UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Um erro refinado

Petróleo/energia  ⛽

O Brasil tem 17 refinarias instaladas e várias novas em distintos estágios de implantação ou projeto. A Petrobrás é responsável por 98% da produção interna de derivados de petróleo.Nossas matérias primas são relativamente baratas, o que implica vantagem objetiva na formação de preços dos produtos processados ou refinados.O Brasil, absurdamente, define os preços internos dos derivados de petróleo e do gás processado por paridade com os preços internacionais, inclusive para a parcela muito majoritária que não é importada.

Artur Araújo* - Portogente
foto - 
O Brasil importou 11% da gasolina, 23% do diesel, 33% do gás de cozinha e 12% do querosene de aviação que consumiu em 2018, mesmo em quadro de paradeira econômica e demanda reduzida. Em torno de R$ 70 bilhões foram gastos em moeda estrangeira. Os dados relativos ao ano passado devem ser divulgados ainda no primeiro trimestre de 2020 e certamente terão perfil semelhante.
O Brasil tem 17 refinarias instaladas e várias novas em distintos estágios de implantação ou projeto. A Petrobrás é responsável por 98% da produção interna de derivados de petróleo.
O Brasil está entre os grandes produtores mundiais de petróleo e gás natural, com custos de extração muito competitivos frente às médias internacionais. Nossas matérias primas são relativamente baratas, o que implica vantagem objetiva na formação de preços dos produtos processados ou refinados.
O Brasil, absurdamente, define os preços internos dos derivados de petróleo e do gás processado por paridade com os preços internacionais, inclusive para a parcela muito majoritária que não é importada. Desconsidera os custos reais da produção local, com tripla consequência: i) os preços internos de todos os demais bens e serviços são pressionados para cima, dada a interdependência entre sua produção e distribuição e o uso de derivados de petróleo; ii) há geração de superlucros para os acionistas de Petrobrás; iii) as famílias têm uma parcela excessiva de sua renda transferida para o setor de petróleo e gás, ao terem que comprar gás de cozinha e gasolina a preços artificialmente inflados.
O Brasil, mais absurdamente ainda, gasta fortunas com a logística do “cruzeiro marítimo” de óleo cru e de gás in natura, com uma frota de navios viajando milhares de quilômetros para refino no exterior e mais outros milhares de quilômetros para retorno como derivados. Donos de empresas de navegação e trabalhadores das refinarias estrangeiras, entre outros beneficiários, agradecem muito nossa “solidariedade”.
O Brasil, que sempre tem um grande desafio na cobertura de um balanço de pagamentos estruturalmente deficitário, gasta dólares para comprar derivados de insumos que produz em reais e que pode processar ou refinar em reais.
Se a economia brasileira sair da letargia, o gargalo cambial na conta petróleo se agravará de imediato. Ainda mais dólares escorrerão para fora para termos mais combustíveis para fazer o país andar e mais gás para cozinhar o pouco mais de alimentos que as famílias poderão comprar. Não é demais insistir: gás de cozinha e combustíveis cuja matéria-prima é nacional e que podem ser produzidos nacionalmente com todas as transações feitas em moeda nacional.
É evidente que a produção interna de derivados e o processamento local do gás natural tem que ser a estratégia do Brasil, assim como é óbvio que, para viabilizar essa rota, o parque nacional de refino e processamento tem que ser imediatamente expandido e continuamente adequado à expansão futura da demanda interna por esses produtos.
O Brasil tem uma Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) teoricamente responsável por formular políticas para o setor e regular sua atividades. Deveria ser desnecessário frisar que tais regulação e políticas devem ter por norte os interesses da maioria dos brasileiros.
As constatações acima levam qualquer pessoa de bom senso a se indignar com as ideias e propostas do diretor-geral da ANP, Décio Oddone, publicadas em reportagem do Valor Econômico na edição de 7/11 (https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/01/07/pais-tem-espaco-para-construcao-de-refinarias-diz-diretor-da-anp.ghtml).

O que disse o senhor Oddone?- que a Petrobrás deve vender para o capital privado, quase certamente estrangeiro, oito das suas refinarias, reduzindo ainda mais a capacidade estatal de atuação na formação de preços estratégicos e na estratégica gestão de fluxos cambiais;
- que só devemos construir novas refinarias no Brasil (privadas, obviamente) em algum incerto momento futuro e desde que assegurada a mesma malfadada indexação do preço de derivados e processados aos preços internacionais;
- que temos que desativar a conclusão de refinarias em construção pela Petrobras e eliminar, para sempre, qualquer plano de expansão da empresa no setor, mesmo frente ao quadro óbvio de falta de plantas para dar conta do consumo corrente (e, ainda mais, do consumo futuro), agravando aceleradamente nossa dependência de importações.
Uma colocação do senhor Oddone é reveladora da sinuosidade prejudicial do que ele formula e quer que o Brasil aceite: "eventual cenário de autossuficiência de combustíveis no País no futuro também favorecerá um efeito estrutural de redução de preços dos derivados de petróleo. 'Essa seria a maneira estrutural de trazer o preço do derivado para baixo. Mas para isso precisamos construir refinarias'."

