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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Metrô de SP demite novamente 10 funcionários da greve

Metrô de SP

O Sindicato dos Metroviários já entrou com recurso para tentar reverter a decisão concedida pela desembargadora Iara Ramires da Silva de Castro. Para ela, a reintegração foi dada antes da audiência inaugural, o que teria feito o Metrô não ter tido tempo para ampla defesa.

O Estado de S. Paulo
foto ilustração

O Metrô de São Paulo demitiu novamente dez funcionários que participaram da greve de junho, uma das maiores da história dos metroviários. As rescisões ocorreram na quarta-feira, 22, e na quinta-feira, 23, – entre os demitidos há seguranças, operadores de trem e supervisores. Esses empregados haviam sido readmitidos no início de setembro após uma liminar da Justiça do Trabalho em seu favor.
O Sindicato dos Metroviários já entrou com recurso para tentar reverter a decisão concedida pela desembargadora Iara Ramires da Silva de Castro. Para ela, a reintegração foi dada antes da audiência inaugural, o que teria feito o Metrô não ter tido tempo para ampla defesa. A apreciação do caso está prevista para ser retomada em novembro no Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2).
Em decisão publicada em agosto, o juiz do Trabalho Thiago Melosi Sória, da 34.ª Vara do TRT-2, entendeu que “houve aparente vício formal na prática dos atos das dispensas e que as provas produzidas pela ré (o Metrô de São Paulo) ainda neste momento inicial do processo não revelam a prática das faltas graves atribuídas aos empregados dispensados”.
Outros 23 funcionários readmitidos por meio de outro processo continuam trabalhando na empresa.
De acordo com o Metrô, os demitidos – que integram um grupo de 42 pessoas, duas das quais posteriormente reabsorvidas pela própria empresa – se envolveram em quebra-quebra na Estação Ana Rosa, quando a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu o local para dispensar os manifestantes. A força policial fez uso de cassetetes e bombas.
Além disso, o Metrô alegou que funcionários haviam impedido o fechamento das portas de um trem na Estação Tatuapé, durante a greve. Mas imagens de câmeras de segurança da própria empresa revelam, de acordo com o texto da primeira decisão judicial, que os trabalhadores, embora “estivessem na plataforma, não aparecem impedindo o fechamento das portas”.
A advogado dos metroviários, Eliana Lúcia Ferreira, disse ontem que os dez funcionários passam a ficar sem vínculos com a empresa. “E isso é contraditório, porque o Metrô está precisando de gente. Do ponto de vista do dinheiro público, é até mais correto que essas pessoas ficassem. Porque se ao fim do processo a Justiça determinar que os funcionários estão corretos, como já ocorreu, o Metrô terá que pagar os salários de todo o período, com os juros. É melhor deixarem as pessoas trabalharem.”
Em um documento enviado aos dez trabalhadores, o Metrô pede que devolvam crachás e uniformes. O sindicato acusa o governo Geraldo Alckmin (PSDB) de perseguição política, já que a maioria dos demitidos eram ativos representantes da entidade, como diretores. A categoria informa que nunca foram apresentadas provas concretas que indicassem a participação dessas pessoas, especificamente, nos atos de vandalismo.
Um dos dez funcionários novamente desligados do Metrô disse que não sabe o que acontecerá com ele e seus colegas, mas que o Metrô tentou impedi-los de usar um broche da campanha da readmissão dos demais metroviários demitidos enquanto estavam trabalhando.
Por meio de nota, o Metrô de São Paulo informou apenas que TRT “cassou (suspendeu) a decisão judicial de 1.ª instância que determinou a reintegração de 10 empregados demitidos em 9 de junho deste ano” e que, “dessa forma, está mantido o desligamento dos funcionários”.
Fonte - Revista Ferroviária  23/10/2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Metrô de São Paulo começa a readmitir trabalhadores dispensados após greve

São Paulo

Em telegrama, empresa convida dez dos 40 metroviários demitidos para fazer exame médico e receber instruções sobre reintegração. Justiça obrigou companhia a voltar atrás - Demitidos em assembleia da categoria após greve. Para juiz, Metrô não tem provas

