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quinta-feira, 19 de março de 2015

Ferrovia barateia escoamento de biodiesel de MT

Ferrovias

Com o terminal de Rondonópolis, todo o biodiesel de Mato Grosso que até agora chegava a Paulínia em caminhões deverá seguir em vagões. Com isso, a empresa espera ampliar significativamente o volume total de biocombustíveis que movimenta por ferrovias no ciclo 2015/16, que terá início em abril.

Valor Econômico
foto - ilustração/portaldotrem
Segundo maior produtor de biodiesel do país, Mato Grosso agora tem estrutura para escoar sua oferta atual por ferrovia até a refinaria de Paulínia, em São Paulo. A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, inaugurou ontem um terminal ferroviário de combustíveis no município de Rondonópolis que, em larga medida, terá justamente essa finalidade. O projeto gerou expectativa no Estado pela redução de custos que promete garantir na comparação com a utilização de rodovias.
O transporte do biodiesel puro (B-100) de Rondonópolis a Paulínia será realizado nos mesmos vagões que agora poderão levar gasolina e diesel da cidade paulista até o polo agrícola mato-grossense. Por caminhão, são cerca de 2 mil quilômetros. Nas contas da Raízen, essa otimização do transporte, com a ocupação dos vagões ferroviários na ida e na volta, possibilitará um ganho de eficiência de 27% na distribuição de combustíveis na região, segundo Leonardo Pontes, diretor-executivo de logística da empresa. E boa parte desse ganho virá da redução dos fretes.
A Raízen, cujo faturamento anual supera R$ 50 bilhões, começou a transportar biocombustíveis por trilhos em 2013, com o transporte de biodiesel de Esteio (RS) até Araucária (PR). Na base de distribuição ferroviária da empresa em Alto Taquari (MT), o uso do modal para o escoamento de biocombustíveis entrou em escala comercial em 2014, puxado pelo etanol produzido no sul de Goiás - tanto na usina própria da companhia, localizada em Jataí, como em outras unidades da região.
Com o terminal de Rondonópolis, todo o biodiesel de Mato Grosso que até agora chegava a Paulínia em caminhões deverá seguir em vagões. Com isso, a empresa espera ampliar significativamente o volume total de biocombustíveis que movimenta por ferrovias no ciclo 2015/16, que terá início em abril.
A área de distribuição de combustíveis da Raízen projeta que deverá movimentar no mercado interno 3,8 bilhões de litros de etanol e outros 700 milhões de litros de biodiesel nesta temporada 2014/15, que terminará no dia 31 deste mês. Do total de 4,5 bilhões de litros, 20% serão escoados por trilhos, disse Pontes. "Com Rondonópolis, esse percentual vai dobrar", previu.
A maior parte do biodiesel de Mato Grosso é produzido em um raio de cinco a dez quilômetros do novo terminal da Raízen em Rondonópolis, construído às margens da malha da América Latina Logística (ALL) - agora também controlada pela Cosan por meio da subsidiária Rumo Logística.
Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2014 o Brasil produziu 3,4 bilhões de litros de biodiesel e Mato Grosso representou 18% desse volume (611 milhões de litros). Aproximadamente 400 milhões de litros vieram de unidades de processamento localizadas em Rondonópolis, incluindo as das multinacionais americanas ADM (161 milhões de litros) e Bunge (115 milhões de litros) e a da asiática Noble (116 milhões).
É difícil saber como o ganho de eficiência calculado pela Raízen em 27% vai se distribuir ao longo da cadeia produtiva. Mas, conforme o diretor de logística da empresa, o novo terminal tende a mudar o patamar de competitividade de Mato Grosso em biodiesel em relação a seu maior "concorrente", o Rio Grande do Sul.
Do total de 700 milhões de litros que a Raízen movimentará em biodiesel no ciclo 2014/15 em todo o Brasil, em torno de 50% virão de Mato Grosso e 40% de fábricas gaúchas. "A projeção é que o biodiesel mato-grossense amplie sua participação em 10 pontos percentuais nos próximos cinco anos, pois é aqui que está a maior produção de soja do país e os maiores potenciais de crescimento na fabricação de biodiesel", afirmou Pontes.
Em 2015/16, segundo ele, a Raízen deverá movimentar 830 milhões de litros de biodiesel no Brasil, em virtude do aumento do percentual de biodiesel no diesel - de 5% para 7%, em vigor desde o último trimestre do ano passado - e também desse crescimento de "market share".
Desde sua implementação no país, há quase dez anos, o mercado de biodiesel é regulado pelos leilões da ANP, que define os volumes a serem adquiridos a cada bimestre e estabelece os limites para os preços de comercialização. Mas Leonardo Gadotti Filho, vice-presidente de Logística, Distribuição e Trading da Raízen, não tem dúvidas de que esse mercado vai mudar um dia no Brasil.
"E, quando isso acontecer, o diferencial será a logística", afirmou Gadotti. Atualmente, o biodiesel B-100 pode ser adquirido apenas por uma distribuidora de combustível, que o mistura, na proporção permitida, no diesel que é distribuído no país. "Quando o mercado se abrir, poderemos movimentar volumes bem maiores do produto, uma vez que atuaremos também como trading de biodiesel", disse o executivo.
Fonte - Revista Ferroviária  19/03/2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Locomotiva é resgatada para restauração e uso

