UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Simpósio internacional aborda estratégias necessárias para um trânsito seguro na Bahia

Transito  🚗  🚚  🚌  🚲  🚶

O evento é gratuito, de acesso público e acontece no auditório jornalista Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa da Bahia. As inscrições serão feitas no local. Na oportunidade, serão apresentadas experiências exitosas nacionais e internacionais, cujos elementos farão parte do plano estadual para redução das mortes e lesões por acidentes de trânsito, sobretudo, motocicletas, a ser apresentado ainda este ano.

Seinfra BA
foto - ilustração/arquivo
Cerca de 40% das internações hospitalares na Bahia são decorrentes de acidentes de trânsito, sobretudo, envolvendo motocicletas. O total de óbitos nos últimos dez anos também impressiona: de 2009 a 2018 foram registradas 24.479 mortes em acidentes de trânsito, número superior a população de 287 cidades baianas, como Laje, Uauá e Coração de Maria. Somente em 2019, já foram registrados 1.481 óbitos.
Tendo em vista que os acidentes de trânsito podem ser uma ocorrência cotidiana, mas os óbitos são previsíveis e evitáveis, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), que atua como braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, e a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) promovem, no dia 15 de outubro, a partir das 8h30, o Simpósio Internacional Trânsito Seguro. O evento é gratuito, de acesso público e acontece no auditório jornalista Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa da Bahia. As inscrições serão feitas no local. Na oportunidade, serão apresentadas experiências exitosas nacionais e internacionais, cujos elementos farão parte do plano estadual para redução das mortes e lesões por acidentes de trânsito, sobretudo, motocicletas, a ser apresentado ainda este ano.
O evento contará com palestrantes internacionais, como a chefe da representação da OPAS/OMS no Brasil, Socorro Gross, e do diretor do Consejo Nacional de Seguridad Vial da Costa Rica, Carlos Contreras-Montoya. Em nível nacional, estarão presentes a presidente da Associação Nacional de Detrans, Larissa Britto, o diretor da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, e o comandante da operação Lei Seca em Pernambuco, major da PM André Felipe Gondim. Todos eles terão um ponto em comum: o enfrentamento dos acidentes com motos.
De acordo com o secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, "os acidentes de moto representam hoje o maior e mais grave problema de saúde pública do estado, tendo em vista os elevados custos econômicos e sociais, além da elevada taxa de ocupação de leitos hospitalares, visto que são pacientes politraumatizados", afirma.
Ainda de acordo com o secretário, é preciso uma atitude conjunta de governos e organizações da sociedade civil para montar um plano de enfrentamento desse grave problema. "Aqui na Bahia, a Secretaria Estadual da Saúde tem promovido reuniões entre diferentes órgãos e secretarias estaduais e municipais, cujas deliberações irão compor o plano estadual de combate aos acidentes de moto", ressalta.
Além da Sesab, participam do Comitê Estadual de Segurança Viária as secretarias estaduais de Educação (SEC), Comunicação (Secom), Segurança Pública (SSP) e Infraestrutura (Seinfra), bem como o Detran, o Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems) e a União dos Municípios da Bahia (UPB).

Plano estadualO plano estadual trará um pacote de medidas técnicas para a segurança no trânsito que dizem respeito à gestão da velocidade, à concepção da infraestrutura, à segurança dos veículos, à legislação e seu cumprimento, ao atendimento de emergência após acidentes e à liderança na segurança no trânsito.
Dentre o rol de intervenções baseadas em evidências científicas, apura-se que um corte de 5% na velocidade média pode resultar em uma redução de 30% no número de acidentes de trânsito fatais.
Quanto maior a velocidade média do trânsito, maior a probabilidade de um acidente. Por exemplo, um aumento de 1 km/h na velocidade veicular média resulta em um aumento de 3% na incidência de colisões que resultam em lesões e em um aumento de 4% a 5% na incidência de acidentes fatais.
Quanto maior a velocidade, mais longa é a distância de frenagem e, em consequência, maior é o risco de um acidente de trânsito. Com uma velocidade de 80 km/h em pista seca, são necessários em torno de 22 metros (a distância percorrida durante um tempo de reação de aproximadamente 1 segundo) para reagir e um total de 57 metros para conseguir parar o veículo completamente. É maior a probabilidade de os condutores jovens e os do sexo masculino dirigir em velocidade excessiva. Outros fatores que podem influenciar a velocidade são o álcool, o traçado da via, a densidade do trânsito e as condições meteorológicas.

