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terça-feira, 2 de abril de 2013

Roedores que não destroem livros, mas formam leitores


Ana Lúcia Caldas
Repórter do Radiojornalismo

Brasília - A expressão “ratos de biblioteca” se aplica bem a duas iniciativas existentes no Distrito Federal. A primeira é a da dupla de professoras Raquel Gonçalves e Maria Célia Madureira, que criaram os personagens Racumim e Racutia, ratos que tornaram defensores dos livros. Eles fazem parte do Projeto Reinventando a Biblioteca. As duas professoras foram responsáveis por uma revolução quando transformaram um banheiro de servidores e um corredor, da Escola Classe 18 de Taguatinga, em uma biblioteca e levaram para o espaço os dois ratinhos. O “puxadinho” é um sucesso entre os alunos de 6 a 10 anos da instituição.
Segundo Raquel, responsável pela personagem Racutia, os dois ratos surgiram em 1999 da necessidade pedagógica de ter um espaço lúdico na biblioteca. “A intenção era formar leitores e retirar aquele ar sério, característico da biblioteca.” As crianças levam o livro que quiser para casa e só precisam devolvê-lo depois de terminar a leitura. A ideia é evitar que o hábito se torne algo obrigatório.
Raquel Gonçalves ressalta que “a função do adulto é incentivar a leitura o que Racutia e Racumim fazem de várias maneiras.” A dupla chama a atenção para o livro, que por si só consideram um instrumento fascinante. A concorrência com a tecnologia é grande, mas o esforço compensa. “Os livros que as crianças mais levam para casa são aqueles dos quais contamos as histórias”, explica.
Para ela, quanto mais cedo se despertar o interesse pela leitura, mais garantia de se formar um leitor. Maria Célia Madureira faz coro com Raquel. Ela incorpora o personagem Racumim, um ratinho filho de Racutia, que tinha como missão roer livros de bibliotecas, mas acabou descobrindo a leitura e ensinou a mãe também a gostar de ler.
Segundo Célia, “o fazer pedagógico fica a cargo do professor, mas brincar com o imaginário da criança, isso é com os livros na biblioteca.” Ela defende um investimento maior em bibliotecas na escola. “ Um espaço de formação do leitor por alegria e não por obrigação, como era antigamente”, diz. As duas já lançaram três livros: Deu Rato na Biblioteca (2005); O Rato Adormecido (2007) e Os Amores de Racutia (2009).
Outra iniciativa é a Roedores de Livros, de Tino Freitas, Ana Paula Bernardes, Célio Calisto e Edna Freitas. O projeto foi criado em 2006, em uma biblioteca da Asa Norte, em Brasília e desde 2007 está na Ceilândia, região administrativa da capital. O objetivo é promover nas crianças o gosto pela leitura por meio de mediação de leitura, oficinas de artes e apresentações de música.
Segundo Ana Paula Bernardes, que coordena o projeto, as atividades ocorrem todos os sábados em umshopping popular da Ceilândia. No local existe uma pequena biblioteca de literatura infantojuvenil, onde as crianças da redondeza são recebidas para mediação de leitura. “Tem dado certo. Até crianças que não leem conseguem fazer uma leitura de imagem fantástica e conversar muito sobre os livros.” Os roedores têm atraído um grupo de até 30 crianças entre 5 e 10 anos.
O Projeto Roedores de Livros foi escolhido em 2011 como o melhor programa de incentivo à leitura de crianças e jovens do Brasil pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Fonte - Agência Brasil  02/04/2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Trens do Brasil

Uma viagem pelos trilhos cheios de histórias, paixões e paisagens


A dama de ferro, Maria Fumaça O Caminhos da Reportagem desta semana vai fazer uma viagem nos trens do Brasil. A repórter Katiuscia Neri percorreu os trilhos cheios de histórias, paixões, paisagens, e também cheios de problemas, onde até as engrenagens emperram.
Nessa jornada, você vai conhecer a realidade das ferrovias. Desde a produtividade, os avanços e o mercado de trabalho, até os problemas que impedem o crescimento. Já se foram 158 anos desde que a primeira ferrovia foi inaugurada e, mesmo depois de todo esse tempo, o Brasil ainda não é um país que anda nos trilhos.
Vai conhecer a história da grande dama de ferro, a Maria Fumaça, que viveu a decadência, após anos transportando riquezas como o café. E ainda vai saber como as linhas ferroviárias perderam espaço para as rodovias mas ganharam uma luz no fim do túnel com a construção da Transnordestina, que está mudando vidas no Nordeste do país.
No programa você vai pegar carona numa das mais elegantes viagens: o trem da serra do mar paranaense. E mais, vai ver as mini-ferrovias e maquetes construídas nos mínimos detalhes pelos apaixonados pelo ferromodelismo.







