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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Primeira composição modernizada do VLT de Salvador deverá chegar a capital baiana no inicio do mês de dezembro

Transportes sobre trilhos  🚄🚃🚃🚃🚃

O Governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, acompanha últimos ajustes nos trens do VLT do Subúrbio; o primeiro chegará a Salvador no início de dezembro. A atividade foi acompanhada de perto, na fábrica da Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), localizada em Hortolândia (SP).A1ª composição de VLT já modernizada e totalmente pintada deverá chegar em Salvador no dia 5 de dezembro, com um design em homenagem ao subúrbio e à Bahia.

Da Redação
Foto - Joá Souza/GOVBA
Mais uma etapa estratégica do cronograma de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e Região Metropolitana teve início nesta quarta-feira (10): estão sendo realizados os últimos ajustes técnicos e operacionais, além da pintura e plotagem de um dos trens do novo modal. A atividade foi acompanhada de perto, na fábrica da Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), localizada em Hortolândia (SP), pelo governador Jerônimo Rodrigues e uma comitiva de lideranças comunitárias do Subúrbio de Salvador. “A CAF nos deu como garantia que, no dia 5 de dezembro, esse trem chegará em Salvador totalmente pintado, com um design em homenagem ao subúrbio e à Bahia. No dia 10 de dezembro, já começam os testes estáticos, móveis. Depois disso, por exigência dos padrões técnicos, a CAF precisa de seis meses para fazer os últimos testes, enquanto isso, a CTB conduz a montagem dos trilhos finais para que a gente possa transportar gente já no segundo semestre de 2026”, explicou Jerônimo Rodrigues. Na unidade da CAF — empresa espanhola especializada na fabricação e manutenção de trens, VLTs e metrôs — os veículos passaram por intervenções específicas, incluindo restabelecimento técnico-operacional, modernização e substituição de componentes desgastados, renovação da pintura, plotagem e testes de performance. As modificações atenderam às exigências do projeto baiano desenvolvido pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), assegurando eficiência, segurança e plena compatibilidade com o sistema metroferroviário local. “Agora, estamos realizando os testes estáticos aqui na fábrica e depois eles vão ocorrer no mês de dezembro em Salvador, e, em seguida, [serão realizados] os testes dinâmicos. A CTB já está providenciando as vias para fazermos esses testes. O nosso objetivo como fabricante é ver os nossos trens operando”, destacou Renato Meirelles, presidente da CAF Brasil. Dentro do projeto do novo modal, que se consolida como o maior empreendimento de mobilidade urbana em execução no país, alguns vagões passaram por adaptação para as necessidades do cliente local, no caso das marisqueiras e dos pescadores do Subúrbio de Salvador, que precisam transportar seus produtos de forma adequada e segura.

Presença da comunidade
Além de especialistas e autoridades, 20 líderes comunitários compõem a comitiva durante a visita à sede da CAF em Hortolândia. Na ocasião, conheceram o projeto do VLT, as instalações da fábrica e todo o trabalho realizado nos veículos. Dentre eles está Fátima Lima, nascida e criada no Quilombo Alto do Tororó, em São Tomé de Paripe, a marisquera representa a comunidade e fala da experiência de ver de perto os novos trens, e sobre o quanto a visita renova as esperança de mais qualidade de vida para moradores do Subúrbio de Salvador. “Vai mudar muita coisa, porque pegar um ônibus hoje é como se a gente estivesse em uma lata de sardinha. O pessoal trabalha, sai de manhã, chega de noite, precisa de um pouco mais de conforto e tranquilidade. Sem falar que pode gerar renda também, a partir dos pontos para que as pessoas que não têm trabalho formal possam vender suas iguarias, seus quitutes. O VLT chega pra gente se reinventar também”, conta a quilombola Fátima Lima. Lázaro Conceição é líder comunitário nas localidades de Paripe e Fazenda Coutos e aposta na modernidade que o VLT traz para a região. “A gente que dependeu muitos anos do trem sempre sentiu essa falta, e a chegada do VLT, um equipamento mais moderno, mais sofisticado, vai sim trazer mais mobilidade. Hoje com trânsito do jeito que está, vamos circular com mais fluidez e mais rápido”, conta Lázaro.