Notificação compulsória
A Bahia foi o primeiro estado do Brasil a incluir os acidentes de trânsito na lista de doenças de notificação compulsória (obrigatória), para interesse de saúde pública. A portaria, assinada pelo secretário estadual da Saúde, foi publicada em 10 de novembro de 2017, no Diário Oficial do Estado, e busca aperfeiçoar as estatísticas do setor e avançar no mapeamento das localidades e zonas de maior incidência.
De 1º de janeiro a 8 de outubro desse ano foram registrados 16.822 vítimas de acidentes de trânsito, o que dá uma média superior a 59 casos por dia.
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o perfil das vítimas são, em sua maioria, homens (75,1%) com idades entre 20 e 39 anos (57,1%).

Custos
No Brasil, estimativas conservadoras calculam em cerca de R$ 50 bilhões ao ano os gastos com os acidentes, incluindo atendimento médico-hospitalar, seguros de veículos, danos a infraestruturas, perda ou roubo de cargas, entre outras despesas.
É preciso lembrar que existem outros custos envolvidos neste contexto, como o do absenteísmo por doença (falta do trabalhar por atestado ou licença-saúde), com auxílios doença e tudo o mais que o País tenha investido no indivíduo que veio a óbito ou que ficou inválido em idade produtiva. Mais grave do que toda essa matemática, porém, são as sequelas físicas e emocionais - muitas vezes irreversíveis - que cada um destes acidentes deixa na vida das pessoas.
Na Bahia, entre 1º de janeiro de 2015 e 4 de outubro de 2019, as despesas somente com internação hospitalar consumiram R$ 50 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). Vale ressaltar que este montante não contabiliza medicamentos, fisioterapias, órteses e próteses, o que multiplicaria este valor em mais de dez vezes.

ServiçoEvento: Simpósio Internacional Trânsito Seguro
Onde: auditório jornalista Jorge Calmon, na Assembleia Legislativa da Bahia
Quando: 15 de outubro, a partir das 8h30
Entrada gratuita. Inscrições no local.
Com informações da Seinfra BA  14/10/2019

domingo, 9 de novembro de 2014

Política de saúde para a população negra precisa de revisão, dizem especialistas

Saúde

Para especialistas, a política de saúde dirigida à população negra precisa focar mais nos indivíduos - Entre os questionamentos, está uma maior transversalidade da política e foco nos indivíduos.

