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domingo, 15 de dezembro de 2019

Projeto Tamar comemora 40 anos com 40 milhões de tartarugas soltas

Meio Ambiente/Ecologia  🐢

A sobrevivência das tartarugas depende da sua capacidade de conseguir gerar um volume grande de novas vidas a cada ano. Elas contam com um aliado abnegado desde 1980. Anunciando o robusto número de 40 milhões de tartarugas protegidas, o Projeto Tamar deu início neste fim de semana às celebrações de seus 40 anos, que contará com diversos eventos ao longo de 2020.

Léo Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

foto - Fernando Frazão/Ag.Brasil
Apenas uma em cada mil tartarugas marinhas chegam a fase madura, que se inicia por volta dos 30 anos. Por esta razão, a sobrevivência das espécies depende da sua capacidade de conseguir gerar um volume grande de novas vidas a cada ano. Elas contam com um aliado abnegado desde 1980. Anunciando o robusto número de 40 milhões de tartarugas protegidas, o Projeto Tamar deu início neste fim de semana às celebrações de seus 40 anos, que contará com diversos eventos ao longo de 2020.
As atividades acontecem na Praia do Forte, em Mata de São João (BA), a cerca de 80 quilômetros de Salvador. No local, está a principal estrutura do Projeto Tamar no país. Foram soltos nessa sexta-feira (13), as olhos de dezenas de turistas e moradores locais, 101 animais recém-nascidos.
São pequenas tartarugas que haviam nascido pela manhã em algum ponto do litoral nordestino. Por diversos fatores, elas não conseguiram deixar a ninhada rumo ao mar e corriam risco de vida. Após serem coletadas para identificação da espécie, puderam finalmente se encontrar com o oceano. Hoje (14), uma nova soltura está programada para as 17h.
Todo esse trabalho iniciado em 1980 teve origem em expedições realizadas por um grupo de estudantes de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) em ilhas e arquipélagos como Abrolhos, Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Quando presenciaram pescadores abatendo tartarugas, resolveram denunciar a situação para órgãos públicos. Na época, já havia um apelo internacional para que algo fosse feito em defesa desses animais.
"Depois dessas expedições, tomou-se conhecimento de uma maior ocorrência das tartarugas na costa brasileira, porque nem os nossos professores sabiam. Todos os trabalhos acadêmicos naquela ocasião reportavam outros países. E daí foi pedido que o Brasil fizesse alguma coisa. Na Austrália, na Costa Rica, nos Estados Unidos já tinham iniciativas. E os animais são migratórios, vão de um lugar para o outro, o que demanda um trabalho integrado", diz a oceanógrafa Neca Marcovaldi, coordenadora de pesquisa e conservação do Projeto Tamar e uma das fundadoras da iniciativa.
Veio então o convite para que os estudantes da Furg fizessem um mapeamento das espécies que desovavam no Brasil e apontassem quais os principais problemas. "Durante dois anos fizemos um levantamento nos quase 8 mil quilômetros do litoral brasileiro", conta Neca.
Apesar de registros isolados de desovas de tartarugas marinhas ao longo da costa brasileira, uma noção mais profundada do fenômeno veio com esse trabalho. Pouco a pouco, o conhecimento foi sendo formado. Cinco das sete espécies utilizam o litoral brasileiro para criarem seus ninhos: tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde, tartaruga-oliva, tartaruga-de-couro e tartaruga-de-pente. Os locais de desova vão do Sul ao Nordeste.
O quadro mapeado, porém, mostrava uma realidade preocupante tendo em vista que o ciclo biológico estava interrompido: as fêmeas que chegavam à praia e seus ovos serviam como fonte de alimento para diversas comunidades litorâneas. As capturas incidentais durante a pesca de outras espécies também levavam a uma redução drástica das populações de tartarugas, o que ainda é uma realidade.
Hoje, porém, avanços já são notáveis. Acumulando prêmios, o Projeto Tamar passou a ser reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha. "Se antes era necessário transportar ninhadas de tartaruga para dentro das unidades, hoje basta colocar um estaca informativa nos locais de desova que as comunidades estão conscientes da necessidade de preservar as áreas", diz o biólogo do projeto Claudemar Santana, mais conhecido como Mazinho.
De acordo com o Tamar, as cinco espécies vêm experimentando recuperação de suas populações, embora a tartaruga-de-couro e a tartaruga-pente ainda estejam consideradas em estado crítico, conforme a lista vermelha de espécies ameaçadas elaborada pela União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Entre as outras quatro, algumas são classificadas como em risco de extinção e outras como vulneráveis.

