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sábado, 5 de setembro de 2015

Donos de carros devem sim financiar o transporte público, diz especialista

Mobilidade

Em carta aberta ao ministro das Cidades Gilberto Kassab, o consultor em transportes Marcelo Blumenfeld defende o repasse dos tributos sobre automóvel aos municípios.Recursos devem ser repassados a ônibus, trens, ciclofaixas....

 Marcelo Blumenfeld* - Mobilize
Fernando Frazão/ Agência Brasil
"Carta aberta ao ministro das Cidades Gilberto Kassab.
Prezado Ministro Gilberto Kassab,
Em virtude de sua recente afirmação sobre a contribuição de motoristas para o financiamento do transporte público, decidi escrever-lhe esta carta para apresentar alguns fatos.
Antes de tudo, gostaria de ressaltar que concordo plenamente que o brasileiro já está saturado com impostos. Porém, tal afirmação torna-se tendenciosa e política ao buscar apoio por meio de ameaças teóricas.
Para que se financie a melhora do transporte público, não é necessário impor um imposto adicional aos carros, e sim melhorar a legislação do repasse dos tributos sobre automóveis para os municípios. Não vou citar Londres e outras cidades de países desenvolvidos, pois muitos rangem e batem no peito que São Paulo não é Amsterdã. Não é mesmo, mas o repasse do IPVA diretamente à melhoria dos transportes públicos é uma conta lógica ao invés de uma medida populista a la “Robin Hood” para tirar dos ricos e dar aos pobres.
Atualmente, não há legislação sobre a utilização da arrecadação com o IPVA, nem mesmo para melhoria das vias. O IPVA é coletado pelo Estado. Deste montante, parte fica com o Estado para obras de maior porte, e parte é repassada proporcionalmente aos municípios. Estes valores não tem destino fixo na legislação brasileira, podendo ser aplicados em qualquer área. Pois bem, é um valor muito alto que poderia beneficiar consideravelmente a mobilidade nas cidades. Apenas em São Paulo, o Estado arrecadou quase 2 bilhões de reais no último ano. Imagine a extensão das melhorias que tal valor traria às cidades.
Tal repasse não é uma punição aos motoristas por usarem seus carros. O uso dos impostos sobre carros e motoristas é um ajuste sobre as externalidades causadas por eles. Pense bem. Os automóveis privados, apesar de transportarem cerca de 20% dos passageiros, ocupam 60% das vias públicas, enquanto os ônibus que transportam 70% dos passageiros, ocupam 25% do espaço viário nas grandes cidades brasileiras. Além disto, há também as estruturas para acomodar tal frota.
Um recente estudo da Poli-USP constatou que 25% (isto mesmo, um quarto) da área construída de São Paulo serve apenas para acomodar os automóveis. Imagine quanto das cidades poderia ser usado para habitação, cultura, lazer e comércio com este espaço. Por fim, e não menos importante, os carros são responsáveis por aproximadamente 70% das emissões globais dos transportes, que já chegam a 25% do total mundial (Agência Internacional de Energia).
Portanto, senhor ministro, os impostos sobre o uso do automóvel devem sim ser usados para financiar o transporte público. Não como punição, e sim a mérito de justiça. Caso contrário, as ruas deveriam ter 70% do espaço dedicado aos ônibus e apenas 30% aos carros. Além disto, os subsídios concedidos aos motoristas em forma de recapeamento, sinalização, manutenção e gerenciamento de tráfego não são usufruídos por não-motoristas, enquanto os transportes públicos são de absoluto direito de quem possui um carro.
O senhor, como ministro das Cidades, tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida, da redução da desigualdade, da competitividade econômica e da sustentabilidade nas cidades brasileiras. E hoje, ao contrário de algumas décadas atrás, já está comprovado que uma cidade não atingirá seus objetivos apostando no carro como meio principal de transportes. Até mesmo Los Angeles, cuja frota de automóveis supera sua população, está reformando seu urbanismo.
Se, em sua função, o objetivo é equilibrar nossas cidades, há uma necessidade urgente de que esses recursos sejam repassados aos ônibus, à construção de metrôs e novas linhas de trens, ciclofaixas e melhores calçadas. Pois motoristas relutarão em trocar o carro pelo transporte público enquanto este não for de qualidade e conveniência competitiva. E, para que sejam competitivos, há de se usar os recursos captados das externalidades.
Além disto, tal medida é muito mais benéfica no longo prazo. Gostaria de apresentar ao senhor o conceito do efeito Mohring, do economista americano que demonstrou que um subsídio inicial para diminuir o intervalo dos ônibus em uma linha traz retornos financeiros a longo prazo através da maior demanda.
Outro estudo, que compara os custos públicos em acidentes, saúde, espaço etc., mostra que enquanto carros CUSTAM para a sociedade, esta GANHA economicamente quando este mesmo motorista usa a bicicleta. Mas para isto, é necessário que se invista na infraestrutura de qualidade que convença o motorista à troca. Logo, há de se usar o dinheiro do motorista que custa para a sociedade.
Portanto, senhor ministro, enquanto concordo com a impossibilidade de novos impostos sobre o uso do carro, escrevo-lhe esta carta aberta para mostrar que tal medida não é a única saída. Espero ter-lhe mostrado que a solução está no repasse dos impostos já cobrados, como é feito em diversos outros países. Tal repasse não significa uma penalidade, e sim o ajuste socio-econômico para que todos os habitantes tenham acesso à qualidade de vida e oportunidades.
Se quer o bem das cidades, não se torne refém do carro. A legislação correta pode fazer muito mais do que o senhor parece imaginar."
*Marcelo Blumenfeld é mestre em planejamento de transportes pela Universidade de Leeds, e doutorando em engenharia de sistemas no Birmingham Centre for Railway Research da Universidade de Birmingham. É fundador da AHEAD Innovation Strategies, e integra o grupo de pesquisa e desenvolvimento da consultoria de transportes inglesa JMP Consultants. Foi palestrante convidado no TEDx University of Leeds em 2012.
Fonte - Mobilize  04/09/2015

