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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Crise econômica atinge a França, que já registra estagnação

Internacional

O presidente francês, François Hollande, dirige um país em plena crise - Os resultados detalhados sobre o PIB francês entre os meses de abril e junho confirmam o que foi antecipado em meados de agosto, o que levou o governo a reconhecer que o país não cumprirá seus objetivos em 2014.

Por Redação - CB
Agências internacionais - Paris

A França registrou estagnação no segundo trimestre, após também ter estagnado nos primeiros três meses do ano, informou nesta terça-feira a agência de estatísticas INSEE, confirmando estimativa preliminar. O relatório da INSEE sobre o Produto Interno Bruto (PIB) também mostrou que as margens de lucro corporativo tiveram leve queda no segundo trimestre, para 29,3% ante 29,8% no trimestre anterior. A taxa de poupança de famílias permaneceu estável em 15,9%, enquanto o crescimento da receita disponível bruta desacelerou para 0,5% ante 1,3% no primeiro trimestre, segundo a INSEE. Os resultados detalhados sobre o PIB francês entre os meses de abril e junho confirmam o que foi antecipado em meados de agosto, o que levou o governo a reconhecer que o país não cumprirá seus objetivos em 2014.
No conjunto do ano, a França acumula um crescimento de 0,3%. As exportações, que tinham avançado 0,6% no primeiro trimestre, desaceleraram para alta de 0,1%, enquanto as importações diminuíram quatro décimos, até 0,4%. No total, o comércio exterior teve um impacto negativo de 0,1 ponto percentual no PIB do segundo trimestre, acrescentou o INSEE.
Por sua parte, a despesa de consumo das famílias subiu 0,4%, após queda de 0,6% no primeiro trimestre, mas a formação bruta de capital fixo (o investimento) prosseguiu sua tendência de baixa, passando de queda de 0,9% para recuo de 1,1%. Já a produção de bens se contraiu 0,1%, após o avanço de 0,2% no trimestre anterior.
Em linha com a crise europeia, nas contas da Organização Mundial do Comércio (OMC), o comércio mundial de bens crescerá 3,1% neste ano, bem menos que os 4,6% estimados em abril deste ano, disse nesta terça-feira. A OMC informou que reduziu sua projeção devido a um crescimento econômico fraco e a uma demanda baixa por importação no primeiro semestre de 2014. A organização acrescentou que o crescimento do comércio em 2015 provavelmente alcançará 4,0%, em vez de 5,3%, como se esperava no relatório anterior.
Fonte - Correio do Brasil   23/09/2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

GE melhora sua oferta de compra da francesa Alstom

Internacional

Os comentários, feitos depois de uma reunião entre Hollande e o presidente-executivo da GE, Jeff Immelt, indicaram uma mudança de tom em Paris. O governo francês tinha até agora criticado a oferta de US$ 16,9 bilhões da GE pela unidade de energia da Alstom, e no começo deste mês aprovou um decreto garantindo para si poderes de vetar qualquer acordo.

Reuters/ Valor Econômico
foto - ilustração
O conglomerado americano General Electric (GE) melhorou sua oferta pela fabricante francesa de trens e turbinas Alstom. O destaque ficou por conta do impacto do negócio sobre empregos, disse ontem uma autoridade do escritório do presidente francês François Hollande.
Os comentários, feitos depois de uma reunião entre Hollande e o presidente-executivo da GE, Jeff Immelt, indicaram uma mudança de tom em Paris. O governo francês tinha até agora criticado a oferta de US$ 16,9 bilhões da GE pela unidade de energia da Alstom, e no começo deste mês aprovou um decreto garantindo para si poderes de vetar qualquer acordo.
Na tarde da terça-feira, Immelt disse a parlamentares franceses que seu grupo apresentará compromissos detalhados para aumentar os empregos na França, inclusive abrindo novas instalações.
Immelt disse também que a GE está considerando uma aliança em sinalização de ferrovias que daria à Alstom o controle desse negócio, tentando contornar, dessa forma, os receios do governo francês. O governo teme que uma simples venda do negócio de energia enfraqueceria o outrora resgatado grupo de engenharia, ao reduzi-lo para apenas sua unidade de transporte, de menor importância.
"Hoje podemos ver que a oferta da GE foi detalhada, melhorada, reforçada", disse a autoridade no escritório de Hollande, acrescentando, porém, que ainda há "algum trabalho a ser feito".
Fonte - Revista Ferroviária  29/05/2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

Operação de venda da Alstom acende nacionalismo francês

Economia

O caso que mobiliza até o presidente francês, , também colocou novamente sob os holofotes o problema da desindustrialização da França.
Considerada, como diz o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, "o símbolo da potência industrial e da engenhosidade francesas", a Alstom é uma empresa com atividades altamente estratégicas: fornece turbinas para centrais nucleares e detém tecnologias e cobiçados segredos industriais nessa área. 