foto - Fernando Frazão/Ag.Brasil
Apoio
O Projeto Tamar começou se estruturando em três localidades. Além da Praia do Forte, os outros dois pontos de partida foram Regência, distrito de Linhares (ES), e Pirambu (SE). Hoje, considerando tanto os locais com estrutura física como os que têm apenas profissionais em atuação, são 25 pontos da costa brasileira são monitorados.
Esse crescimento contou com o apoio da Petrobras, patrocinadora do Projeto Tamar desde 1982. "Depois de um tempo monitorando as praias a pé e a cavalo, conseguimos a doação de um jipe. Mas não tínhamos dinheiro para o combustível. Então a primeira ajuda da Petrobras foi abastecer nossos veículos. Foi uma construção passo a passo".
O apoio ao Tamar se dá dentro do Programa Petrobras Socioambiental, que inclui também algumas outras dezenas de projetos voltadas, por exemplo, para a preservação das baleias jubarte, dos corais e do peixe mero. Segundo a estatal, no período entre 2014 e 2020, serão investidos mais de R$1 bilhão somando todas as iniciativas. Apesar da importância deste apoio para a consolidação do trabalho do Tamar, hoje o orçamento do projeto conta com aproximadamente 70% de recursos próprios, gerados a partir da bilheteria de seus centros de visitação, da venda de produtos, entre outras fontes de renda.
Estima-se que as unidades abertas ao público recebam juntas, cerca de 1,5 milhão ao ano. O mais estruturado é o Museu do Tamar, na Praia do Forte. Construído em 1982 em um terreno cedido pela Marinha, ele conta com tanques, painéis informativos e estrutura audiovisual, entre outros atrativos. É um dos cinco museus mais visitados do Nordeste brasileiro. Os ingressos custam R$ 28, com a meia-entrada para os casos definidos em lei ao valor de R$14. Também há preços promocionais para grupos familiares.
"Essa questão da sustentabilidade financeira é super importante porque a primeira geração de tartarugas protegidas demorou 30 anos para se formar. Então temos que ter um compromisso com um futuro que não é tão próximo. Para isso, é importante que se consiga manter as atividades a longo prazo. Sempre valorizando os parceiros, mas também enxergando a necessidade de autonomia e independência", diz Neca.

Tecnologia
A evolução do trabalho a partir de novas parcerias é uma busca constante. Uma das iniciativas atualmente em curso se dá com pesquisadores de engenharia e de sistemas eletrônicos da Universidade de São Paulo (USP). A proposta é usar a Internet das Coisas, ou simplesmente IoT na sigla em inglês (Internet of Things). Trata-se de novas aplicações que permitem o uso coordenado e inteligente de aparelhos variados para controlar diversas atividades. Em outras palavras, distintos equipamentos são conectados entre si e funcionam em rede.
O projeto da USP, que ainda se encontra em estágio embrionário de desenvolvimento, pretende que coletores e transmissores de dados acoplados a algumas tartarugas se comuniquem entre si. A expectativa é de que o monitoramento ganhe em eficiência, permitindo que os sinais, sendo compartilhados pelos equipamentos carregados pelos animais, percorram longas distâncias e cheguem a uma central com consumo mínimo de energia. Os dados de profundidade, temperatura e localização dos animais também poderiam ser lidos através de celulares por trabalhadores em campo.
"Você pode estar numa área de desova e acompanhar o comportamento dos animais. A mesma coisa em áreas de pesca. Você pode ter mais informações das tartarugas daquela região para fazer um trabalho com os pescadores. Hoje já temos trabalhos com transmissores de satélites, que são caros, mas também tem um alcance mais amplo. E com a genética complementando a informações, além do mapa em terra, temos um mapa bastante robusto das tartarugas onde elas vivem a maior parte do tempo que é o oceano", avalia Neca.
Fonte - Agência Brasil  14/12/2019

