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domingo, 16 de novembro de 2014

G20 vê possibilidade de crescer 2,1% mais até 2018

Economia

Segundo o G20, a elevação no crescimento adicionaria US$ 2 trilhões à economia global e criaria empregos. Os países destacaram que o crescimento maior pode ser atingido com medidas para aumentar o investimento, elevar o comércio e a competição e impulsionar o emprego

Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil
Presidenta Dilma Rousseff durante Fotografia Oficial
da Cúpula do G20 - Roberto Stuckert Filho/PR
O G20, grupo das maiores economias do mundo, divulgou documento sinalizando a possibilidade de conseguir, até 2018, crescimento adicional de 2,1% dos produtos internos brutos (PIB, soma dos bens e riquezas produzidos em um país) do bloco, constituído pelas 19 maiores economias mais a Comunidade Europeia. O comunicado foi publicado após dois dias de reuniões, na cidade de Brisbane, Austrália.
Segundo o G20, a elevação no crescimento adicionaria US$ 2 trilhões à economia global e criaria empregos. Os países destacaram que o crescimento maior pode ser atingido com medidas para aumentar o investimento, elevar o comércio e a competição e impulsionar o emprego. Os membros do G20 defenderam ainda a adoção de políticas macroeconômicas para apoiar o desenvolvimento e crescimento inclusivo, reduzindo a desigualdade e pobreza. O grupo enfatizou a necessidade de investir em infraestrutura, e destacou o papel dos bancos multilaterais e bancos públicos de desenvolvimento.
“Combater as deficiências de investimento e infraestrutura é crucial para elevar o crescimento, a criação de empregos e a produtividade (…). Nossas estratégias de crescimento contêm grandes iniciativas de investimento, incluindo fortalecer o investimento público e melhorar nosso clima de investimento doméstico e financiamento, o que é essencial para atrair novos recursos do setor privado”, diz a carta. Segundo o comunicado, os membros do G20 continuarão trabalhando com bancos multilaterais, e encorajando a atuação de bancos de desenvolvimento nacionais.
Os países assumiram o compromisso de reduzir a diferença entre as taxas de participação no mercado de trabalho de homens e mulheres, trazendo mais de 100 milhões de mulheres à força de trabalho até 2025. O G20 também se compromete “fortemente” a reduzir o desemprego entre os jovens, considerado “inaceitavelmente alto”.
O comunicado defende, ainda, a estabilidade do sistema financeiro e ações para um sistema internacional de taxas “justo”. Diz também que os países buscarão aumento da eficiência energética para atender à necessidade de crescimento sustentável e desenvolvimento. Apoia, por fim, ações para enfrentar as mudanças climáticas que estejam de acordo com a última conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto.
Fonte - Agência Brasil  16/11/2014

sábado, 19 de outubro de 2013

O INFERNO, NA PRIMAVERA.

Política

Mauro Santayana

(HD) - Quem planta vento, colhe tempestade. A máxima popular - que alguns atribuem a antigo provérbio bíblico - se ajusta, como uma luva, ao continente europeu, sitiado, no Mediterrâneo, por milhares de refugiados da série de conflitos que se convencionou chamar de “Primavera Árabe”.
A intenção da UE e dos EUA, ao incentivar o “vamos para a rua” nos países árabes, era destruir a coesão interna – se possível promovendo sua divisão geográfica - de países que, historicamente, se opunham à dominação ocidental naquela região do mundo.
No plano político, esse objetivo já foi quase alcançado. E na economia, a situação beira a catástrofe. Nesta semana, o banco inglês HSBC, publicou relatório afirmando que a Primavera Árabe vai custar a países como o Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Jordânia, Líbano e Bahrein, entre 2011 e 2014, 800 bilhões de dólares, mais uma redução potencial em seu PIB da ordem de 35%.
No plano cultural e no religioso, abriram-se feridas que talvez não cicatrizem nunca. Na última semana de setembro, realizou-se, em Bkerke, no Líbano, a reunião do Conselho de Patriarcas Católicos do Oriente.
A reunião contou com a presença de Gregoire III Laham, representante dos católicos gregos, de Luis Rafael Sako, patriarca caldeu, de Ignacio Yusef Yunan, representante dos siríacos-católicos, de Narciso Pedros XIX e de um grande número de bispos.
No final do encontro, em seu pronunciamento, o Patriarca Maronita Monsenhor Bechara Rai, não mediu as palavras: “O Oriente Médio - afirmou Rai, que vai se encontrar com o Papa Francisco em novembro – precisa, nesse momento, dos ensinamentos de Cristo, do evangelho da paz, da verdade, da fraternidade e da Justiça.”
“Construímos, nos últimos 2.000 anos, com nossos irmãos muçulmanos, uma única civilização e uma identidade comum, que a política internacional tem feito de tudo para destruir e sabotar. A Primavera Árabe transformou-se, em pouco mais de dois anos, em um inferno de matança e destruição.”
Um inferno que estende suas conseqüências para todos os aspectos da vida humana e obriga à quebra de padrões de identidade psicológica e herança antropológica da população mais atingida.
Ainda ontem, na Síria – em uma decisão que lembra o massacre, pela fome, dos habitantes do Ghetto de Varsóvia - um grupo de ulemás e líderes religiosos, foi obrigado a emitir um edital islâmico autorizando os habitantes muçulmanos dos subúrbios do sul de Damasco a abater e comer animais impuros.
Em certas versões do Corão é proibido comer animais que se alimentem de impurezas, como os burros, ou outros, associados ao demônio, que – como os cães e os gatos – possuam caninos.
Autorizamos isto – afirma o comunicado publicado na internet – como um apelo para chamar a atenção do mundo para a terrível situação que estamos vivendo, e tentar evitar que nossos fiéis, por obediência às leis de Alá, venham a morrer de fome.
Fonte - Mauro Santayana  19/10/2013