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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Consórcio internacional investiga efeitos da mudança climática no microbioma do oceano Atlântico

Meio ambiente/Sustentabilidade  🌊

O objetivo de um projeto internacional intitulado AtlantECO, que reúne cientistas de 36 instituições diferentes, de 13 países,é investigar os efeitos da mudança climática no microbioma do oceano Atlântico do polo norte ao sul. 

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
Esse é o objetivo de um projeto internacional intitulado AtlantECO, que reúne cientistas de 36 instituições diferentes, de 13 países. Do Brasil participam equipes das universidades de São Paulo (USP), Federal de São Carlos (UFSCar), Federal da Bahia (UFBA), Federal do Rio Grande (Furg) e Federal de Santa Catarina (UFSC). A iniciativa é financiada pelo Programa Horizon2020, da União Europeia, e deve ser concluída até 2025. Das instituições brasileiras que integram o projeto, dois laboratórios recebem apoio da FAPESP: o Laboratório de Sistemas Planctônicos (LAPS) do Instituto Oceanográfico da USP, coordenado pelo professor Rubens Mendes Lopes, e o Laboratório de Biodiversidade e Processos Microbianos da UFSCar, coordenado pelo professor Hugo Miguel Preto de Morais Sarmento. O trabalho de campo será realizado a bordo de vários navios oceanográficos nacionais e veleiros projetados para expedições científicas. Serão reunidos nos estudos os conhecimentos novos e existentes sobre os organismos microscópicos que habitam os rios, as águas costeiras, o oceano aberto, os sedimentos marinhos e a atmosfera, e também os encontrados no lixo plástico desses ambientes. As escalas serão organizadas com as comunidades locais e partes interessadas em torno da bacia do Atlântico, envolvendo campanhas de divulgação, ciência cidadã e conscientização, entregando um programa de capacitação em larga escala para profissionais e estudantes.
Fonte - Revista Amazônia 01/12/2020

sábado, 4 de outubro de 2014

Excesso de ruídos de tráfego pode causar distúrbios no sono

Poluição sonora

O Mapeamento do Ruído Urbano e Seus Efeitos à Saúde da População, feito entre julho de 2013 e julho último, apontou que 75,6% dos entrevistados, moradores na região, consideram o próprio sono regular ou ruim, e 41,3% deles às vezes têm dificuldade para adormecer, enquanto 49,8% às vezes acordam durante a noite.

Aline Leal 
Repórter da Agência Brasil 
foto - Pregopontocom
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBF) revela que distúrbios do sono de moradores do bairro Pinheiros, na capital paulista, podem estar relacionados à poluição sonora decorrente do tráfego intenso de veículos nas redondezas. Os números da pesquisa serão apresentados no 22º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em Joinville (SC), de 8 a 11 deste mês.
O Mapeamento do Ruído Urbano e Seus Efeitos à Saúde da População, feito entre julho de 2013 e julho último, apontou que 75,6% dos entrevistados, moradores na região, consideram o próprio sono regular ou ruim, e 41,3% deles às vezes têm dificuldade para adormecer, enquanto 49,8% às vezes acordam durante a noite.
Nas áreas expostas ao tráfego rodoviário pesquisadas - Marginal Pinheiros, Avenida Rebouças, Rua Heitor Penteado, Avenida Brigadeiro Faria Lima e Rua Henrique Schaumann - os níveis de ruídos podem chegar a 85 decibéis (dB) - nível que torna o ambiente insalubre para o trabalho, de acordo com a legislação.
Os níveis de barulho de todas as áreas avaliadas são maiores que os limites estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, que são 55 dB durante o dia e 50 dB à noite. Comparativamente, ruídos entre 50 dB e 55 dB equivalem a conviver diuturnamente em ambiente de escritório com máquinas de escrever.
A autora da pesquisa, fonoaudióloga Karina Mary Paiva, da SBF, diz que nem sempre as pessoas percebem os danos que os ruídos podem causar à saúde. “Mesmo que o ruído não incomode, temos uma alteração no organismo quando estamos expostos a ele. Muitas vezes as pessoas não associam, mas acordar durante a noite e tomar remédio para dormir pode estar relacionado a um excesso de ruídos”, ressalta.
Segundo a especialista, existem estudos na Europa que relacionam os ruídos causados pelo tráfego à maior incidência de hipertensão e infarto, e adianta que o mapeamento feito por ela, em São Paulo, é obrigatório em cidades europeias com mais de 195 mil habitantes, para que as autoridades possam planejar ações no sentido de diminuir a poluição sonora.
A pesquisa mostra ainda que 49,8% dos entrevistados se sentem incomodados ao exercerem atividades cotidianas como assistir à televisão, descansar, conversar e fazer tarefas que exijam concentração.
Foram avaliados 75 pontos, contabilizando 20 horas de medição. Em todos os pontos, os níveis de ruído ultrapassaram os limites de 55 dB. Para o estudo ainda foram feitas 225 entrevistas domiciliares. Segundo Karina, um dos motivos para a escolha do bairro foi a presença de residências, mesmo o bairro sendo comercial e de trânsito intenso.
Fonte - Agência Brasil  04/10/2014