segunda-feira, 18 de março de 2019

Soltura de tartaruga marinha marca evento de entrega em Praia do Forte

Meio Ambiente  🐢

O animal, com aproximadamente 20 anos, 40 quilos e 70 cm de comprimento, foi resgatado de uma situação de pesca no sul do estado e enviado para unidade do Tamar localizado na Praia do Forte, litoral norte baiano. Após quatro meses de tratamento, reabilitação e cura de uma pneumonia, os biólogos atestaram que a tartaruga já estava apta para retorno ao seu habitat natural. A cerimônia foi realizada pelo Projeto Tamar e emocionou a todos presentes.

Da Redação
foto - João Raimundo Santana/Secom BA
A soltura de uma tartaruga marinha, da espécie cabeçuda, marcou o evento de entrega de títulos de postos avançados da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), no último sábado (16), em Praia do Forte, município de Mata de São João. O animal, com aproximadamente 20 anos, 40 quilos e 70 cm de comprimento, foi resgatado de uma situação de pesca no sul do estado e enviado para unidade do Tamar localizado na Praia do Forte, litoral norte baiano. Após quatro meses de tratamento, reabilitação e cura de uma pneumonia, os biólogos atestaram que a tartaruga já estava apta para retorno ao seu habitat natural. A cerimônia foi realizada pelo Projeto Tamar e emocionou a todos presentes.
“O projeto Tamar é uma marca ambiental para o estado da Bahia, pelo acúmulo de conhecimento e competência na conservação e pesquisa das tartarugas marinhas no Brasil. É um orgulho para nós, baianos”, disse o secretário João Carlos, reafirmando o compromisso da pasta do meio ambiente com a preservação e incentivo à Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Referindo-se ao momento da soltura da tartaruga marinha, em que o animal se volta para o público antes de entrar no mar, o secretário fala de “uma volta triunfal e uma importante mensagem de conservação do Meio Ambiente, que passa necessariamente por uma forte política de educação ambiental” afirmou.
foto - João Raimundo Santana/Secom BA
Além do projeto Tamar, outras três institucionais foram certificadas com o título de postos avançados da RBMA: o Subcomitê da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Litoral Norte do Estado da Bahia – SCRBMALN, o Parque Municial Klaus Peters, o Ecoparque da Mata e RPPN Lontra. “Para ser reconhecida como um Posto Avançado (PA), aprovado pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – RBMA, é necessário que a instituição desenvolva pelo menos duas das três funções básicas da Reserva, nos âmbitos da proteção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável e do conhecimento científico e tradicional sobre a Mata Atlântica”, explicou Clayton Lino, presidente do Conselho Nacional da RBMA.
Segundo Clayton, “o estado da Bahia é o que mais tem Postos Avançados reconhecidos pelo Conselho Nacional da RBMA, totalizando 15 Postos, sendo 10 destes, fruto do trabalho de divulgação e reconhecimento do Subcomitê da RBMA Litoral Norte”, afirmou, ressaltando o trabalho da secretária Executiva do subcomitê Litoral Norte, Adriana Castro. Além dos Postos Avançados já citados, a Bahia possui: Reserva Sapiranga; Ecoparque Sauípe; Projeto Baleia Jubarte; Parque das Dunas; Fundação Terra Mirim e Centro de Ecologia e Conservação Ambiental – ECOA. As três últimas instituições foram contempladas com a renovação dos seus títulos, o que ocorre a cada quatro anos, após avaliação de critérios técnicos.

