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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Maioria de jovens que não estudam nem trabalham é mulher

Brasil


Um em cada cinco jovens de 15 a 29 anos não trabalhava nem frequentava a escola em 2012, sendo que cerca de 70% eram mulheres. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais – Uma Análise das Condições de Vida dos Brasileiros, o grupo nem-nem reúne 9,6 milhões de pessoas...

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Um em cada cinco jovens brasileiros de 15 a 29 anos não trabalhava nem frequentava a escola em 2012, sendo que cerca de 70% eram mulheres. Os números são resultado da Síntese de Indicadores Sociais – Uma Análise das Condições de Vida dos Brasileiros, divulgada hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo, chamado de nem-nem, reúne 9,6 milhões de pessoas e era maior entre os jovens de 18 a 24 anos de idade (23,4%). No subgrupo de 15 a 17 anos, a proporção foi 9,4%.
Entre as mulheres nem-nem, 58,4% tinham pelo menos um filho. A proporção cresce com a idade: 30% das meninas com idade entre 15 e 17 anos, 51,6% entre 18 a 24 anos e 74,1% do grupo entre 25 e 29 anos.
Aos 19 anos, Thayane dos Santos é mãe de Carlos, de 2 anos. Ela mora na casa da mãe dela com mais dois irmãos. A jovem terminou o ensino médio, mas não estuda nem trabalha. “Não tenho quem fique com ele [Carlos], porque minha mãe trabalha e meus irmãos estudam. Não há creche pública perto de casa e os trabalhos que encontrei pagavam pouco e não daria para eu pagar alguém para cuidar dele”, explicou Thayane, ao contar que teve uma oportunidade de trabalhar em casa de família e em uma loja, mas recusou por causa do filho.
De acordo com a coordenadora-geral da pesquisa, Ana Lúcia Saboia, não é possível atestar uma causa direta entre ter filho e não trabalhar nem estudar. “Precisamos ter uma estrutura melhor de creches, por exemplo. Nós mulheres sabemos como é difícil conciliar trabalho com filho”, comentou ela.
Entre as pessoas de 15 a 17 anos de idade que não frequentavam escola e não trabalhavam, 56,7% não tinham o ensino fundamental completo, embora devessem estar cursando o ensino médio, segundo as recomendações do Ministério da Educação.
Em relação as pessoas de 18 a 24 anos, que deveriam ter ao menos o ensino médio completo, somente 47,4% das que não trabalhavam e não estudavam tinham completado esse nível de ensino. A maioria (52,6%) tinha o ensino médio incompleto.
Segundo os pesquisdores, a situação é preocupante para as pessoas de 25 a 29 anos que não trabalhavam e não estudavam, uma vez que 51,5% tinham ensino médio incompleto, 39,2% completo e 9,3% ensino superior incompleto ou completo.
Segundo o IBGE, entre as mulheres de 15 a 17 anos que não tinham filho, 88,1% estudavam e somente 28,5% das que tinham um filho ou mais estudavam. Um total de 68,7% delas não estudavam nem completaram o ensino médio.
No grupo de mulheres de 18 a 24 anos de idade, 40,9% daquelas que não tinham filho ainda estudavam, 13,4% não estudavam e tinham até o ensino médio incompleto, 45,6% não estudavam e tinham pelo menos o ensino médio completo.
No mesmo grupo etário, entre aquelas que tinham filho, somente 10% estudavam, 56,7% não estudavam e tinham até o ensino médio incompleto, 33,3% não estudavam e tinham pelo menos o ensino médio completo.
Fonte - Agência Brasil  29/11/2013

domingo, 24 de março de 2013

Cerca de 2,5 mil bikeboys disputam espaço nas ruas de São Paulo com carros e motos

Ciclismo

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Ainda sem uma legislação específica para regular o setor, o número de ciclistas profissionais que trabalham fazendo entregas na cidade de São Paulo já chega a cerca de 2,5 mil, segundo estimativa do Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas do Estado de São Paulo (Sindimotos). Os bikeboys disputam espaço no caótico trânsito paulistano com uma frota de 5,3 milhões de carros e cerca de 1 milhão de motocicletas.
De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde, nove ciclistas são internados por dia em hospitais públicos do estado de São Paulo, vítimas de acidentes de trânsito. Em média, a cada dois dias, pelo menos um dos ciclistas internados morre. No ano passado, 3,2 mil usuários de bicicletas foram internados no estado, o que gerou um gasto de R$ 3,3 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).
"A questão de segurança é o que preocupa a gente. Hoje já há uma carnificina com as motocicletas, e vem aumentando o número de acidentes com ciclistas, mas não só com os profissionais, com os que utilizam bicicleta para lazer, também. Não tem nenhum tipo de regra, ou de legislação do que pode e o que não pode na questão das bicicletas", disse o presidente do sindicato, Gilberto Almeida.
O sindicalista ressalta que, nos últimos anos, está havendo um grande incentivo do poder público ao uso da bicicleta, mas sem se criar uma regulamentação de segurança. “O Poder Público está dando incentivo para a questão das bicicletas, mas eles precisam começar a olhar a parte da segurança também, porque vamos passar a ter uma série de acidentes envolvendo bicicletas, igual ao que a gente tem com moto. A gente não vê por parte do Poder Público algo que traga segurança para esses profissionais”.
Sócio da Carbono Zero Courier, uma empresa que presta serviços de entrega feito por ciclistas, Rafael Mambretti, de 31 anos, conta que começou em 2010 com dois ciclistas e hoje tem cerca de 30 funcionários, 20 com contrato em carteira, e dez freelancers (prestadores de serviço ocasionais). “Todos são apaixonados pela bicicleta, gostam de pedalar. O cara é fotógrafo, a agenda dele é flexível, ele gosta de pedalar, junta o útil ao agradável, ganha um dinheiro para fazer uma coisa que ele gosta”.
Rafael destaca que o serviço feito com bicicletas é complementar ao feito pelos motociclistas. A bike, segundo ele, é mais ágil em distâncias mais curtas, em jornadas de 15 quilômetros, e com um preço que pode ser até 50% menor que o cobrado pelos motofretistas.
“Eu vou fazer um serviço no centro e posso parar em um poste, em uma grade na frente do prédio. A moto tem que achar um bolsão de estacionamento, achar a vaga, estacionar, e o entregador depois tem que ir andando. Nisso a bicicleta ganha tempo. O ciclista, se ele quer fazer uma conversão na Avenida Paulista, pode descer da bicicleta, atravessar a rua como pedestre e sair andando”.
A empresa exige que o ciclista utilize o capacete de segurança, mas os demais equipamentos, como luvas e óculos, ficam a critério do empregado. No entanto, Rafael garante que a empresa não pressiona os ciclistas a fazer entregas com horários apertados.
“Tem entregas que, fisicamente, são possíveis, mas vão exigir uma velocidade do ciclista maior do que o normal, então a gente não aceita para o horário. Os ciclistas que não são freelancers, eles não são remunerados por entrega, são remunerados por um valor fixo mensal, para evitar pressão”.
Joelson Brasiliano da Silva, de 32 anos, é um dos ciclistas mais antigos da empresa de Rafael. Pedala cerca de 70 quilômetros por dia. Nunca se acidentou com gravidade, mas sente a mesma insegurança que os motociclistas enfrentam no trânsito de São Paulo.
“É quase a mesma coisa com a bike. A moto é um pouco mais rápido, às vezes você não tem tempo de desviar, mas a bike, como é mais devagar, dá tempo de frear. Mas já sofri acidente. No começo, o reflexo não está tão aguçado, não tem como evitar”.
Fonte - Agência Brasil  24/03/2013