Paula Laboissière 
Repórter da Agência Brasil 
Marcello Casal Jr/ Arquivo Agência Brasil
Em meio às comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, lembrado no próximo dia 20, a Política Nacional de Saúde da População Negra vive um momento crítico e precisa ser revista. A avaliação é da consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil e doutora em saúde pública, Maria Inês da Silva Barbosa. Entre os questionamentos, está uma maior transversalidade da política e foco nos indivíduos.
“Falar da Política Nacional de Saúde da População Negra é falar de mais da metade do Brasil. E a política é tratada como uma política especial”, disse, durante reunião do Conselho Nacional de Saúde na última semana. “Para que o Sistema Único de Saúde dê certo, a política tem que ser tratada com a propriedade que merece”, completou.
Maria Inês ressaltou que a política, apesar de transversal, não é compreendida desta forma pela maior parte dos gestores. “Temos mais tempo de experiência em escravidão do que em liberdade. Temos que voltar atrás para poder gestar o novo. É preciso querer e estar preparado para isso”, avaliou.
Para a especialista, a construção de uma Política Nacional de Saúde da População Negra precisa de vontade política, uma vez que se trata de algo extremamente complexo, como o Sistema Único de Saúde (SUS) – sobretudo no que tange ao enfrentamento do racismo institucional. O desafio, segundo ela, é interiorizar a proposta para que as ações cheguem na ponta.
“Me parece que só sermos maioria não está sendo suficiente. É preciso reconhecer limites e possibilidades. É uma política complexa, assim como o SUS é complexo. Precisa haver compromisso efetivo e desracializante. Estamos falando da imensa maioria da população brasileira. Não é um problema localizado”, destacou.
De acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51% da população brasileira se declara preta ou parda*.
A coordenadora-geral da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme, Maria Zenó Soares, garante ter sentido na pele os sinais de que essa política precisa avançar. Portadora da uma das doenças hereditárias mais comuns no Brasil e que afeta principalmente os negros, ela já teve de esperar horas por atendimento em hospitais públicos, além de ter sido acusada por profissionais de saúde de ser viciada em morfina.
“Não há como falar de doença falciforme sem falar de dor. A dor física, com a morfina, passa. Mas a dor que a gente carrega na alma, do racismo e da falta de atendimento, não passa. Já esperei seis horas por atendimento. Rolava no chão de dor – ao ponto de fazer minhas necessidades fisiológicas ali mesmo, na roupa”, contou.
Para Maria Zenó, a esperança é que a Política Nacional de Saúde da População Negra possa focar mais nos indivíduos, a quem se refere como irmãos de cor e de foice, em razão da doença que dá às hemácias - as células vermelhas do sangue - formato similar ao de uma foice. O primeiro passo, segundo ela, é reconhecer que existe o racismo institucional dentro do sistema de saúde e considerar a vulnerabilidade social da população negra.
O coordenador da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados, João Paulo Baccara, admitiu que há falhas na coleta de informações sobre a saúde da população negra, sobretudo no que diz respeito à doença falciforme. Segundo ele, a pasta planeja consolidar um banco de dados sobre a situação da doença no país e um projeto-piloto que integre todas as linhas de atenção à saúde.
O representante do ministério disse ainda que, no primeiro trimestre de 2015, o país deve começar a produzir a hidroxiureia, medicamento utilizado para o tratamento da doença falciforme. Na semana passada, o laboratório responsável pela fabricação do remédio liberou um comunicado aos hemocentros do país alertando para a interrupção temporária da produção devido à falta do princípio ativo. Em nota, o governo brasileiro garantiu que não haverá desabastecimento do medicamento.
*Convencionou-se chamar negros a soma dos grupos populacionais preto e pardo, seguindo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).
Fonte - Agência Brasil  09/11/2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Dilma:número de profissionais no Mais Médicos vai chegar a 13,2 mil até abril

Saúde

“Vamos chegar em abril ofertando os 13.225 médicos conforme havíamos nos comprometido. Pelos critérios da Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) isso significa aumentar a cobertura para 46 milhões de pessoas”, disse a presidenta.... 

Luana Lourenço 
Repórter da Agência Brasil 

Médicos estrangeiros desembarcam no Brasil para atuar no Mais Médicos Arquivo/Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (20) que o Programa Mais Médicos vai contar com 13.225 médicos atuando em todo país até abril, atendendo à demanda apresentada pelos municípios quando o programa foi lançado, em julho de 2013.
“Vamos chegar em abril ofertando os 13.225 médicos conforme havíamos nos comprometido. Pelos critérios da Organização Mundial da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) isso significa aumentar a cobertura para 46 milhões de pessoas”, disse a presidenta, em discurso em Belém, no Pará, onde anunciou recursos para investimentos em mobilidade urbana.
O Pará, segundo Dilma, receberá 537 médicos. A presidenta defendeu o programa e disse que os resultados têm mostrado que o governo acertou na estratégia ao levar profissionais, inclusive estrangeiros, para municípios do interior e das periferias das grandes cidades.
“Sabia que ia ter muita crítica, mas tinha certeza que o povo brasileiro ia saber que estávamos no caminho certo. Tenho muito orgulho do Mais Médicos”, disse a presidenta. “É impossível dar saúde de qualidade se você não tem o médico no posto de saúde”, acrescentou.
Fonte - Agência Brasil  20/03/2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Governo anuncia aumento no salário de cubanos do Mais Médicos

Mais Médicos

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anuncia reajuste salarial para os cubanos que fazem parte do Mais Médicos
O salário dos cubanos, atualmente, consiste em US$ 400, pagos pelo governo brasileiro, e US$ 600, pagos pelo governo cubano e retidos em uma conta no país. O aumento anunciado pela pasta, portanto, é US$ 245, sendo que o valor total, a partir de agora, será pago no Brasil.

