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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Transporte individual cresceu 30,5% em Salvador nos últimos cinco anos

Mobilidade 🚗  🚇

O número,do índice de crescimento da frota de carros e motos em Salvador,divulgado em recente levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), representa o terceiro maior crescimento entre as grandes cidades brasileiras.

Yuri Silva - A Tarde
foto - ilustração/Pregopontocom
O uso do transporte individual, medido com base no tamanho da frota de carros e motos em circulação na cidade, cresceu 30,5% em Salvador entre os anos de 2010 e 2015. O número, divulgado em recente levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), representa o terceiro maior crescimento entre as grandes cidades brasileiras.

Especialistas da área criticam privilégio para carros e motos 
A capital baiana fica atrás apenas de Recife-PE, onde o número de veículos individuais 🚗 aumentou 39,4%, e Fortaleza-CE, onde esse tipo de transporte teve elevação de 42,4%, segundo a CNT.
Ainda de acordo com o levantamento da confederação, a cidade de São Paulo, sempre lembrada pelos grandes engarrafamentos, teve apenas 19,3% de crescimento no tamanho da frota de carros e motos, a taxa mais baixas entre as grandes capitais do país. A média nacional foi de 24,5%.
Coordenadora de Desenvolvimento do Transporte da CNT, a engenheira civil Fernanda Rezende explica que as estatísticas indicam um privilégio ao transporte individual, principalmente se o crescimento da frota de veículos for comparado à expansão do sistema metroferroviário, modalidade considerada por especialistas a mais eficiente para transporte de massa.
No Brasil, segundo o levantamento da confederação, os sistemas de metrôs e trens cresceram 6,7% entre 2010 e 2015. “Nós continuamos percebendo que as pessoas utilizam muito mais o veículo próprio do que o sistema público. Quando se compara a malha metroferroviária do Brasil  🚇 com a de outros países, a gente conclui que a malha brasileira ainda é pequena”, afirma.
Ela lista como principais entraves para a resolução desse problema questões como “falta de planejamento, de organização de sistemas de transporte e de integração entre os modais”.
“Nos casos em que o poder público utiliza o mesmo traçado de um trem antigo para passar metrô ou VLT, às vezes esse modal não está onde há maior movimentação, onde há mais gente se deslocando, mas o poder público aproveita para economizar nos custos de implantação”, exemplifica.

Mais trens 
Diferente da tendência nacional – de crescimento maior do transporte individual, em relação aos modais sobre trilhos –, Salvador teve um aumento de 115,6% na malha metroferroviária 🚇 entre 2010 e 2015, segundo os dados divulgados no levantamento da CNT.
Antes, a capital baiana possuía apenas 11,5 km de trilhos em funcionamento, cortando o Subúrbio Ferroviário de Salvador. No entanto, após a inauguração da linha 1 e de parte da linha 2 do metrô, a malha da cidade subiu para 24,8 km.
O professor de Economia dos Transportes da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ihering Alcoforado, explica que o desempenho da capital baiana se deve justamente à baixa dimensão da malha metroferroviária que a cidade possuía até então.
“O documento registra que Salvador tinha apenas 11,5 km de malha 🚃, uma vergonha se comparada aos 71 km de Recife e aos 43 km de Fortaleza, para ficarmos apenas nas outras duas maiores capitais do Nordeste, ou mesmo aos 13,6 km de Sobral, no interior do Ceará”, analisa Alcoforado.
O especialista avalia que o crescimento do transporte individual no país “indica que os incentivos governamentais utilizados para conter a crise tiveram efeitos diferenciados”.
“Os agentes individuais, os compradores de automóveis, foram mais sensíveis aos estímulos, em especial ao credito e às renúncias fiscais, enquanto os agentes institucionais, os investidores em redes metroviárias, foram menos sensíveis aos estímulos”, explica.
Segundo o Fernanda Rezende, o estudo da CNT tem o objetivo de “caracterizar o sistema metroferroviário do país, apresentando alguns indicadores”. Foram analisadas 14 regiões metropolitanas e Sobral.
“O estudo não tem objetivo conclusivo. A ideia é apresentar o setor e apontar possíveis soluções, como a integração das políticas de transporte. É preciso ter em mente que transporte não é problema só do município, mas metropolitano”.
Fonte - A Tarde  19/12/2016

