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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Colapso de abastecimento de água no Brasil é questão de tempo, diz especialista

Meio ambiente/Água  🌊

Segundo engenheiro sanitarista e professor da UERJ, Adacto Ottoni, a crise de abastecimento de água no país é inevitável com a contínua degradação das bacias hidrográficas brasileiras.O professor da UERJ apontou para o aumento do desmatamento e da poluição dos rios em todo país, o que coloca em risco o acesso à água. Para Adacto Ottoni, falta às autoridades uma visão estratégica do tema e por isso o governo somente se mobiliza para "apagar o incêndio", em vez de pensar na prevenção.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
O Instituto Trata Brasil, especializado em estudos de saneamento e proteção ambiental divulgou uma pesquisa, revelando que o aquecimento global, o crescimento do país e o desperdício de recursos naturais poderão provocar um aumento da demanda por água potável no Brasil, até 2040, em 80%.
Sputnik Brasil conversou sobre o tema com Adacto Ottoni, engenheiro sanitarista, professor associado do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O especialista classificou a pesquisa como "preocupante", em função dos fatores opostos relatados pelo estudo.
"Ao mesmo tempo que a demanda por água está aumentando no Brasil, e vai aumentar ainda mais até 2040, podendo chegar em até 80% do valor atual, do outro lado os mananciais de água que vão sustentar esse abastecimento de água estão, de forma oposta, sendo cada vez mais degradados", alertou o engenheiro sanitarista.
O professor da UERJ apontou para o aumento do desmatamento e da poluição dos rios em todo país, o que coloca em risco o acesso à água. Para Adacto Ottoni, falta às autoridades uma visão estratégica do tema e por isso o governo somente se mobiliza para "apagar o incêndio", em vez de pensar na prevenção.
"Temos que nós preocupar seriamente com essas informações que o Instituto Trata Brasil já está projetando para que a gente possa ter políticas públicas adequadas no sentido de garantir a sustentabilidade no abastecimento de água no Brasil", disse Ottoni à Sputnik Brasil.
O engenheiro considera a degradação das bacias hidrográficas brasileiras um dos principais problemas relacionados ao futuro do abastecimento de água no país. Segundo ele, o estudo do Instituto Trata Brasil abordou o tema de forma indireta, ao apontar o desmatamento e o desmatamento como vilões.
Bacias Hidrográficas são áreas ou regiões de drenagem de um rio principal e seus afluentes. Também pode-se dizer é um território, no qual as águas das chuvas, das montanhas, subterrâneas ou de outros rios escoam em direção a um determinado curso d'água.
"Crise hídrica não é só falta de água. Crise hídrica é também excesso de água, como aconteceu agora no Rio de Janeiro, em janeiro deste ano, com o problema da geosmina. Tinha água sobrando e a CEDAE não conseguia tratar a poluição. É o que está acontecendo hoje em dia. Durante o período chuvoso você coloca em risco o abastecimento porque a água fica mais suja em função da poluição da bacia hidrográfica que a chuva leva. E quando não há mais a floresta, porque a floresta segura 80% da chuva e filtra, quando chega o período de estiagem há o risco de não ter água, como aconteceu no sistema de Cantareira [em São Paulo], com 70% da bacia hidrográfica desmatada", explicou Ottoni.
Para o interlocutor da Sputnik Brasil, o colapso do sistema de abastecimento de água "é uma questão de tempo". Segundo ele, a sociedade, como um todo, precisa encarar o problema com ações concretas para evitar uma verdadeira crise ambiental, como a fiscalização do desmatamento e da poluição e reutilização do esgoto.
"O grande problema do nosso país é a falta de sustentabilidade nas políticas públicas. Você pensar no crescimento do país sem pensar na infraestrutura para suportar esse crescimento é a mesma coisa que dar um tiro no pé", concluiu.
As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik
Fonte - Soputinik  26/08/2020

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Trens da Supervia voltam a circular depois de 13 horas

