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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Tucano critica hipocrisia brasileira: ‘Cada um de nós tem um dedão na lama’

Política

Semler é empresário, advogado e administrador de empresas, formado pela universidade norte-americana de Harvard - Intitulado Nunca se roubou tão pouco, Semler inicia o texto com a certeza que “não sendo petista, e sim tucano”, sente-se à vontade para constatar que “essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país”.

Por Redação - Correio do Brasil

“Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia”. A observação é do empresário Ricardo Frank Semler, 55, tucano desde a fundação do PSDB, chefe-executivo (CEO) e sócio majoritário da empresa Semco S/A, empresa brasileira reconhecida, internacionalmente, pela reengenharia corporativa e a implementação dos conceitos da democracia industrial que lhe valeram o destaque ao redor do mundo. Sob sua gestão, os rendimentos da indústria cresceram de US$ 4 milhões, em 1982, para US$ 212 milhões em 2003. Em artigo publicado na edição desta sexta-feira no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, no qual mantém uma coluna semanal, o empresário, advogado e administrador de empresas formado pela universidade norte-americana de Harvard não poupa críticas à sociedade brasileira.
Intitulado Nunca se roubou tão pouco, Semler inicia o texto com a certeza que “não sendo petista, e sim tucano”, sente-se à vontade para constatar que “essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país”.

Leia, a seguir, a íntegra do artigo:
Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.
Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.
Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos “cochons des dix pour cent“, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas.
Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão – cem vezes mais do que o caso Petrobras – pelos empresários?
Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse?
Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido.
Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país.
É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.
Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas.
Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.
A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas.
O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.
É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país.
A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento.
Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre.
Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor?
Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido.
O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

Fonte - Correio do Brasil  21/11/2014

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Aécio indica dono de jatinho que usou em aeroporto ilegal para dirigir estatal mineira

Política

Costa Filho, dono do jatinho , foi indicado por Aéciopara a direção de uma estatal mineira - Apuração publicada, nesta tarde, no blog O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, mostra que um dos donos do jatinho usado por Neves, hoje candidato tucano ao Palácio do Planalto, foi indicado por ele para a direção de uma das estatais mais rentáveis do governo mineiro.

Correio do Brasil
Por Redação - RJ

Aécio Neves publicou em sua página no Facebook, nesta quinta-feira, artigo sobre a recente polêmica envolvendo o aeroporto construído, durante sua gestão à frente do governo mineiro, no município de Cláudio, em terras que pertenceram à sua família. Apuração publicada, nesta tarde, no blog O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, mostra que um dos donos do jatinho usado por Neves, hoje candidato tucano ao Palácio do Planalto, foi indicado por ele para a direção de uma das estatais mais rentáveis do governo mineiro.

Leia, a seguir, o texto de Miguel do Rosário:
O erro 1 é fofinho: “No caso de Cláudio, cometi o erro de ver a obra com os olhos da comunidade local e não da forma como a sociedade a veria à distância.”
Erro 2: “Depois de concluída essa obra, demandada pela comunidade empresarial local, pousei lá umas poucas vezes, quando já não era mais governador do Estado. Viajei em aeronaves de familiares, no caso a da família do empresário Gilberto Faria, com quem minha mãe foi casada por 25 anos”.

