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sábado, 18 de novembro de 2017

Políticas ambientais viram moeda de troca

Meio ambiente  🌵

“O fato de um país se candidatar a sediar uma conferência climática da ONU não significa que ele tenha boas práticas de política ambiental.” A análise é de Pedro Telles, especialista em mudanças climáticas do Greenpeace, ao comentar a proposta apresentada pelo Brasil, no encerramento da COP 23, na Alemanha, de ser sede da COP 25 em 2019."O que se vê hoje no Brasil é que políticas ambientais se tornaram uma moeda de troca no Congresso de uma maioria ruralista, com objetivos muito claros, um governo frágil, que está negociando tudo que pode para se manter no poder", diz o especialista. 

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Falando com exclusividade à Sputnik Brasil, o representante do Greenpeace exemplifica a análise com o caso da Polônia que, em 2018, vai sediar outra conferência sobre o clima, apesar de o país ser ainda hoje um dos maiores produtores de carvão mineral, combustível considerado como o mais nocivo em termos de gases que provocam o aquecimento global. Com relação ao Brasil, Telles diz que o país ainda tem uma longa agenda de compromissos a ser cumprida em relação à proteção ambiental, apesar de alguns avanços pontuais registrado nos últimos meses, como a redução do desmatamento.
Na Alemanha, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, justificou a pretensão brasileira pela longa tradição que o país tem em debates globais sobre questões ambientais, desde a realização da Rio 92 e outros grandes eventos sobre o tema. Segundo o ministro, o Brasil reduziu o desmatamento em 28%, sendo a maior parte na Região Amazônica desde o início do ano.
"O que se vê hoje no Brasil é que políticas ambientais se tornaram uma moeda de troca no Congresso de uma maioria ruralista, com objetivos muito claros, um governo frágil, que está negociando tudo que pode para se manter no poder", diz o especialista.
Telles admite que, nos últimos meses, aconteceu uma queda no nível de desmatamento, mas de uma forma muito mais conjuntural do que estrutural, isso porque há uma tendência de aumento nos últimos quatro, cinco anos. Segundo ele, o Brasil reduziu muito o desmatamento entre 2002 e 2012, mas de lá para cá a tendência foi de estabilização e depois de novo aumento, e nada indica que vá voltar a cair no longo prazo.
Com relação à China, que vem sendo apontada por especialistas como sendo um dos países que deram uma grande guinada, partindo para busca de fontes alternativas de energia, Telles diz que são muito poucas as semelhanças entre o Brasil e o país asiático.
"A China tinha uma participação enorme do carvão em sua matriz. No Brasil, a participação de carvão não é muito grande em termos de geração de energia, não chega nem a 10%, mas é muito desproporcional em termos de geração de poluentes. Na verdade, o investimento em carvão hoje é muito irracional, mas tem uma força política considerável, principalmente no Sul do país. Está no hora de o Brasil acabar com o carvão. O BNDES, já no ano passado, anunciou que parou de financiar carvão no país. Está na hora de o governo falar que, nos próximos leilões de energia, carvão não será opção", afirma o especialista do Greenpeace.
Com relação aos subsídios de R$ 1 trilhão que o governo brasileiro pretende oferecer às empresas petrolíferas, nos próximos 25 anos, como incentivo à produção no pré-sal, Telles diz que essa política é incompatível com os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil junto à comunidade internacional.
"O Acordo de Paris apontou claramente para o fim dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás). Os investimentos em combustíveis fósseis na prática já se mostram muito menos inteligentes do que se prometia, com retorno menor em muitos casos. É claro que a gente não vai, de um ano para o outro, acabar com o petróleo. Ele é uma parte elementar da sociedade e da economia brasileira, mas suas coisas são necessárias."
A primeira mudança, na visão do especialista do Greenpeace, é que novas fronteiras de petróleo não são mais aceitáveis.
"Temos acesso a bem mais petróleo do que poderíamos explorar, se quisermos nos manter abaixo de 1,5 grau Celsius de aquecimento. A segunda é que o governo tem que ter um plano claro de como vai descontinuar essa fonte. O investimento em petróleo no Brasil nos próximos anos representa 70% do total em energia e isso tem que mudar", finaliza Telles.
Fonte - Sputnik  17/11/2017

quinta-feira, 7 de março de 2013

Desenvolvimento e políticas ambientais sustentáveis


Luiz Carlos Leoni
Desenvolvimento com políticas ambientais sustentáveis não são coisas antagônicas. Qualquer pessoa com um mínimo de noções culturais sabe que investimentos em transporte, saneamento básico, urbanismo e infraestrutura só trazem o progresso por onde passam. Os fatos refletem isto: o atual rodoanel sul não permite ligações periféricas secundárias em seu contorno, atravessa inúmeros mananciais, e o futuro, norte, está levando em conta estas importantíssimas questões. Com todo respeito, acreditar que o único caminho viável é deixarmos do jeito que está, é no mínimo falta de informação.
Dentre as obras do PAC-2, uma que deveria estar incluída, e priorizada, é a ligação rodoferroviária Parelheiros–Itanhaém, uma vez que o porto de Santos ultrapassou seu limite de saturação com filas de navios em de mais de 60 unidades, que podem ser avistados da Vila Caiçara em Praia Grande. A Via Anchieta, por ser a única via de descida permitida para ônibus e caminhões, tem registrado congestionamentos e acidentes graves semanalmente, como este de hoje 22/02/2013 em que uma tromba d’agua na baixada paulista deixou o sistema Anchieta/Imigrantes em colapso, e o transito só foi restabelecido na madrugada do dia 24 seguinte. Em épocas de escoamento de safras também a Dom Domenico Rangoni (Piaçaguera–Guarujá) se torna congestionada diariamente, ao contrário da Manoel da Nóbrega, onde somente se fica com problemas em épocas pontuais na passagem de ano, ao porto de Santos, e os futuros portos de Itanhaém / Peruíbe.
Acredito também, como munícipe, que a estrada mitigaria as condições de estagnação que as cidades vivem, com ruas sem pavimentação, buracos e mato para todo o lado. Uma ligação da cidade com a região sul da capital traria muitos benefícios, fornecendo mais opções, melhorando a qualidade de vida dos moradores da capital e baixada. Muitas pessoas voltariam a fixar na cidade, inclusive eu. A cidade poderia nos dar mais retorno frente aos impostos que pagamos. Investimentos em Parques Temáticos, Porto, Aeroporto, Ferrovia ligando com a existente, enfim muitos projetos que alavancariam a região como um todo, bem como o desenvolvimento global de toda a região.
Enquanto outras cidades turísticas litorâneas avançam principalmente no norte fluminense, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe se voltam ás primitivas cidades sazonais caiçaras sem interesse em desenvolvimento e com metas e avanços financeiros presentes apenas nas mãos de alguns.
Já passou á hora de ver nossa geração e de nossos filhos se enraizarem na região com bons empregos e educação ao invés de tentar uma melhor condição social em São Paulo, pois Santos também está saturada.
Com relação Parelheiros, esta região rural situada ao sul do município de São Paulo, a região que possui uma carência de saneamento básico, ajudaria enormemente uma fiscalização e urbanização e preservação dos seus mananciais.
Sinto que o potencial destas cidades não é aproveitado, com foco noutros que beneficiam uma minoria. Não vejo senão, o apoio irresponsável e egoísta aos interesses escusos.
Fonte - São Paulo Trem Jeito   06/03/2013