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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Com desemprego,o(a) futuro(a) prefeito(a) de Salvador terá como desafio a criação de vagas

Política

De acordo com o professor de direito constitucional e ciência política da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Gabriel Marques, quem comandar o Palácio Tomé de Souza terá o desafio de gerar postos de trabalho em uma cidade historicamente carente de vagas.Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 17,6% dos moradores da capital baiana com mais de 14 anos estavam desempregados no segundo trimestre – abril, maio e junho - de 2016. 

Sayonara Moreno
Correspondente da Agência Brasil

foto - ilustração/jornaldafacom
O próximo,ou próxima,prefeito(a) de Salvador terá pela frente o desafio de estimular a criação de empregos no momento em que o país vive uma crise econômica. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 17,6% dos moradores da capital baiana com mais de 14 anos estavam desempregados no segundo trimestre – abril, maio e junho - de 2016. No primeiro trimestre, a taxa foi de 17,4%. O percentual fica acima da média nacional, que é de 11,3%, o que faz com que Salvador figure entre as capitais com o maior número de desempregados do país.
De acordo com o professor de direito constitucional e ciência política da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Gabriel Marques, quem comandar o Palácio Tomé de Souza terá o desafio de gerar postos de trabalho em uma cidade historicamente carente de vagas.
“Isso [desemprego] se reflete por vários fatores, como formação econômica, a falta de um acesso qualificado ao mercado de trabalho, muita ocupação informal na cidade. Então, eu diria que é o grande ponto a ser enfrentado. A gente sabe que não é um ponto exclusivamente municipal, até porque estamos numa crise econômica nacional. Mas eu diria que, nesse cenário de quem vier a assumir a partir das eleições, eu acho que o emprego seria a questão número um”, diz o especialista.

Segurança pública
Nas redes sociais, internautas também abordam a questão da segurança pública. Para o cientista político, os candidatos pouco abordaram o tema nos debates. Um dos motivos é porque a Constituição atribui a maior responsabilidade ao governo do estado, e não ao município, a quem cabe administrar e otimizar a atuação da Guarda Municipal e agir em menor proporção.
“A nossa Constituição entrega [a segurança pública], particularmente, na esfera da repressão, aos estados. A gente percebe que a Polícia Militar é vinculada ao governador, também tem a polícia de investigação, que é a Polícia Civil. Então, os municípios têm contato com esse tema, geralmente com a Guarda Municipal. O curioso é que a Constiruição não fala da Guarda Municipal voltada, expressamente, à segurança pública, mas para a proteção de bens e patrimônios da cidade”, diz Marques.
Para a conselheira de Direitos Humanos, Sandra Muñoz, o novo gestor municipal deve pensar na criação de políticas públicas voltadas para a garantia dos direitos humanos, “sobretudo das mulheres negras, que são em grande quantidade em Salvador” e, muitas vezes, preteridas de empregos e escolarização.
“É importante entender que política para as mulheres é política da diversidade. Por exemplo, não dá para fazer política para mulheres, em pleno século 21, e excluir as mulheres transexuais, as negras, as indígenas, as ciganas, as mulheres com deficiência”, diz a ativista.
Sandra Muñoz destaca que a garantia dos direitos para as mulheres passa pela criação de creches municipais. “Não dá para falarmos de violência contra a mulher, o tempo todo, sem discutir e pensar na questão fundamental das creches. Não adianta o pagamento de uma bolsa de R$ 50. Quem cuida de uma criança por esse valor? É importante ter boa vontade e acreditar nas políticas públicas, principalmente para nós mulheres”.
O professor Gabriel Marques também ressalta a necessidade da implantação de uma agenda que contemple a diversidade. “O negro aqui – embora saibamos da sua importância cultural e histórica – ainda sofre discriminação e o racismo é uma realidade. Boa parte dessa população desempregada sobre a qual falamos, infelizmente é formada por negros, muitas vezes sem acesso à qualificação profissional. A própria criminalidade, vitima muito mais negros, pobres das periferias de Salvador”, completa.
Fonte - Agência Brasil  29/09/2016

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ACM Neto não será um bom prefeito