Transportes sobre trilhos

Essa máquina, fabricada nos EUA pela American Locomotive Company, é uma importante locomotiva diesel de primeira geração, que veio para substituir as antigas locomotivas a vapor na época

Maria Teresa Costa - iG Paulista
Locomotiva recebeu a cor vermelha quando atuou pela ALL
Locomotiva recebeu a cor vermelha quando atuou pela ALL
Foto: Divulgação
Uma locomotiva de 1958 movida a diesel será resgatada amanhã em uma empresa em Paulínia para ser restaurada e passará a integrar o acervo de locomotivas da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), entidade que opera o trem turístico entre Campinas e Jaguariúna. Com a chegada da máquina, a frota de locomotivas passa a contar com 23 equipamentos, incluindo os movidos a vapor (maria-fumaça),diesel mecânica e diesel elétrica. Emseis meses, segundo o diretor da ABPF, Hélio Gazetta Filho, a locomotiva começará a circular no trecho turístico.
Essa máquina, fabricada nos EUA pela American Locomotive Company, é uma importante locomotiva diesel de primeira geração, que veio para substituir as antigas locomotivas a vapor na época. Ela é uma das duas remanescentes de dez máquinas a diesel adquiridas pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro e que circularam nos ramais de bitola métrica até 1968 na região de São Carlos. Elas iam até Dourado, Novo Horizonte e também no ramal de Bebedouro a Olímpia.

Transferência A partir de 1968, quando a Paulista fechou os trechos operados em bitola métrica, as locomotivas foram transferidas para a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e passaram a circular na região de Campinas. A outra locomotiva remanescente do período, recuperada, pertence a uma empresa e opera no porto do Guarujá. As outras oito do lote são sucatas, sem condições de recuperação, e estão no pátio de Campinas.
A máquina é de número 3505 e foi, por muitos anos, locomotiva de manobra das oficinas de Campinas. Com o fechamento das oficinas, ela foi transferida para as oficinas de Sorocaba e nos últimos dois anos estava inoperante por problemas mecânicos e guardada nas oficinas da ALL em Mairinque.

Cor originalCedida à ABPF pelo Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), ela foi transportada até Paulínia e ficou sob guarda da empresa ANX, de onde vai ser carregada em carreta especial esta semana e levada à estação Carlos Gomes. Originariamente a máquina era azul, cor da Paulista, e foi pintada de vermelho pela ALL, cor desta empresa. Nas oficinas da ABPF ela retornará ao azul original.
Essa locomotiva vai ajudar as marias-fumaças a puxar os trens grandes e também nos períodos de seca ou de muita chuva. No período de chuva, a lenha fica úmida e demora a queimar para ferver a água que formará o vapor necessário para mover as marias-fumaças. Nos períodos de seca, a ideia é que ela faça a força necessária para puxar os trens, evitando a necessidade de queimar muita lenha e prevenir, assim, a formação de fagulhas que poderão provocar incêndio nas margens do trecho por onde circula o trem entre Campinas e Jaguariúna.

AcervoABPF tem, em Campinas, o maior acervo de marias-fumaças da América Latina (são 12 locomotivas a vapor restauradas e mais quatro a espera de recuperação e 60 carros e vagões) graças ao trabalho de garimpagem realizado pelos associados. São ex-ferroviários e apaixonados por trens que dedicam parte de seu tempo a recolher preciosidades históricas abandonadas em pátios desativados.
Sem isso, um importante acervo histórico estaria distribuído pelo país correndo o risco de ser corroído pela ferrugem ou virar sucata. Emprocesso de inventariança, a Rede Ferroviária Federal S.A., proprietária de todo o material das ferrovias desativadas, está leiloando tudo o que não entrou no processo de privatização. As marias-fumaças estão sendo salvas graças ao convênio que a ABPF tem com a RFFSA.

CessãoPor ele, a entidade tem a cessão, em comodato por 99 anos, desses equipamentos, desde que restaure e mantenha a “frota” conservada.
A restauração tem produzido resultados importantes, como a de uma locomotiva a vapor que pertenceu à Companhia Paulista de Estrada de Ferro e que por mais de 40 anos ficou abandonada. Há também um bagageiro em madeira restaurado pelos voluntários, que pertenceu à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil: era o carro-correio. Da mesma empresa, uma maria-fumaça também foi restaurada e circula nos finais de semana, levando turistas saudosos para uma viagem no tempo, no trecho de 24 quilômetros entre Campinas e Jaguariúna. Mais novo integrante do acervo, o carro americano foi fabricado em 1951 pela The Budd Company para a Estrada de Ferro Sorocabana.
Fonte - Correio RAC.com  05/01/2015