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

EUROPA - O legado devastador da austeridade

Economia

Novos relatórios mostram aumento da pobreza e da desigualdade e afirmam que as consequências do aperto fiscal serão sentidas por décadas

Louisa Gouliamaki / AFP
Militantes comunistas realizam protesto, no sábado 5, em frente ao parlamento da Grécia, em Atenas, contra as medidas de austeridade

Carta Capital
Da Redação
Dois relatórios divulgados nesta semana, um pelo Conselho da Europa e outro pela Federação Internacional da Cruz Vermelha, destacam os efeitos devastadores das medidas de austeridade, principal ferramenta usada no combate à crise econômica e financeira iniciada em 2008,sobre o tecido social europeu.
O documento mais abrangente é o da Cruz Vermelha, baseado numa pesquisa feita pelos escritórios da organização nos países europeus. A entidade lembra que, logo nos primeiros sinais da turbulência, vaticinou que o foco na estabilização macroeconômica estava obscurecendo as consequências humanitárias da crise. Ainda segundo a organização, cinco anos depois está claro que os mais vulneráveis são os mais atingidos e que as pessoas nunca antes afetadas por abalos financeiros também estão sofrendo as consequências.
A entidade afirma que a Europa está diante de uma “iminente crise humanitária”, pois os pobres estão ficando mais pobres, há mais gente cuja renda está abaixo da linha da pobreza e a desigualdade está aumentando. Segundo a entidade, as “consequências a longo prazo” da crise ainda estão por vir, uma vez que a questão do desemprego na Europa é uma “bomba-relógio”. Em um quarto dos 52 países pesquisados, o nível de desemprego dos jovens é classificado como “catastrófico”, variando de um terço desta população até 60% dos jovens de um país. Entre os mais velhos, a situação também é problemática. Em 2008, havia 2,8 milhões de desempregados entre 50 e 64 anos nos 28 países da União Europeia. Em 2012, esse número estava em 4,6 milhões.
Essa situação, afirma a Cruz Vermelha, tem feito a entidade mobilizar esforços na Europa. Durante o ano de 2012, 3,5 milhões de europeus receberam doações de comida, um aumento de 75% com relação a 2009. Ainda segundo a organização humanitária, “centenas de milhares estão sendo assistidos com aconselhamento, ajuda financeira ou material ou apoio psicológico”. A organização afirma que os efeitos da crise serão sentidos “por décadas”, mesmo que haja uma recuperação do crescimento econômico. Na Letônia, país báltico que deixou a crise oficialmente, mais de 140 mil pessoas estão recebendo doações de comida.
O relatório da Cruz Vermelha, intitulado Pense diferente – impactos humanitários da crise econômica na Europa, desafia os europeus a pensarem se conseguiram compreender o que os atingiu e se estão preparados para lidar com as consequências da crise. A organização afirma que a turbulência tem atraído imigrantes para países menos afetados ou economias em crescimento, mas lembra que, após um 12 meses metade deles continua desempregada e que têm sido recebidos com “posturas mais duras” pelos governos e sociedades que os recebem. Para a organização, a xenofobia é uma preocupação crescente. Há milhares de pessoas morando a céu aberto ou em locais improvisados, afirma a Cruz Vermelha. Na Europa oriental, crescem os “assentamentos temporários” devido ao corte de gastos sociais dos governos.