Informações complementares - Pregopontocom

Sistemas ferroviários de passageiros do Nordeste

Sistema ferroviário de passageiros de Maceió - AL
Operador - CBTU = Linha única com 32,1 km de extensão
Via singela - bitola métrica - ferrovia não eletrificada
Veículos - Trens e VLTs diesel

Sistema ferroviário de passageiros de Natal - RN
Operador - CBTU = Duas linhas com 56,2 km de extensão
Vias singelas - bitola métrica - ferrovia não eletrificada
Veículos - Trens e VLT diesel

Sistema ferroviário de passageiros de João Pessoa - PB
Operador - CBTU = Linha única com 30 km de extensão
Via singela - bitola métrica - ferrovia não eletrificada
Veículos - Trens e VLTs diesel

Sistema ferroviário de passageiros do Cariri (Crato/Juazeiro do Norte) - CE
Operador - Metrofor = Linha única com 13,6km de extensão
Via singela,bitola métrica - ferrovia não eletrificada
Veículos - VLTs diesel (1º VLT produzido no Brasil a entrar em operação no país)

Sistema ferroviário de passageiros de Teresina - PI
Operador - CMTP = Linha 13,5km de extensão
Via singela - bitola métrica - ferrovia não eletrificada
Metrô de superfície
Veículos - Trens DMU (Unidade Múltipla Diesel)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Maioria dos brasileiros querem menos espaço para carros nas ruas

Mobilidade

Inicialmente, a pesquisa consultou a população sobre três medidas, em perguntas separadas, que desestimulariam o uso do carro. Aquela que teve maior aceitação foi a de redução do número de vagas para carros nas ruas, que teve o apoio de 47% da população. Uma fatia de 41% foi contrária à medida, 9% são indiferentes e 3% não responderam.

Camila Boehm
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
A maioria dos brasileiros (74%) é a favor de ações que reduzam o espaço do veículo particular nas ruas se o motivo for dedicar esse espaço para ciclovias, corredores de ônibus e calçadas, apontou pesquisa sobre mobilidade urbana encomendada pelo Greenpeace ao Instituto Datafolha. A pesquisa foi realizada com 2.098 entrevistados de 16 anos ou mais, em 132 municípios de todas as regiões do país.
Inicialmente, a pesquisa consultou a população sobre três medidas, em perguntas separadas, que desestimulariam o uso do carro. Aquela que teve maior aceitação foi a de redução do número de vagas para carros nas ruas, que teve o apoio de 47% da população. Uma fatia de 41% foi contrária à medida, 9% são indiferentes e 3% não responderam.
A segunda questão foi sobre a redução do número de faixas para carro nas vias, que apresentou tendência inversa: 40% foram a favor da medida e 49%, contra. A parcela de indiferentes é de 8%, e 4% não souberam opinar. O fechamento de determinas ruas para carros, que corresponde à terceira pergunta, foi a questão que teve maior resistência entre os brasileiros: 36% a favor, 52% contra a medida, e os demais indiferentes (8%) ou não responderam (3%).
Após essas questões apresentadas, a pesquisa consultou os entrevistados sobre o motivo para que houvesse a redução do espaço para carros particulares e, somente então, veio a maior aceitação, com 74%.
“Primeiro perguntamos para as pessoas o que elas achavam de cada uma dessas três medidas e em seguida perguntamos para as pessoas se, [por meio] dessas medidas de redução, fosse dado espaço para esses outros meios de transporte, se ela era contra ou a favor. A diferença é que a primeira vez perguntamos só com a medida em si. Mas quando explicamos que isso vai ser usado para dar espaço para outros modos de transporte, as pessoas são a favor”, explicou Vitor Leal, da campanha de Mobilidade Urbana do Greenpeace.
De acordo com ele, as pessoas tendem a concordar com a redução do espaço para os carros quando enxergam um benefício para os outros modelos de transporte. No início, segundo Leal, as pessoas veem essas medidas como uma perda, porque estão tirando espaço do carro, mas depois conseguem ver o benefício de se fazer isso. Segundo ele, é necessário a abertura de diálogo entre o governante e a população para esclarecer a questão.
“Uma das coisas que vemos que é importante a partir desse cenário é que o poder público precisa dialogar mais com a sociedade, explicando melhor para que servem as coisas e não tirar o espaço sem explicar o que está acontecendo. Fazer uma discussão dizendo olha, vamos colocar mais corredores de ônibus, isso significa que vai ter menos pistas para os carros, mas isso vai diminuir o trânsito, isso vai garantir um transporte de qualidade”, disse.