Fonte - TV Brasil ( EBC ) 10/01/2013

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Livro resgata memória visual ferroviária

Transportes sobre trilhos

Editada por Túlio de Souza Muniz e José Hamilton Pereira, obra será lançada, hoje, na sede da ACI

Iracema Sales - Reporter  DN
Pik up Willys - adaptada para uso ferroviário
O Brasil perdeu o trem da história e a América do Sul também. A metáfora define o pensamento do historiador e jornalista Túlio Muniz acerca da ascensão, decadência e retomada do transporte ferroviário no Brasil - em especial, no Ceará. O assunto é abordado no segundo volume do livro "Os descaminhos de ferro do Brasil", cuja reflexão acontece no momento em que o Brasil festeja os 158 de sua entrada nos trilhos, com a construção da Estrada de Ferro Mauá, no Rio de Janeiro, em 1854; e os 140 anos do início da Estrada de Ferro Baturité, no Ceará.
Em 1977, caminhonetes foram adaptadas para transitar sobre trilhos no Ceará
Para mostrar o apogeu do transporte ferroviário no Estado, de meados do século XIX até os anos 1980, o pesquisador lança mão a um rico material fotográfico. O resultado é um livro-álbum, com DVD, que será lançado às 19h30, no auditório da Associação Cearense de Imprensa (ACI), no Centro.
O livro foi coproduzido por José Hamilton Pereira, memorialista e engenheiro aposentado da extinta Rede Ferroviário Federal S/A (RFFSA). No evento de lançamento, os autores e a pesquisa serão apresentados pelo jornalista Nilton Almeida. Em 200 páginas (170 de imagens), os autores continuam o estudo do tema, cujo primeiro volume foi lançado ano passado.
A publicação é fruto de projeto aprovado pelo Fundo Estadual de Cultura, este ano. O segundo volume apresenta uma versão digitalizada que abrange o primeiro livro. O autor chama a atenção para os aspectos sociais, econômicos, culturais e subjetivos que envolvem o tema, que encontra eco na memória daqueles que foram sujeitos desse momento histórico. Além de curiosidade e apreensão nas gerações mais jovens que assistem ao renascimento do transporte ferroviário.
Túlio Muniz explica que, neste volume, os autores inseriram temas como a inserção das mulheres no trabalho ferroviário, o uso da mão-de-obra escrava, no início do século XIX. "A aceitação foi grande, no ano passado", conta o pesquisador, afirmando que o desmantelamento da maioria das ferrovias cearenses são parecidos. O transporte ferroviário foi fundamental para a expansão econômica e social do País e, nas últimas décadas, ganha nova dimensão ao ser usado para o transporte urbano, caso dos metrôs e dos veículos leves sobre trilhos (VLTs).
Sobre o trabalho, o pesquisador faz questão de ressaltar: "Não se trata de uma escrita rigorosamente científica, nem tampouco corporativa", esclarece. "As imagens são priorizadas dentro de uma proposta coerente", diz. O historiador ressalta o apoio da Secult. O apoio foi determinante para que a exibição das imagens fosse permitido. Daí, a ideia de anexar um DVD ao livro.
Neste segundo volume, os autores aproveitaram para aprofundar as questões teóricas e conceituais, além de aumentar os temas. Cita como exemplo a inserção da mulher no transporte ferroviário, além de tocar num ponto delicado, a utilização do trabalho escravo na construção das primeiras estradas de ferro no País, e a desintegração da América do Sul. Na opinião do pesquisador, ao relegar ao segundo plano o transporte ferroviário e priorizar o rodoviário, principalmente a partir dos anos 1960, o Brasil "perdeu o trem da história" e, consequentemente, o bonde também, fazendo referência ao transporte urbano.
Não são apenas os países Desenvolvidos que investiram forte no transporte ferroviário como alternativa ao transporte de massa urbano e de carga. Governos de países como Índia e Marrocos não abriram mão das ferrovias. Túlio Muniz reconhece ser possível conciliar os meios de transportes ferroviário e rodoviário, ideia que cada vez mais vem sendo aceita, quando os centros urbanos apresentam sinais de estagnação, com longos engarrafamentos. No momento, o pesquisador consegue enxergar alguma mudança no cenário, sobretudo urbano, citando como exemplo Fortaleza. Acredita que dentro de cinco a 10 anos é possível perceber uma transformação com a ampliação das linhas de metrô e de VLTs. "É uma tendência mundial", diz Túlio Muniz.
O Ceará também viveu os bons ventos do transporte sobre os trilhos, hegemonia que atravessou do século XIX até a década de 1980. Neste ano, o Estado completa 140 anos do início da construção de sua primeira ferrovia, a estrada de ferro de Baturité, vindo em seguida a de Sobral, na região Norte, ligando Sobral até Crateús, por volta de século XIX. Até 1980, Fortaleza ligava-se a diversos municípios como Juazeiro do Norte, Crato, além de estados a exemplo do Piauí e Maranhão, via transporte ferroviário.

LIVRO
Os descaminhos de ferro do Brasil - Vol. II
José Hamilton Pereira e Túlio de Souza Muniz
Ed. Printex
2012, 200 páginas
R$ 40

Mais informações:
Lançamento do livro "Os descaminhos de ferro do Brasil - Vol. II", de José Hamilton Pereira e Túlio de Souza Muniz. Às 19h30, na Associação Cearense de Imprensa (Rua Floriano Peixoto, 735 - Centro). Contato: (85) 3226.6260
Fonte - Diário do Nordeste  31/10/2012