Postos Avançados de Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
Postos Avançados são centros de divulgação de ideias, conceitos, programas e projetos desenvolvidos na RBMA. A Reserva da Biosfera é um modelo de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais, que hoje é adotado internacionalmente. Seus objetivos básicos são a preservação da diversidade biológica, o desenvolvimento de atividades de pesquisa, o monitoramento ambiental, a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das populações, reconhecida pelo Programa Intergovernamental "O Homem e a Biosfera - MaB", estabelecido pela UNESCO, organização da qual o Brasil é membro.
Com informações da Secom Ba  18/03/2019

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Espécie de tartaruga extinta há 150 anos é recuperada em Galápagos

Ecologia  🐢

Segundo o pesquisador Washington Tapia, diretor do projeto "Iniciativa para a Restauração das Tartarugas Gigantes", estes animais tinham desaparecido da ilha de Floreana e o projeto de resgate começou no ano 2000, quando a DPNG e a Universidade de Yale (EUA) coletaram amostras de sangue de tartarugas no entorno do vulcão Wolf, no norte da ilha de Isabela, e encontraram uma com genes de uma espécie da ilha de Pinta.

Da Agência EFE
Parque Nacional de Galápagos/EFE
Um programa conjunto entre a Direção do Parque Nacional Galápagos (DPNG), do Equador, e a ONG americana Galapagos Conservancy conseguiu recuperar naquele arquipélago equatoriano uma espécie de tartaruga da espécie "Chelonoidis niger" que estava extinta há mais de 150 anos. Os cascos dos machos dessas tartarugas podem medir até 120 centímetros de comprimento. A informação é da EFE.
Segundo o pesquisador Washington Tapia, diretor do projeto "Iniciativa para a Restauração das Tartarugas Gigantes", estes animais tinham desaparecido da ilha de Floreana e o projeto de resgate começou no ano 2000, quando a DPNG e a Universidade de Yale (EUA) coletaram amostras de sangue de tartarugas no entorno do vulcão Wolf, no norte da ilha de Isabela, e encontraram uma com genes de uma espécie da ilha de Pinta.

Patrimônio natural
O arquipélago de Galápagos, que leva esse nome devido às grandes tartarugas que abriga, está situado a cerca de mil quilômetros da costa do Equador e foi declarado em 1978 como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. Suas reservas terrestres e marítimas contêm uma rica biodiversidade, considerada como um laboratório natural que permitiu ao cientista britânico Charles Darwin desenvolver sua teoria sobre a evolução e seleção natural das espécies.
Washington Tapia lembra que, nos séculos XVI e XVII, Galápagos foi refúgio de caçadores de baleias e de piratas, que consumiam carne de tartaruga para alimentação. Os registros demonstram que eles usavam a ilha de Isabela como último reduto de descanso antes de deixar Galápagos e que, quando queriam reduzir a carga, jogavam ao mar as tartarugas vivas que levavam nas embarcações. “Foi assim que tartarugas das ilhas de Floreana e Pinta chegaram à ilha Isabela”, disse.
Após essa descoberta, uma expedição em 2008 recolheu amostras de sangue de outras 1.700 tartarugas, e em 2012 foi descoberto que havia não uma, mas cerca de 80 tartarugas com ascendência genética da ilha de Floreana e algumas de Pinta. Várias delas agora são usadas para desenvolver um programa de reprodução e criação em cativeiro, não só para recuperar a espécie de tartaruga de Floerana, mas para contribuir com a restauração ecológica da ilha.

Integridade ecológica
"Em Galápagos não há grandes mamíferos. Os mega-herbívoros são as tartarugas e, por Floreana ter perdido suas tartarugas, há processos ecológicos e evolutivos que estão alterados", indicou o pesquisador, que agora espera que o retorno da espécie à ilha permita restaurar sua "integridade ecológica".
O programa de reprodução e criação, no qual foi investido cerca de US$ 1 milhão e que é desenvolvido no centro de criação "Fausto Llerena", na ilha de Santa Cruz, começou com 20 tartarugas divididas em quatro grupos reprodutores, com três fêmeas e dois machos em cada um.
Quando chegarem aos cinco anos de idade, os exemplares serão levados à ilha Floreana, onde hoje não há tartarugas.
Fonte - Agência Brasil  13/09/2017

sábado, 29 de agosto de 2015

Projeto Tamar comemora 35 anos com nova geração de tartarugas

Meio Ambiente

De 2010 a 2015, o número de filhotes cresceu 86,7% em relação ao quinquênio anterior.“Estamos festejando o aparecimento dessa nova geração em idade reprodutiva. Isso praticamente dobrou a população de tartarugas marinhas no Brasil”, disse o coordenador-geral e um dos fundadores do projeto, o oceanógrafo Guy Marcovaldi.