A Cruz Vermelha lembra que os efeitos da austeridade têm sido sentidos não apenas nos países mais pobres. Na França, desde 2009, 350 mil pessoas cruzaram para baixo a linha da pobreza. Na Alemanha, um relatório da Fundação Bertelsmann mostrou que, entre 1997 e 2012, 5,5 milhões de pessoas deixaram a classe média para se tornarem “trabalhadores de baixa renda”, enquanto 500 mil pessoas se entraram para o grupo dos mais ricos.
Espanha. O relatório do Conselho da Europa, que reúne os chefes de Estado ou governo da União Europeia, vai na mesma linha do estudo da Cruz Vermelha, mas é focado na Espanha. Assinado por Nils Muižnieks, comissário para Direitos Humanos do conselho, o relatório afirma que “cortes em orçamentos sociais, de saúde, educacionais levaram a um preocupante aumento na pobreza das famílias”.
De acordo com Muižnieks, os cortes significativos na educação espanhola nos últimos três anos estão minando a oportunidade de igualdade das crianças ao tornar mais difícil o acesso ao ensino de qualidade para as que têm dificuldades específicas ou desvantagens para acessar o sistema educacional. “A crescente pobreza infantil, má nutrição e moradia inadequada são assuntos de grande preocupação por seu potencial devastador em longo prazo sobre as crianças e o país”, afirmou o comissário. “As autoridades espanholas devem implementar estratégias efetivas para resolver esse problemas relacionados à pobreza e proteger os direitos sócio econômicos.
"A austeridade está morta. Vida longa à austeridade". Em junho, ao fazer uma avaliação da ajuda à Grécia, o Fundo Monetário Internacional admitiu que não imaginava os impactos negativos que as medidas de austeridade impostas ao país europeu teriam. Em um relatório conjunto com os outros dois integrantes da chamada “troika” – o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia – o FMI admitiu que “a confiança do mercado não foi recuperada, o sistema bancário perdeu 30% de seus depósitos e a economia sofreu uma recessão muito mais profunda que o esperado, com excepcionalmente alto nível de desemprego”.
O reconhecimento por parte do FMI foi mais um dos diversos, porém tímidos, passos da entidade para se distanciar da austeridade. Como já sabiam os países da Ásia e da América Latina, o aperto pode ajudar minimizar crises, mas tem um impacto social negativo. A principal medida do receituário do FMI, entretanto, continua em voga.
Em abril, o FMI fez duras críticas à austeridade imposta pelo ministro responsável pela economia e finanças do Reino Unido, George Osboune. Naquele mês, o fundo recomendou que o governo britânico pensasse em um plano B para a economia e buscasse reduzir seu déficit de forma mais lenta. Na terça-feira 8, em novo relatório sobre o Reino Unido, o FMI abandonou as críticas. O aumento do investimento por parte do governo deixou de ser uma “recomendação” para ser uma “possibilidade”.
A mudança se deu não por conta de questões sociais. Em abril, a preocupação do FMI era com a capacidade de investimento do setor privado diante das medidas. Agora, como essa preocupação desapareceu, o Fundo deixou de ver a austeridade com tanta preocupação.
Fonte - Carta Capital  10/10/2013