Mostrando postagens com marcador Congo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Congo. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de novembro de 2014

Parque mais antigo da África está sob ameaça de petrolífera

Ecologia

A companhia petrolífera Soco International é a responsável pelas recentes operações de petróleo em Virunga e, apesar de se comprometer com o fim da exploração, ambientalistas tem buscado acompanhar de perto o desenrolar desse caso. Uma das organizações que tem feito campanha neste sentido é a WWF.

Ciclo Vivo
Foto: Divulgação
Considerado Patrimônio Mundial, o Parque Nacional Virunga é o mais antigo parque nacional da África. Importante por acolher uma rica biodiversidade, o local está ameaçado pelas recentes descobertas energéticas no leste do continente. Essa busca por petróleo pode arruinar as comunidades locais e a vida selvagem da região.
A companhia petrolífera Soco International é a responsável pelas recentes operações de petróleo em Virunga e, apesar de se comprometer com o fim da exploração, ambientalistas tem buscado acompanhar de perto o desenrolar desse caso. Uma das organizações que tem feito campanha neste sentido é a WWF.
“Precisamos que o governo da República Democrática do Congo cancele todas as licenças de exploração de petróleo, como solicitado pela Unesco, para que inicie o desenvolvimento sustentável”, afirma a ONG ambiental WWF.
Entre os raros animais que podem ser encontrados no local está o gorila das montanhas, criticamente ameaçado de extinção. Há também um grande número de aves únicas e animais selvagens, como leões, elefantes, hipopótamos, chimpanzés, ocapi.
Localizado no parque, o lago Edward - em que supostamente está o petróleo -, integra as nascentes do Nilo. Isso significa que um vazamento de petróleo pode contaminar a água de milhões de pessoas. Segundo o WWF, mais de 50 mil famílias dependem deste lago para trabalhar, conseguir alimentos e água potável. Um relatório independente, encomendado pela organização, mostra que o parque poderia gerar mais de 400 milhões de dólares anuais por meio de atividades como o ecoturismo e a pesca.
Ainda assim, a questão econômica é o principal argumento da empresa e dos governos africanos que apoiam a exploração da região. “Mas o ‘desenvolvimento econômico’ é mais do que um simples jargão da moda por aqui. As pessoas da República Democrática do Congo, da Tanzânia, do norte do Quênia, de Uganda e de Moçambique – lugares onde houve recentes descobertas de gás e petróleo – estão entre as mais pobres do mundo”, salienta uma reportagem do New York Times.
A mesma publicação relata as constantes ameaças que tem sofrido o diretor do Virunga, Emmanuel de Merode. Em abril deste ano ele entregou um relatório confidencial a promotores públicos sobre as atividades ilegais e quando retornava para casa uma surpresa inesperada: foi baleado por homens fardados que estavam escondidos em arbustos. Felizmente sobreviveu.
O presidente da petrolífera, Rui de Sousa, afirmou na assembleia anual da Soco que a empresa não tinha se retirado do parque. Ao que parece, esse impasse está longe de chegar ao fim. 
Fonte - Tribuna da Bahia  29/11/2014