Paula Laboissière 
Repórter da Agência Brasil 
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou hoje (28) um reajuste salarial de 25% para os profissionais cubanos que trabalham no Brasil por meio do Programa Mais Médicos. A partir de março, eles vão passar a receber US$ 1.245.
O salário dos cubanos, atualmente, consiste em US$ 400, pagos pelo governo brasileiro, e US$ 600, pagos pelo governo cubano e retidos em uma conta no país. O aumento anunciado pela pasta, portanto, é US$ 245, sendo que o valor total, a partir de agora, será pago no Brasil.
Fabio Rodrigues Pozzebom Arquivo Agência Brasil

Segundo Chioro, a negociação com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e com o governo cubano para estabelecer o reajuste salarial já estava em andamento quando ele assumiu o comando da pasta, no início do mês de fevereiro. Houve, de acordo com o ministro, uma determinação da presidenta Dilma Rousseff para que o valor pago aos profissionais cubanos fosse revisto.
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, anuncia reajuste salarial para os cubanos que fazem parte do Mais MédicosFabio Rodrigues Pozzebom
Chioro fez questão de ressaltar que não houve aumento dos valores repassados pelo governo brasileiro pela cooperação internacional. “Não vamos gastar um centavo a mais. Vamos continuar pagando o mesmo valor”, disse. O que houve, segundo ele, foi uma alteração nos valores acordados no contrato com o governo cubano.
Chioro rebateu a ideia de que o anúncio do reajuste seria uma resposta à pressão de médicos cubanos como Ramona Rodríguez, que abandonou o programa. “Não há, da nossa parte, nenhuma questão que envolva diretamente pressão dos próprios médicos cubanos, muito menos daquela profissional. Não é o que nos mobiliza. O que nos mobiliza é a necessidade de aprimorar.”
Atualmente, 7,4 mil médicos cubanos atuam no Brasil por meio do Mais Médicos.
Fonte - Agência Brasil  28/02/2014

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Governo diz que médico cubano deverá ganhar até R$ 4 mil

Saúde

Thais Leitão e Yara Aquino*
Repórteres da Agência Brasil
Ministério Público do Trabalho investiga legalidade da contratação de médicos cubanos
EBC
Brasília – Os 400 médicos cubanos que atuarão no Programa Mais Médicos deverão ganhar entre R$ 2,5 il e R$ 4 mil por mês, informou hoje (23) o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes. Segundo ele, a variação é baseada em acordos que o governo cubano tem com outros países para onde também foram enviados os profissionais.
Menezes ressaltou que a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com quem o governo brasileiro assinou um termo de cooperação, é responsável pela intermediação do acordo com o governo cubano. Segundo o Ministério da Saúde, a pasta repassará à Opas R$ 511 milhões até fevereiro de 2014, valor equivalente às condições fixadas pelo edital do Mais Médicos - de R$ 10 mil para cada profissional. Em seguida, a Opas enviará os recursos ao governo cubano, que pagará aos médicos o valor que for definido por critérios próprios.
"Tomando como base outros contratos, já que o governo cubano tem acordos no mundo todo, eles [os salários] geralmente ficam na proporção de 25% a 40% [do que é pago pelo país que recebe os médicos], mas aí depende daquilo que o país tem como custo de vida e da condição e qualidade que o médico vai ter naquele país", disse, após reunião, com o secretário de Saúde do Distrito Federal, Rafael Barbosa.
O secretário adjunto do Ministério da Saúde informou ainda que os valores pagos aos médicos cubanos que vierem para o Brasil poderão variar conforme o custo de vida nas cidades para onde forem enviados. "Esse valor exato varia e vai variar, porque uma vez estabelecidas as condições de onde se vai viver, o médico cubano recebe mais ou menos", disse.
Ele ressaltou que os médicos, brasileiros e estrangeiros, que participarem do programa, terão ajuda dos municípios para custear despesas com moradia e alimentação. Além desses gastos, as prefeituras são responsáveis por oferecer o deslocamento do aeroporto até o município onde atuará e, em casos de locais de difícil acesso, disponibilizar transporte diário da moradia até a unidade de atendimento.
Segundo informações da BBC Brasil, o contingente de profissionais de saúde cubanos fora da ilha inclui, atualmente, 15 mil médicos, 5 mil técnicos de saúde, entre outros, trabalhando em 60 países. De acordo com a agência de notícias, eles geram lucro ao país de aproximadamente US$ 5 bilhões (R$ 10,6 bilhões) ao ano. Na Venezuela, por exemplo, o serviço que os médicos cubanos prestam permite que Cuba receba 100 mil barris diários de petróleo.
Para muitos países em desenvolvimento, os médicos cubanos representam um atrativo por estarem dispostos a trabalhar em lugares que os profissionais locais evitam, como bairros periféricos ou zonas rurais de difícil acesso, onde moram pessoas de baixíssimo poder aquisitivo. Além disso, eles recebem, em geral, remunerações mais baixas.
A estimativa é que, atualmente, permaneçam em Cuba 75 mil médicos, em uma proporção de um profissional para cada 160 habitantes. A taxa é a mais alta de toda a América Latina. O acordo com a Opas prevê a vinda de 4 mil profissionais para o Brasil, número que corresponde a pouco mais de 5% dos médicos que hoje trabalham em Cuba.
Entre a população local, a exportação dos profissionais causa divergência, porque afeta principalmente a figura do médico de família, que atende em todos os bairros e encaminha os pacientes para especialistas ou hospitais.
A primeira missão de saúde ao exterior foi organizada por Cuba em 1963. Apesar da escassez de médicos à época, foram enviados profissionais à Argélia para apoiar os guerrilheiros que acabavam de conseguir a independência do país. Eram os primeiros de 130 mil colaboradores que, ao longo dos anos, já trabalharam em 108 países.
Fonte - Agência Brasil  23/08/2013