Maiana Diniz
Repórter da Agência Brasil
Arquivol/Agência Brasil
Uma nova geração de tartarugas marinhas adultas passou a ocupar as praias e ilhas brasileiras nos últimos cinco anos. De acordo com dados analisados pelo Projeto Tamar, criado há 35 anos para proteger animais dessa espécie que passam pelo Brasil, de 2010 a 2015, houve crescimento de 86,7% no número de filhotes nascidos em relação ao quinquênio anterior.
“Estamos festejando o aparecimento dessa nova geração em idade reprodutiva. Isso praticamente dobrou a população de tartarugas marinhas no Brasil”, disse o coordenador-geral e um dos fundadores do projeto, o oceanógrafo Guy Marcovaldi. Segundo ele, os números comprovam o início da recuperação dessas espécies, mas não significam que a ameaça de extinção acabou. “Quando o Tamar completar 70 anos, teremos um número bom, porque será segunda geração de tartarugas, uma sobre a outra.”
De acordo com o pesquisador, quando o projeto começou, a tartaruga era um prato de comida, e a matança de fêmeas e o consumo dos ovos tinham praticamente interrompido o ciclo de vida desses animais. No primeiro ano de atividade, em 1980, o Tamar ajudou a salvar 2 mil tartarugas. Na temporada de desovas de 2013-2014, foram mais de 2 milhões de filhotes protegidos.
Estima-se que 7.350 tartarugas fêmeas estiveram em processo de reprodução no Brasil no último ano. Marcovaldi explica que as tartarugas são animais de vida longa e demoram 30 anos para atingir a idade adulta. Por isso, os resultados de trabalhos de conservação demoram a aparecer.
Nos últimos 35 anos, o Tamar protegeu mais de 20 milhões de filhotes. “Mas, por fatores naturais, apenas um ou dois em cada mil sobrevivem no mar”, explica Marcovaldi. No Brasil, as principais ameaças à recuperação das tartarugas são as redes de pesca, os anzóis e a poluição dos oceanos.
Marcovaldi destaca que o esforço de proteção dessas espécies precisa ser mundial, pois são animais que viajam por longas distâncias. “As nossas tartarugas migram para a África, Oceania, América do Norte e Ásia. Então, como num trabalho do Itamaraty, essas populações precisam ser reconhecidas como ameaçadas por todos os países que compartilham essas espécies com o Brasil.”
Das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo, o Tamar pesquisa e protege as cinco que vêm ao Brasil, todas ameaçadas de extinção: a cabeçuda, de pente, verde, oliva e de couro. Segundo o coordenador-geral do Tamar, a espécie mais vulnerável no Brasil é a tartaruga-de-couro, que vive no Espírito Santo. “Mas, em termos mundiais, a pior é a tartaruga-pente, que tem o casco extraído para fazer jóias. Até hoje os japoneses continuam insistindo nessa prática”, lamenta.
Além de monitorar a postura dos ovos, os cientistas do projeto observam o comportamento e coletam material biológico para análise genética das tartarugas. Tanto nas áreas de desova como nas de alimentação, animais são marcados com transmissores de metal nas nadadeiras que permitem o estudo do deslocamento e dos hábitos, bem como de dados sobre crescimento e taxa de sobrevivência.
Marcovaldi estima que cerca de 50 mil tartarugas foram marcadas desde que o projeto começou. Os dados constam no Sistema de Informação sobre Tartarugas Marinhas e ajudam a melhorar as estratégias de recuperação das espécies. “Costumo dizer que saímos da terceira divisão na conservação e pesquisa das tartarugas, no início da década de 80, e hoje estamos entre os cinco primeiros colocados no mundo, na primeira divisão de tartarugas marinhas do mundo, disputando com Austrália, Costa Rica, Estados Unidos e México.”