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

IPVA de 2015 na Bahia terá redução média de 3,5%

Bahia

A Bahia tem cerca de 2,5 milhões de veículos.Para automóveis de passeio, a redução é de 3,6%. Proprietários de motocicletas pagam 3,5% a menos. Para os caminhões, a redução é de 4,4%. Caminhonetes e veículos utilitários terão uma redução de 3,2%, e os ônibus e micro-ônibus, de 3,3%.

Paula Janay Alves - A Tarde
Joá Souza | Ag. A TARDE | 29.08.2014
Os proprietários de automóveis na Bahia vão pagar no próximo ano, em média, 3,5% a menos no Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Para automóveis de passeio, a redução é de 3,6%. Proprietários de motocicletas pagam 3,5% a menos. Para os caminhões, a redução é de 4,4%. Caminhonetes e veículos utilitários terão uma redução de 3,2%, e os ônibus e micro-ônibus, de 3,3%.
A nova tabela foi divulgada ontem pela Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA) e publicada no Diário Oficial do Estado. O pagamento é conforme a tabela (ver abaixo) e o final da placa do carro. Veículos com final "0" vão poder pagar este ano até novembro. Em 2014, o pagamento só poderia ser feito até setembro.
A redução não é aplicável aos veículos novos, que terão o imposto calculado a partir do valor impresso na nota fiscal e multiplicado pela alíquota aplicada ao tipo de veículo. Automóveis, por exemplo, têm alíquota de 2,5%. Já as motocicletas, 1%. Veículos movidos a diesel têm alíquota de 3%.
O cálculo do novo IPVA é encomendado pela Sefaz para a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que determina o valor venal de todos os modelos para 2015, com base nos preços dos veículos praticados entre setembro e outubro de 2014.
Como exemplo, o proprietário de um Gol 1.0, comprado em 2014, pagará R$ 698 de imposto no próximo ano. Já um Palio Weekend 1.6, de 2013, terá imposto de R$ 866. Quem tiver um Celta 1.0, de 2012, pagará R$ 554.
Com o novo valor venal dos veículos, publicado no site da Sefaz (www.sefaz.ba.gov.br), é possível calcular o IPVA aplicando a alíquota de 2,5% para automóveis de passeio. A partir de janeiro de 2015, o valor do imposto estará disponível para consulta.

