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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Mostra Fundação Casa de Jorge Amado conta história do escritor baiano na Estação Campo da Pólvora do Metrô de Salvador

Arte&Cultura  📖  🚇

O acervo reúne documentos como revistas, periódicos, manuscritos bibliográficos, correspondências, fotografias, vídeos e cartazes, além de prêmios e objetos que se relacionam com o romancista. A mostra segue até o dia 20 de março, com visitação gratuita.

Da Redação
Divulgação/CCR
A partir desta quarta-feira (19), a Estação Campo da Pólvora de Metrô será palco da Mostra Fundação Casa de Jorge Amado que conta a história da instituição, que guarda o acervo do escritor baiano desde 1932 até os dias atuais. O acervo reúne documentos como revistas, periódicos, manuscritos bibliográficos, correspondências, fotografias, vídeos e cartazes, além de prêmios e objetos que se relacionam com o romancista. A mostra segue até o dia 20 de março, com visitação gratuita.
A Fundação Casa de Jorge Amado foi criada a 2 de julho de 1986 com o propósito de tornar-se um centro de documentação encarregado de gerir, preservar e divulgar o acervo de documentos relativos à vida e à obra do escritor Jorge Amado. A ação integra o projeto Vem pra Cá criado pela CCR Metrô Bahia para promover eventos durante todo o ano levando baianidade para as estações de metrô da cidade.

Serviço:
O quê: Mostra Fundação Casa de Jorge Amado
Onde: Estação Campo da Pólvora de Metrô
Quando: De 19 de fevereiro a 20 de março
Visitação Gratuita
Com informações da CCR Metrô Salvador  17/02/2020

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ataque à cultura

Ponto de Vista  🔍

O ocorrido na sexta-feira passada durante o cerimonial do Prêmio Camões (Raduan Nassar) é sintomático dos tempos recentemente vividos.A agressividade extravasada por Roberto Freire, indigno do seu título ministerial, foi a materialização da realidade, consumada pela ação autoritária de sua pessoa, de um governo que nada sabe e pouco valoriza. Para qualquer um ver, o vídeo que circula pelas redes sociais expõe o caráter antidemocrático do atual governo. 

Rafael Antunes Padilha* - Portogente 
Rafael Antunes Padilha
O ocorrido na sexta-feira passada durante o cerimonial do Prêmio Camões é sintomático dos tempos recentemente vividos. A consagração de Raduan Nassar, autor do magnífico livro Lavoura Arcaica, representa a elevação de um homem como contribuinte excepcional da nossa língua portuguesa. Porém as circunstâncias foram outras: uma atitude do mais baixo nível por parte de um ministro de governo, cuja obrigação primária deveria ser a de resguardar, alimentar e promover a cultura nacional.
A agressividade extravasada por Roberto Freire, indigno do seu título ministerial, foi a materialização da realidade, consumada pela ação autoritária de sua pessoa, de um governo que nada sabe e pouco valoriza. Para qualquer um ver, o vídeo que circula pelas redes sociais expõe o caráter antidemocrático do atual governo. Ao inverter a ordem das falas, Roberto Freire buscava o confronto.
Alguns anos atrás, me veio às mãos um texto do Prof. Antonio Candido sobre o papel humanitário da literatura e a capacidade radical da arte em modificar até mesmo a nossa mente. Neste texto, Candido demonstra em belas linhas, como a boa literatura promove transformações radicais e pode servir como ferramenta contra as injustiças sociais de uma determinada época. Freire e o governo que não são tolos em absoluto, temem as pequenas ilhas de indignação que ainda restam durante este período de desmonte do nosso Estado Nacional.
Raduan Nassar não poderia ter feito diferente. Figura reclusa, dedicou-se nos últimos anos à agricultura. Doou sua propriedade rural à Universidade Federal de São Carlos sob demandas importantes: o campus ali construído deveria fomentar a sustentabilidade, o papel da sociedade e alimentar a demanda por educação pública superior na região. Era a sua obrigação acusar as injustiças dos tempos, e isto independe da situação, pois o papel da literatura é evitar a paralisia. Raduan Nassar fez mais com seus simples gestos, com a sua obra literária e a sua vocação humanista do que qualquer bacharel ou o ministro jamais fizeram.
Cabe a indignação e a cobrança. Um Ministro de Estado deve estar à altura da sua função e cumprir com o dever que lhe cabe. Em uma premiação conjunta com o governo de Portugal, Roberto Freire demonstrou total falta de controle, e isto é simbólico. Como bem disse Antonio Candido:
“Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável.” (1988).
*Rafael Antunes Padilha é mestrando pelo Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Culturas e Identidades Brasileiras pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo
Fonte - Portogente  24/02/2017