Geração de empregos e financiamento
O Projeto Tamar atua em 25 localidades ao longo de mais de 1.100 quilômetros de praias, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas da Bahia, de Sergipe, Pernambuco, do Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, de São Paulo e Santa Catarina.
De acordo com Marcovaldi, mais de 1.800 pessoas trabalham no projeto, que prioriza a colocação de pessoas da região, em especial as de classe baixa e que trocaram a prática de matar tartarugas por viver da imagem delas. “Nós chamamos de uso não letal, quando as pessoas param de vender carne e ovos de tartarugas, mas continuam vivendo delas, mas sem matar. Por exemplo, fabricando camisetas, vendendo artesanato e imagens de tartarugas.”
O projeto também capacita cerca de 200 estagiários de universidades brasileiras e estrangeiras nas áreas de Biologia, Engenharia de Pesca, Medicina Veterinária e Oceanografia por ano.
O Tamar tem nove centros de visitação nas regiões litorâneas com potencial turístico. De acordo com o Formulário de Visitação Anual, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), os centros da Bahia e de Santa Catarina estão entre os museus mais visitados do Brasil.
“No ranking de museus mais visitados do país, o Projeto Tamar encabeça a lista em quase todas as regiões brasileiras onde temos centros para visitação. Só perdemos para museus famosos de São Paulo e para o Cristo Redentor, no Rio”, afirma Marcovaldi.
Os centros têm tanques e aquários, painéis informativos, espaço para exposições e palestras e lojas para venda de produtos e respondem por parte relevante do orçamento do projeto. “A primeira fonte de renda do Tamar vem da produção e venda dos produtos da marca, responsável por cerca de 40% dos recursos do projeto”, conta Marcovaldi, que não revela o orçamento anual do projeto.
O Projeto Tamar é uma cooperação entre o Centro Tamar, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e a Fundação Pró-Tamar, instituição privada sem fins lucrativos. A Petrobras é a patrocinadora oficial do projeto há 33 anos. O valor do contrato atual com a estatal, vigente de dezembro de 2014 a dezembro de 2017, é de R$ 10.846.777,06. Pelo patrocínio, a Petrobras repassou R$ 1,88 milhão em 2014 e R$ 1,15 milhão, até agosto deste ano. Recentemente, o Bradesco também tornou-se patrocinador do projeto.
O restante dos recursos vem dos governos federal e estaduais e municipais onde o Tamar atua. “O projeto hoje é uma coisa do Brasil. Já é do DNA da nossa sociedade, e graças a isso ele funciona bem“, afirmou Macovaldi.
Fonte - Agência Brasil   29/08/2015

sábado, 22 de agosto de 2015

Projeto Tamar completa 35 anos com nova geração de tartarugas marinhas

Ecologia

Na avaliação do coordenador nacional do projeto, o oceanógrafo Guy Marcovaldi, o Tamar está comemorando “muito mais do que um aniversário. É uma nova geração de tartarugas marinhas que apareceu no litoral brasileiro”. Isso se concretizou agora, ao se completar os 35 anos porque, conforme explicou, as estatísticas são feitas de cinco em cinco anos.

Alana Gandra 
Repórter da Agência Brasil
gráfico - Projeto Tamar
O Projeto Tamar comemora nos dias 26 e 27, no Oceanário de Aracaju (SE), 35 anos de existência, com a soltura de filhotes de tartaruga na Praia da Atalaia, na capital do estado.
Na avaliação do coordenador nacional do projeto, o oceanógrafo Guy Marcovaldi, o Tamar está comemorando “muito mais do que um aniversário. É uma nova geração de tartarugas marinhas que apareceu no litoral brasileiro”. Isso se concretizou agora, ao se completar os 35 anos porque, conforme explicou, as estatísticas são feitas de cinco em cinco anos.
“O número de tartarugas, que vinha subindo aos poucos a cada cinco anos, no último quinquênio deu um pulo radical”. Isso se deve, segundo Marcovaldi, a uma nova geração de tartarugas que estão reocupando as praias brasileiras. O número evoluiu de 4,5 milhões de filhotes por ano, entre 2005 e 2009, para 8,4 milhões/ano. “Dobrou, praticamente”.

