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sábado, 24 de outubro de 2015

Parcerias com África podem ajudar Brasil a amenizar efeitos da crise, diz Apex

Economia

“Essa relação sempre foi deficitária para o Brasil, por causa do alto volume de petróleo que compramos, produto que responde por 88% do total importado”, diz a gerente de Estratégia de Mercado da Apex, Ana Paula Repezza. Segundo ela, a expectativa é que esse déficit seja amenizado e torne-se superávit para o Brasil, com base em dois movimentos percebidos pela Apex: a queda do preço de petróleo e a tendência de aumento da demanda africana por alimentos processados e por máquinas e equipamentos.

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil
Com crescimento médio anual de
foto montagem - ilustração
5% e expectativa de melhorar ainda mais esse desempenho nos próximos anos, o continente africano tem sido visto como um grande parceiro em potencial do Brasil, pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para o órgão, as perspectivas são favoráveis, mesmo com uma balança comercial ainda deficitária para o Brasil em relação aos principais países daquele continente. Em 2014, o superávit para o lado africano foi US$ 7,4 bilhões, com o Brasil exportando US$ 9,7 bilhões e importando US$17,1 bilhões.
“Essa relação sempre foi deficitária para o Brasil, por causa do alto volume de petróleo que compramos, produto que responde por 88% do total importado”, diz a gerente de Estratégia de Mercado da Apex, Ana Paula Repezza. Segundo ela, a expectativa é que esse déficit seja amenizado e torne-se superávit para o Brasil, com base em dois movimentos percebidos pela Apex: a queda do preço de petróleo e a tendência de aumento da demanda africana por alimentos processados e por máquinas e equipamentos.
“A África tem buscado reforçar sua política industrial para deixar de ser importadora de alimentos primários. Para isso, pretende adquirir máquinas e equipamentos agrícolas para processar produtos tanto para o mercado interno como para exportação. Como o tipo de cultura agrícola brasileira é muito similar à africana, nossas tecnologias de plantio e colheita são bastante aplicáveis por lá. A presença da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] naquele continente tem tido relevância em abrir caminhos para parcerias tecnológicas e para aquisição de maquinário”, explica Ana Paula.
Segundo a Apex, entre 2002 e 2012, o intercâmbio comercial entre Brasil e África aumentou 410%. Entre 2004 e 2014, as exportações brasileiras para os países africanos cresceram 131%, com destaque para açúcar, carne bovina, carne de aves, cereais e veículos e peças automotores. Com a previsão de o Produto Interno Bruto (PIB) africano aumentar 6% por ano na próxima década, a Apex passou a considerar a África como “mercado prioritário”, dedicando àquele continente mais de 30% de seus projetos setoriais.
Dos 32 mercados destacados no Plano Nacional de Exportação (PNE), lançado em junho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, seis ficam na África: Angola, Moçambique, África do Sul, Egito, Argélia e Nigéria. “Os três primeiros são os principais parceiros do Brasil naquele continente”, informa Ana Paula. “Por isso, vemos no PNE uma resposta à crise pela qual passa o Brasil. Como vão crescer a taxas superiores, eles terão influencia muito forte no desempenho das exportações brasileiras daqui para a frente”, argumentou.
Para a gerente da Apex, as ligações históricas reforçam a aproximação com o continente africano. “A percepção deles em relação ao nosso país é muito ampla e positiva. Isso se reflete em menor resistência ao produto brasileiro. O Brasil não é visto como um parceiro que busca exclusivamente ganhos para si, mas pelos laços históricos com o continente africano e pela presença política em fóruns, no sentido de ajudá-los em suas demandas. Tudo isso faz com que haja neles muito boa vontade em relação ao Brasil, a ponto de vermos o setor portuário brasileiro recebendo considerável investimento argelino”, diz.
A Apex tem feito pelo menos duas missões a cada ano no continente, na busca por novas oportunidades para as empresas brasileiras. Estudos feitos pela agência estimam que o consumo nos países africanos incluídos no PNE cresça a uma taxa superior a 5% nos próximos anos. “A gente monitora as tendências de mercado e identifica oportunidades. É o que chamamos de inteligência antecipativa. Foi assim que identificamos potencial para exportação de máquinas e de alimentos processados. O PNE também é visto como uma resposta ao esfriamento da economia brasileira e, para algumas empresas daqui, uma saída para a crise”.
Para aproximar empresas brasileiras e africanas, a Apex fará, de 29 a 31 de outubro, a Feira Internacional Afro-Étnica de Negócios e Cultura (Feafro). O evento, na Expo Center Norte em São Paulo, terá a participação de 70 empresas de 24 países africanos – consideradas possíveis compradores pela Apex – e de 130 empresas brasileiras dos setores de alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e casa e construção.
“Esses compradores em potencial são verificados e selecionados por meio de metodologias de ranqueamento. A expectativa é que, apenas com as rodadas de negócios durante a feira, sejam movimentados US$ 70 milhões”, diz o coordenador de Promoção de Negócios da Apex, Diogo Akitaya.
Fonte - Agência Brasil  24/10/2015

domingo, 30 de novembro de 2014

Parque mais antigo da África está sob ameaça de petrolífera

Ecologia

A companhia petrolífera Soco International é a responsável pelas recentes operações de petróleo em Virunga e, apesar de se comprometer com o fim da exploração, ambientalistas tem buscado acompanhar de perto o desenrolar desse caso. Uma das organizações que tem feito campanha neste sentido é a WWF.