Fofinho também. Usou o jatinho do marido da mamãe.
Aécio esqueceu, contudo, o erro principal. A pista não estava homologada pela Anac, nem preparada ainda para receber jatinhos do porte que ele usou.
Como um sujeito imprudente, que usa “umas poucas vezes” uma pista clandestina, quer governar o Brasil?
Além disso, acho útil trazer mais detalhes sobre o jatinho.
Na verdade, o jatinho, um Hawker 800, de numeração PT-GAF, pertence à empresa Banjet Táxi Aéreo Ltda, que tem dois proprietários: Clemente de Faria (filho do padrasto de Aécio) e Oswaldo Borges da Costa Filho.
Pois bem, Oswaldo Borges da Costa, um dos donos do jatinho, foi indicado por Aécio, já na transição para seu sucessor, para uma das mais estratégicas estatais de Minas Gerais, a Codemig.
A Codemig opera no setor de mineração, como, por exemplo, na reserva de nióbio de Araxá, cuja exploração o governo de Minas entregou a CBMM, pertencente à família Moreira Salles.
Antes de assumir a Codemig, Borges da Costa foi, também por indicação de Aécio, diretor-presidente da Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá, uma companhia mista pertencente à Codemig e à CBMM.
Documento vazado pelo Wikileaks em 2010 revela que a mina de Araxá é considerada um dos lugares mais estratégicos para a sobrevivência dos Estados Unidos. A exploração da mina de nióbio Araxá é uma fábrica de dinheiro para os Salles. A CBMM vale US$ 13 bilhões. Com faturamento anual superior a R$ 4 bilhões, dá mais dinheiro à família do que o Itaú-Unibanco, onde a família detêm 33% das ações.
O Brasil possui praticamente 100% das reservas mundiais de nióbio e até hoje não possui uma política específica para o setor.
Segundo a própria CBMM, em 2002 terminou o prazo da parceria entre o governo do estado e a empresa para a exploração conjunta do nióbio em Araxá, mas “as partes não manifestaram interesse na rescisão” da parceria, através da qual o governo de Minas, via Codemig, fica com 25% dos lucros líquidos de toda a operação com nióbio na região.
Adriano Benayon, um especialista em nióbio, denuncia que a CBMM exporta o produto a um preço abaixo do mercado internacional, lesando os cofres públicos em bilhões de dólares por ano.
O site da Sociedade Militar acusa a CBMM de explorar sem licitação, há décadas, o nióbio brasileiro. O Ministério Público de Minas Gerais decidiu investigar o caso, mas não se sabe se o inquérito teve andamento. Parece que o MP e a Justiça de Minas estão mais interessados em prender jornalistas críticos a Aécio Neves do que sustar uma evasão bilionária das riquezas de Minas e do Brasil.
De fato, o povo brasileiro gostaria de saber quando é que alguém pediu sua opinião sobre tanta generosidade com a família Salles?
Aliás, por coincidência, o político que mais recebe doações da família Salles, através do Itaú Unibanco, é Aécio Neves. Em 2010, o Itaú doou, oficialmente, R$ 500 mil para sua campanha ao senado. O Itaú doa para todos os partidos, inclusive para o PT, mas Aécio Neves é seu preferido.
E pensar que tudo isso começou com um jatinho.
Gilberto Carvalho tem razão. É só a ponta do iceberg.
Fonte - Correio do Brasil   31/07/2014

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A confissão de Aécio o estrago eleitoral,moral e sua grande fraqueza

Política

A confissão de Aécio prova duas coisas: o estrago eleitoral e sua covardia moral - Mais importante que a semi-confissão do candidato tucano é o que o levou a ela, 11 dias depois de revelado o escândalo pela própria Folha.

Fernando Brito
Tijolaço
Finalmente, hoje, em artigo na Folha de S.Paulo, Aécio Neves admite que o Aeroporto de Cláudio, junto a sua fazenda, serviu para sua comodidade pessoal, em atividades rigorosamente privadas.
E que a obra (que entre contratos e desapropriação custou, em dinheiro de hoje, mais de R$ 20 milhões) que consumiu farto dinheiro público, por não homologada e sem controle público já há quatro anos, só teve mesmo a serventia de dar-lhe este privilégio.
Mais importante que a semi-confissão do candidato tucano é o que o levou a ela, 11 dias depois de revelado o escândalo pela própria Folha.
Depois de várias gaguejadas e diversos “de novo este assunto?” irritados, Aécio tomou essa iniciativa, sem sombra de dúvida, porque as pesquisas internas do tucanato revelaram o estrago que isso fez em sua campanha.
Não foi um ato de honestidade, de quem quer e pode sustentar as atitudes que tomou.
Fosse assim, não teria se evadido de dizer, antes, o que diz agora.
O fez por três fatores, todos sem qualquer dignidade.
O primeiro é que sabe que existem provas deste uso. Não se descarte, até, que tenha sofrido ameaças de que elas seriam reveladas.
O segundo é que só tomou esta atitude depois que as pesquisas eleitorais internas do PSDB mostraram que o estrago não apenas era grande como está se agravando à medida em que o conhecimento da situação se amplia.
O terceiro, mais grave e por isso capaz de continuar ceifando o seu prestígio e o respeito pessoal que possa ter, é o que se provou um homem moralmente covarde.
Precisou ser exposto diariamente às suas contradições e omissões – ou, pior ainda, ser ameaçado por alguém que tinha provas do uso do aeroporto – para confessar que fez, por diversas vezes, uso particular da pista que a ninguém mais servia.
Depois disso, quem acredita na já implausível afirmação de que a obra milionária se justificava pelo “grande pólo industrial” que é aquele município de menos de 30 mil habitantes? Ou que o negócio entre o Estado e o tio, que tinha os bens bloqueados, não foi bom pela família, até porque parte do depósito já foi levantado pela tia, num processo tumultuado de separação e com, inclusive, uma ação de interdição por um dos filhos?