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Biblioteca Livros Sobre Trilhos recebe exposição “O FIO DA HISTÓRIA”

Arte&Cultura

Parte da 2ª Mostra Arte Sesc para Crianças, painéis com ilustrações de Patrícia Langlois ficam expostos de 1º de outubro a 30 de novembro.Os painéis irão destacar as ilustrações do livro Tudo que Couber no Coração, escrito e ilustrado por Patrícia utilizando a técnica de pintura com lápis de cor aquarelado. 

Trensurb
Ilustração - Patrícia Langlois
Começa amanhã (1º) a exposição O Fio da História, da professora, artista e escritora gaúcha Patrícia Langlois, na Biblioteca Livros sobre Trilhos, na plataforma de embarque da Estação Mercado da Trensurb. Os painéis irão destacar as ilustrações do livro Tudo que Couber no Coração, escrito e ilustrado por Patrícia utilizando a técnica de pintura com lápis de cor aquarelado. A obra conta a história de Nina, uma menina que tem um segredo e só quer saber uma coisa: “quem tem o coração maior?”. Patrícia, que é formada em artes plásticas pela UFRGS, diz que ficou lisonjeada com o convite e que “a ideia da Trensurb, de expor na estação, é ótima”. “A boa visibilidade, originada pela constante circulação de pessoas, divulga os trabalhos e valoriza o profissional gaúcho, sem contar que também atrai pessoas para retirar livros, o que se torna mais um incentivo à leitura”, afirma.
Paralelamente, o Café Sesc Centro (Av. Alberto Bins, 665), recebe oito ilustrações da autora, das publicações: Um Presente Especial, Cadê o Prato do Pato Pedro? e Um Sinal para o Coração de Javaline. As gravuras são feitas com feltragem a seco com agulhas, técnica na qual a artista tece a lã de ovelha e constrói as imagens em feltros a partir dos contos e dos poemas dos autores. Esses livros são os primeiros no Brasil com ilustrações desse tipo. Segundo Patrícia, “O Fio da História tece de forma poética a magia e o encantamento pelas histórias inventadas para a infância”.
A exposição faz parte da 2ª Mostra Arte Sesc para Crianças, uma iniciativa do projeto Arte Sesc – Cultura por toda parte, que promove em Porto Alegre uma série de atividades culturais gratuitas voltadas especialmente ao público infantil. Além da exposição, são diversas peças e oficinas no mês de outubro. A mostra na Biblioteca Livros sobre Trilhos permanece até 30 de novembro, com visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h.
Segundo Sheila Nunes, representante do Sesc-RS, “é através de projetos como este que o Sesc investe na formação de plateia e na educação para as artes, contribuindo assim para o desenvolvimento sociocultural de crianças e adolescentes”. Acesse a programação completa da 2ª Mostra Arte Sesc para Crianças clicando aqui.

Serviço
O que: exposição O Fio da História, de Patrícia Langlois.
Quando: de 1º de outubro a 30 de novembro, das 10h às 20h.
Onde: Biblioteca Livros sobre Trilhos, localizada na plataforma de embarque da Estação Mercado da Trensurb.
Quanto: R$ 1,70 (tarifa unitária do metrô).
Fonte - Trensurb  30/09/2015

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cachoeira é durante 5 dias a capital da cultura no País com Festival Literário

Cultura

É a Festa Literária Internacional de Cachoeira - Flica, que começa nesta quarta-feira (29/10) e vai até domingo (2/11), contando com o apoio da Bahiatursa.