Descontos
Quem pagar até 6 de fevereiro de 2015 terá desconto de 10% do valor total do imposto. Ainda há a possibilidade de receber 5% de desconto ao pagar o valor integral do IPVA até o dia do vencimento da primeira cota, segundo a tabela. Sem descontos, há a possibilidade de parcelar em três vezes.
Quem perder o prazo da primeira cota perde o direito de parcelamento. Banco do Brasil, Bradesco ou Bancoob aceitam o pagamento com a apresentação do número do Renavam.
Para o consultor de educação financeira, José Cristiano Cartaxo, é recomendável aproveitar o desconto se o proprietário tiver dinheiro em caixa. "É inteligente que se faça essa opção. Só esse desconto de 10% supera o acumulado da inflação prevista. Nenhuma aplicação financeira conservadora tem essa rentabilidade", afirma.
Cartaxo orienta reservar uma parte do 13º salário para quitar o IPVA com desconto de 10% ou 5%.
Segundo o diretor de arrecadação da Sefaz-BA, Antônio Félix, a ampliação da tabela foi um pedido do Detran para aumentar os meses para o licenciamento e a vistoria para veículos com mais de cinco anos. "Os contribuintes devem ficar atentos com as alterações das datas. Se estão acostumados a pagar só em abril, através da placa, a primeira cota será em março".
O IPVA é a segunda maior fonte de arrecadação da Bahia. O estado tem cerca de 2,5 milhões de veículos.
Fonte - A Tarde  19/12/2014

Mais informaçõeshttp://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1647539-ipva-de-2015-tera-reducao-media-de-35-na-bahia

domingo, 18 de agosto de 2013

PEC prevê cobrança de IPVA sobre aviões e lanchas para aplicação em transporte público


Brasil

foto ilustração - flightmarket
Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Uma proposta de emenda constitucional (PEC), atualmente tramitando na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, pretende estender a cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para veículos aéreos e aquáticos, com o objetivo de destinar mais recursos para o transporte público urbano, uma das reivindicações dos manifestantes que têm saído às ruas do país desde junho.
A PEC 140/2012, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), Pedro Delarue, tem parecer favorável do relator, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). A iniciativa prevê a incidência de IPVA sobre helicópteros, jatinhos, lanchas, iates e até jet skis de particulares.
“A intenção é fazer com que essa arrecadação extra seja integralmente destinada ao transporte público urbano. Neste momento, a PEC está parada porque um deputado pediu vista do parecer. A nossa expectativa é que, no mais tardar em duas semanas, ela seja apreciada na comissão e, depois, aperfeiçoada no Congresso Nacional”, disse Delarue. Todos os veículos aéreos e aquáticos de particulares seriam taxados.
“Entra qualquer veículo de uso particular, inclusive, claro, os jet skis, que são, diria, bens suntuosos. Estão fora veículos utilizados em navegação de cabotagem, por exemplo, navegação pesqueira ou transporte de passageiro, até porque a cobrança seria facilmente repassada para os preços”, informou.
Para ele, muita gente confunde, porque acha que os transportes aquáticos, por exemplo, não devem ter a incidência de IPVA. Pensam que deveria incidir só sobre os transportes terrestres, pois a arrecadação seria destinada apenas à melhoria da condição das estradas. “Não é nada disso. É um imposto que não é vinculado a uma determinada necessidade. Então, o que nós queremos é que os donos desses veículos também contribuam para a melhoria do transporte publico em geral”, defendeu.
“Tem que cobrar, eu concordo. Por que eles têm que ter essa regalia. Concordo que eles paguem, sim”, defendeu Lenira Alves dos Santos, secretária. Luiz Ferreira de Oliveira, funcionário público, também acredita ser uma boa ideia. “Isso é bom. Eu pago IPVA. Se é para melhorar o transporte público, isso é bom, porque é o que mais as pessoas estão reclamando hoje em dia, não é?”.
Fonte - Agência Brasil  18/08/2013