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ministério anuncia vinda de 4 mil médicos cubanos até o fim do ano

Saúde

Aline Leal Valcarenghi
Repórter da Agência Brasil
foto ilustração - pragmatismo
Brasília - O Ministério da Saúde anunciou hoje (21) que até o final do ano, 4 mil médicos cubanos vão chegar ao Brasil para atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Mais Médicos. Na segunda-feira chegam 400 profissionais, que vão passar pelo mesmo processo de avaliação dos médicos com diploma estrangeiro e sem revalidação do diploma inscritos na primeira etapa do programa.
Nem o Ministério da Saúde, nem a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que vai intermediar o acordo com o governo cubano, sabem dizer quanto estes profissionais vão receber pelo trabalho. "O ministério passa o mesmo valor unitário e é a Opas que vai fazer a negociação com Cuba", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acrescentando que o acordo é entre a Opas e Cuba. O ministro ressaltou que os médicos vão suprir a demanda de parte dos 701 municípios que não foram selecionados por nenhum médico na primeira edição do programa.
As duas instituições informaram também que é o governo de Cuba que decide se os profissionais vão poder trazer sua família para o Brasil. O ministro ressaltou que, assim como com os outros profissionais, a alimentação e moradia dos médicos são responsabilidade dos municípios que os receberão.
No dia 4 de outubro, mais 2 mil médicos cubanos devem chegar ao país para uma nova etapa. Assim como os que se inscreveram individualmente, os médicos cubanos que vêm pelo acordo com a Opas não vão precisar passar pelo Revalida (Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior) e, por isso, terão registro provisório por três anos para atuar na atenção básica e com validade restrita ao local para onde forem designados.
Padilha ressaltou que todos os médicos que virão nesta primeira etapa já participaram de outras missões internacionais e têm especialização em medicina familiar e comunitária. Mais de 84% deles têm mais de 16 anos de experiência na medicina.
De acordo com Padilha, o acordo que o governo brasileiro tem com a Opas permite que a entidade faça parceria com outros países e outras organizações. A pasta vai investir R$ 511 milhões até fevereiro de 2014 com a vinda dos médicos cubanos.
Na primeira edição, o Programa Mais Médicos selecionou 1.618 profissionais para atuar em 579 postos da rede pública em cidades do interior do país e periferias de grandes centros. Desse total, 1.096 médicos têm diploma brasileiro e 522 são médicos formados no exterior. Os participantes do programa correspondem a 10,5% dos 15.460 profissionais necessários, segundo demanda apresentada pelos municípios. O balanço foi divulgado hoje (14) pelo Ministério da Saúde.
Todos os médicos com diploma estrangeiro e sem revalidação vão passar por três semanas de capacitação, com foco no funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e na língua portuguesa, antes de começarem a atuar. Durante o período de atuação, terão o trabalho supervisionado por universidades.
Fonte - Agência Brasil   21/08/2013