Projeto Tamar/Divulgação
Uma nova geração de tartaarugas reocupa as praias brasileiras

Para o próximo quinquênio, os planos são “continuar firme e forte na praia e confirmar que essa geração vai seguir ativa, saudável e se reproduzindo, afastando cada vez mais as tartarugas da ameaça da extinção. Ainda não chegamos lá, mas vamos chegar”, afirmou Marcovaldi.
A programação comemorativa inclui, além da soltura de filhotes de tartaruga marinha, apresentação gratuita de grupos folclóricos e de teatro, e show do cantor Milton Nascimento com o Dudu Lima Trio. O Projeto Tamar é patrocinado pela Petrobras há mais de três décadas.
Fonte - Agência Brasil  22/08/2015

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mil tartarugas chegam para desova nas praias da Bahia e de Sergipe

Meio ambiente

Em 30 anos, número de tartarugas aumentou em 11.700%.O aumento foi observado pelos pesquisadores do Tamar nos dez primeiros dias do mês, o que indica uma recuperação considerável da espécie ao longo das últimas temporadas reprodutivas.

TB
Foto: Elí García Padilla/Flickr/Creative Common
O Projeto Tamar, fruto de uma cooperação entre o Centro Tamar/ICMBio e a Fundação Pró-Tamar, registrou em novembro de 2014 a chegada de mil tartarugas-oliva (Lepidochelys olivacea) para desovar nas praias de Sergipe e do norte da Bahia.
O aumento foi observado pelos pesquisadores do Tamar nos dez primeiros dias do mês, o que indica uma recuperação considerável da espécie ao longo das últimas temporadas reprodutivas.
"Passamos de alguns poucos ninhos na primeira temporada, ocorrida no início dos anos 80, para mais de 10 mil na duas últimas temporadas, entre 2013 e 2014, um aumento de mais de 11.700%", comemorou João Carlos Alciati Thome, coordenador do Tamar/ICMBio.
Para o coordenador do Tamar em Sergipe, o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) César Coelho, o sucesso pela recuperação das tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil deve-se, também, ao apoio dado pelas comunidades litorâneas, que ajudam a divulgar os trabalhos de conservação destas espécies. "Parece até que as tartarugas-oliva vieram nos dar os parabéns", brincou Coelho.
Na atual temporada (2014/2015), a expectativa dos pesquisadores é de aumentar o número de filhotes devolvidos ao mar em relação à última temporada, ajudando ainda mais na recuperação da espécie. "As tartarugas-oliva são uma das menores tartarugas marinhas do mundo e preferem noites com ventos fortes para desovar", pontuou o coordenador. Na última semana, foram registradas 100 desovas em uma das praias monitoradas em apenas uma noite.
De acordo com César Coelho, a espécie prefere noites com ventos fortes para desovar por uma estratégias de proteção, característica que diferencia esta tartaruga marinha de todas as demais. "Em poucos minutos, por conta dos fortes ventos, os rastros deixados por elas na praia são completamente apagados", finalizou o coordenador.
O Projeto Tamar realiza diversas ações para proteger as tartarugas marinhas. É fruto da cooperação entre o Centro Tamar, ligado ao ICMBio, e a Fundação Pró-Tamar. Tem o patrocínio oficial da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, e o apoio do Título de Capitalização Bradesco Pé Quente.
Desde sua criação, o Tamar prioriza pesquisas que resolvam aspectos práticos para a proteção desses animais e realiza estudos de longo prazo. Programas de marcação e recaptura de tartarugas em locais de alimentação são desenvolvidos nas áreas mais visitadas por tartarugas das espécies verde, como em Fernando de Noronha, Praia do Forte (Bahia), Ubatuba, Ceará e Vitória e de-pente (Fernando de Noronha).
O trabalho permite recolher dados importantes sobre tempo de permanência desses animais em cada local, verificar as taxas de crescimento, sobrevivência e a dieta das espécies.
Fonte - Tribuna da Bahia  27/11/2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pesquisadores do Projeto Tamar Bahia estudam população de tartarugas-oliva

Ecologia

Com a padronização e sistematização dos registros é possível compreender parâmetros demográficos essenciais sobre a população de tartarugas-oliva (Lepidochelys olivacea) no País. - A análise concluída será submetida a periódico científico para divulgação dos resultados e compartilhamento do conhecimento sobre a espécie.

