Atualmente, o estoque de títulos públicos aplicados no Tesouro Direto está em R$ 13,968 bilhões, alta de 22,63% em relação ao fim do ano passado. Desse total, 64% correspondem a títulos corrigidos pela inflação, 24% a papéis prefixados e 11,5% a títulos vinculados à Selic. Existe um resíduo de 0,6% de títulos atrelados ao dólar, tipo de papel não mais vendido no programa.
O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas possam adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só tem que pagar uma taxa à corretora responsável pela custódia dos títulos. Mais informações podem ser obtidas no site doTesouro Direto.
A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor com um adicional, que pode variar de acordo com a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente.
Fonte - Agência Brasil  28/09/2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

Operação de venda da Alstom acende nacionalismo francês

Economia

O caso que mobiliza até o presidente francês, , também colocou novamente sob os holofotes o problema da desindustrialização da França.
Considerada, como diz o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, "o símbolo da potência industrial e da engenhosidade francesas", a Alstom é uma empresa com atividades altamente estratégicas: fornece turbinas para centrais nucleares e detém tecnologias e cobiçados segredos industriais nessa área. 

Valor Econômico
foto - ilustração
Até amanhã, deverá ser anunciado o nome do comprador das atividades de energia da francesa Alstom, disputadas pela americana General Electric (GE) e pela alemã Siemens. A resposta está longe de ser o simples desfecho de uma grande aquisição como tantas outras, estimada em mais de € 10 bilhões. A operação, que vem sendo chamada no país de "desmantelamento da Alstom", se tornou um assunto de Estado na França, embora o governo não seja mais acionista da companhia desde 2006.
O caso que mobiliza até o presidente francês, François Hollande, também colocou novamente sob os holofotes o problema da desindustrialização da França.
Considerada, como diz o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, "o símbolo da potência industrial e da engenhosidade francesas", a Alstom é uma empresa com atividades altamente estratégicas: fornece turbinas para centrais nucleares e detém tecnologias e cobiçados segredos industriais nessa área. Para o governo francês, trata-se ainda de uma questão de independência energética. A Alstom também fabrica o famoso trem-bala francês, TGV, mas o segmento de transportes não está incluído nas negociações.
Desde quinta-feira passada, quando foi revelado o possível acordo entre a GE e a Alstom para a compra das atividades de energia do grupo (que representam € 14 bilhões - 73% de seu faturamento), o governo francês tem expressado preocupação e "vigilância patriótica", nas palavras de Montebourg, com a operação que envolve essa "joia" da indústria nacional.
O governo francês tem se empenhado em atrasar a venda e tentado até mesmo pôr fim às negociações com a GE. A oferta de compra feita pela americana deveria ter sido oficializada ontem. A Siemens, que surgiu como "penetra da festa" no fim de semana, ao também apresentar uma proposta de aquisição das atividades de energia da Alstom, tem a preferência declarada das autoridades francesas. A proposta da Siemens deverá ser oficializada hoje.
"Ou somos comprados pela Boeing ou construímos uma Airbus ", afirmou Montebourg. Em outras palavras, o fabricante de turbinas e outros equipamentos para centrais elétricas e que atua ainda no setor de energias renováveis (fabricante de torres eólicas offshore, por exemplo) teria futuro, ao lado da Siemens, como um gigante europeu do setor de energia, na avaliação do governo francês, que não vê as mesmas possibilidades de expansão no caso da GE. Em janeiro, Hollande já havia evocado a criação de uma "Airbus da energia".
Hollande se reuniu ontem, no palácio do Eliseu, com os presidentes mundiais da GE, Jeffrey Immelt - que afirmou ter tido um diálogo "aberto, amistoso e construtivo" com o líder francês- e da Siemens, Joe Kaeser, e também ainda com Martin Bouygues, do grupo Bouygues, principal acionista da Alstom, com 29,4% do capital, para pedir um prazo além de quarta-feira para analisar as ofertas das companhias. "O governo tem obrigatoriamente algo para dizer", disse Hollande.
Apesar das declarações, ontem, do ministro da Economia, de que "as empresas francesas não são um presa" (um animal caçado) e que o governo se recusa "a ser colocado diante do fato consumado", a Alstom já poderá, a partir de hoje, ter novo dono. Seu nome deverá se juntar a uma lista cada vez mais longa de indústrias francesas compradas ou que passaram a ter acionistas estrangeiros com peso nas decisões.
Um dos exemplos mais recentes é o da montadora PSA Peugeot Citroën, que se tornou uma companhia franco-chinesa em fevereiro, após a entrada do grupo Dongfeng em 14% do capital (o Estado francês também adquiriu 14% da empresa). Em abril, foi a vez da cimenteira Lafarge fazer uma fusão com sua concorrente suíça Holcim para criar um gigante mundial do setor, com sede na Suíça. Em 2011, o grupo belga Solvay adquiriu a Rhodia, uma das principais indústrias químicas da França.
Outros casos mais antigos, e também emblemáticos, são o da compra da Alcan, em 2007, pelo conglomerado anglo-australiano Rio Tinto, e a aquisição da Arcelor (que integrava a francesa Usinor) pelo grupo siderúrgico indiano Mittal, em 2006. Segundo estatísticas oficiais, a indústria francesa perdeu 40% de seus empregos nos últimos 40 anos. Apenas nos últimos três, mais de mil fábricas foram fechadas no país.
"A operação da Alstom é o símbolo do retrocesso industrial da França", afirma o economista Elie Cohen, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França. "Não temos a cultura dos grandes conglomerados tecnológicos, como os alemães, coreanos ou japoneses. E não temos acionistas de longo prazo", afirma Cohen.
"O patriotismo econômico francês não tem muito sentido porque a maior parte de nossas empresas já são mundiais. O problema é ter empresas francesas mais fortes, que sejam capazes de investir no exterior e não o contrário", afirma o economista Marc Touati, da consultoria ACDEFI.
Fonte - Revista Ferroviária  29/04/2014

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Venda de armas de fogo caiu 40,6% após Estatuto do Desarmamento

Vinícius Lisboa
Repórter da Agência Brasil

Foto - ilustração
Rio de Janeiro - A venda de armas caiu 40,6%, por pessoa, desde que entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento, em 2003. O número foi apresentado nesta segunda-feira (1º) pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri. Ele também ocupa interinamente a função de ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
Fundamentados na Pesquisa de Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os cálculos de Marcelo Neri mostram que, de 2003 para 2009, o número de armas compradas caiu de 57 mil para 37 mil, uma queda de 35%. A queda foi maior do que 30% no Sudeste, e superior a 50% no Norte e no Nordeste. Na Região Sul houve aumento nas vendas (21%).
Ao traçar o perfil do comprador de armas no Brasil, o presidente do Ipea apontou que os homens têm oito vezes mais chances de comprar uma arma de fogo do que as mulheres. Outra característica é a idade: homens e mulheres de 20 a 29 anos têm a proporção 172% maior de compra do que a população 20 anos mais velha.
Os analfabetos e os consumidores com até três anos de estudo compram duas vezes mais do que os passaram mais de 12 anos na escola. Pertencer à classe C é outro traço do perfil apontado pelo levantamento. A proporção de compra de armas supera em 7,5% a dos enquadrados nas classe AB e em 103% os da classe E.
Fonte - Agência Brasil  01/04/2013