Mostrando postagens com marcador Crise da Europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise da Europa. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de junho de 2013

Centrais sindicais preparam nova greve geral em Portugal contra medidas de austeridade do governo

Gilberto Costa
Correspondente da Agência Brasil / EBC

Lisboa – Portugal enfrentará uma nova greve geral no próximo dia 27. A paralisação é convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) em protesto contra a política de austeridade do governo de Pedro Passos Coelho. Desde 2011, o país integra um programa de ajustamento econômico para receber a ajuda financeira de 78 bilhões de euros da Troika, comitê formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o secretário-geral da CGTP, Armênio Carlos, a greve tem o objetivo de afirmar “a defesa da dignidade de todos que vivem e trabalham em Portugal” e marca a resistência à “ofensiva generalizada contra todos os trabalhadores sem exceção”. Os trabalhadores temem o que virá da mudança na legislação laboral dos trabalhadores privados e protestam contra a anunciada demissão de 30 mil funcionários públicos e também contra a taxação de aposentadorias e pensões – medidas anunciadas em maio pelo governo.
Os cortes, os aumentos de contribuições e a flexibilização da legislação trabalhista, em estudo pelo
foto ilustração - idealista pt
Ministério das Finanças, visam à redução do histórico déficit orçamentário de Portugal, que resultou em dívida pública de valor superior a 125% do Produto Interno Bruto. O equilíbrio entre arrecadação e gastos do Estado é considerado vital pelo governo e credores estrangeiros para que o país demonstre ter condições de negociar os títulos do Tesouro no mercado financeiro internacional.
Em vez da austeridade, a CGTP defende que o país tenha políticas econômicas que estimulem a produção nacional, aqueçam mercado interno, gerem emprego, aumentem o valor dos salários (inclusive o piso mínimo de 485 euros) e das aposentadorias e pensões. O raciocínio dos sindicalistas portugueses, compartilhado pelos partidos de oposição, é o de que a retomada do crescimento econômico favoreceria o equilíbrio orçamentário porque geraria mais receita para o Estado, com o aumento consequente na arrecadação de impostos.
Além da sintonia com a oposição, a greve geral marca a aproximação da CGTP - ligada ao Partido Comunista Português - com a União Geral dos Trabalhadores (UGT) - vinculada ao Partido Socialista (oposição) e ao Partido Social Democrata (governo). “Nós continuamos a privilegiar a convergência na ação”, disse Armênio Carlos ao acenar para a outra central sindical. “Há, neste momento, um vasto consenso de vários dirigentes sindicais, quer da UGT, quer dos sindicatos independentes, no sentido de convergir [para a realização da greve] e concretizar, no próximo dia 27, uma grande greve geral”.
De acordo com a agência pública de notícias portuguesa Lusa, a direção da UGT reúne-se amanhã (3) para decidir se participa da greve geral. O secretário-geral da entidade, Carlos Silva, já admitiu a possibilidade de haver, em junho, uma "jornada de luta conjunta", tendo em conta a "situação que o país atravessa". No começo de maio, cerca de dez dias após tomarem posse na UGT, Silva e outros dirigentes sindicais visitaram a CGTP para apresentação da nova direção e da agenda estabelecida pelo último congresso da central.
Esta é segunda greve geral que ocorrerá em Portugal em menos de oito meses. Algumas categorias também estão se mobilizando para cruzar os braços, reforçando o protesto das centrais, como é o caso dos professores das escolas públicas, que devem parar na primeira quinzena deste mês, em protesto contra a intenção do governo de incluir os docentes em regime de mobilidade especial dos funcionários públicos (pré-demissão) e de aumentar a jornada de trabalho.
Na última quinta-feira (30), os metroviários de Lisboa paralisaram suas atividades por 24 horas. Há duas semanas, a CGTP fez protesto em frente ao Palácio de Belém (sede da Presidência da República) pedindo que o presidente Aníbal Cavaco Silva demitisse sua equipe de governo.
Ontem (1º), ocorreram protestos contra a austeridade nas principais cidades de Portugal, como a capital, Lisboa, e no Porto. Os manifestos foram organizados pelo movimento Que se Lixe a Troika. As manifestações acompanharam protestos ocorridos também em Madrid, Bruxelas e Frankfurt (Espanha, Bélgica e Alemanha, respectivamente)
Fonte -  Agência Brasil  02/06/2013