TB
A cidade histórica de Cachoeira, no Recôncavo baiano
Durante cinco dias, Cachoeira será invadida por turistas, estudantes e amantes da literatura e das artes, atraídos pela presença de autores nacionais e internacionais que participarão de 12 mesas especiais e debates.
É a Festa Literária Internacional de Cachoeira - Flica, que começa nesta quarta-feira (29/10) e vai até domingo (2/11), contando com o apoio da Bahiatursa.
Segundo Marcus Ferreira, um dos coordenadores do evento, “são esperadas cerca de 20 mil pessoas na cidade, que está com 100% de ocupação hoteleira. Um grande número de pessoas também se hospeda nas cidades vizinhas de Cruz das Almas, Santo Amaro, São Félix e até Feira de Santana”, afirma, destacando que o evento já integra o calendário turístico e cultural da Bahia.
A feira traz este ano como novidade a homenagem a um autor, Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella, escritora e ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.
João Ubaldo Ribeiro, escritor e acadêmico morto em julho, vítima de embolia pulmonar e que participaria da maior festa literária do Norte/Nordeste, será celebrado com a mesa especial Viva João Ubaldo Ribeiro.
A mesa terá como debatedores os escritores Ana Maria Machado e Geraldo Carneiro, sendo o mediador o jornalista e escritor Fernando Vita. Em paralelo às mesas de discussão, em destaque atrações musicais e a Fliquinha, dedicada ao público infantil, que ganha agora um espaço especial, o Cine-teatro Cachoeirano, um dos mais antigos do país.
A programação musical deste ano fará uma homenagem ao centenário de Dorival Caymmi, que também será tema da mesa de abertura na quarta, às 20 horas, com a participação de Stella Caymmi e Marielson Carvalho e mediação de Mira Silva.
Durante todas as noites, a Praça da Aclamação terá apresentações. Entre as atrações, Juliana Ribeiro, Samba de Roda Filhos de Caquende, as Filarmônicas Lyra Ceciliana e Minerva Cachoeirana, e os espetáculos A Coisa (com Jackson Costa) e Do Samba Chula ao Samba Reggae, com Ricardo Bittencourt, Claudia Cunha, Will Carvalho, Guida Moira e Aloisio Menezes.
Cachoeira está localizada a 110 km de Salvador, no Recôncavo Baiano, e possui construções históricas como a Capela de Santa Bárbara, a Igreja da Ordem Terceira do Carmo e o sobrado da Irmandade da Boa Morte. Também o tradicional samba de roda atrai os turistas, além da culinária.
Outras atrações são os passeios de barco pelo leito do Rio Paraguaçu e as visitas para conhecer comunidades quilombolas.

Visitantes
Com a expectativa de receber mais de 20 mil visitantes, a 4ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) começa nesta quarta-feira (29) e prossegue até domingo (2), com vasta programação, reunindo, no Recôncavo Baiano (110 quilômetros de Salvador), renomados autores nacionais e internacionais.
Entre as novidades, a festa literária passa a homenagear um autor, e a escolhida foi a yalorixá Maria Stella de Azevedo Santos - Mãe Stella de Oxóssi, que vai lançar o livro Abrindo a Arca,valorizando, deste modo, a escrita e a oralidade de um dos mais tradicionais terreiros de Candomblé da Bahia, o Ilê Axé Opô Afonjá.
No sábado (1º de novembro), Mãe Stella compõe a mesa Os Rastros de Antigos Laços, que discute a importância do registro da história do Candomblé para a religião afro-brasileira.
Nesse mesmo dia, a mesa Viva João Ubaldo Ribeiro homenageia o escritor baiano, morto em julho deste ano. Outro baiano ilustre também será lembrado: a mesa de abertura do evento marca o centenário do músico Dorival Caymmi, com o tema O Tempo de Caymmi.
A mesa denominada Entre vielas e assombros reunirá o baiano Dênisson Padilha Filho e o poeta e escritor angolano Ondjaki, autor de Bom Dia Camaradas. Ondjaki também escreve para cinema e teatro; co-realizou sobre a cidade de Luanda – Oxalá cresçam pitangas – histórias de Luanda – em 2006.
A Flica é realizada com apoio do Governo da Bahia, e já se consolidou como um dos principais eventos do calendário turístico e cultural do Estado. “Proporciona visibilidade local e nacional do histórico município de Cachoeira e atração de turistas que ocuparam 100% dos leitos dos hotéis da região”, assinala o secretário do Turismo, Pedro Galvão.
Três locais abrigam as atividades da festa literária, que vão movimentar Cachoeira, cidade baiana que possui importante acervo arquitetônico barroco, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e classificada como Cidade Monumento Nacional.
Os debates serão realizados no claustro do Conjunto do Carmo, no Centro de Cachoeira, das 10h às 19h. Os shows musicais acontecem das 22h às 0h30, na Praça da Aclamação, ao lado do Conjunto do Carmo.

