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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Apesar de propaganda estadual, despoluição do rio Tietê ainda está longe de ser concluída

São Paulo

Relatório constatou que a parte do rio considerada morta – quando há apenas de 0 a 2 mg de oxigênio por litro – foi reduzida em 70%, mas ainda há muito a ser feito  - Ausência de políticas públicas de saneamento básico resulta em grande carga poluidora e em problema social

Por Redação RBA 
WIKIMEDIA COMMONS
São Paulo – Duas décadas já se passaram desde a petição pública para a despoluição do rio Tietê, feita no início dos anos 1990. O projeto avançou nos últimos anos, mas há ainda muito a ser feito até que o rio possa ser considerado limpo, segundo explica a coordenadora da Rede das Águas da fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro. “Infelizmente, quando se vendeu a ideia da despoluição do rio Tietê, se vendeu uma falsa premissa de que, em um curto espaço de tempo, o governo paulista iria conseguir despoluir o rio. Em nenhum país do mundo a despoluição de rios é rápida ou foi rápida.” Malu garante que, para completar o processo em algumas décadas, ainda será necessário grande investimento financeiro e tecnológico e também em políticas sociais de saneamento básico.
A fundação elaborou um relatório sobre a qualidade da água e a evolução parcial dos indicadores de impacto do projeto Tietê, que concluiu que a parte do rio considerada morta – quando há apenas de 0 a 2 mg de oxigênio por litro – foi reduzida em 70%. No entanto, o Tietê permanece completamente morto em um trecho de 71 quilômetros, que vai de Guarulhos até Pirapora do Bom Jesus. A pesquisa é resultado do monitoramento da qualidade dos rios das bacias hidrográficas do Alto e Médio Tietê, que abrangem 68 municípios paulistas, em um trecho de 576 quilômetros. No total, 82 pontos foram analisados entre setembro de 2013 e setembro de 2014.
Na visão de Malu, um dos principais desafios ainda enfrentados pelo processo de despoluição no estado de São Paulo é a falta de políticas públicas de saneamento básico para parte da população. Ela afirma que hoje, uma parcela de paulistas vive à margem de serviços essenciais, como acesso a água tratada e coleta de esgoto. “Essas pessoas moram em áreas irregulares, sem infraestrutura, e isso resulta em uma grande carga poluidora e em um enorme problema social e ambiental.”
O atual sistema de saneamento básico brasileiro não concentra as funções em uma só esfera de poder – nacional, estadual ou municipal. A coordenadora da SOS Mata Atlântica destaca que a pluralidade de agentes representa também outra dificuldade para se desenvolver políticas públicas específicas e eficientes de despoluição. Malu ainda lembra que a Lei de Saneamento nacional permite que o processo seja realizado ora pelo estado, ora por municípios e até mesmo por municípios que privatizaram seus serviços ou que fizeram a concessão do serviço de tratamento de esgoto ou do tratamento de água.
Fonte - RBA (Rede Brasil Atual)  23/09/2014

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O dinheiro público patrocina a Globo

Mídia

Nenhuma empresa jornalística tem sido tão patrocinada pelo governo, ao longo de tantos anos, como a Globo.

Por Paulo Nogueira, 
Diário do Centro do Mundo
foto - ilustração
A Globo falando de forças antidemocráticas chega a ser engraçado.
Foi num editorial do Globo, e as tais forças eram os manifestantes.
Em 1954, Roberto Marinho trabalhou intensamente para derrubar Getúlio Vargas.
Vargas trouxe o voto secreto, deu às mulheres o direito de votar, criou leis trabalhistas que regularam o horário de trabalho e estipularam férias.
Em 1964, mais uma vez Roberto Marinho foi destaque para derrubar um governo popular, agora o de João Goulart.
Jango cometeu o crime, aspas, de tentar combater a desigualdade. Criou, por exemplo, o 13.o salário, “uma tragédia”, conforme noticiou o Globo na ocasião.
Mesmo com esta folha corrida, a Globo se julga no direito de falar em forças antidemocráticas.

Pausa para rir.

No mesmo editorial, a Globo se revelou magoada com a maneira como é tratada na internet por blogs “patrocinados pelo governo”.

Nova pausa.

Nenhuma empresa jornalística tem sido tão patrocinada pelo governo, ao longo de tantos anos, como a Globo.
Apenas nos 10 anos de PT no poder, a empresa levou 6 bilhões de reais do governo em publicidade oficial – isto com a audiência despencando.
Isto para não falar em coisas como o dinheiro do BNDES – nosso, portanto – que financiou a construção de uma supergráfica, nos anos 1990, que hoje é um elefante branco.
Não é só do governo federal que a Globo se abastece.
Nos meus tempos de Editora Globo, o governo do Amazonas comprava lotes milionários de livros da Globo.
A contrapartida era um tratamento generoso na revista Época para o então governador do Amazonas, Eduardo Braga.
Tive com Braga uma briga memorável na sede da Editora Globo depois que publicamos um artigo desfavorável a ele. Eu era diretor editorial naquela ocasião, e ele saiu da reunião dizendo, ameaçador, que ia conversar com João Roberto Marinho.
Uma boa parte do patrimônio bilionário da família Marinho vem do dinheiro público da propaganda oficial.
Durante muitos anos, quando os anunciantes já conseguiam descontos expressivos das empresas de mídia, apenas o governo continuava a pagar a tabela cheia, bovinamente.
Veja a tabela de preços da TV Globo para ter uma ideia de quanto dinheiro foi para os Marinhos por esse atalho.
E mesmo assim a empresa faz pose.
No campo dos impostos a atitude é a mesma. Até os manifestantes do MST pediram outro dia que a empresa mostrasse o Darf – o recibo de uma multa milionária que a Receita lhe aplicou por trapaça na Copa de 2002.
Mesmo assim, a Globo começa a fazer pressão contra o Google na questão fiscal.
É verdade que o Google levou mundialmente ao estado da arte a sonegação legal, aspas, ao encaminhar seu faturamento para paraísos fiscais.
Como o DCM deu diversas vezes, governos no mundo inteiro – o americano, o inglês, o alemão, o francês etc – estão tratando de acabar com a farra fiscal do Google e de outras empresas.
A primeira providência dos governos tem sido publicar o faturamento local do Google e a quantia que paga de imposto – uma miséria.
No Brasil, só agora – segundo o Globo – a Receita decidiu agir. Dilma, noticiou o Globo, teria dado ordens expressas para cuidar do caso Google.
Quem é o principal interessado? O Globo, uma vez que o faturamento publicitário do Google no Brasil cresce vertiginosamente, e tende a bloquear as ambições da Globo na internet.
Não que o Google não tenha que pagar o imposto devido. Tem. Exclamação.
Mas um sonegador falando de outro?
Se a Receita cercar apenas o Google fará um trabalho pela metade.
Enquanto a Globo não mostrar o Darf, a sociedade tem toda a razão de entender que a Globo é mais igual que os outros perante a Receita, e não só a Receita, lamentavelmente.
Fonte - Blog do Miro  ( Altamiro Borges)  16/02/2014