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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A quinta coluna

Ponto de Vista 🔎

O movimento sindical dos trabalhadores sofre hoje,como Madri na Guerra Civil,o assédio de quatro poderosas colunas que o atacam.Na Guerra Civil Espanhola quando quatro colunas em armas cercaram os republicanos em Madri e o general franquista que as comandava disse que contava também com uma quinta coluna,dentro de Madri.Era a coluna dos traidores.

João Guilherme Vargas Netto - Portogente
foto - ilustração/arquivo
A expressão vem da Guerra Civil Espanhola quando quatro colunas em armas cercaram os republicanos em Madri e o general franquista que as comandava disse que contava também com uma quinta coluna, dentro de Madri. Era a coluna dos traidores.
O movimento sindical dos trabalhadores sofre hoje, como Madri na Guerra Civil, o assédio de quatro poderosas colunas que o atacam.

A primeira coluna é o patronato que, amparado na recessão, demite e corta salários.

A segunda coluna é o poder executivo que pretende impor limites aos gastos públicos e sociais (incluindo a limitação do salário mínimo) e prepara uma feroz reforma da Previdência Pública.

A terceira coluna se agrupa no Congresso Nacional onde proliferam propostas antagônicas aos trabalhadores e ao movimento sindical baseadas na correlação de forças que é francamente desfavorável à resistência, quanto mais a qualquer avanço.

A quarta coluna tem seu comando em ministros do STF que pode impor, com seu ativismo renovado, derrotas sérias aos trabalhadores e ao movimento sindical em assuntos tão relevantes quanto à terceirização ou à predominância do legislado sobre o negociado. Por incrível que possa parecer, o presidente do TST declarou publicamente que o próprio conceito histórico de justiça do trabalho como justiça para desiguais merece ser revisto, confundindo essa especialização do direito que tomou vulto com a criação da OIT em 1919 e constituiu-se, no Brasil, em Justiça do Trabalho, em 1934 (artigo 122 da Constituição Federão de então) com o direito do contrato mercantil, como era vigente antes da I Guerra Mundial.

E a quinta coluna ? Esta seria materializada por nossa desunião com dirigentes sindicais de peso assumindo posições oportunistas que, no fim das contas, jogariam contra o movimento comum de resistência dos trabalhadores, reforçando com sua desorientação propositada qualquer uma das quatro outras colunas agressoras ou mesmo todas elas.
*João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical
Fonte - Portogente  14/11/2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Tendências preocupantes

Ponto de Vista

Mais uma vez comprovou-se a dificuldade do movimento sindical em se inserir com êxito no processo eleitoral; esta é uma tendência antiga que já vinha se manifestando antes e se confirma nessas eleições.Mas tenho que me referir também ao endosso dado pela maioria do eleitorado votante ao apelo propagandístico contra a política e os políticos, com o endeusamento da “gestão” e, o que é pior, da gestão privada.

João Guilherme Vargas Netto*
foto - ilustração/arquivo
Vistas a partir de São Paulo as eleições municipais apresentam tendências preocupantes, mais até que os próprios resultados.
Refiro-me à acachapante proporção de eleitores que recusaram participar das escolhas, seja por abstenção, por voto branco ou nulo. Este alheamento é antessala para propostas retrógradas da não obrigatoriedade do voto e alimenta o discurso antidemocrático: o povo não quer votar.
Mas tenho que me referir também ao endosso dado pela maioria do eleitorado votante ao apelo propagandístico contra a política e os políticos, com o endeusamento da “gestão” e, o que é pior, da gestão privada.
O candidato eleito em primeiro turno – privatista, fiscalista, controlador de gastos e administrativista – conseguiu aglutinar um campo de força (com base no fundo do quadro) que lhe dará impulso (e aos seus aliados) para a tomada de medidas que privilegiam o corte de gastos públicos, a reforma previdenciária e as privatizações. Sob este ângulo esta surpreendente vitória reforça as propostas que o movimento sindical tem apontado como negativas e aumenta as dificuldades para a resistência. O vitorioso pode se fazer passar por “trabalhador”, mas é essencialmente contra o movimento dos trabalhadores.
Mais uma vez comprovou-se a dificuldade do movimento sindical em se inserir com êxito no processo eleitoral; esta é uma tendência antiga que já vinha se manifestando antes e se confirma nessas eleições.
Os resultados foram muito precários em uma situação na qual o impulso organizado dos sindicatos foi diluído, com raríssimas exceções (registro apenas a vitória eleitoral do presidente do sindicato dos professores municipais, que já havia sido vereador).
Se alongarmos as vistas para o Estado, pode-se elogiar o relativo sucesso no interior, da Corrente Comerciária, que conseguiu ampliar a presença de dirigentes sindicais em câmaras de vereadores.
*João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical
Fonte - Portogente  06/10/2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O cachorro e as pulgas

Ponto de Vista

Uma coisa é o pensamento único (qualquer que ele seja),outra coisa é o pensamento correto,com premissas reais baseadas no interesse e consequências lógicas.É válido para todos.Para que o movimento sindical enfrente com unidade e êxito as difíceis provas pelas quais passará,é indispensável conhecer bem a situação (da sociedade,da economia,de suas bases),ter firmeza na resistência a retrocessos,saber reivindicar e negociar com perspicácia e habilidade e desmascarar as artimanhas dos adversários

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
foto - ilustração/sindicatoassis
A impossível unidade ideológica no movimento sindical não deve impedi-lo de pensar bem, com correção. Uma coisa é o pensamento único (qualquer que ele seja), outra coisa é o pensamento correto, com premissas reais baseadas no interesse e consequências lógicas. É válido para todos.
Para que o movimento sindical enfrente com unidade e êxito as difíceis provas pelas quais passará, é indispensável conhecer bem a situação (da sociedade, da economia, de suas bases), ter firmeza na resistência a retrocessos, saber reivindicar e negociar com perspicácia e habilidade e desmascarar as artimanhas dos adversários.
Tomemos como exemplo a pretensa reforma trabalhista que pode ser sintetizada no lema do negociado prevalecendo sobre o legislado, como querem os empresários, seus ideólogos e propagandistas.
A investida deles contra a CLT arrola uma série de pequenos problemas (para eles, os exploradores) cuja listagem procura induzir a sensação folclórica de travamento ou de atraso – a mosca na sopa – para, num passe de mágica, apontar a solução ideal: sua abolição ou mudanças radicais, com alterações que vão muito além dos pequenos problemas apontados. Tudo isso vem embrulhado em um papel já usado, a livre negociação entre as partes atomizadas: panela de ferro e panela de barro.
A CLT, ao longo dos seus mais de 70 anos, já experimentou mudanças significativas. Algumas, progressistas, incorporaram conquistas resultantes de lutas que atravessaram décadas – o décimo-terceiro salário, por exemplo. Outras, regressistas, foram resultados da pressão ditatorial – o fim da estabilidade e o FGTS.
Vários artigos caíram ou foram modificados por exigência da Constituição de 1988.
Mais recentemente, sob a onda neoliberal, vieram os contratos com prazo determinado e o banco de horas cujos resultados efetivos para o trabalhador deixam a desejar. (Tudo isso me ensinou o dr. Arouca)
Se há pontos a serem aperfeiçoados, se há disfunções a serem sanadas, aplique-se a experiência histórica de mudanças pontuais, preservando-se o essencial, ou seja, o caráter abertamente protetor do trabalho e do trabalhador da CLT.
A tática dos empresários e de seus ideólogos e propagandistas corresponde a matar o cachorro sob o pretexto de combater as pulgas.
*João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical
Fonte - Portogente  24/08/2016