Preferências
Questionados sobre qual meio de transporte seria escolhido para circular na cidade, se houvesse infraestrutura adequada, o ônibus seria a escolha de 42% dos entrevistados, seguido por carro (23%) e bicicleta (21%) – na prática, os dois últimos estão empatados pela margem de erro de dois pontos da pesquisa.
Para Leal, foi uma grande surpresa perceber que as pessoas valorizam o transporte público. “São dados importantes para vermos que há uma valorização do transporte público e aí entendemos que o poder público não está respondendo adequadamente a isso, porque boa parte dos investimentos vai para espaços para o automóvel”, disse.
“O que está faltando então é as pessoas sentirem que é possível: um ônibus de qualidade, uma tarifa justa, ônibus que não poluam tanto e que não façam tanto barulho, ciclovias, infraestrutura para bicicleta e para pedestre. As pessoas escolhem o carro muitas vezes porque sentem que os outros meios de transporte não tem qualidade suficiente”, acrescentou.
Ele ressalta que boa parte da discussão dos candidatos à eleição na capital paulista se dá em torno da redução de velocidade nas vias, especialmente as Marginais Tietê e Pinheiros, no entanto, não é um tema que atinge a maior parte da população. “É um tema que importa para uma parcela pequena da população, que é a que usa carro e que vai para a marginal e que é contra [a redução de velocidade]”.
“O que fica claro para mim é que as pessoas estão interessadas em como garantir a mobilidade delas e, se significa tirar espaço do carro para dar para outros modos de transporte, isso é ótimo, mas continuamos vendo os discursos de candidatos do Brasil inteiro que continuam falando só para quem anda de carro e, de vez em quando, falam um pouco sobre ônibus de um jeito genérico”, avaliou.

“Eu gosto de chegar logo”
O músico Daniel Daibem, 43, mora na Consolação, região central da capital paulista, e escolheu utilizar ônibus e andar a pé para se locomover pela cidade. “Hoje a minha resposta seria irônica para a pergunta 'por que você prefere o ônibus e não o carro?'. Porque eu gosto de chegar logo. É uma resposta que podemos dar nos últimos três anos por causa dos corredores”, disse.
Os motivos para essa decisão incluem a economia do ônibus em relação ao carro particular e a possibilidade de realizar outras tarefas enquanto está sendo conduzido, como falar ao telefone, mandar e-mail e trabalhar. Ele utiliza aplicativos de celular que o ajudam a se organizar. Por meio deles, Daniel pode consultar que linhas de ônibus o levam para cada destino e ainda para saber a que distância está o ônibus que ele pretende pegar.
Sobre o congestionamento caótico da capital paulista, ele dá uma dica. “Hora do rush não é hora de entrar no trânsito. Hora do rush é hora de fazer inglês, hora de ir na terapia, hora de tomar sorvete, hora de fazer qualquer coisa, menos entrar no trânsito. [As pessoas] poderiam ter essa iniciativa de se organizar, de não se enfiar no trânsito”.
Fonte - Agência Brasil  26/09/2016

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Carros e Motos transportam 31% da população e consomem 85% dos gastos

Mobilidade

Carros e motos consomem 85% dos gastos para transportar apenas 31% da população. O mais recente relatório do SIM - Sistema de Mobilidade Urbana da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) - referentes aos dados de 2012 releva o disparate da situação do transporte adotado no país.