"Precisamos" quem?Por que não fazê-lo já, via Petrobrás, quando tudo indica e exige a urgente adequação da produção interna à demanda já existente e que vem sendo atendida por importações sem nenhum sentido econômico e na contramão dos interesses do Brasil?
A evidente contradição em que cai o diretor-geral é demonstração cabal do refinado erro que o governo atual pretende praticar.
Um erro tão primário cuja única justificativa imaginável é assegurar altos ganhos para quem está envolvido na “cadeia da importação” e “criar valor” artificial na Petrobras, aguçando os apetites por sua privatização total.
* Consultor do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Artigo publilcado, originalmente, no site do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.
Fonte - Portogente  14/01/2020

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Preços da gasolina e do diesel sobem hoje nas refinarias

Economia  ⛽

Para este sábado (13), a empresa já anunciou nova variação nos preços dos dois combustíveis: a gasolina e o diesel terão redução de 0,7%.O preço final ao consumidor, nas bombas, dependerá de cada empresa revendedora e dos próprios postos de combustíveis

Aécio Amado
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Os preços da gasolina e do diesel - comercializados nas refinarias – aumentaram hoje (12) 1,4% e 0,7% respectivamente, de acordo com informação da Petrobras.
Para este sábado (13), a empresa já anunciou nova variação nos preços dos dois combustíveis: a gasolina e o diesel terão redução de 0,7%.
As variações de preço fazem parte de reajustes frequentes praticados pela Petrobras, “em busca de convergência no curto prazo com a paridade do mercado internacional”, segundo a estatal.
O preço final ao consumidor, nas bombas, dependerá de cada empresa revendedora e dos próprios postos de combustíveis. O histórico das últimas variações praticadas pela Petrobras está disponível na página da estatal na internet.
Fonte - Agência Brasil   12/01/2018

terça-feira, 25 de julho de 2017

Justiça Federal em Brasília suspende aumento de impostos sobre combustíveis

Economia  ⛽

O juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal de Brasília, entendeu que o reajuste é inconstitucional, por ter sido feito por decreto, e não por projeto de lei. Para Borelli, o contribuinte “não pode ser surpreendido pela cobrança não instituída e/ou majorada por lei”, sob pena de ser lesado em seus direitos fundamentais.

Felipe Pontes
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu o reajuste das alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o diesel e o etanol, anunciado pelo governo na última quinta-feira (20).
O juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal de Brasília, entendeu que o reajuste é inconstitucional, por ter sido feito por decreto, e não por projeto de lei. Para Borelli, o contribuinte “não pode ser surpreendido pela cobrança não instituída e/ou majorada por lei”, sob pena de ser lesado em seus direitos fundamentais.
"É óbvio que o Estado precisa de receitas para desenvolver as atividades relacionadas o bem comum da coletividade. Porém, para desempenhar tal atividade, o Estado deve respeitar e ficar atento aos preceitos relacionados aos direitos fundamentais inseridos no texto constitucional", escreveu o juiz.
Na decisão datada desta terça-feira (25) e motivada por uma ação popular, Borelli diz que, conforme a Constituição, ainda que aprovado em lei, o aumento nos encargos só poderia passar a vigorar após 90 dias, e não de imediato, como determinado pelo decreto publicado pelo governo federal.
No decreto, o governo retirou reduções que haviam sido implementadas sobre as alíquotas de PIS/Confins anteriores, resultando, na prática, em um aumento de impostos, o que, segundo o juiz federal, seria ilegal.
A previsão do governo é arrecadar mais R$ 10,4 bilhões com o aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis, de modo a conseguir cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 139 bilhões para este ano.
A Advocacia-Geral da União informou que, tão logo seja notificada, vai recorrer da decisão.
Fonte - Agência Brasil  25/07/2017

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Governo divulga aumento de impostos sobre combustíveis

Economia  ⛽

A alíquota subirá de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 para o litro da gasolina e de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o litro do etanol, a alíquota passará de R$ 0,12 para R$ 0,1309 para o produtor. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, aumentará para R$ 0,1964. 