Política


Por Cynara Menezes, 
Blog Socialista Morena
Três letras em política me causam calafrios: ACM e DEM, por exemplo. Jamais votaria no neto de ACM para nada, mas ele foi eleito prefeito de Salvador, a capital da minha terra natal. Desejo sinceramente que faça um bom trabalho, não por ele, mas pelos que vivem lá. Infelizmente, não acredito que fará.
Mais uma vez, Salvador tem um prefeito eleito com um voto não de esperança num futuro melhor, mas contra o prefeito atual. Foi assim inúmeras vezes desde que, em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura, políticos profissionais ditos “progressistas” não permitiram que Gilberto Gil se lançasse à prefeitura. Gil teria sido o primeiro negro eleito prefeito de Salvador, que até hoje não houve. Um marco, tenho certeza, sobretudo para a auto-estima dos negros soteropolitanos. A cidade só deu errado a partir dali.
Depois do não-Gil, veio o radialista Fernando José (já falecido), que se tornaria rapidamente o prefeito pior avaliado do Brasil. Lídice da Mata foi eleita em seguida contra Fernando José e, com o velho ACM fazendo-lhe oposição junto ao governo federal de então, não teve melhor destino. Antonio Imbassahi, aliado de ACM, foi eleito contra Lídice. E João Henrique ganhou contra Imbassaí. Agora, ACM Neto se elegeu contra João Henrique e o PT.
Há quanto tempo os soteropolitanos não votam porque acreditam de fato em alguém? Não sei. Estive em Salvador no final de semana da eleição. Enfurecidos com o tratamento dado pelo governo estadual (petista) aos professores e policiais grevistas, até na minha família pela primeira vez teve gente que votou no neto de ACM. Incrível como o governador Jaques Wagner, sendo um ex-sindicalista, pôde ser tão inábil: a greve dos professores durou 115 dias!
Não encontrei ninguém que dissesse: “Estou votando em fulano porque é o melhor para o Salvador”. E sim: “Voto em Neto porque não suporto Pellegrino” (o candidato do PT). Ou: “Voto em Pellegrino porque não suporto Neto”. É compreensível, mas triste, entregar o destino de uma cidade a alguém motivado pela rejeição a um ou outro candidato.
Mas ACM Neto não vai ser um bom prefeito para os soteropolitanos porque, como todos os demais, não vai mexer no que realmente importa. Sim, fará uma cidade empesteada pelo lixo, sujeira e descaso parecer “bonita” para os turistas. O Pelourinho, a reforma fake que seu avô fez no Centro Histórico, vai voltar a ficar “limpinho” e policiado, que é o que interessa a quem apenas passa pela capital baiana. Quem vive lá, porém, não vai sentir diferença alguma.
ACM Neto vai melhorar a vida dos habitantes dos bairros da periferia, onde os turistas não vão? Massaranduba, Narandiba, Sussuarana, Mussurunga, já ouviu falar? O lixo vai sair de lá também? Vai melhorar as escolas municipais? Vai colocar centros de cultura e lazer nestes bairros? Vai melhorar o transporte público nestas áreas? E os viciados em crack do centro histórico, o que vai fazer com eles? Vai tentar resolver ou agir à maneira do DEM, simplesmente “limpando” a área? Vai acabar com os “cordeiros”, jovens negros e pobres, escravizados pela indústria dos blocos de carnaval? Duvido –e gostaria de estar errada.
Até mesmo para os turistas tenho dúvidas que ACM Neto irá governar bem. Existe uma pendenga judicial em torno dos quiosques da orla marítima de Salvador, que foram retirados há mais de dois anos para serem substituídos e, até agora, nada. Como não há estrutura alguma para atender os banhistas e é proibido usar fogões na areia, quem vai à praia é teletransportado à África mais sofrida: negros com alimentos na cabeça passam a todo momento apregoando seus produtos. ACM Neto vai conseguir resolver essa pendenga e, mais do que isso, ceder os quiosques a quem já está trabalhando na praia dessa maneira?
Isso se ele não largar a prefeitura para se candidatar a governador, daqui a dois anos. Já prometeu que não, mas quem duvida? Essa é uma aposta que gostaria de perder. Salvador, no entanto, me parece uma cidade complexa demais para as soluções simplistas de um político do DEM, identificado com a desigualdade social desde a origem –e até mesmo responsável por ela, no caso de um ACM. Desafortunadamente, ainda não apareceu o político ideal para governar a capital da Bahia, em quem as pessoas votassem a favor, não contra.
Em minha opinião, o problema é que não basta alegria para ser prefeito da Cidade da Bahia. Parodiando Vinicius, seria preciso um bocado de tristeza para governar Salvador. Governar Salvador não é piada, quem governa assim não é de nada, governar Salvador é uma forma de oração. Ou devia ser.
Fonte - Blog do Miro 11/11/2012