Ciclo Vivo
Foto: Divulgação
Considerado Patrimônio Mundial, o Parque Nacional Virunga é o mais antigo parque nacional da África. Importante por acolher uma rica biodiversidade, o local está ameaçado pelas recentes descobertas energéticas no leste do continente. Essa busca por petróleo pode arruinar as comunidades locais e a vida selvagem da região.
A companhia petrolífera Soco International é a responsável pelas recentes operações de petróleo em Virunga e, apesar de se comprometer com o fim da exploração, ambientalistas tem buscado acompanhar de perto o desenrolar desse caso. Uma das organizações que tem feito campanha neste sentido é a WWF.
“Precisamos que o governo da República Democrática do Congo cancele todas as licenças de exploração de petróleo, como solicitado pela Unesco, para que inicie o desenvolvimento sustentável”, afirma a ONG ambiental WWF.
Entre os raros animais que podem ser encontrados no local está o gorila das montanhas, criticamente ameaçado de extinção. Há também um grande número de aves únicas e animais selvagens, como leões, elefantes, hipopótamos, chimpanzés, ocapi.
Localizado no parque, o lago Edward - em que supostamente está o petróleo -, integra as nascentes do Nilo. Isso significa que um vazamento de petróleo pode contaminar a água de milhões de pessoas. Segundo o WWF, mais de 50 mil famílias dependem deste lago para trabalhar, conseguir alimentos e água potável. Um relatório independente, encomendado pela organização, mostra que o parque poderia gerar mais de 400 milhões de dólares anuais por meio de atividades como o ecoturismo e a pesca.
Ainda assim, a questão econômica é o principal argumento da empresa e dos governos africanos que apoiam a exploração da região. “Mas o ‘desenvolvimento econômico’ é mais do que um simples jargão da moda por aqui. As pessoas da República Democrática do Congo, da Tanzânia, do norte do Quênia, de Uganda e de Moçambique – lugares onde houve recentes descobertas de gás e petróleo – estão entre as mais pobres do mundo”, salienta uma reportagem do New York Times.
A mesma publicação relata as constantes ameaças que tem sofrido o diretor do Virunga, Emmanuel de Merode. Em abril deste ano ele entregou um relatório confidencial a promotores públicos sobre as atividades ilegais e quando retornava para casa uma surpresa inesperada: foi baleado por homens fardados que estavam escondidos em arbustos. Felizmente sobreviveu.
O presidente da petrolífera, Rui de Sousa, afirmou na assembleia anual da Soco que a empresa não tinha se retirado do parque. Ao que parece, esse impasse está longe de chegar ao fim. 
Fonte - Tribuna da Bahia  29/11/2014

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Dilma destaca importância da América do Sul e da África para a economia e o desenvolvimento

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Foto - Ilustração
Brasília – A presidenta Dilma Rousseff destacou hoje (22) a importância do crescimento econômico nos países da , e da África e o passado comum entre as duas regiões. Dilma está em Malabo, na Guiné Equatorial, onde participa da 3ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo América do Sul-África (ASA). Segundo ela, o século 21 será um período de destaque para os países sul-americanos e africanos.Para a presidenta, será possível “reduzir a distância” entre os sul-americanos e africanos e os países em desenvolvimento. Dilma lembrou que o momento atual é diferente do passado que ligou a África às Américas por meio da escravidão. “Viva a Unasul [União de Nações Sul-Americanas], a América do Sul e a África!”, disse a presidenta.Dilma tem atividades durante todo o dia, com almoço, reuniões e encerramento da agenda previsto para as 18h30 (14h30 em Brasília). A presidenta viajou acompanhada por vários ministros, como Antonio Patriota (Relações Exteriores), Helena Chagas (Secretaria de Comunicação Social) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).A Cúpula América do Sul-África (ASA) representa a consolidação de compromissos baseados na integração sul-americana e no aprofundamento das relações com o Continente Africano. A união entre os países das duas regiões resulta em um grande território com uma diversidade de recursos naturais e biodiversidade, além de uma população de 1,4 bilhão de pessoas.As economias das regiões somam um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 6 trilhões. O intercâmbio comercial entre as duas regiões aumentou no período de 2002 a 2011. Pelos dados do governo brasileiros, o comércio entre o Brasil e a África passou de US$ 5 bilhões, em 2002, para US$ 26,5 bilhões, em 2012 Também está em discussão a campanha para a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que atualmente tem 15 integrantes. Não há membros africanos ou sul-americanos entre os que detêm o status de membro permanente no órgão. Durante a cúpula, o governo brasileiro aproveita para fazer campanha em favor do embaixador Roberto de Azevêdo, que disputa o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).Ontem (21) o ministro das  Antonio Patriota, lembrou que os países da América do Sul e África têm como “desafios comuns” a erradicação da pobreza, a garantia da segurança pública, a promoção da competitividade econômica e a distribuição mais equitativa da renda proveniente de recursos naturais.O ministro lembrou a história que une a América do Sul e a África: “A verdade é que a África civilizou boa parte da América do Sul, o que faz deste um encontro entre irmãos. No passado, o Atlântico Sul foi marcado por séculos de violações sistemáticas dos direitos humanos em que milhões de africanos migraram para o nosso continente como escravos.”Em seguida, Patriota ressaltou que: “Hoje, em contraste, com aquele passado atentatório à dignidade humana, trabalhamos juntos para a construção, em nossas regiões, de sociedades que conjuguem paz, desenvolvimento sustentável e justiça social, em benefício de uma ordem internacional mais democrática.”
Fonte - Agência Brasil  22/02/2013