Wellton Máximo - Ag. Brasil
foto - ilustração
Com dificuldades em recuperar a arrecadação, o governo decidiu aumentar tributos para arrecadar R$ 10,4 bilhões e cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 139 bilhões. O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o diesel e o etanol subirá para compensar as dificuldades fiscais, segundo nota conjunta, divulgada há pouco, dos ministérios da Fazenda e do Planejamento.
A alíquota subirá de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 para o litro da gasolina e de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o litro do etanol, a alíquota passará de R$ 0,12 para R$ 0,1309 para o produtor. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, aumentará para R$ 0,1964. A medida entrará em vigor imediatamente por meio de decreto publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União.
O governo também contingenciará [bloqueará] mais R$ 5,9 bilhões de despesas não obrigatórias do Orçamento. Os novos cortes serão detalhados amanhã (21), quando o Ministério do Planejamento divulgará o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas. Publicado a cada dois meses, o documento contém previsões sobre a economia e a programação orçamentária do ano. A nova alíquota vai impactar o preço de combustível nas refinarias, mas o eventual repasse do aumento para o consumidor vai depender de cada posto de gasolina.
Com informações da Agência Brasil  20/07/2017

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Preços da gasolina e diesel podem ter "reajustes diários", anuncia Petrobras

Economia  ⛽

A revisão da política de preços da estatal foi aprovada quinta-feira (29), pela Diretoria Executiva e comunicada hoje à imprensa e ao mercado pelos diretores de Finanças e Relacionamento com os Investidores, Ivan Monteiro, e de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino. Com as alterações, a partir de segunda-feira (3), a área técnica de marketing e comercialização da companhia terá delegação para realizar ajustes nos preços, a qualquer momento, inclusive diariamente.

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
A Petrobras anunciou hoje (30) mudanças na sua política de reajuste dos preços da gasolina e do diesel comercializados em suas refinarias em todo o país. Os reajustes poderão, a partir da próxima segunda-feira (3), ocorrer em menor espaço de tempo, com a possibilidade de ser até diários, dependendo das oscilações do preço do produto no mercado externo.
A revisão da política de preços da estatal foi aprovada quinta-feira (29), pela Diretoria Executiva e comunicada hoje à imprensa e ao mercado pelos diretores de Finanças e Relacionamento com os Investidores, Ivan Monteiro, e de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino.
“Com as alterações, a partir de segunda-feira (3), a área técnica de marketing e comercialização da companhia terá delegação para realizar ajustes nos preços, a qualquer momento, inclusive diariamente, desde que os reajustes acumulados por produto estejam, na média Brasil, dentro de uma faixa determinada (-7% a +7%), respeitando a margem estabelecida pelo Gemp (Grupo Executivo de Mercado e Preços)”, informou a diretoria.
Qualquer alteração fora dessa faixa terá que ser autorizada pelo grupo, composto pelo presidente da estatal Pedro Parente e pelos diretores executivos de Refino e Gás Natural e Financeiro e de Relacionamento com Investidores
Na avaliação do diretor Ivan Monteiro, a mudança “representa um novo marco na politica de preços da companhia ao dar maior liberdade e margem de ação à área comercial, que terá liberdade para praticar [para cima ou para baixo] reajustes até mesmo diariamente”.
A avaliação do diretor da Área de Refino e Gás natural, Jorge Celestino, “os ajustes que vinham sendo praticados, desde o anúncio da nova política em outubro do ano passado, não vinham sendo suficientes para acompanhar a volatilidade crescente da taxa de câmbio e das cotações de petróleo e derivados no mercado externo”.
No entendimento da diretoria da estatal, “com a revisão anunciada, a nova política de preços aprovada permitirá maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilitará à companhia competir de maneira mais ágil e eficiente, recuperando parte do mercado que vinha perdendo para os derivados importados”.
Os diretores fizeram questão de ressaltar que, com as alterações, “os princípios da política de preços, aprovada em outubro de 2016, permanecem inalterados, levando em consideração o preço de paridade internacional (PPI), margens para remuneração dos riscos inerentes à operação, impostos (PIS, Cofins e ICMS) e o nível de participação no mercado”.
No último reajuste anunciado pela Petrobras, ainda na vigência da atual política, feito no dia 14, o diesel subiu 5,8% e a gasolina 2,3%.
Os diretores anunciaram, ainda, que os reajustes futuros no preço dos combustíveis passarão a ser divulgados pela internet, no site da companhia (www.petrobras.com.br/precosdistribuidoras) e nos canais internos de comunicação aos clientes.
Fonte - Agência Brasil 30/06/2017