Valor Econômico
foto - ilustração
Até amanhã, deverá ser anunciado o nome do comprador das atividades de energia da francesa Alstom, disputadas pela americana General Electric (GE) e pela alemã Siemens. A resposta está longe de ser o simples desfecho de uma grande aquisição como tantas outras, estimada em mais de € 10 bilhões. A operação, que vem sendo chamada no país de "desmantelamento da Alstom", se tornou um assunto de Estado na França, embora o governo não seja mais acionista da companhia desde 2006.
O caso que mobiliza até o presidente francês, François Hollande, também colocou novamente sob os holofotes o problema da desindustrialização da França.
Considerada, como diz o ministro da Economia, Arnaud Montebourg, "o símbolo da potência industrial e da engenhosidade francesas", a Alstom é uma empresa com atividades altamente estratégicas: fornece turbinas para centrais nucleares e detém tecnologias e cobiçados segredos industriais nessa área. Para o governo francês, trata-se ainda de uma questão de independência energética. A Alstom também fabrica o famoso trem-bala francês, TGV, mas o segmento de transportes não está incluído nas negociações.
Desde quinta-feira passada, quando foi revelado o possível acordo entre a GE e a Alstom para a compra das atividades de energia do grupo (que representam € 14 bilhões - 73% de seu faturamento), o governo francês tem expressado preocupação e "vigilância patriótica", nas palavras de Montebourg, com a operação que envolve essa "joia" da indústria nacional.
O governo francês tem se empenhado em atrasar a venda e tentado até mesmo pôr fim às negociações com a GE. A oferta de compra feita pela americana deveria ter sido oficializada ontem. A Siemens, que surgiu como "penetra da festa" no fim de semana, ao também apresentar uma proposta de aquisição das atividades de energia da Alstom, tem a preferência declarada das autoridades francesas. A proposta da Siemens deverá ser oficializada hoje.
"Ou somos comprados pela Boeing ou construímos uma Airbus ", afirmou Montebourg. Em outras palavras, o fabricante de turbinas e outros equipamentos para centrais elétricas e que atua ainda no setor de energias renováveis (fabricante de torres eólicas offshore, por exemplo) teria futuro, ao lado da Siemens, como um gigante europeu do setor de energia, na avaliação do governo francês, que não vê as mesmas possibilidades de expansão no caso da GE. Em janeiro, Hollande já havia evocado a criação de uma "Airbus da energia".
Hollande se reuniu ontem, no palácio do Eliseu, com os presidentes mundiais da GE, Jeffrey Immelt - que afirmou ter tido um diálogo "aberto, amistoso e construtivo" com o líder francês- e da Siemens, Joe Kaeser, e também ainda com Martin Bouygues, do grupo Bouygues, principal acionista da Alstom, com 29,4% do capital, para pedir um prazo além de quarta-feira para analisar as ofertas das companhias. "O governo tem obrigatoriamente algo para dizer", disse Hollande.
Apesar das declarações, ontem, do ministro da Economia, de que "as empresas francesas não são um presa" (um animal caçado) e que o governo se recusa "a ser colocado diante do fato consumado", a Alstom já poderá, a partir de hoje, ter novo dono. Seu nome deverá se juntar a uma lista cada vez mais longa de indústrias francesas compradas ou que passaram a ter acionistas estrangeiros com peso nas decisões.
Um dos exemplos mais recentes é o da montadora PSA Peugeot Citroën, que se tornou uma companhia franco-chinesa em fevereiro, após a entrada do grupo Dongfeng em 14% do capital (o Estado francês também adquiriu 14% da empresa). Em abril, foi a vez da cimenteira Lafarge fazer uma fusão com sua concorrente suíça Holcim para criar um gigante mundial do setor, com sede na Suíça. Em 2011, o grupo belga Solvay adquiriu a Rhodia, uma das principais indústrias químicas da França.
Outros casos mais antigos, e também emblemáticos, são o da compra da Alcan, em 2007, pelo conglomerado anglo-australiano Rio Tinto, e a aquisição da Arcelor (que integrava a francesa Usinor) pelo grupo siderúrgico indiano Mittal, em 2006. Segundo estatísticas oficiais, a indústria francesa perdeu 40% de seus empregos nos últimos 40 anos. Apenas nos últimos três, mais de mil fábricas foram fechadas no país.
"A operação da Alstom é o símbolo do retrocesso industrial da França", afirma o economista Elie Cohen, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França. "Não temos a cultura dos grandes conglomerados tecnológicos, como os alemães, coreanos ou japoneses. E não temos acionistas de longo prazo", afirma Cohen.
"O patriotismo econômico francês não tem muito sentido porque a maior parte de nossas empresas já são mundiais. O problema é ter empresas francesas mais fortes, que sejam capazes de investir no exterior e não o contrário", afirma o economista Marc Touati, da consultoria ACDEFI.
Fonte - Revista Ferroviária  29/04/2014