Música 
Os visitantes também vão poder se divertir ao som de música clássica, jazz e muito samba. A partir de quinta-feira (30) serão realizados dois shows por noite, com início às 22h. Entre as atrações, a cantora Juliana Ribeiro, as orquestras filarmônicas Lyra Ceciliana e Minerva Cachoeirana e o Gupo Samba de Criol²o. O público confere ainda uma performance do ator Jackson Costa, que interpreta poemas de várias épocas, acompanhado de uma banda de música popular contemporânea.
Localizada no Recôncavo Baiano, a 110 quilômetros de Salvador, Cachoeira possui construções históricas, como a Capela de Santa Bárbara, o Chafariz Imperial, a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, a Matriz Nossa Senhora do Rosário e o sobrado da Irmandade da Boa Morte (grupo composto por mulheres negras remanescente de escravos).
Outra peculiaridade do município é a sua culinária e o tradicional samba de roda, que atrai milhares de turistas e baianos. Para os visitantes que curtem a natureza, existem passeios de barco pelo leito do Rio Paraguaçu. Também é possível se conhecer comunidades de quilombolas por meio do Turismo Étnico da cidade.

Como chegar
De carro: Pela BR-324, sentido Feira de Santana, retornar à direita no Km 566 e seguir pela BA-026 até Santo Amaro da Purificação, seguindo as placas para a saída da cidade, que indicarão a cidade a cerca de 40 km.
Pela BR-101, por volta do Km-197, entrar na Estrada do povoado de Capoeiruçu, descer o vale até Cachoeira por cerca de 3 km.
Fonte - Tribuna da Bahia  29/10/2014

sábado, 10 de maio de 2014

Museu Afro Brasil mostra o melhor que a Bahia tem

Cultura

O amplo material traz as referências da arte baiana desde o século 18. Podem ser vistas, por exemplo, obras de Joaquim José da Rocha, que pintou o teto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. “Pelas terras banhadas pela Baía de Todos os Santos, uma longa história se formou nos últimos 465 anos, a começar pelo encontro de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, salvo de um naufrágio, com os tupinambás, logo desposando a índia Catarina Paraguaçu”, ressalta o curador.

Daniel Mello 
Repórter da Agência Brasil 
Museu Afro Brasil e o melhor que a Bahia tem
Makaya Mayuma Bedel/Divulgação
O que é que a Bahia tem? é uma exposição sustentada em três nomes que marcaram a literatura, música e artes visuais não só do estado nordestino, mas de todo o Brasil. Em homenagem ao centenário de nascimento do compositor Dorival Caymmi e lembrando o escritor Jorge Amado e o artista Carybé, a mostra pode ser vista no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, até 6 de junho. “A exposição pretende criar essa atmosfera mágica da Bahia, onde se encontra tudo ou quase tudo”, explica o diretor do museu e curador da exposição, Emanoel Araujo.
O amplo material traz as referências da arte baiana desde o século 18. Podem ser vistas, por exemplo, obras de Joaquim José da Rocha, que pintou o teto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. “Pelas terras banhadas pela Baía de Todos os Santos, uma longa história se formou nos últimos 465 anos, a começar pelo encontro de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, salvo de um naufrágio, com os tupinambás, logo desposando a índia Catarina Paraguaçu”, ressalta o curador.
A arte moderna está representada pelas esculturas e pinturas de Carybé, além das tapeçarias e Genaro de Carvalho ao lado de obras de Mário Cravo e Carlos Bastos. Não falta a Bahia vista pelo do cinema, apresentada nos documentários de Alexandre Robatto. O cineasta filmou em meados do século 20 obras como A Pesca de Sarel, O Regresso de Marta Rocha e A Puxada de Rede, que serão exibidos para o público.
Estão também a disposição do visitante as primeiras edições de clássicos de Jorge Amado, como Tieta do Agreste, Mar Morto e Tocaia Grande. “É uma exposição aberta para todos os seguimentos que explicam o universo da Bahia”, enfatiza Emanoel ao lembrar que as letras são complementadas por um extenso acervo de imagens.
Museu Afro Brasil / Divulgação
Tem destaque o Barroco Rebolado, série de fotografias de Sílvio Robatto de detalhes de ícones da paisagens e arquitetura baiana.
“Um trabalho de manipulação fotográfica dos anos 1970 e 1980, onde ele injeta elementos visuais abstratos”.
As músicas de Caymmi foram inspiração para artistas visuais em um conjunto de obras que comemorou os 90 anos do compositor e que faz parte do acervo do museu. São 14 obras assinadas por nomes como Regina Silveira e Arnaldo Antunes.
O curador alerta, entretanto, que a citação dos nomes importantes e as descrições dos trabalhos são pouco perto da força da coleção exposta. “É preciso estar lá para ver. Não se pode traduzir só em palavras, porque a Bahia é mais do que palavras”, finalizou Emanoel.
Fonte - Agência Brasil  10/05/2014