Transportes sobre trilhos

O Estado de S. Paulo
foto - ilustração
O descarrilamento de um trem na zona norte do Rio provocou o colapso de praticamente toda a rede de transportes na capital fluminense nesta quarta, 22, impedindo que milhares de pessoas seguissem para o trabalho. Por quase onze horas, nenhuma composição chegou à estação ferroviária Central do Brasil, por onde passam diariamente 600 mil pessoas em média. O acidente ocorreu às 5h15, perto da estação São Cristóvão, quando um trem descarrilado atingiu a estrutura que sustenta os cabos da rede aérea, interrompendo o fornecimento de energia nos cinco ramais operados pela concessionária Supervia, controlada pela construtora Odebrecht.
O trem que descarrilou e o suporte da rede aérea que caiu estão em uso há cinco décadas, e os dormentes na região ainda são de madeira. Houve reforço na frota de ônibus e nos trens do metrô, mas isso não impediu a superlotação e o caos para o cidadão que depende do transporte público, principalmente os moradores das zonas norte e oeste, além da Baixada Fluminense. O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, foi cercado por seguranças depois de ser hostilizado por usuários de trem, revoltados com o descaso. Nas estações e nas ruas não havia informação nem orientação para passageiros. Muitos foram obrigados a caminhar pelos trilhos. Em entrevista, Lopes atribuiu os problemas a décadas de abandono, apesar dos sete anos da atual gestão, e disse que os problemas enfrentados pelos usuários só vão melhorar em 2016, com a prometida renovação completa da frota e ampliação da capacidade. Quero registrar que não tivemos vítimas. Quando há paralisação total do sistema, não há plano de contingência que resolva o problema. Em fotografia tirada durante vistoria no local do acidente, Lopes aparece dando uma gargalhada. Depois, um usuário de trem irado foi na direção dele: FDP, você não anda de trem, não sabe o que a gente passa.
O governador Sérgio Cabral (PMDB), que em 2010 ampliou em mais 25 anos a concessão da Supervia (até 2048), cancelou sua participação em compromisso público previsto para as 10h30 no centro. Constante alvo de críticas em manifestações de rua desde junho, a Supervia é responsável por repetidos problemas de superlotação, atrasos, sucateamento e até agressões a usuários. A agência reguladora de transportes do Rio (Agetransp) informou que irá multar a concessionária por falhas detectadas no plano de contingência, na comunicação e no atendimento aos usuários do sistema. O valor da multa ainda não foi definido - o teto previsto em contrato representa 0,5% do faturamento da empresa em 2013. O laudo sobre a causa do acidente só sai em 30 dias. Neste momento, o que podemos fazer para reduzir a incidência de casos como esse é aumentar as vistorias e cobrar cuidados de manutenção, disse o representante da Agetransp, José Luiz Teixeira.
Especialista em transportes da Coppe/UFRJ, Paulo Cezar Ribeiro criticou a falta de um plano de contingência efetivo. Não houve ação rápida e faltou informação e orientação para os passageiros. O sistema precisa ser integrado. Já o presidente da SuperVia, Carlos José Cunha, disse que a empresa agiu rápido diante da extensão do problema e que sua equipe está de parabéns. Foi uma situação completamente atípica. Em três anos, foi a primeira ocorrência desse tipo. Ainda temos problemas, como trens e sistema antigos, mas estamos evoluindo, em processo de transformação.
De acordo com a Supervia, os ramais de Saracuruna e Belford Roxo voltaram a operar às 16 horas e os outros três (Deodoro, Japeri e Santa Cruz), somente às 18h15, treze horas após o acidente. As viagens, porém, ocorriam em intervalos de 15 minutos. Empresas de ônibus fazem cerca de 3 milhões de viagens por dia em média no Rio, mas não foi informado o total de usuários do sistema nesta quarta.
Oficialmente, 100% da frota foi colocada nas ruas. A concessionária Metrô Rio informou que transporta normalmente 690 mil pessoas por dia, mas também não havia balanço de hoje - todos os 49 trens operaram ao longo do dia. Duas estações (Triagem e Pavuna) precisam ser fechadas por causa da superlotação.
Fonte - Revista Ferroviária  23/01/2014