domingo, 30 de setembro de 2012

A fuga dos ricaços na França

Foto  Pregopontocom
Por Altamiro Borges
Nesta sexta-feira (28), o presidente François Hollande apresentou a proposta de orçamento do governo francês para 2013. Ela prevê aumento da arrecadação tributária de 20 bilhões de euros (cerca de R$ 52 bilhões), com a elevação dos impostos cobrados dos ricaços e das grandes corporações empresariais. O projeto também fixa a redução de gastos públicos, numa política de austeridade fiscal contrária aos serviços públicos. Com isso, o governo pretende atingir a meta do déficit de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013.
O projeto, que nem corresponde aos anseios da população francesa que elegeu Hollande em maio passado, já gerou forte gritaria dos bilionários – com o apoio da mídia rentista. Eles afirmam que o aumento de impostos desestimula a economia e afugenta os negócios. Diante da grave crise que afunda a França – o banco central já admite uma contração de 0,1% no PIB no terceiro trimestre na segunda maior economia da zona do euro –, os ricaços propõem a demissão de servidores e o corte nos direitos trabalhistas no setor privado.
De Porsche, eles fogem para Bélgica
O item mais atacado da proposta orçamentária, que ainda será votada pelo parlamento, é o que cria um imposto sobre aqueles que ganham mais de 1 milhão de euros por ano. O governo alega que está medida, válida por dois anos, afetará apenas cerca de 2 mil bilionários da França e que o aumento dos impostos para as pessoas físicas resultará numa arrecadação de 10 bilhões de euros para os cofres públicos. “É um orçamento de combate para a justiça social”, argumenta o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault.
Mas os ricaços e rentistas, maiores culpados pelo colapso das economias capitalistas da Europa, não estão dispostos a contribuir na superação da crise e no enfrentamento dos graves problemas sociais. Mesquinhos e arrogantes, eles querem apenas manter os seus privilégios – e danem-se os 3 milhões de desempregados e desamparados. Na semana passada, o jornalista Graciliano Rocha, da Folha, revelou que os ricaços franceses já “fazem as malas para evitar a taxação sobre fortunas”. De Porsche, “eles fogem para a Bélgica”.
O ricaço da Louis Vuitton
“A Bélgica virou um dos destinos preferenciais de uma leva de refugiados que chegam em carros de luxo, ostentam relógios caros e não são capazes de viver sem o champanhe da terra natal. Em cada vez maior número, milionários franceses fazem as malas e partem em direção a países que não aplicam taxação sobre a fortuna, como Suíça e Reino Unido”. Bernard Arnault, dono de conglomerado de luxo Louis Vuitton e o homem mais rico da França, pediu recentemente cidadania belga. Outros ricaços já fizeram o mesmo percurso.
“Os ‘expatriados fiscais’, como são chamados, evitam jornalistas. A Folha teve negados os seus pedidos de entrevista. Em parte, esse comportamento deriva da controvérsia provocada por Bernard Arnault. O bilionário francês virou um dos assuntos mais candentes no país, tema de editoriais da imprensa e capa de jornais satíricos... A reportagem levou 90 minutos para atravessar os oito quilômetros que ligam o Uccle [novo paraíso dos ricaços] ao centro de Bruxelas, presa num engarrafamento de Porsches, Jaguares e Land Rovers”.
Caridade por motivos mesquinhos
A fuga dos ricaços da França lembra a música de Cazuza: “A burguesia fede”. Até quando ela faz caridade é por motivos mesquinhos e pragmáticos. Recentemente, o banco Credit Suisse fez um estudo sobre “A filantropia da nova geração”, com base na lista dos 150 milionários “filantropos” da revista Forbes. O resultado é chocante. Julia Chu, responsável pela pesquisa, constatou que eles encaram a assistência social com o olhar nos negócios – 44% esperam retorno dos “investimentos sociais” em menos de dez anos.
Fonte - Blog do Miro  30/09/2012