domingo, 30 de setembro de 2012

A fuga dos ricaços na França

Foto  Pregopontocom
Por Altamiro Borges
Nesta sexta-feira (28), o presidente François Hollande apresentou a proposta de orçamento do governo francês para 2013. Ela prevê aumento da arrecadação tributária de 20 bilhões de euros (cerca de R$ 52 bilhões), com a elevação dos impostos cobrados dos ricaços e das grandes corporações empresariais. O projeto também fixa a redução de gastos públicos, numa política de austeridade fiscal contrária aos serviços públicos. Com isso, o governo pretende atingir a meta do déficit de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013.
O projeto, que nem corresponde aos anseios da população francesa que elegeu Hollande em maio passado, já gerou forte gritaria dos bilionários – com o apoio da mídia rentista. Eles afirmam que o aumento de impostos desestimula a economia e afugenta os negócios. Diante da grave crise que afunda a França – o banco central já admite uma contração de 0,1% no PIB no terceiro trimestre na segunda maior economia da zona do euro –, os ricaços propõem a demissão de servidores e o corte nos direitos trabalhistas no setor privado.
De Porsche, eles fogem para Bélgica
O item mais atacado da proposta orçamentária, que ainda será votada pelo parlamento, é o que cria um imposto sobre aqueles que ganham mais de 1 milhão de euros por ano. O governo alega que está medida, válida por dois anos, afetará apenas cerca de 2 mil bilionários da França e que o aumento dos impostos para as pessoas físicas resultará numa arrecadação de 10 bilhões de euros para os cofres públicos. “É um orçamento de combate para a justiça social”, argumenta o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault.
Mas os ricaços e rentistas, maiores culpados pelo colapso das economias capitalistas da Europa, não estão dispostos a contribuir na superação da crise e no enfrentamento dos graves problemas sociais. Mesquinhos e arrogantes, eles querem apenas manter os seus privilégios – e danem-se os 3 milhões de desempregados e desamparados. Na semana passada, o jornalista Graciliano Rocha, da Folha, revelou que os ricaços franceses já “fazem as malas para evitar a taxação sobre fortunas”. De Porsche, “eles fogem para a Bélgica”.
O ricaço da Louis Vuitton
“A Bélgica virou um dos destinos preferenciais de uma leva de refugiados que chegam em carros de luxo, ostentam relógios caros e não são capazes de viver sem o champanhe da terra natal. Em cada vez maior número, milionários franceses fazem as malas e partem em direção a países que não aplicam taxação sobre a fortuna, como Suíça e Reino Unido”. Bernard Arnault, dono de conglomerado de luxo Louis Vuitton e o homem mais rico da França, pediu recentemente cidadania belga. Outros ricaços já fizeram o mesmo percurso.
“Os ‘expatriados fiscais’, como são chamados, evitam jornalistas. A Folha teve negados os seus pedidos de entrevista. Em parte, esse comportamento deriva da controvérsia provocada por Bernard Arnault. O bilionário francês virou um dos assuntos mais candentes no país, tema de editoriais da imprensa e capa de jornais satíricos... A reportagem levou 90 minutos para atravessar os oito quilômetros que ligam o Uccle [novo paraíso dos ricaços] ao centro de Bruxelas, presa num engarrafamento de Porsches, Jaguares e Land Rovers”.
Caridade por motivos mesquinhos
A fuga dos ricaços da França lembra a música de Cazuza: “A burguesia fede”. Até quando ela faz caridade é por motivos mesquinhos e pragmáticos. Recentemente, o banco Credit Suisse fez um estudo sobre “A filantropia da nova geração”, com base na lista dos 150 milionários “filantropos” da revista Forbes. O resultado é chocante. Julia Chu, responsável pela pesquisa, constatou que eles encaram a assistência social com o olhar nos negócios – 44% esperam retorno dos “investimentos sociais” em menos de dez anos.
Fonte - Blog do Miro  30/09/2012