Portal Brasil
Foto: Reprodução / Internet
O trabalho conjunto de equipes do Projeto Tamar da Bahia e de Sergipe em parceria com a pesquisadora do programa de ecologia e avaliação de tartarugas marinhas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional - Noaa, na Califórnia, Manjula Tiwari, analisa série histórica de dados coletados em temporadas reprodutivas das tartarugas monitoradas pelo Tamar no Brasil de 1999 a 2014.
Com a padronização e sistematização dos registros é possível compreender parâmetros demográficos essenciais sobre a população de tartarugas-oliva (Lepidochelys olivacea) no País. "Os dados possibilitarão testar várias hipóteses e responder questões essenciais para tomadas de decisão e planejamento para a conservação desses animais nos próximos anos", diz Neca.
Ao longo do tempo, análises vão possibilitar a adoção de parâmetros como o número de ninhos por fêmeas, o que viabiliza contabilizar a quantidade de indivíduos desovando por temporada; o intervalo de tempo que cada indivíduo desova em uma mesma temporada; e entre temporadas, chamado de intervalo de remigração (para retornar da área de alimentação para a área de desova); a fidelidade das fêmeas a um mesmo trecho de praia para fazerem seus ninhos, dentre outros, conta a coordenadora de pesquisa e conservação do Tamar, Neca Marcovaldi.
A análise concluída será submetida a periódico científico para divulgação dos resultados e compartilhamento do conhecimento sobre a espécie. Das cinco que ocorrem no Brasil, a tartaruga-oliva é a que tem comprovadamente maior tendência de crescimento populacional por ano (12,3% de 2004 a 2011).
O registro de concentração regular de desovas em números significativos acontece apenas em um trecho de praia entre o litoral sul do estado de Alagoas e o litoral norte da Bahia, com maior densidade de ninhos no estado de Sergipe, tornando-a espécie de tartarugas marinhas mais vulnerável às ameaças e mudanças no habitat.

História
As tartarugas-oliva no Brasil deixaram de ser importantes apenas localmente. As praias de Sergipe e da Bahia abrigam as mais relevantes áreas de reprodução dessa espécie no oceano Atlântico Ocidental. A base de pesquisa de Pirambu foi a primeira a ser criada pelo Tamar, em 1981.
Nesta época, pouco se sabia sobre o comportamento reprodutivo das tartarugas marinhas. Os pescadores preferiam as noites de lua cheia para facilitar a localização e a coleta das desovas. Os ovos eram uma iguaria famosa, encontrada em Pirambu e até em Aracaju. Era preciso caminhar muito e ser muito insistente para conseguir encontrar e assistir a "dança" das raras olivas.
A transferência do conhecimento tradicional dos pescadores para os pesquisadores foi essencial para iniciar o trabalho conservação, explica a coordenadora técnica do Tamar em Sergipe, Jaqueline Comin de Castilhos. Na Costa Rica, no México e na Índia, as fêmeas sobem às praias para desovar em grandes grupos que chegam a totalizar 100 mil indivíduos por “arribada”.

Sobre o Tamar
O Projeto Tamar-ICMBio foi criado em 1980, pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), que mais tarde se transformou no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Hoje, é reconhecido internacionalmente como uma das mais bem sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.
Pesquisa, conservação e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção, é a principal missão do Tamar, que protege cerca de 1.100km de praias, através de 19 bases de pesquisa e conservação e 11 Centros de Visitantes localizados em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e ilhas oceânicas, em nove estados brasileiros.
Fonte - Tribuna da Bahia  07/08/2014