Aécio abaixou o bico.
Diante da mentira que pregou, durante 11 dias, a todo o país e à imprensa, desqualificou-se moralmente para dizer qualquer coisa.
A confissão tardia e cínica não lhe perdoa, exatamente porque é tardia e cínica.
Ficou do tamanho que é: um herdeiro de oligarquias, que controla e uso o poder que o sobrenome foi lhe trazendo e que trata o exercício do poder com a mesma irresponsabilidade que lhe valeu a fama de playboy mimado.
Resta saber o que não fazer com ele: se é melhor deixar que o fracasso recaia sobre sua inconsistência moral ou se tentarão uma muito improvável nova via para disputar as eleições.
O aeroporto de Cláudio foi sua bolinha de papel.
E essa, sim, capaz de provocar um estrago imenso.
Fonte - Blog Tijolaço  31/07/2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Aécio, sem vice, é motivo de piada no anedotário político nacional

Política

José Serra já avisou que não quer ser vice de Aécio - O próprio Serra descarta, terminantemente, o posto de vice do oponente interno na legenda. Avisou que prefere ser a deputado ou a senador. Sem uma opção apresentada ao público, até agora, para a candidatura à Vice-presidência, Neves vira motivo de piada na crônica política brasileira.

Por Redação - CB

Pré-candidato tucano à Presidência da República, o senador Aécio Neves (MG) segue, até agora, a mesma trilha de seu antecessor, José Serra, na tentativa de encontrar alguém para chamar de vice, e que o acompanhe na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto, em outubro deste ano. Serra conseguiu que fosse escolhido o nome de última hora, do empresário Antonio Pedro Indio da Costa, que lhe rendeu algumas situações embaraçosas durante a campanha. O próprio Serra descarta, terminantemente, o posto de vice do oponente interno na legenda. Avisou que prefere ser a deputado ou a senador. Sem uma opção apresentada ao público, até agora, para a candidatura à Vice-presidência, Neves vira motivo de piada na crônica política brasileira.
Há também a pressão para que o futuro candidato tucano escolha de vice um goiano. Ronaldo Caiado e Henrique Meirelles chegaram a ser citados por correligionários, junto com o governador daquele Estado, Marconi Perillo. Caiado, identificado com o agronegócio e a ultradireita, peca por não ser um nome reconhecido nacionalmente, a não ser por suas opiniões extravagantes. Não consegue ser consenso nem mesmo em Goiás. O DEM, partido a que pertence, tende a desaparecer nas próximas eleições e, em território goiano, não consegue esconder suas fragilidades, principalmente, por causa do envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Já Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante os oito anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje integra o PSD, não tem expressão política e mais: o PSD fechou, em termos de candidato a presidente, com a reeleição de Dilma Rousseff. Para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que teve seus direitos políticos cassados por três anos, uma possível aliança com os tucanos seria restrita a São Paulo, mas sequer cogita ter o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles como candidato a vice de Aécio Neves.
– É impossível. Só de admitir essa possibilidade já fica chato, porque ela realmente não existe – descarta Kassab.
A Justiça Eleitoral condenou o ex-prefeito de São Paulo à perda dos direitos políticos e ao pagamento de multa por entender que ele violou a lei, ao tirar recursos para quitação de precatórios e usar as verbas para outras finalidades da prefeitura paulistana. Além da perda dos direitos políticos, Kassab foi condenado ao pagamento de multa correspondente a 30 vezes o valor salário do prefeito no último mês do exercício de 2006. Cabe recurso contra a decisão. A sentença não enquadra uma possível candidatura de Kassab na Lei da Ficha Limpa porque é de primeira instância e o juiz não apontou enriquecimento ilícito do ex-prefeito no caso.
Os precatórios são dívidas do governo que, após serem reconhecidas pela Justiça, devem ser pagas pelas administrações de acordo com regras gerais. As verbas devidas a servidores após disputas judiciais com o Executivo são exemplos de precatórios. Segundo a decisão do juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital Evandro Carlos de Oliveira, quando o orçamento de 2006 da Prefeitura de São Paulo foi aprovado havia previsão de gasto de R$ 240 milhões para o pagamento de precatórios. Porém, posteriormente Kassab editou decretos que levaram à quitação de apenas R$ 120 milhões em 2006, o que violou a legislação, de acordo com a sentença do magistrado.

