sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Trecho cearense da Ferrovia Transnordestina avança primeiro

Ferrovias

Os 150 km de ferrovia que serão construídos no Ceará vão passar pelos municípios de Iguatu, Aurora, Icó, Lavras da Mangabeira, Cedro e Acopiara.

Jornal do Commercio

O governo federal decidiu acelerar as obras no trecho cearense da Ferrovia Transnordestina. O empreendimento começa na cidade de Eliseu Martins, no Sul do Piauí, e segue até Salgueiro, dividindo-se em dois trechos que vão para os portos de Pecém, próximo à Fortaleza (capital do Ceará) e Suape, no litoral Sul do Estado. Na quarta-feira da semana passada, os ministros do Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, e da Integração Nacional, Francisco Teixeira, assinaram, na cidade de Missão Velha, a ordem de serviço para a construção de mais 150 quilômetros do trecho cearense Missão Velha-Pecém. "Em Pernambuco, a obra está totalmente parada. Não me cabe responder se está havendo uma retaliação do governo federal ao Estado", afirma o secretário estadual de Desenvolvimento, Márcio Stefanni, ao ser questionado se essa retomada da obra ocorreu no Ceará pelo fato de o atual governador de Pernambuco e o eleito, João Lyra Neto e Paulo Câmara (ambos do PSB), terem apoiado Aécio Neves (PSDB) na eleição para presidente no último domingo, quando a presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita.
Segundo o secretário, o único movimento que está ocorrendo com relação à implantação da ferrovia em Pernambuco é a retomada da fábrica de dormentes, reativada em Salgueiro recentemente. A unidade estava parada desde o ano passado, quando as obras foram paralisadas.
Os 150 km de ferrovia que serão construídos no Ceará vão passar pelos municípios de Iguatu, Aurora, Icó, Lavras da Mangabeira, Cedro e Acopiara. Os 96 km que ligam Salgueiro, em Pernambuco, a Missão Velha estão concluídos desde o ano passado, de acordo com a União.
Márcio Stefanni diz que o Estado continua aguardando ansiosamente a implantação da ferrovia, que "é fundamental" para melhorar a infraestrutura existente em Pernambuco junto com outras obras como o Arco Metropolitano (que será feito com recursos federais construindo uma alça entre Suape e Goiana, passando por fora da BR-101) e a licitação para o segundo terminal de contêineres do Porto de Suape.
As obras da Transnordestina são realizadas pela empresa Transnordestina Logística S.A (TLSA), que tem à frente o grupo da Companhia Siderúrgica Nacional. Segundo a assessoria de imprensa da TLSA, a companhia totaliza 420 km de superestrutura (onde já foram colocados os trilhos, dormentes e brita) em Pernambuco, sendo que mais de 100 km foram "lançados no ano de 2014 entre os municípios de Parnamirim e a localidade de Nascente". A assessoria não explicou quais são os municípios pernambucanos que receberam os outros 300 km das obras. Ainda de acordo com a empresa, há três canteiros de obra em Pernambuco localizados em Salgueiro, Nascente e Arcoverde.
A ferrovia terá 1.753 km e vai passar por 29 municípios no Ceará, 19 no Piauí e 35 em Pernambuco. O empreendimento também prevê a construção de terminais para receber a carga nos dois portos. Nesse caso, Pecém é considerado um terminal privativo, tendo autonomia para aprovar o projeto de construção dos terminais.
Já o Porto de Suape é enquadrado (pelo governo federal) como porto organizado e a administração estadual não tem autonomia para implantar novos terminais devido a uma lei sancionada pelo governo federal no meio do ano passado. Inicialmente, os terminais de Suape deveriam ser licitados pelo governo federal no ano passado, o que não ocorreu. Além de Suape, a nova lei prejudicou outros portos, como o de Santos (SP), Belém do Pará, Paranaguá, Salvador e Aratu.
Fonte - STEFZS  31/10/2014 

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