Modelo dos trens
O trem do VLT de Salvador é do modelo URBOS 3, considerado um dos melhores do mundo devido à sua durabilidade, eficiência e conforto, com 1,9 mil unidades espalhadas em mais de 50 países, como Espanha e Austrália. O URBOS foi lançado em 2008 e é fabricado, até hoje, pela CAF. No total, são 40 composições, cada uma delas formada por sete vagões, com duas cabines de comando nas extremidades e 45 metros de comprimento, de ponta a ponta. Internamente, é dotada de assentos confortáveis, poltronas com acessibilidade e comportam 400 passageiros, viajando a uma velocidade de até 70km/h, movidos à eletricidade.

Cronograma
A previsão é de que os trens comecem a chegar em Salvador a partir de 5 de dezembro de 2025 e os primeiros testes nos trilhos do Subúrbio realizados no início de 2026, conforme cronograma estabelecido.

Evolução do VLT
Com investimento de R$ 5,4 bilhões, o VLT de Salvador e RMS avança em ritmo acelerado. Com a extensão até o Comércio, o sistema terá 40 km de trilhos e 42 paradas. Até o momento, mais de 2 mil trabalhadores estão empregados no projeto, garantindo o cumprimento de prazos. Em apenas 14 meses de início das obras, os serviços realizados nos Trechos 1, 2 e 3 já mostram avanços físicos significativos, superando os padrões médios de obras ferroviárias no Brasil. No Trecho 1, que liga a Calçada à Ilha de São João, a obra já apresenta 33,79% de avanço físico. Para efeito de comparação, o fornecimento dos trilhos costuma levar de 12 a 18 meses até o destino, enquanto os equipamentos elétricos demandam cerca de 24 meses para entrega. “Estamos fazendo um investimento extraordinário de atividades tecnológicas, para revitalização dos trens. E para recebê-los temos que avançar com o trabalho na construção civil do empreendimento. Do ponto de vista de energia, já estamos instalando os primeiros sistemas da substação retificadora, para quando o trem chegar, começarmos os testes com a população, para que ela observe e vá criando uma nova rotina, uma nova esperança”, enfatizou Eracy Lafuente, presidente da CTB. No Trecho 2, que liga Paripe a Águas Claras, a obra apresenta avanço físico de 19,99%. A drenagem e proteção de taludes acompanham o ritmo da terraplenagem, avançando também nas intervenções para a duplicação da BA-528 e a implantação do VLT. Já no Trecho 3, que liga Águas Claras a Piatã, as obras civis registram 2,11% de avanço físico, com conclusão prevista para 2028. O sistema contará ainda com Wi-Fi gratuito em 35 pontos, catracas automáticas, integração com o metrô por fibra óptica, além de câmeras com inteligência artificial e painéis digitais em tempo real, garantindo mais modernidade e uma revolução no transporte público da Bahia.
Com informações da CTB/GOVBA  26/09/2025


Foto - ilustração / CTBGOVBA



quarta-feira, 19 de maio de 2021

Destino incerto para os 40 trens do VLT de Cuiabá

Transportes sobre trilhos  🚇

Destino incerto para os 40 trens de Cuiabá - Os 40 trens do VLT de Cuiabá-Várzea Grande ainda não têm uma destinação definida. Em meio a uma disputa judicial que já soma 14 processos e à decisão unilateral do governo do Mato Grosso de mudar o projeto para um Bus Rapid Transit (BRT)

