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domingo, 3 de agosto de 2014

Lixo em praia da orla reflete falta de educação e abandono

Salvador

Localizado à beira da Avenida Otávio Mangabeira, a praia do Costa Azul, possui um trecho no qual desemboca o Rio Camarajipe, e, consequentemente, todo tipo de resíduo que vem junto com o curso de água do canal desde a região do Iguatemi.

Matheus Fortes -TB
foto ilustração - Google Maps
O Parque Costa Azul costuma ser o melhor local para um passeio ou a prática de exercícios no bairro homônimo, mas, um problema antigo tem desagradado aos moradores e transeuntes do lugar, representando inclusive um perigo, não apenas para quem transita na localidade, mas para todos os habitantes da região.
Localizado à beira da Avenida Otávio Mangabeira, a praia do Costa Azul, possui um trecho no qual desemboca o Rio Camurigipe(*) e, consequentemente, todo tipo de resíduo que vem junto com o curso de água do canal desde a região do Iguatemi.
E é lá que se encontra uma grande quantidade de lixo do mais variável possível. Garrafas de vidro, embalagens de plástico, de alumínio, restos de comida, de roupas, móveis de madeira, fezes humanas, e até mesmo restos de animais mortos, fazem parte do grupo abrangente de resíduos.
“Pelo que sei, esse problema acontece desde quando o canal foi construído. A sujeira aqui só consegue afastar quem gosta de dar um passeio ou uma caminhada”, explicou o morador do bairro, Renato Andrade.
Trazidos para o mar, com maior frequência em épocas de chuva (onde o volume de água pode elevar-se acima da capacidade do canal), os dejetos, além de dar um aspecto feio a área de lazer, também polui o meio ambiente, e causa sérios danos à saúde humana.
“Qualquer lugar onde haja acúmulo de lixo, também haverá ratos e insetos, que, podem entrar em contato com esses resíduos e transmitir doenças, sem que seja necessário o contato direto do ser humano com esse lixo”, explicou o infectologista Dr. Vladimir Neco.
Doenças podem ser transmitidas
Entre as disfunções que podem ser transmitidas, está a leptospirose, as doenças de pele (como a dermatite) e, é nesse cenário onde pode desenvolver-se também a bactéria salmonella, causadora de intoxicações alimentares, e da febre tifóide. Não bastando o repertório alarmante de endemias, ainda existe a possibilidade de contaminar-se com a hepatite A, por conta de fezes humanas, misturadas ao restante do lixo.
O perigo acaba sendo maior pelo fato da total exposição dos resíduos. Segundo o aposentado, Adalto Ribeiro, não é incomum ver pessoas jogando futebol próximo à área, e que, porventura, encaram pegar a bola dentro do canal, quando esta acaba saindo da quadra de esportes próxima ao local.
“À noite também é comum sentirmos o cheiro desses resíduos, principalmente após uma chuva. Podemos sentir o odor até com as janelas fechadas”, relatou Adalto, que reside no Costa Azul há mais de vinte anos, e revela ter vivido com esse desconforto, por todo esse tempo.
Porém, apesar de incômodo e do risco à saúde, boa parte desse problema poderia ser evitado com maior conscientização da população em relação aos resíduos sólidos. Ao menos, é o que explica o coordenador de monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio.
“Esse lixo se acumula, principalmente após a chuva, trazido da água, direto para as tubulações de esgoto, que vão desembocar no canal, e consequentemente, na praia. É preciso ressaltar que esse volume poderia ser muito pior, caso a Embasa não captasse parte desse lixo”, explicou Topázio.
Segundo o coordenador do Inema, é necessário uma coleta mais eficiente dos resíduos, uma campanha de educação sanitária capaz de orientar e conscientizar a população, e leis mais severas para punir quem se desfaça do próprio lixo, de forma irresponsável, jogando-o na rua, fora do horário de coleta.
De acordo com a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), a limpeza na região é realizada sempre no período da manhã todos os dias, quando a maré está baixa. Uma equipe da empresa municipal deverá passar neste sábado pelo local para higienizar a praia.
Fonte  - Tribuna da Bahia  02/07/2014

