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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Um terço dos aquíferos do mundo está secando, alerta Nasa

Água

Para chegar aos dados, a entidade levou em consideração pequenas variações na força da gravidade do planeta, medidas pelos satélites gêmeos da missão espacial Grace.No Brasil, a situação dos principais aquíferos ainda é confortável. Localizado inteiramente no país, o Aquífero Alter do Chão chegou a apresentar pequeno ganho de volume no período, enquanto o Aquífero Guarani – compartilhado com Uruguai, Paraguai e Argentina – apresentou redução de água considerada “mínima”.

The Greenest Post

Levantamento inédito realizado pela Nasa apontou dados preocupantes sobre a situação dos principais sistemas aquíferos da Terra. Entre 2003 e 2013, 21 dos 37 maiores aquíferos do mundo tiveram mais perda do que recarga de água. Em 13 deles, a diferença foi classificada como de “grande estresse”, o que agrava ainda mais a situação.
Para chegar aos dados, a entidade levou em consideração pequenas variações na força da gravidade do planeta, medidas pelos satélites gêmeos da missão espacial Grace.
No Brasil, a situação dos principais aquíferos ainda é confortável. Localizado inteiramente no país, o Aquífero Alter do Chão chegou a apresentar pequeno ganho de volume no período, enquanto o Aquífero Guarani – compartilhado com Uruguai, Paraguai e Argentina – apresentou redução de água considerada “mínima”.
Apesar do resultado positivo, o hidrólogo brasileiro Augusto Getirana, pesquisador da Universidade de Maryland e do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, ressaltou que as necessidades decorrentes da crise hídrica vivenciada pelo país podem representar um alerta a longo prazo. “Todos esperamos que a atual seca no sudeste brasileiro seja temporária, mas caso seja uma condição prolongada ou permanente teremos que pensar nos impactos negativos em aquíferos, uma vez que essa é outra fonte potencial de água para abastecimento da população”.
Muitos desses depósitos de água começaram a ser utilizados nas últimas décadas para suprir diversas necessidades humanas – como irrigação e consumo. Com a retirada desregulada de água, algumas fontes estão começando a secar, colocando em risco a segurança hídrica global.
Fonte - Revista Amazônia  24/02/2016

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sistema Cantareira baixa para apenas 18,2% do volume morto

São Paulo

Todo o volume útil do sistema foi consumido e resta agora apenas o volume morto - reserva técnica, que era 18,5%. A Sabesp garante o abastecimento até meados de março do próximo ano.
Há um ano, o Cantareira trabalhava com 55,2% da sua capacidade total, contando apenas com o volume útil. 


Fernand Curz 
Repórter da Agênica Brasil
O Sistema Cantareira abastece 14 milhões
de pessoas - Divulgação/Sabesp
O nível nos reservatórios do Sistema Cantareira continua sofrendo quedas consecutivas, chegando hoje (14) a 18,2% da sua capacidade de armazenamento, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Todo o volume útil do sistema foi consumido e resta agora apenas o volume morto - reserva técnica, que era 18,5%. A Sabesp garante o abastecimento até meados de março do próximo ano.
Há um ano, o Cantareira trabalhava com 55,2% da sua capacidade total, contando apenas com o volume útil. Outro manancial paulista, o Sistema Alto Tietê, também registra queda significativa – o nível dos reservatórios está em 23,6% hoje, enquanto a capacidade era 63,4% há um ano. Em março, a Sabesp anunciou a redução da captação do Cantareira e a complementação dele por meio de outros sistemas, incluindo o Alto Tietê.
O Cantareira, além de abastecer 9 milhões de habitantes na grande São Paulo, atende a 5 milhões de pessoas nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Segundo o Consórcio Intermunicipal PCJ, que representa essas cidades, a situação crítica é claramente observada em rios como o Piracicaba. Enquanto a vazão normal desse rio para esta época do ano é, em média, 40 metros cúbicos por segundo, a vazão registrada hoje foi 9,6 metros cúbicos por segundo.
Estudo elaborado pela Universidade de Campinas (Unicamp), com financiamento do consórcio, mostra que o volume do Cantareira pode secar totalmente em menos de 100 dias. O professor Antonio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da universidade, responsável pela pesquisa, acompanhou a situação dos reservatórios do sistema e alerta para a possibilidade de atraso no início do período de chuvas este ano.
“Não se pode garantir que [as chuvas] voltam em outubro. No ano passado, ela só veio na segunda metade de dezembro. Foram só 15 dias de chuvas normais ano passado. Não sabemos se [neste ano] vai voltar com normalidade ou se vai atrasar”, disse o especialista.
Zuffo defendeu uma redução na exploração da água e a implementação do rodízio como forma de garantir uma sobrevida do abastecimento. “Houve uma gestão de alto risco, o problema foi falta de planejamento, falta de investimento. A água é um recurso vital para todos os seres vivos, para todos os fins. Não poderiam ter adotado medidas com interesse meramente comercial do setor da água”, declarou.
Na semana passada, a Agência Nacional de Águas prorrogou até 31 de outubro de 2015 o direito de uso dos recursos hídricos do Sistema Cantareira para a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). A outorga, concedida em 2004, tinha validade de dez anos e venceria no próximo mês. O sistema abastece cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo. De acordo com a ANA, a renovação irá considerar esse período de escassez de chuva pelo qual passa o sistema. A extensão da outorga ocorre em meio à maior crise hídrica da história do Cantareira, que foi criado na década de 1970.
Fonte - Agência Brasil  14/07/2014