Comédia
No anedotário político, porém, o ex-atacante da seleção brasileira Ronaldo (Fenômeno) Nazário seria o candidato perfeito para Neves. “Ronaldo Fenômeno, maior artilheiro de todas as Copas e empresário bem sucedido, pode ser acusado de tudo, menos de ser um idiota, como o chamou o escritor Paulo Coelho, que estava a seu lado, entre outras autoridades e celebridades, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Ao contrário, o ex-jogador do Corinthians e da seleção sempre foi muito esperto nos negócios e não rasga dinheiro, um exímio surfista em busca de uma boa onda, sem dar muita bola para compromissos e princípios éticos, um verdadeiro fenômeno empresarial”, afirmou em sua coluna semanal o cronista Ricardo Kotscho.
“Quando aceitou ser membro do Comitê Organizador Local, em 2007, uma das tarefas de Ronaldo era exatamente a de defender a Copa no Brasil e responder críticas à organização do evento. Só que, logo em seguida, ele sumiu do noticiário, mudou-se para Londres, onde foi cuidar dos seus negócios, e esqueceu a tarefa que havia assumido. Até aí, seria apenas mais um cartola omisso e leniente, preocupado mais em faturar como garoto propaganda do que em servir ao futebol brasileiro que lhe deu fama e fortuna. Depois de embolsar uma bela grana com comerciais alusivos à Copa do Mundo, eis que ele ressurge em grande estilo no Brasil, ganhando novamente as manchetes ao papaguear as críticas da grande mídia à organização, na qual o COL tem um papel importante. Ronaldo foi além e desceu o pau no atraso das obras dos estádios e da mobilidade urbana. Como se não tivesse nada com isso, apenas um turista inglês de passagem pelo Brasil, falou mal dos aeroportos e de todo o resto, dizendo que sentia vergonha de tudo”, prosseguiu.
Vergonha de Ronaldo sentimos nós ao constatar que não fez nada de graça, nem isso: na verdade, estava fazendo política rasteira para desgastar o governo e iniciar uma campanha a favor do candidato que apoia, o tucano Aécio Neves, seu amigo, como fez questão de registrar em seuFacebook, chamando-o de futuro presidente. Com a maior cara de pau, logo deu início à sua nova tarefa de cabo eleitoral: ‘Sempre tivemos uma amizade muito forte e agora vou apoiá-lo. É meu amigo, confio nele e acho que é uma ótima opção para mudar o nosso país’. Foi mais longe: afirmou que, como empresário, diz que desistiu de investir no Brasil no próximo ano por estar inseguro. ‘Essa insegurança que estamos vivendo, essa instabilidade, a revolta do povo… O governo deveria tranquilizar o povo, o setor empresarial”, acrescentou.
“Se com sua ficha extracampo Ronaldo vai agregar ou tirar votos do tucano, é outro problema. E se o nome dele for aprovado nas pesquisas internas do PSDB? Fica a sugestão. A campanha eleitoral ficaria pelo menos mais divertida e festiva”, conclui Kotscho.
Fonte - Correio do Brasil  05/06/2014

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O trem tucano

Política

Folha de São Paulo
foto - ilustração
Enquanto isso...
Tornam-se cada vez mais comprometedoras as notícias em torno da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e seus contratos milionários. As suspeitas incidem sobre sucessivos governos tucanos no Estado.
O caso já é antigo, mas foi reavivado recentemente pela empresa alemã Siemens, que, em troca de imunidade nas investigações, levou às autoridades brasileiras documentos que indicam a existência de um cartel no sistema metroferroviário paulista --com a partilha de encomendas e elevação de preço das concorrências.
Ao menos seis licitações teriam sido fraudadas, segundo documentos internos da Siemens, que apontavam conluios durante as administrações de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
Diante das denúncias, o governador Alckmin não apenas anunciou diligências -- que se revelaram bem menos rápidas do que o prometido -- mas também acentuou que, até aquele momento, não havia indicações de participação de autoridades públicas no esquema.
Pois bem. Enquanto se bloqueavam as tentativas de realizar uma CPI sobre o escândalo, surgiram nomes de possíveis beneficiários de propina no governo.
Outra empresa associada ao cartel, a francesa Alstom, vinha sendo acusada de corromper governos em diversos países. Documentos obtidos por autoridades suíças sugerem que João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM, teria recebido US$ 836 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) da Alstom.
Revela-se agora que, em 2011, as autoridades suíças pediam ao Ministério Público brasileiro investigações sobre quatro suspeitos, inclusive o próprio Zaniboni.
Nenhuma investigação foi feita, entretanto. E o motivo alegado para a omissão é de molde a desafiar a credulidade até mesmo dos mais ingênuos. É que o pedido vindo da Suíça foi arquivado numa pasta errada. Assim declara o responsável pelas investigações no Brasil, o procurador Rodrigo de Grandis.
Como esta Folha revelou no sábado, passados três anos, a Suíça desistiu de prosseguir no caso; as suspeitas foram arquivadas.
Não bastassem as notórias dificuldades brasileiras para julgar, condenar e aplicar penas aos suspeitos de corrupção, vê-se, no caso Alstom, a intervenção de um fator acabrunhante: o engavetamento puro e simples.
Desaparece o pedido, perde-se o prazo, enterra-se o assunto, reconhece-se a "falha administrativa". Que não fique por isso mesmo, para que o trem tucano não prossiga até a muito conhecida estação chamada Impunidade.
Fonte - São Paulo Trem Jeito  01/11/2013