terça-feira, 2 de abril de 2013

Roedores que não destroem livros, mas formam leitores


Ana Lúcia Caldas
Repórter do Radiojornalismo

Brasília - A expressão “ratos de biblioteca” se aplica bem a duas iniciativas existentes no Distrito Federal. A primeira é a da dupla de professoras Raquel Gonçalves e Maria Célia Madureira, que criaram os personagens Racumim e Racutia, ratos que tornaram defensores dos livros. Eles fazem parte do Projeto Reinventando a Biblioteca. As duas professoras foram responsáveis por uma revolução quando transformaram um banheiro de servidores e um corredor, da Escola Classe 18 de Taguatinga, em uma biblioteca e levaram para o espaço os dois ratinhos. O “puxadinho” é um sucesso entre os alunos de 6 a 10 anos da instituição.
Segundo Raquel, responsável pela personagem Racutia, os dois ratos surgiram em 1999 da necessidade pedagógica de ter um espaço lúdico na biblioteca. “A intenção era formar leitores e retirar aquele ar sério, característico da biblioteca.” As crianças levam o livro que quiser para casa e só precisam devolvê-lo depois de terminar a leitura. A ideia é evitar que o hábito se torne algo obrigatório.
Raquel Gonçalves ressalta que “a função do adulto é incentivar a leitura o que Racutia e Racumim fazem de várias maneiras.” A dupla chama a atenção para o livro, que por si só consideram um instrumento fascinante. A concorrência com a tecnologia é grande, mas o esforço compensa. “Os livros que as crianças mais levam para casa são aqueles dos quais contamos as histórias”, explica.
Para ela, quanto mais cedo se despertar o interesse pela leitura, mais garantia de se formar um leitor. Maria Célia Madureira faz coro com Raquel. Ela incorpora o personagem Racumim, um ratinho filho de Racutia, que tinha como missão roer livros de bibliotecas, mas acabou descobrindo a leitura e ensinou a mãe também a gostar de ler.
Segundo Célia, “o fazer pedagógico fica a cargo do professor, mas brincar com o imaginário da criança, isso é com os livros na biblioteca.” Ela defende um investimento maior em bibliotecas na escola. “ Um espaço de formação do leitor por alegria e não por obrigação, como era antigamente”, diz. As duas já lançaram três livros: Deu Rato na Biblioteca (2005); O Rato Adormecido (2007) e Os Amores de Racutia (2009).
Outra iniciativa é a Roedores de Livros, de Tino Freitas, Ana Paula Bernardes, Célio Calisto e Edna Freitas. O projeto foi criado em 2006, em uma biblioteca da Asa Norte, em Brasília e desde 2007 está na Ceilândia, região administrativa da capital. O objetivo é promover nas crianças o gosto pela leitura por meio de mediação de leitura, oficinas de artes e apresentações de música.
Segundo Ana Paula Bernardes, que coordena o projeto, as atividades ocorrem todos os sábados em umshopping popular da Ceilândia. No local existe uma pequena biblioteca de literatura infantojuvenil, onde as crianças da redondeza são recebidas para mediação de leitura. “Tem dado certo. Até crianças que não leem conseguem fazer uma leitura de imagem fantástica e conversar muito sobre os livros.” Os roedores têm atraído um grupo de até 30 crianças entre 5 e 10 anos.
O Projeto Roedores de Livros foi escolhido em 2011 como o melhor programa de incentivo à leitura de crianças e jovens do Brasil pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Fonte - Agência Brasil  02/04/2013