Tadeu Breda, da RBA 
foto - ilustração
São Paulo – O Metrô de São Paulo começou hoje (4) a enviar telegramas aos primeiros dez trabalhadores demitidos após a greve da categoria, em junho, mas que uma decisão liminar publicada na segunda-feira (1º) ordenou que fossem readmitidos em até cinco dias. A correspondência informa os metroviários sobre data para realização de exame médico, que deverá ser feito amanhã (5) no período da manhã. O comunicado também instrui os funcionários a se dirigirem, no mesmo dia, a uma das sedes administrativas da empresa para receberem orientações sobre a reintegração.
A readmissão de dez dos 40 trabalhadores sumariamente dispensados após a paralisação foi decidida pelo juiz Thiago Melosi Sória, titular da 34ª Vara do Trabalho de São Paulo, em 27 de agosto. Inicialmente, 42 metroviários foram dispensados, mas dois acabaram readmitidos apenas um mês após a greve, depois que os diretores do Metrô reconheceram tê-los dispensado por engano. Após analisar as alegações da empresa para embasar os desligamentos e contrastá-las com depoimentos de testemunhas, perícias e imagens do circuito interno de segurança das plataformas, o magistrado chegou à conclusão de que não há evidências suficientes para sustentar as demissões.
Melosi Sória enxergou “vício formal” nas demissões e constatou que as provas produzidas pelo Metrô “não revelam a prática das faltas graves atribuídas aos empregados dispensados”. Nos telegramas de demissão, a empresa atribui as demissões a supostas infrações à Lei de Greve, como realização de piquetes, e ao Código Penal, como atentado ao sistema de transporte. De acordo com a companhia, os metroviários demitidos impediram fechamento de portas dos trens, depredaram estações e bloquearam a entrada de outros em serviço. O Sindicato dos Metroviários de São Paulo nega as denúncias desde o momento das demissões. E a justiça agora lhe deu razão.
“Analisando a gravação de vídeo que registrou a conduta dos substituídos, vejo que, embora os trabalhadores estivessem na plataforma, não aparecem impedindo o fechamento das portas do trem”, reconhece o juiz Melosi Sória. “Tanto as imagens quanto a gravação de áudio da conversa entre os operadores em serviço e os depoimentos testemunhais prestados no inquérito policial não trazem a individualização da conduta de cada trabalhador dispensado.” O magistrado argumenta ainda que as testemunhas indicadas pelo Metrô disseram que não houve violência ou dano ao patrimônio da empresa, como alegou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao anunciar os desligamentos.
“A simples presença de uma pessoa no local em que houve a prática de um ato grave não pode ter o efeito de se fazer presumir a participação nesse ato”, ponderou o juiz da 34ª Vara do Trabalho de São Paulo. “Essa participação deve ser descrita individualmente para que se possa examinar a extensão e gravidade do comportamento de cada pessoa envolvida e sua aptidão para levar à punição disciplinar.” Para o magistrado, o direito dado ao empregado de se defender pressupõe a obrigação da empregadora de expor os fatos que levaram à dispensa por justa causa, sob pena de impedir a defesa.”
Questionado pela RBA na última sexta-feira (29), Geraldo Alckmin, que é candidato à reeleição, disse que irá recorrer das dez readmissões. E pareceu desconhecer o teor do despacho ao insistir que a greve da categoria foi abusiva. “Defendemos que não sejam readmitidos”, emendou. “Tivemos um movimento grevista violento. Também houve grande prejuízo à população”, completou, sem mencionar o rechaço do governo à proposta do Sindicato dos Metroviários, que então queria abrir as catracas em vez de paralisar o serviço, justamente para não prejudicar os passageiros.
Procurado, o Metrô não respondeu às perguntas da reportagem. Em nota, disse apenas que “adotará as medidas jurídicas cabíveis”.
Fonte - RBA (Rede Brasil Atual)  04/09/2014