(*) Nota do editor do Blog - Conforme pesquisas realizadas pela nossa redação sobre a origem e o verdadeiro nome do rio Camurigipe,conforme foi citado nessa matéria,encontramos várias literaturas sobre o tema que citam o seu verdadeiro nome como Rio Camarajipe bem como a bacia banhada pelo mesmo. - http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Camarajipe

sábado, 9 de novembro de 2013

Prefeitura dá licença para desmatamento

Meio Ambiente

Foto - Reginaldo Ipê
A área verde sumiu, no Stiep, com licença ambiental da Prefeitura

Raylanna Lima
Uma área importante para moradores do bairro de Stiep está sendo desmatada para a construção de uma instituição que, segundo moradores, em quase nada irá contribuir para quem mora na região. Moradores da Rua Augusto Lopes Pontes alegam que o terreno era protegido ecologicamente e foi doado por gestões anteriores do Governo do Estado para a Convenção Estadual da Assembleia de Deus.
O local, que é público, foi cedido pelo Estado à Igreja. A principal indignação dos moradores é que em 2006, eles já haviam tentado solicitar a área para a construção de uma creche que beneficiaria muitos que por ali moram, mas tiveram o pedido negado. O Instituto do Meio Ambiente (IMA) negou o pedido afirmando ser área de proteção ambiental, mas para a construção de uma instituição privada a Prefeitura de Salvador concedeu licença ambiental.
“A comunidade de Paraíso Azul já havia solicitado a área para a construção de uma creche, mas o Governo negou afirmando ser área de proteção ambiental. Depois do último protesto que fizemos contra a construção da obra, uma semana depois, às 6h da manhã, começaram a desmatar, e às 8h já estava tudo pronto. Não deu tempo de fazer nada”, desabafou José Schleu, 44. Ele, que é morador do bairro há 40 anos, ainda informou que os vereadores Aladilce Souza e Everaldo Augusto tentaram intervir e apoiaram as manifestações.
“Os vereadores assumiram o compromisso de cobrar do governador a suspensão da cessão do terreno. Eles fizeram uma denúncia ao IMA. Não consigo entender como a igreja evangélica conseguiu o alvará se a área tinha proteção ambiental”, disse Jose Schleu.
“É uma controversa. O que antes era ecologicamente protegido foi doado para uma instituição que irá trazer engarrafamento para nossa rua. Já houve várias manifestações contra essa obra, mas continuam dando seguimento”, disparou Gildo Mendez, morador do bairro há 9 anos.
“O que está acontecendo é um crime ecológico. O bairro tinha uma área verde linda e agora está virando só cimento. Fui passar um tempo fora do país e estava tudo normal, quando voltei, 32 dias depois, já haviam desmatado toda a área. Eu gosto de árvore, eu quero respirar, mas estão destruindo a natureza” desabafou um morador que, por ser músico, preferiu não se identificar.
Segundo informações no Ministério Público da União, há uma apuração conduzida pelo ofício do meio ambiente, através da empresa Caroline Queiroz, que entrou com procedimento para apurar a construção e constatar se a área tem ou não proteção ambiental. Ainda segundo o MPU, a Caroline Queiroz está averiguando a situação com os órgãos competentes
Enquanto isto, os moradores da área continuam rejeitando a ideia de uma igreja no local, numa tentativa de preservar o meio ambiente ou construir algo como uma creche, que para todos seria muito mais útil à comunidade local. Por enquanto, todos aguardam, com ansiedade, o desfecho final dessa estória, mas as obras continuam. Consultados sobre o assunto, tanto a prefeitura como o Ministério Público Estadual disseram que não estavam informados sobre o assunto.
Fonte - Tribuna da Bahia 09/11/2013

Veja Também - Desmatamento e destruição de área de preservação ambiental no bairro do STIEP provoca revolta dos moradores do local