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domingo, 8 de março de 2015

Seis (6) mil integrantes do MST estão marchando em direção a Salvador

Política

Os integrantes pretender cobrir o trajeto em 6 dias.“O MST segue as ações como movimento social de luta pela terra, e o país precisa participar desse diálogo sobre a reforma agrária e melhores condições para a vida no campo.De acordo com o dirigente nacional do MST, Marcio Matos, há um novo cenário político na Bahia que abre espaço para o diálogo com a sociedade

TB

A marcha do MST reúne cerca de 6 mil sem terras das dez regiões da Bahia e terá um trajeto de 116 quilômetros, entre Feira de Santana e Salvador.
O deputado federal e membro do movimento, Valmir Assunção (PT-BA), aponta para as políticas públicas que precisam avançar citando a necessidade de continuar com as desapropriações de terras e desenvolver ainda mais a infraestrutura dos assentamentos existentes.
“O MST segue as ações como movimento social de luta pela terra, e o país precisa participar desse diálogo sobre a reforma agrária e melhores condições para a vida no campo. A sociedade não é isenta desse debate, é preciso ampliar o diálogo com os setores de produção, técnicos e desenvolver mais assistência técnica, investimentos na convivência com a longa estiagem e em projetos de beneficiamento e comercialização de alimentos da agricultura familiar”, diz Valmir.
De acordo com o dirigente nacional do MST, Marcio Matos, há um novo cenário político na Bahia que abre espaço para o diálogo com a sociedade, com os órgãos públicos e com movimentos que debatem a reforma agrária no país, defendendo a construção de um sistema mais igualitário.
“Essa marcha cumpre o papel de estreitar as relações entre o MST e a população baiana. Nossa jornada de luta segue os mesmos parâmetros das anteriores, levando cada vez mais militantes para as ruas. Dessa vez vamos de Feira para Salvador com mais de 6 mil pessoas”, salienta.
Matos ainda informa que a concentração da marcha já acontece em Feira de Santana neste domingo (8/3), e a abertura da programação será com a ação das Mulheres Sem Terra, marcada para essa segunda-feira (9).
Ainda conforme o MST, os trabalhadores rurais pretendem cumprir o trajeto da marcha de Feira a Salvador em seis dias.
Fonte - Tribuna da Bahia 08/03/2015

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

TV Globo e os terroristas do campo

Por Altamiro Borges
Foto ilustração - ehol.com
Em outubro de 2009, integrantes do MST ocuparam uma fazenda grilada pela empresa Cutrale no município de Iaras (SP). Revoltados com a lentidão da reforma agrária, ativistas destruíram pés de laranja com tratores. Apesar da direção do movimento ter criticado a iniciativa, a cena foi superexplorada pela mídia ruralista. A TV Globo, já em campanha para a sucessão de 2010, reproduziu o vídeo inúmeras vezes. Ontem, porém, ela silenciou sobre uma ação terrorista dos ruralistas em terras indígenas no Mato Grosso.
Segundo relato dos jornalistas Daniel Carvalho e Juca Varella, na Folha deste domingo, os fazendeiros que invadiram ilegalmente terras dos índios xavantes Marãiwatsédé, na cidade Alto da Boa Vista (MT), utilizaram métodos terroristas para sabotar ontem uma ação de despejo liderada por agentes do Incra e da Polícia Federal. “Eles usam táticas de guerrilha contra forças federais para tentar impedir despejo, queimam ponte, bloqueiam estrada e armam um ataque frustrado”. A emboscada poderia até ter causado mortes.
Emboscada e coquetéis molotov:
Os grileiros chegaram a fabricar coquetéis molotov. “Quem está com bomba fica desse lado. Quem não está fica desse outro”, dizia um deles, de cima de uma caminhonete. “Era uma emboscada para os agentes de segurança. A ideia era atacá-los e depois tocar fogo ao caminhão com a mudança, em protesto. Um produtor da região, de cerca de 60 anos, puxou conversa com os jornalistas. Em tom jocoso, questionou se o repórter não estaria disposto a ‘pegar umas pedras’ e se juntar aos manifestantes”, descrevem os repórteres.
Ainda segundo os jornalistas, “a tensão ia aumentando. Uns, mais preocupados, diziam: ‘Dessa vez não vai ser bala de borracha’. Um homem retrucou: ‘Mas aqui também tem [bala de verdade]’. De repente, as luzes se apagaram. A escuridão era quebrada apenas pelos faróis do comboio de 20 carros de polícia que se aproximava. Um grupo de quatro manifestantes se aproximou do primeiro carro, de onde saíram quatro soldados armados. ‘Nem mais um passo, senão a gente atira’, gritou um soldado da Força Nacional”.
A seletividade da mídia ruralista:
“O barril de pólvora que se armou na região não havia explodido até a conclusão desta reportagem, mas a disposição de quem está em Posto da Mata deixava claro que pode ser apenas uma questão de tempo. ‘Vai morrer homem, mulher. Estou disposto a morrer pelo que tenho’, dizia Odemir Perez”. A invasão da reserva dos Marãiwatsédé foi planejada por ricaços ruralistas, que alistaram pequenos produtores e contam com o apoio de políticos da direita. Dom Pedro Casaldáliga há muito denuncia o clima de tensão na região.
O conflito, porém, nunca foi destaque na mídia ruralista. Quando da ocupação da fazenda grilada da Cutrale em 2009, jornais, revistas e emissoras de tevê fizeram um baita escândalo. Eles ajudaram a criar o clima para a instalação da CPI do MST, visando criminalizar o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra. Agora, a mídia nada fala sobre a ação terrorista dos ruralistas no Mato Grosso. Nem sequer um vídeo no Jornal Nacional da TV Globo. E ainda tem gente que acredita na neutralidade da imprensa burguesa!
Fonte - Blog do Miro  16/12/2012