Revista Ferroviária*
Divulgação RF
Único resultado concreto de um projeto de mobilidade urbana que já demandou mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos, os 40 trens do VLT de Cuiabá-Várzea Grande ainda não têm uma destinação definida. Em meio a uma disputa judicial que já soma 14 processos e à decisão unilateral do governo do Mato Grosso de mudar o projeto para um Bus Rapid Transit (BRT), as composições estão armazenadas há sete anos no Centro de Controle, Manutenção e Operação (CCO), em Várzea Grande, sem qualquer serventia para a população. O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), defensor do projeto de BRT, fez um pedido à Justiça para que todas as composições sejam retiradas do CCO e vendidas pela fabricante, a CAF Brasil, que integra o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande ao lado das empresas CR Almeida, Santa Bárbara Construções, Magna Engenharia e Astep Engenharia. Procurada, a CAF Brasil não quis comentar o assunto devido às ações judiciais ainda estarem em andamento. Mendes, segundo informou a assessoria do governo à Revista Ferroviária, solicitou que os valores obtidos com a venda dos trens sejam depositados em uma conta judicial. O governador pleiteia o ressarcimento aos cofres públicos em função da decisão de mudar o modal a partir das denúncias de corrupção envolvendo o consórcio – o que deu origem à paralisação de implantação do sistema em 2014. O plano do governador esbarra, porém, em um complicador ainda maior do que o imbróglio das ações judiciais envolvendo o projeto do VLT. A troca do modal depende do aval do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e da Caixa Econômica Federal, gestor e agente financiador do projeto do VLT de Cuiabá, respectivamente. O MDR (ex-Ministério das Cidades) concedeu à época financiamento através do programa Pró-Transporte, que utiliza recursos do FGTS. Projetos com esse tipo de financiamento não podem ter seu escopo modificado, sob pena, inclusive de uma futura fiscalização e eventual punição por parte do Tribunal de Contas da União. Os impactos financeiros são os que mais pesam na balança, tanto na hipótese de manutenção do VLT quanto de mudança para BRT, embora por razões diferentes. O valor total da obra do VLT foi calculado em R$ 1,47 bilhão, do qual R$ 1,06 bilhão (72,2%) já foi executado. A participação do governo do Mato Grosso, sobre o valor total, se deu pela soma de R$ 68,6 milhões de contrapartidas financeiras com R$ 257,3 milhões em desonerações. O restante são verbas federais: R$ 423,7 milhões oriundos do financiamento a partir de recursos do FGTS (Pró-Transporte) e R$ 727,9 milhões do financiamento feito com recursos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), ambos operados pela Caixa. Segundo o banco, o governo de Mato Grosso já utilizou, na execução da obra, R$ 297,3 milhões do empréstimo do FGTS (70,1%) e R$ 660,8 milhões do PAC (90,8%).

Trens em perfeito estado
Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), diz que não é viável a solução de venda dos trens proposta pelo governo do Mato Grosso. “Se o fabricante tivesse alternativa, já teria tirado os trens de lá. O sistema é customizado para aquele projeto, não tem como transferir para ser usado em outro”, ressalta Abate, que vem acompanhando o caso de perto e foi um dos autores de contribuições enviadas ao governo do estado em favor da manutenção do VLT. Segundo Jean Carlos Pejo, engenheiro e secretário-geral da Associação Latino-Americana de Ferrovias (Alaf) – que foi ao local em março último, durante uma visita técnica – as composições estão protegidas e em perfeito estado. “A solução que eu entendo, hoje, como técnico e engenheiro, é: com os recursos ainda existentes, conclui o primeiro trecho, entrega para a sociedade e aí abre-se uma PPP (Parceria Público-Privada), para a conclusão do sistema”, avalia. Dos R$ 498 milhões utilizados para a compra dos trens, 98,2% (R$ 489 milhões) já foram medidos, ou seja, já constatado pelo estado como aplicado para efeito de pagamento ao consórcio. Esse valor representa 45% do total já aportado no empreendimento: R$ 1,066 bilhão. Além das 40 composições, com sete carros cada, já foram entregues 22 km de trilho, que também estão armazenados no CCO. As principais alegações do governo mato-grossense para a mudança do modal são em relação aos valores que ainda terão que ser desembolsados se o VLT for mantido. Segundo a secretaria de estado de Infraestrutura e Logística do Mato Grosso (Sinfra-MT), que está à frente do projeto, seriam necessários 763 milhões para a conclusão do VLT, dos quais aproximadamente R$ 352 milhões teriam que sair do cofre estadual. Já o BRT demandaria um acréscimo de R$ 460 milhões para a implantação, com aporte adicional do estado de apenas R$ 48 milhões, em função de um remanejamento de R$ 411 milhões que seria feito nos recursos ainda não desembolsados dos contratos de financiamento do projeto VLT, em vigor com a União. “Ou seja, estamos falando de uma economia de CAPEX de cerca de R$ 300 milhões do BRT em relação ao VLT”, argumenta o engenheiro Rafael Detoni, assessor técnico da Sinfra. No dia 7 deste mês, o governo de Mato Grosso realizou uma audiência pública virtual para debater a mudança de VLT para BRT. A inciativa foi tomada após a Justiça Federal ter atendido ao pedido da prefeitura de Cuiabá – que é a favor da manutenção do VLT – para que o município participasse da discussão. Após o evento, contudo, o governador Mauro Mendes afirmou, através dos canais oficiais, que a mudança está mantida. Os detalhes por trás do empreendimento ferroviário que era para ter sido um dos legados da Copa do Mundo de 2014 estarão na próxima edição da Revista Ferroviária.(https://revistaferroviaria.com.br/)*
Fonte - Revista Ferroviária  19/05/2021