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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Pesquisa mostra que 12% dos cidadãos consideram o transporte público um problema

Transporte público  🚌

De acordo com o presidente da NTU, Otávio Cunha, a pesquisa mostra que as redes de transporte urbano não estão atendendo as necessidades de deslocamento da população e precisam ser melhoradas com investimentos em infraestrutura e com prioridade para o transporte público. "A questão das faixas seletivas, por exemplo, são um investimento barato. Não é só fazer a faixa e requalificar o serviço convencional. 

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/Estação BRT Rio
O transporte público é o quarto maior problema das cidades para 12,4% da população de 319 municípios brasileiros, ficando atrás apenas da violência e segurança, da saúde e do desemprego, de acordo com pesquisa sobre o perfil da mobilidade urbana nas grandes cidades, divulgado hoje (30), durante o Seminário Nacional NTU 2017 & Transpúblico, que tem como tema Qualidade no transporte público: uma demanda social. De acordo com os dados, 61,1% das pessoas consideram que o poder público é o responsável pela melhoria do transporte público.
Segundo a pesquisa realizada pela Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU), em parceria com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), 59% dos entrevistados se deslocam todo dia e 53,3% estão se deslocando para ir ao trabalho, dos quais 45,2% fazem isso de ônibus. O estudo mostra ainda que 38% deixaram de utilizar o ônibus e 35,85 passaram a usar o carro. Entretanto, 62,6% estariam dispostos a voltar a se deslocar de ônibus caso os valores das tarifas fossem mais baixos e houvesse rapidez na viagem e flexibilidade para as opções de volta.
Quando questionados sobre a gratuidade das tarifas, 53,3% disseram não ter acesso à prioridade e entre aqueles que têm, 47,4% consideram a medida boa. Com relação à gratuidade, 50,9% sabem que o custo recai sobre os outros usuários, e 86,9% concordam com o benefício.
De acordo com o presidente da NTU, Otávio Cunha, a pesquisa mostra que as redes de transporte urbano não estão atendendo as necessidades de deslocamento da população e precisam ser melhoradas com investimentos em infraestrutura e com prioridade para o transporte público. "A questão das faixas seletivas, por exemplo, são um investimento barato. Não é só fazer a faixa e requalificar o serviço convencional. É colocar uma faixa para dar velocidade, reduzir os tempos de viagem, fazer pontos de parada mais civilizados e dar confiabilidade na viagem", disse.
Segundo Otávio Cunha, muitas cidades estão fazendo investimentos em faixas seletivas, mas não ainda de forma que a população perceba as melhorias. "Está claro que pode se ter ganho significativo de aumento de velocidade quando o ônibus trafega livre. E é muito fácil identificar em cada município os principais corredores de escoamento onde há adensamento de veículos e o ônibus disputando espaço com o automóvel".
Para Cunha ao reduzir o custo do serviço, a tarifa também é reduzida, atraindo nova demanda e novamente a tarifa pode ser reduzida, reproduzindo o ciclo.
O secretário municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, Sérgio Avelleda, avaliou que o transporte público urbano deixou de ser a principal preocupação da população não porque o serviço está adequado, mas porque o desemprego, a preocupação com a saúde e a segurança aumentaram consideravelmente.
"Temos atributos que não estão atendendo os nossos usuários. Estamos perdendo usuários porque não estamos entregando o que eles querem. Se não olharmos para a revolução que a tecnologia pode promover para o setor, corremos o risco de acordar com uma concorrência difícil de ser combatida".
Fonte - Agência Brasil  30/08/2017

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Conforto pode levar motoristas a optar por transporte público, diz especialista

Mobilidade

“As pessoas sentem uma sensação de dignidade quando sobem em um ônibus em São Paulo? Essa é a mudança mais importante que vocês podem alcançar: fazer com que [usar o transporte público] seja atraente para as pessoas”, afirmou Litman, ao participar do encontroo organizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).

Camila Maciel 
Repórter da Agência Brasil 
Ag.Brasil
Linhas de ônibus com internet wi-fi e ar-condicionado, como as que começaram a rodar ontem (2) na capital paulista, são mecanismos que podem atrair motoristas para o transporte público. É o que diz o canadense Todd Litman, especialista em mobilidade urbana, que participou hoje (3) de um seminário sobre o desestímulo ao uso do automóvel.
“As pessoas sentem uma sensação de dignidade quando sobem em um ônibus em São Paulo? Essa é a mudança mais importante que vocês podem alcançar: fazer com que [usar o transporte público] seja atraente para as pessoas”, afirmou Litman, ao participar do encontroo organizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).
David Litman, especialista canadense, diz que uso de bicicletas
 precisa ser estimulado - Wilson Dias/ABr
Diretor do Instituto de Políticas de Transporte de Victoria, no Canadá, Litman também ressaltou que as cidades devem se preparar para estimular o uso da bicicleta e a prática de caminhadas.
“São Paulo tem vias melhores para os carros, tem faixa exclusiva para ônibus, mas as calçadas são terríveis para os pedestres. É horrível para quem está em uma cadeira de rodas. Falo sobre uma cidade em que todos possam se movimentar”, disse ele. Para ele, os adeptos do transporte individual precisam ser convencidos também pelos aspectos da economia financeira e da redução de acidentes, bem como dos benefícios da prática de exercícios físicos.
O presidente do Iema, André Ferreira, destacou, por sua vez, outros benefícios da adoção de meios de transporte limpos, como a diminuição das emissões de gases poluentes e a melhoria da qualidade do ar. “Ao falar em combustível fóssil no Brasil, é preciso focar necessariamente em transporte”, disse Ferreira. Os dados apresentados por ele mostram que, dos quilômetros rodados hoje em transporte de passageiros, 96% dos deslocamentos ocorrem no transporte individual. “Os impactos disso ocorrem não só no congestionamento, mas há um conjunto de externalidades.”
Como exemplo dos benefícios provocados pela adoção de mecanismos para melhorar a eficiência do transporte coletivo, Ferreira apresentou um estudo do Iema sobre a implantação de faixas exclusivas para ônibus na cidade de São Paulo. A análise de três corredores mostrou que houve, além da diminuição do tempo de viagem, redução do consumo de combustível e da emissão de gás carbônico. Em algumas linhas, houve queda de 14,3%. “A faixa é algo mais tímido do que um corredor expresso. É uma medida de baixo custo, que trouxe ganhos na redução de todos os gases poluentes”, destacou.
Os impactos que a crescente motorização no transporte de passageiros provocam na saúde também foram abordados no seminário. O professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Gouveia, lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca a poluição do ar entre os dez principais fatores de risco para a saúde humana.
“As pesquisas mostram que morrem mais pessoas em dias mais poluídos, nos quais há também maior número de admissões hospitalares, principalmente por doenças cardiovasculares”, disse o professor.
Fonte - Agência  Brasil  03/09/2014