Jornal da Manhã
foto - ilustração
O transporte coletivo atende somente 29% da população, mas é responsável por oferecer a maior oferta de deslocamentos, atendendo 57,2% das necessidades de deslocamentos da sociedade
O mais recente relatório do SIM - Sistema de Mobilidade Urbana da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) - referentes aos dados de 2012 releva o disparate da situação do transporte adotado no país. De todos os gastos embutidos e relacionados à mobilidade no Brasil, 85% deles são direcionados aos transportes individuais (carros e motos), entretanto, esta opção atende apenas 31% da população e corresponde a apenas 31% das distâncias percorridas. O relatório flagra ainda que a grande maioria da população prefere o transporte não motorizado, a pé ou de bicicleta (40% da população), para suas necessidades de deslocamento. Apenas 29% da população utiliza o transporte coletivo para se deslocar. O transporte individual, feito por carro ou moto, é utilizado por apenas 31% da população. A pesquisa levantou os dados referentes aos sistemas de transportes de cidades com 60 mil habitantes ou mais, o que representa 438 municípios que somam 119 milhões de habitantes – 61% da população brasileira. Contando com os custos dos próprios deslocamentos e das externalidades (poluição, acidentes de trânsito, uso de estrutura viária, etc.), a mobilidade para 61% da população em todo o País custou R$ 205,8 bilhões no ano de 2012. Os transportes individuais motorizados consumiram R$ 174 milhões deste montante, o equivalente a 85% de todos os custos. A pesquisa demonstra que o meio mais utilizado para se percorrer as distâncias necessitadas pela população foi o transporte coletivo, com 57,2% de todas as distâncias percorridas. O transporte a pé ou de bicicleta atendeu apenas a 11,8% dos deslocamentos e o transporte individual só atende a 31% das distâncias percorridas pela população. Segundo o gerente da AMTU, Paulo Pupo, enquanto os carros e motos recebem a maior parte dos estímulos diretos e indiretos, são os ônibus os responsáveis pela maior parte dos deslocamentos em transportes públicos. “Os dados mostram a necessidade de o transporte por ônibus receber prioridade e investimentos para que a maioria da população brasileira seja atendida com mais qualidade, menor custo para o País e para o próprio usuário, sem dizer menor poluição ou consumo de energia não renovável pela sociedade.” Em um rápido comparativo é possível exemplificar que um ônibus coletivo retira 50 carros das ruas, evitando todo o gasto financeiro e prejuízo ambiental que estes veículos despendem. Aliás, em relação ao custo de deslocamento, o transporte coletivo ainda é o mais barato e eficiente das opções existentes, principalmente aos trabalhadores, que se beneficiam da lei que regulamenta o vale-transporte, subsidiado pelos empregadores que também se garantem dentro da legalidade do benefício. O custo não pode ultrapassar 6% do salário do empregado. Por exemplo, o custo mensal do vale-transporte em Marília é de R$ 132,00/ mês. Se um empregado ganha R$ 1.000,00, 6% deste total representa R$ 60,00. A empresa é quem paga o que exceder, que no caso seria R$ 72,00. Em Marília, a AMTU (Associação Mariliense de Transporte Urbano) estimula o uso do transporte coletivo como principal opção de mobilidade para a população e pagamento com cartão para maior segurança e agilidade das viagens, seja para deslocamentos para o trabalho, laser, etc. Mais informações pelo 3402-9010 ou no site -  www.amtumarilia. com.br.
Fonte - Jornal da Manhã  19/04/2015